martedì, marzo 21, 2006

O que falar de uma noite de outono...


Estava friozinho ontem à noite, era perceptível a entrada do outono no RS. Mas o casal estava ali sentado a beira da calçada escura, sob uma lua crescente que dividia a imensidão do céu com poucas estrelas. As nuvens faziam do céu um tapete com vários tons de cinzas. E o vento insistia em bater. E eles permaneciam sentados conversando e suas reações apontavam algo desagradável entre os dois.

Ele colocara os braços para traz na calçada e com as pernas esticadas balançava sua cabeça constantemente enquanto despejava palavras, que eu ignorava. Ela permanecia por um bom tempo com o corpo para a frente e as mãos escondiam as expressões de seu rosto. Em certos momentos olhava para traz a fim de encontrar o rosto dele, bradava algumas palavras e ligeiramente cobria seu rosto com as mãos novamente.

Em alguns momentos suas atenções eram desviadas pela passagem de estranhos que assim como eu ignoravam o que acontecia. De repente ele muda de posição dobra suas pernas e com as mãos faz movimentos frenéticos de explicação, nesse momento ela apenas olha para o nada e seu movimento mais brusco é jogar seu rosto entre as mãos. O fato é que eu estava muito longe e não podia ver ao certo se lágrimas chegaram a cair de seus olhos.

A noite continuava. O vento levantava os cabelos morenos e longos dela, mas dele nada seria capaz de mover. A lua permanecia crescendo lentamente e agora já afastara de si as nuvens que a cercavam e as estrelas ainda dividiam o brilho do céu com a misteriosa lua, como aquela relação que poderia estar se desfazendo.

Percebo, agora que suas posições mudam, continuamente, apesar de lentas, as mãos explicam e indagam, roçam o rosto, mexem no cabelo. Porém falam muito e se olham pouco, quase nunca. Agora nem mesmo os carros, nem mesmo as pessoas lhe tiravam a atenção, ou seria a tensão. Nem mesmo eu ali na janela observando e escrevendo já lhes incomodo.

Creio que nesse momento nem mesmo a lua era percebida, nem mesmo o piscar das estrelas, quanto menos o vento e seu friozinho eram capaz de desviar o clima de fim que despontava daquela conversa tão demorada e diria delicada. Mas tenho que deixá-los em paz, fechar a janela e deixar que a imensidão do céu seja capaz de apaziguar aqueles movimentos frenéticos e inconstantes, assim como o vento deixarei levar aquelas palavras que bem ou mal ditas ecoam na primeira noite de outono de 2006.

Termino de ler esse texto e as nuvens escuras encobrem a lua, a música para de tocar e eles se levantam cada qual para seu destino de uma triste noite de outono. E é apenas a primeira.

mercoledì, marzo 15, 2006

Os loucos também amam e por isso choram...

o choro mais copioso
das minhas entranhas brotou
no meu rosto senti arder as lágrimas
no meu corpo senti uma desesperada fraqueza
no meu rosto vermelho a agonia
mas ouvia uma música leve
olhava a lua poderosa de mais uma noite
e aos poucos senti a dor que me atormenta
as lágrimas prescrevem sua falta
a fraqueza é de não te senti
a música leve apenas tenta me acalentar
mas nem mesmo a lua consegue detê-las
Afinal fiéis companheiras...
são vocês minhas lágrimas.

Francieli Rebelatto

Nascendo outra vez...mas de uma outra forma...

Hoje enquanto caminhava na rua, ouvia uma amiga a despejar palavras sobre sua nova teoria, falávamos da formatura de comunicação que acontece nesse final de semana, e falávamos o quão pouco tempo falta para nossa acontecer. Então essa minha colega fala que queria se amarrar numa árvore na universidade e não sair mais daqui, por que de certa forma a universidade representa um alicerce seguro, que nos protege do mercado de trabalho.

Dessas palavras inventamos a mais nova teoria de que a universidade é um segundo nascimento, na verdade ela pode ser uma incubadora, só que a grande diferença entre o nascimento da universidade, quando nos formamos, e o nascimento comum de uma criança é que na universidade passamos por um processo de autogestação. Isso quer dizer que somos responsáveis por essa gestão, somos nós que vamos nos alimentar e nos nutrir de forma adequada ou não, o que dará a garantia de que tipo de "crianças", na verdade profissionais seremos depois ali fora, no mercado de trabalho.

Sim! Por que ser um feto na placenta da mãe é muito fácil, apenas recebemos o alimento através do cordão umbilical e apenas temos que usufruir dessa mordomia e nossa formação vai depender de que tipo de vida e principalmente genética a nossa mãe tem. Enquanto universitários e auto-gestantes estamos de certa forma protegidos por tudo que a universidade nos oferece, mas isso não é suficiente, por que o que realmente vai nos nutrir adequadamente vão ser nossas escolhas a partir de tudo que é oferecido e principalmente a forma como aplicamos essas ofertas.

Na verdade exercemos o papel de mãe, só que os filhos somos nós mesmos. Assim como há as mães mais atenciosas e cuidadosas, temos nós a chance de escolher na universidade meios mais adequados para nossa formação e principalmente de sermos universitários atuantes e conscientes. Assim como na vida encontramos as mães que apenas acompanham a gravidez sem dar muita importância ou até mesmo tendo descaso a ela, na universidade temos estudantes que apenas passam e dela nada levam a não ser o descaso que tiveram durante os anos que aqui estiveram.

Mas voltando a formatura, que era do que falávamos, é nela que parimos ou damos à luz ao profissional que seremos amanhã depois que as cortinas da universidade se fechem. E a carreira que vamos construir depende muito da forma como conduzimos nossa vida dentro dessa incubadora, ou melhor, universidade.

Bom, aqueles que estão nascendo nesse final de semana, espero que tenham eles usufruído da melhor forma de tudo que a universidade os ofereceu, se não o fizeram certamente vão encontrar ainda novas formas de nascer e ainda vão passar por novas autogestações, mas o importante é estarem conscientes de que as mães agora somos nós mesmos, e por isso tem que se preocuparem em buscarem seus próprios alimentos e se vão se alimentar pelo cordão umbilical ou não, não importa, o importante é estarem bem nutridos. E para aqueles que ainda aqui na universidade permanecem, meu caso, é importante estarem conscientes de tudo que nos é oferecido e qual a melhor forma de aproveitarmos dessa proteção que é estar aqui.

Sou mãe e sou filha...Serei daqui a pouco uma nova criança largada nesse mundo que nem sempre vai ter árvores para nos agarrarmos e nem sempre vai nos oferecer uma proteção qualquer.

Parabéns!!! Formandos 2006, sejam grandes comunicadores e honrem o que de melhor essa profissão tem a oferecer e mantenham sempre a humildade e a dignidade que qualquer mãe quer ver em seus filhos...

martedì, marzo 14, 2006

Ela voltou, sem relutar...


O movimento das mãos prescreve desenhos no teto sobre a penumbra da noite quieta. Já passam das 2 da manhã e a insônia persiste, por certo, tem precedentes.

Agito meu corpo, me viro incansavelmente pela cama, meus pés incrivelmente alcançam o teto(só me visitando para entender). Sinto apenas o vento que bate do ventilador, e ouço apenas seu barulho na noite que não se finda.

Insisto em ficar deitada no escuro, desenhando possibilidades e planejando atitudes, evito descer as escadas da cama, gostaria de continuar ali e tentar buscar o sono que não vem. Mas não tem jeito, o esforço é em vão.

Apressadamente levanto da cama, prendo meus cabelos, ligo a luz, sento na cadeira em frente a escrivaninha e aí sim o sonho se completa. Rompo a barreira entre a caneta e o papel que a muito não se encontravam e permito que devagar a inspiração se aposse de meus pensamentos e de minha vida. O ator tinha razão, ela sabe quando voltar(ver texto Sem relutar).

Escrevo freneticamente, nesse momento já estou na segunda folha, mas minhas idéias se multiplicam a cada segundo e minha mão desacostumada não consegue, acompanhar esse turbilhão de idéias que perpassam em minha mente.

nada percebo ao meu redor, nem mesmo a luz fraca, de que sempre reclamei , me incomoda. Quero apenas escrever e buscar através dessas palavras um sono tranqüilo.

Vejo que minhas letras não passam de rabiscos, mas não há como descrever tantas vontades, poesias e rimas que se acumulam na mente, já enlouquecida.

Paro um pouco e agora percebo a sombra da minha mão no papel andando compulsivamente do começo de uma linha até o seu final. A caneta é conduzida vorazmente e dela brota a tinta azul que registra materialmente a alegria de me sentir novamente inspirada.

E querem saber, por que? Pois nem mesmo eu, minha cama, minha caneta, o papel são capazes de dizer. O que sei é que profissionalmente falando isso é um grande sentimento de felicidade.
02: 12 Horário de Brasília, mais um grande horário da minha vida. Escrevendo e vivendo novamente sobre a inspiração que retorna aos meus dias e minha noite...

lunedì, marzo 13, 2006

Divagando ao som abafado que gostas...

delírios constantes
passos em direção ao nada
luz que ofusca meus olhos
pior senão existisse
o som abafado do líquido dos teus pés procuro
por isso deliro, caminho sem sentido e não vejo nada
Além do vôo das borboletas
e do ritmo que me enlouquece
pois, nada mais passa de delírios pscicóticos...
ego x Id,
eu x tua falta...
me deteriorando aos poucos e consumindo meus dias
sem luz, sem som, sem você...

venerdì, marzo 10, 2006

Nada mais é como antigamente...Apelação até na educação...

Nesses tempos de recomeço de aulas, muitas são as expectativas que cercam crianças e jovens. Encontraremos com novos e velhos colegas, com novos e velhos professores, de repente até mudaremos de colégio ou de curso na universidade. Materiais novos são comprados, cadernos, caneta, mochila, livros e assim todo um ar de perspectivas se constróe. Confesso que sinto saudade das antigas escolas e das poucas responsabilidades.

E é nesse contexto que o comércio idealiza suas propagandas e formas de atrair esses estudantes que de uma forma ou de outra tendem ao mercado para começar esse novo ano. Mas entre tantas propagandas me deparei com uma que me chamou a atenção e indignou não só a mim, mas a todas as pessoas que consultei. Não consegui suportar tal afrontamento ao bom senso e sai espalhando e mostrando a propaganda para professores no intuito de que fosse trabalhado esse absurdo nas salas de aulas de jovens que são o público alvo da loja.

Falo da Campanha Gang de "volta à realidade", não de volta as aulas. Segue abaixo algumas das frases que compõe o adesivo: MENOS MATEMÁTICA E MAIS EDUCAÇÃO FÍSICA. MENOS BOA PROFESSORA E MAIS PROFESSORA BOA. MENOS ESTUDO PRA PROVA E MAIS CONCENTRAÇÃO PRA FESTA. MENOS BOLA FORA E MAIS PEITO DE FORA. MENOS CARA SARADO E MAIS GOSTOSA SENTADA AO LADO, essa é a versão masculina, agora segue abaixo a versão feminina da "digna" campanha: MENOS QUÍMICA NA AULA E MAIS QUÍMICA ENTRE A GALERA. MENOS MERENDA E MAIS CHOCOLATE PRA LARICA.MENOS PLAYBOY E MAIS COLEGA SARADO. MENOS COLEGA MALA E MAIS COLEGA FAZENDO A MÃO. MENOS AULA DEMORADA E MAIS RAPIDINHA NO BANHEIRO. Essa é uma parte do que podemos ver nos adesivos da Campanha e segundo algumas pessoas são as frases mais amenas. Bom que eu não tenha contato com as outras.

Sempre acreditei que é na escola nosso segundo porto seguro, em que podemos completar a educação que começamos em casa. Para isso sempre acreditei em valores que a escola deve repassar aos seus alunos, como bom senso, dignidade, humildade e vontade de encontrar no estudo o caminho para buscar seu futuro, construir sua personalidade e definir muita coisa para o resto de sua vida. Mas, porém vejo através dessa campanha que essa não é mais a idéia da maioria das pessoas, ou ao menos não é o que quer empresários sem nenhuma dignidade para aceitarem que uma campanha como essas seja lançada com o nome de sua empresa.

Sei que os jovens, seu público alvo, gostam de chocolate, de sexo, de professoras boas, de sacanagem e de estudar pouco, porém creio que não é esse o papel da educação nas vida desses adolescentes, que cada vez mais se entregam a lógica do mercado. Me pergunto se os filhos do dono da Gang acatam a essas idéias e como é sua reação ao ver que seus próprios filhos seguem a essa lógica, absurda e longe da moralidade. Depois nos perguntamos por que cada vez mais cedo vemos a antecipação, não da vida adulta, mas de coisas que cabem a vida adulta, como o sexo com responsabilidade e até mesmo a noção de sensualidade. Percebo que aos poucos o mercado vai imbuindo na cabeça desses jovens sensações e idéias que não lhe cabem aprender na escola, mas com sua própria vida e com o tempo real de amadurecimento. Antecipam condutas que não condizem com o que esperamos para nossos filhos e que não acreditamos como melhores para nós, ou ao menos eu acredito.

Minha indignação é tanta, que não entendo onde estão, nesse momento as entidades que sempre prezaram pelos "verdadeiros valores", que na verdade já não sei quais são. Me indgno, por que ninguém se atreve a combater esse tipo de campanha, ou ao menos criticar essa blasfêmia. Pode parecer, que sou uma puritana, mas isso não é verdade, pois também, adoro chocolate e adorava mais química entre colegas do que em aula, mas acredito que tudo tenha um limite, por que isso são percepções naturais de qualquer ser humano e não é cabível a uma campanha trazer em praça pública esse tipo de apelo ilimitado.

Em outra crônica falei que já não se fazem mais crianças como antigamente, pois também agora não se fazem mais alunos como antigamente, assim como nem as campanhas são mais como antigamente. Seria capaz de lembrar cada campanha ou propaganda que usam apenas da criatividade, sem Ter que usar da apelação para darem certo e seria capaz de descrever a atitude indignada de cada um que pegou esse adesivo da Gang em mão e simplesmente achou ridículo e baixo-nível tal campanha.

Nada mais é como antigamente. Nem mesmo eu...nem mesmo a volta as aulas, pois agora é de "volta a realidade". Se é que a realidade existe, às vezes creio que tudo é uma mera ilusão.

giovedì, marzo 09, 2006

Sem relutar...


Estava decidida: iria forçar ela a aparecer na minha vida de qualquer forma. Meus dias sem ela não tem sentido e me causam uma forte agonia, parece que não consigo cumprir meu papel e todos ao meu redor me cobram pela sua falta.

Não saberia explicar ao certo por que ela se afastou. De repente fui rebelde e não quis atendê-la, de repente não produzi a altura do que ela esperava, ou então não a amei como devia. Por isso me encontro assim, perambulando pelas ruas, pelos pensamentos afim de encontrar o melhor meio de trazê-la de volta a minha vida.

Não sei se deveria gritar, pular, chorar, enfim não sei que sentimento deveria expressar para que ela sensibilizada com meu martírio voltasse aos poucos e invadisse mais uma vez meu mundo de alegria, de perspectivas, de sonhos.

Mas acredito que nada é por acaso, pois, ontem à noite fui assitir a mais um espetáculo de Cênicas e depois de duas horas apreciando um teatro muito subjetivo encontrei respostas para minhas dúvidas em relação a falta que ela faz no meu mundo. Sim, o ator repetiu várias vezes que não podemos forçá-la a voltar e nem buscá-la compulsivamente, pois aos poucos e no seu devido tempo ela naturalmente fará parte mais uma vez da nossa vida.

Mais uma vez estava fazendo tudo errado, de nada adiantaria querer atropelar o curso natural das coisas para tê-la de volta, se ela sabe muito bem o tempo certo de voltar para meus pensamentos, minhas ações e minha razão pela qual conduzo muita coisa.

Acredito que ela esteja muito arredia a meu mundo de perversidade e a falta daquele que representa sua razão de existir. Pois é, temos que aprender a sobreviver sem a inspiração, mas acima de tudo temos que aprender a esperá-la decidir qual o melhor momento de mais uma vez retornar a vida de humildes poetas, que sem ela não são nada, e aos apaixonados que sem ela não se amam...

martedì, marzo 07, 2006

Rabiscando lamentações de uma paixão absurda.

Lágrimas e pensamentos em ti e por ti

Ousaste invadir minha vida outrora perdida
Ousaste invadir meu mundo com teu sorriso
E com tua personalidade
Permitiu que eu acreditasse nas tuas palavras,
Em tudo que vinha de ti e para mim era perfeito.


Permiti me envolver sem sentido nessa história
Permiti encontrar em ti verdades absurdas
Acreditei em fatos e olhares
Acreditei no que não passava de inverdades


Choro por Ter atendido meus desejos
Choro por fingir que me desconhece
Choro por pensar que tudo não passou de um engano
Lamento por deixar correr esse desejo insano
Lamento por você Ter entrado na minha vida


Mas de ti guardo o sorriso mais bonito
A competência mais admirável
Guardo as poesias e inspirações que me trouxeste
Guardo teu cheiro, teu gosto, teu jeito de fazer amor.
Guardo a lembrança do que foi e perspectivas de ainda te ter


Sinto a falta absurda de tua presença
Sinto a vontade louca de teu corpo e teus pensamentos
Vejo em tudo um pouco de ti
E vejo em mim a tenra loucura de uma paixão absurda


Desejaria te Ter todos os dias, todas as noites
Desejaria tua voz, as palavras bonitas ou sem graça
Mas possuo saudade e poucos momentos
Possuo o gosta da aventura que um dia perderei ao vento
Possuo o nada, o absurdo, e somente a mim mesmo
E ainda as lágrimas que por vezes viu cair de meus olhos...

"A idéia do lugar é boa, pena que as cabeças que o preenchem são vazias".

Numa segunda-feira à noite quando não se tem nada para fazer, aparentemente, ou então se quer esquecer muitas coisas ,oportunidades nos aparecem para vivermos mais uma segunda maluca. E como diz uma sábia amiga não podemos fugir do destino.

A muito tempo não ia no Absinto Hall, por vários motivos. Primeiro por que meus estilos de festa mudaram muito e lá não é um lugar que mais curto, segundo por falta de grana mesmo e terceiro por que nunca curti o público daquele local.

Mas levando em consideração o convite de um velho amigo, responsável pelas mudanças no ambiente do local, fui até lá apreciar seu trabalho. Como sempre um trabalho perfeito, realmente o ambiente estava muito adequado para uma grande noite. Mas bastou por os pés no Absinto para sentir que aquela seria mais uma noite de filosofias e análises: de personagens, de ritmos , de comportamentos e principalmente de como poderia ficar uma noite toda ali sem me sentir "um peixe fora da água".

Elas dançavam em roda, com expressões sérias não se olhavam, apenas passavam de mão em mão a cerveja que bebiam, mas de seus rostos nenhum sorriso aparecia e de suas bocas nenhuma palavra se ouvia. Quando caminhavam sempre estavam de mãos dadas, não sei se era para não se perder ou se a prova da grande amizade, até que um moço as abordasse. Vestiam minissaias, mas quando falo em mini, realmente estava certa minha avó, para baixo do umbigo e acima da virilha, umas mais ousadas usavam shorts minúsculos e sem falar nos decotes. Seus rostos possuíam uma maquiagem um tanto artificial, aliás, de natural muito pouco se via, com certeza um frasco de leite de colônia seria insuficiente. Os cabelos escorridos, não disfarçavam a chapinha muito quente que os deixara daquele jeito e seu loiros resplandeciam a tinta que um dia acobertou os castanhos, acizentados, ou até mesmo preto.

Enquanto isso, no meio da pista ele dançava sozinho, enlouquecidamente, como em tantas outras festas. Parecia ser a pessoa mais feliz e autêntica do lugar, pois não escondia nenhum pouco sua loucura e nem mesmo sua vontade de ser feliz. Enquanto a maioria de longe ria de sua audácia, eu e a Michele analisávamos tudo aquilo que nos rodeava. E aos poucos nos convencíamos de que aquela não foi a melhor escolha para uma segunda à noite. Realmente maluca.

Para amenizar essa situação marcávamos em nossa comanda todos os tipos de bebida, uma cerveja, duas, um wisky, dois, caipirinha (aliás muito doce, enchem de açúcar e o que menos colocam é vodka, porém reivindicamos nosso direito e calibramos a Segunda dose com muito mais vodka). E assim a noite foi passando a banda sobe ao palco e mais absurdos me inspiram para escrever esse texto, já que a muito não tenho escrito nada. Uma fase realmente sem inspiração. Mas a banda sobe ao palco e com ela as mão sobem, os peitos sobem, as saias sobem e elas que antes dançavam em roda agora, também sobem ao palco para demonstrar seus "dotes artísticos". Coxas grossas, expressões de "vem que te quero", peitos a mostra e muito rebolado. Esfrega de cá, esfrega de lá e as coisas começam a esquentar.

Antes disso, esqueci de falar sobre eles. Cabelo alinhado e com muito gel, rostos bem lisinhos, barba bem feita, roupa impecavelmente arrumada, parecem uns bonecos arrumados pelas mães. E de suas bocas saem sorrisos maliciosos, que olham para as coxas, para o rebolado, para os peitos, porém quem poderá apreciar um bonito olhar naquele escuro, naquele jogo enlouquecido de luzes.

Dessa noite muitas coisas boas e ruins carrego comigo. De boas o encontro com amigos especiais, com máquinas fotográficas, com um ritmo de música que a muito tempo curti. De ruim percebo a superficialidade das pessoas, de como em outros tempos pude me fascinar com coisas que hoje me deixam perplexas. Mas o que mais me lembro dessa noite são as cantadas totalmente sem sentido de alguns moços engomados que não se dão conta de nossa "passada inocência". Um deles se aproximou e pediu desculpa se estava incomodando (menos 2 pontos), depois me disse ao pé do ouvido (menos 2 pontos, odeio muita intimidade) que eu era tão bonita quando meu olhar. Não duvido da minha beleza, ao contrário me acho sim tão bonita quanto meu olhar, aliás acredito muito no poder do meu olhar, senão não seria bruxa, mas o que me deixou indignada é que minutos depois de ouvir toda a descrição da vida dele (aquele velho papo, o que tu faz, de onde és??) o moço se atreve a perguntar qual a cor dos meus olhos. Pois é, e ele me achou tão bonita quanto os olhos que nem tinha identificado a cor. Descartado imediatamente. Essa é uma das formas muito criativas que os moços engomados nos abordaram, alguns puxavam pelo cabelo e resmungavam palavras insólitas, outros chegavam delicadamente, mas com uma palavra proclamada bastava para ser descartado.

Depois de muitos dias sem escrever nada por aqui, pois tem muito material sendo preparado, volto a brincar com as palavras e com situações que norteiam meus dias, ou no caso minha noite. Por vezes penso que estou velha, mas depois percebo que na verdade nada passa de um reconhecimento do que para mim é bom e ruim.

Como diria a co-autora desse texto, que dividiu comigo muitas teorias no Absinto, "A idéia do lugar é boa, pena que as cabeças que o preenchem são vazias".. Afinal não é o lugar, nem a decoração, nem mesmo a caipinha doce que me inspiram palavras, mas sim é os personagens desse espetáculos, são as barbáries e superficialidade humana que me apavora e faz perceber o quanto banalizamos nossa vida.

OBS: Também uso minissaia, decotes, um pouco de maquiagem, ando de mão dada, e rio de coisas que possam parecer ridículas. Até mesmo em palcos já subi, só não pintei meu cabelo e minhas cantadas são mais originais, creio. Porém percebo e analiso. Bom ou ruim, vejo que não preciso mais fazer certas coisas.

lunedì, febbraio 06, 2006

Uma realidade distante, mas nem tanto diferente...

Olá amigos e leitores que por este blog passam, participo do Projeto Rondon e neste momento estou em tabatinga no Amazonas acompanhando e fazendo a cobertura para um documentário sobre a equipe da UFSM, que está desenvolvendo o trabalho junto a aldeia dos indios tikuna. Bom como não tenho muito tempo só estou fazendo este post para descrever rapidamente algumas impressões daqui, mas tenham certeza que muitos outros post sobre essa viagem virão.
Tabatinga é uma pequena cidade na divisa entre o Brasil, Colombia e Peru, é uma cidade consideravelmente bonita e os únicos acessos são por ar ou rios. Viemos de Hércules ( mas isso é conteúdo para outro post), a cidade é infernalmente dominada por motos, são milhares e tudo que você puder imaginar acontece nelas. Os índios são muito receptivos, mas não são diferentes dos de Charrua, o artesanato é muito bonito e vou me matar comprando bolsas. Andamos de Nué, canoa, num igarapé durante o dia, noite, enfim uma experiência inexplicável. O clima é horrível, quente, úmido passamos o dias tontos e perdemos muito líquido e matando mosquitos, mas tudo ta valendo a pena. Durante à noite vamos para a Colômbia, onde a cerveja é a pior do mundo, mas o cassino é muito interessante.
Por enquanto é isso, estou tentando sobreviver a tantas máquinas ao meu redor e ao peso delas. Vou continuar aqui filmando, observando, fotografando tudo, e depois escrevrerei muita coisa...
Abraços

mercoledì, febbraio 01, 2006

Jeito simples de contar uma necessidade das relações naturais de todo ser humano...

A penumbra cobre certas verdades ainda não ditas e certos desejos ainda não concretizados. Tudo parecia penumbra e cobria aqueles corpos sedentos de sedução e de paixão incontrolável. Ao certo não lembravam em que lugar estavam, nem mesmo o que sentiam, mas essas dúvidas não sabiam eles, se queriam ou não sentir. Pois, entre as dúvidas, existem os anseios e as tão temidas verdades.

Retidos nessa atmosfera de devaneios do desejo do próprio corpo, os dois se entregavam vorazmente num incontido momento de gozo palpável. Primeiro o olhar! Sim a descrição pode ser lenta, mesmo que contrarie suas necessidades. Os dois eram portadores de um olhar calmo, claro, intenso, descrito por cada um em cada novo elogio. Nele carregavam o aprisionamento que os detinha a aquela situação e aquela vontade de estarem um com o outro.

Depois dos olhos a boca. Nela podia ser encontrado a vontade mais louca de beijos frenéticos, e o sorriso mais lindo que cobriria aquela noite escura de vida, ou aquele dia. Ali encontrariam seus beijos o abrigo para o começo de uma longo tempo juntos nesse gozo incansável...Seus corpos nesse momento já buscam freneticamente um ao outro. Nesse momento ela ainda lembra da primeira vez, quando ele adentrou seu apartamento e trêmulo não sabia como agir, sim ela adora seu jeito medroso. Mas seu corpo de jeito nenhum tem medo de procurar o dela.

Ele possui um jeito simples, impulsivo, mas tem também a sutil delicadeza de quem tem noção de que possui por completo o corpo dela. Vagarosamente ou nem tanto leva suas mãos ao longo cabelo dela e os puxou com a força suficiente para trazer seu corpo junto ao seu. Beijou-a verazmente e profundamente e logo perpassa sua boca e língua por todo aquele corpo de pele clara que tinha em seu total domínio.

Não diferente de outras vezes , agora eles se queriam muito mais e o tempo que ficaram sem se ver, só despertou ainda mais esse desejo incansável de possuírem um ao outro. Então sem mais temer e sem muitos movimentos, ele arrancou a roupa dela violentamente e não teve dúvidas em jogá-la na cama, que de mansinho os apreciava, sem contestar qualquer movimento.

Na cama os dois corpos já não eram distintos e num só ritmo viviam com toda plenitude aquele momento de lascívia e de proibido desejo que queimava seus corpos, suas almas. Depois disso e de intensos momentos de prazer sentiram explodir de seu corpo o tão esperado e desejado gozo pleno, que concretizaria todo aquele desenrolar de atitudes que marcava suas vidas. Devaneios, sensações, dilaceração ou apenas uma emoção leve de viver aquela história. Eles eram assim simplesmente seduzidos um pelo outro, capazes de fazer coisas que somente a eles era compreensível.

Paixão, veneno, luz, ou apenas desejos emanavam dessa relação, uma relação certa, errada, enfim uma relação que queria satisfazer os dois, mas que nem sempre condizia com a verdade...Mas dormir juntos seria seu prêmio, porém teriam a vida toda para isso, era o que achavam.

Mas a lua vai banhar esse lugar e a rua deixará essa cidade se acender, assim como essa paixão e esse fogo, que eles esperam nunca se acabar. Afinal vamos olhar o rio por onde a vida passa e não vamos nos precipitar, nem perder a hora. Eles vão lembrar um do outro sempre e de mais aquela noite ou aquele dia. Tudo tem sua hora, até mesmo um sexo a mais.
Essa é minha última postagem antes de viajar para o Amazonas, por isso, esse texto ilustrará por um bom tempo o primeiro post do blog, não que ele seja muito pertinente para os leitores mas é importante pra mim, por que estava hoje num daqueles dias que nada seria capaz de inspirar até que um amigo me sugere descrever uma cena de nossas necessidades normais de homens e mulheres apaixonados, queria ter sido mais sutil e subjetiva, mas acredito que sexo mereça ser escrito na carne das palavras, ou eu que estou desprovida mesmo de muita subjetividade hoje...
Abraços e aguardem meus post amazônicos que certamente estarão mais permeados de coisas não tão particularizadas...e obrigado gatíssimo por você existir na minha vida e me trazer tanta inspiração...

lunedì, gennaio 30, 2006

Lamento de uma solidão violenta...

As palavras são minhas
As verdades são tuas
Minha alma não quer entender
Busca nas drogas, entorpecentes
Devaneios, palavras e as verdades
Mas nada, tenho às vezes tudo
Tudo tenho apesar desse nada
O nada das palavras absurdas
O tudo das verdades absolutas
Drogas, entorpecentes, devaneios e prostrações...
Malditas palavras verdadeiras de tua boca
Malditas verdades entediantes de minha alma...

Domingo, 00:00 na verdade já é segunda...

giovedì, gennaio 26, 2006

she has blue eyes
podem ser natos
podem ser lentes
pode ser reflexo da luz
da lua
do sol
da fluorescente
não me interessa
são azuis
e pronto.


mauricio canterle

Fumaça, cigarros e uma madrugada calma...

Sim! fumaça de cigarro
cigarro na fumaça
cheiro de cerveja
cheiro de perversidade
ritmo de mistério
mistério no cheiro da fumaça
calma música,
vozes vorazes e frenéticas
conversas absurdas entre cigarros e cerveja
mas fumaça, mais fumaça
paira no ar e na minha vontade
de cerveja, de cigarro, de perversidade
de calmaria...
Mas apenas a fumaça paira nesse lugar...
e somente isso é capaz de me inspirar...

Palavras perdidas e pensamentos repetidos...

Três horas da manhã não é suficiente para que o sono chegue, para que as conversas descabidas se cessem e para que eu esqueça que espero ansiosamente por esse momento. Amigos me rodeiam, cheiro de cerveja, de uma leve maldade, de desejos reprimidos, e o leve som de Chico Buarque e Belchior permeiam esse ambiente quase que sem sentido se não fosse a lembrança desse momento.

À vontade de descrever essas músicas, essas pessoas e esse vento gélido que bate na sacada e percorre o meu corpo encurvado na frente do computador. Eles adoram Belchior, adoram conversas destemidas e adoram sentir o gosto da cerveja que molha devagar suas entranhas.

Mas e eu me pergunto o que poderia fazer para que essas horas passem mais rápido. Quem sabe ouvir os sussurros de palavras que não me pertencem, quem sabe conversar com as letras de Belchior, admirar o letreiro do hotel ao fundo, cantar com as estrelas que cobrem o céu dessa noite. Quem sabe poderia partilhar da alegria daquele momento, da presença dessas pessoas agradáveis poderia navegar sem compromisso pelas páginas mais insólitas da internet, ou então simplesmente me jogar no sofá da sala e adormecer com a paz que me contagia nesse momento
.

Mas não!! Eu continuo aqui presa a essas palavras mal ditas e escritas e principalmente continuo aqui presa aos pensamentos que me levam até você, até sua presença, até sua lembrança, até tudo que lembra de você...

Então te pergunto usando das palavras de Pablo Neruda: "tudo em ti foi naufrágio", então por que voltas como salva-vidas??? Para salvar minha vida ou para me afundar ainda mais nessa paixão absurda e ao mesmo tempo tão necessária.

Perguntas sem respostas em mais uma noite que permaneço presa a tudo que me leva a ti e a essas palavras perdidas no vazio desses meus pensamentos...

Velha infância, novas possibilidades...


Naquela noite sai já tarde de casa. Percorria a cidade com um amigo, a procura de um bar ou apenas mais uma cerveja gelada. Depois de algumas tentativas encontramos o bar que queríamos, ele não era dos mais confortáveis, mas era o suficiente para aquela noite. Logo que cheguei a avistei, não tive como não reparar, pois ela chamava atenção de todos.

Julia estava animada naquela noite. Rodeada de amigos, cuspia palavras entre uma cerveja e outra. Percebi que mantinha um diálogo constante, mas não bebia apenas observava sua roda de amigos que animados conversavam entre um gole e outro.

Julia estava sentada no muro, devido a sua baixa estatura balançava os pés que não alcançavam no chão. Calçava um chinelo simples e rasteirinho, um short, pois fazia muito calor naquela noite e vestia ainda uma regata cinza, como de costume. Seu cabelo cacheado e loiro já estava mais comprido e atingia metade das costas mesmo estando amarrado.

Julia não fumava se detinha em respirar a fumaça insistente que saia da boca e narizes de seus amigos que a rodeavam, ela apenas falava e questionava. Percebi que a curiosidade era sua grande virtude, ou apenas mais um defeito.

E ali Julia permaneceu horas, às vezes descia do muro e então se encostava na parede, sua roupa colada deixava transparecer um pouco do peso acima do ideal, mas mesmo assim Julia não deixava de chamar a atenção. Habilidosa com as palavras, e com a troca de olhares, Julia conquistava quem a rodeava e quem aos poucos mesmo não conhecendo chegavam até ela para desfrutar de sua presença e do início de uma conversa amigável.

Percebi, também, como suas mãos eram habilidosas ao tocar e usufruir do celular que possuía. Meu amigo curioso e de certa forma encantado não teve dúvidas e foi até Julia para iniciar uma conversa, quem sabe uma futura conquista. Dessa conversa descobriria eu depois, que Julia não era apenas encantadora, mas sim era esperta demais para nós. Meu amigo descobriu que aquele celular não era de Júlia, era fruto de uma oportunidade, isso quer dizer um furto sem intenção de um moço que o esquecera num lugar visível. Sim, Julia era uma ladra, mas nem por isso menos perspicaz.

A noite estava quente, a cerveja estava gelada e as ruas de Santa Maria agitadas e a Julia, a menina de 3 anos de idade continuava ali entre nós conversando, bebendo e fumando indiretamente madrugada à fora.

Meu pai sempre tem razão...não se fazem mais crianças como antigamente...

mercoledì, gennaio 25, 2006

Distante de ti, perto dos seus olhos...

Percorro o olhar sobre palavras
Que embaralhadas destoam significados
Leio páginas e páginas marcadas
Mas os pensamentos estão aprisionados

Reviro folhas, marco passagens
Abro, livros, revistas e cadernos
Mas não esqueço da paisagem
Confisco notas de outros invernos

Rabisco a agenda na primavera
Recordo fotos daquele verão
Ler e escrever quem me dera
Se no pensamento seus olhos apenas virão...

giovedì, gennaio 19, 2006

A arte instiga a vida ou a vida instiga a arte??

ARTE. s.f. 1. Conjunto de regras para bem fazer uma coisa. 2. habilidade; perícia com que se faz algo. 3. Atividade criadora que expressa, de forma estética, sensações ou idéias. 4. (fam) Travessura; traquinice, 5. Red de arte-final.

É assim que descreve o dicionário sobre o conceito de arte. Mas que conceito adotamos para nossa vida sobre a arte? E de que forma a vivemos? Mas quero deixar claro aqui, que a arte não se propõe a explicar e a ser explicada, ela apenas deseja provocar, colocando-nos diante de nossas próprias contradições e limitações.

E com essa intenção de provocar a arte se delinea entre a indecisão de representar Eros, o mais belo entre os deuses imortais e persuasivo, aquele que transtorna o juízo e o prudente pensamento, ou então representa Tanatos, o deus terrível filho da noite obscura. E é nesta pulsão entre o bem e o mal, o amor e a morte que fazem com que um simples uníssono de sons seja suficiente para sensibilizar.

Mas todo esse desenrolar de explicações mitológicas e fundamentadas em considerações já feitas por Aristóteles, Sófocles, Péricles, Lula, você e eu é para aqui descrever um pouco sobre minha experiência e percepção da arte.

Ainda não encontrei particularmente uma definição para a arte na minha vida, mas deixo minhas emoções fluírem a partir das vivências através dela. A um tempo tenho deixado de lado as expressões artísticas carnais, isso quer dizer, visíveis, palpáveis aos meus olhos. Nossa vida efêmera e nossas relações fortuitas, fazem com que vivamos numa pós-modernidade destinada a deixar de lado a ousadia de com os braços abertos nos entregarmos as experiências subjetivas de amor e de observação da arte em si.

Corremos freneticamente pelas ruas e não percebemos a arte fotográfica dessa caminhada perfeitamente encaixada no quadrado áureo. Passamos pelos nossos discos e deixamos de perceber a simultaneidade e harmonia dos sons dos instrumentos que se sobrepõe. Fazemos coisas tão frenéticas e dotadas de responsabilidades que não percebemos a arte nos movimentos de nosso corpo, da freqüência de nossa voz, das poses invisíveis para a fotografia e do enredo de muitos filmes que nossa história pode conceber, que poderia suscitar sonhos e delírios.

Depois desse tempo afastada desse mundo mais subjetivo, agora volto ao auditório para assistir pausadamente os espetáculos da arte do teatro, da música, do cinema e da própria vida. Aos poucos o calculismo e o compromisso culposo dão espaço à criatividade e a inspiração. É isso que sinto da arte, a oportunidade de revermos e percebermos minuciosidades do nosso dia-a-dia que pode transformar a pós-modernidade em algo suscetível a interpretações artísticas convincentes.

Sentar no auditório e sentir os movimentos, os ritmos, os traços e aos poucos sentir aquele friozinho inconsciente que sobe vagarosamente da "ponta do pé ao último fio de cabelo", sentir cada pêlo dos membros se arrepiar e sentir quase que um espasmo de prazer ao perceber que mais uma vez a arte da sentido e encanta a objetividade de nossa vida.

Se vivemos entre Eros e Tanato não sei qual a melhor definição para arte, mas sei a explicação para as sensações dilacerantes de viver, assistir, perceber e fazer parte desse orgasmo artístico.

Esse texto é uma homenagem às apresentações dos formandos das Artes Cênicas, da UFSM, que batalham pra caramba, sofrem, choram, riam, ensaiam e estão dando um show no palco do Teatro Caixa Preta. Também ao Grupo Voz que conheci na semana passada e que me encantei pela sua musicalidade perfeita, e ainda para o Cineclube Lanterninha pelas suas iniciativas...E especialmente esse texto vai para todas as pessoas que apreciam a arte num piscar de olhos e na palma de uma mão...Vivam e incentivem, vocês verão que a vida terá um novo sentido e novas descobertas...

sabato, gennaio 07, 2006

Ardente desgosto palpável pelo gozo perdido numa noite de estrelas...

In Prefácio

Depois de fatos interessantes de uma sexta-feira à noite, muitos chegaram a acreditar que não conseguiria escrever esse texto, por que não lembraria mais de nada, levando em conta o estado alcoólico em que me encontrava. Assisti à uma peça teatral no Caixa Preta, por sinal sintam-se todos convidados para os espetáculos de formatura do curso de Artes Cênicas, espetáculos impecáveis e de alta categoria, o que só mostra a batalha dessa gurizada que passou todo o ano, todas as semanas e quase todos os dias ensaiando para um espetáculo a altura da cidade cultura. Infelizmente, poucos prestigiam e se perde a oportunidade de incentivar nossa arte local. Os espetáculos estarão acontecendo durante todo mês de janeiro em diferentes datas, mas sempre no Caixa Preta, com entrada franca. Mas estava assistindo a essa peça, que foi impressionante, forte e audaciosa...e muitas idéias perpassaram pela minha cabeça...Então comecei a matutar o texto abaixo O fato é que eu sabia que depois tomaria demais e minhas lembranças poderiam ser prejudicadas, então, sentei no ônibus e pensei mil possibilidades de texto, tomando um copo de cerveja buscava resposta para os parágrafos seguintes, no Macondo escrevi resquícios nas paredes. Para alguns amigos, Ciro e Tuty, repeti continuamente esse título, enfim foi a discussão da noite essas idéias. Já de manhã andava na rua para chegar em casa, depois de uma longa noite de pensamentos, discussões, conclusões, enfim continuava eu procurando palavras difíceis para escrever esse texto...
Mas vamos a ele, pois o prefácio está bom, já o texto vai tentar por no papel, apesar da puta dor de cabeça, eu tenho que escrever, pois sinto que aos poucos minha cabeça perde detalhes planejados anteriormente e que podem não ser descritos.

In Realidade Subjetivada

-Maria, Maria, venha até aqui, volte por favor. Eles indagavam e gritavam continuamente.
Mas existem três coisas nessa vida que o gosto não sacia:
O pão
A água
E o nome de Maria.

Por isso eles a procuravam e loucamente chamavam-na para junto de si, pois seu nome não bastava, eles necessitavam sentir seu corpo ardente, sua voz doce e sua beleza inconfundível.

No entanto Maria sabedora do seu poder de sedução deixava escorrer de seus lábios o fel de palavras doces, não para um, nem para outro, mas para todos. Sentia em cada gozo diferente a necessidade de buscar mais, sentir mais cada qual com suas particularidades. E assim Maria passava sua vida, caindo em aventuras fortuitas que alimentavam momentaneamente suas entranhas e seus lábios sedentos de ardentes beijos.

Vorazmente Maria dilacerava os corações apaixonados ou nem tanto de todos eles, deixava respingar de seus olhos um risco de luz envenenado pelo descaso posterior ao prazer atingido. Mas eles não percebiam e continuavam a chamar por Maria.
Mas existem três coisas nessa vida que o gosto não sacia:
O pão
A água
E o nome de Maria.

Já disse o poeta, o pão, com sua superfície dourada, seu miolo quentinho e sua textura apropriada, arranca de nossas bocas o desejo de comer sem pensar e sem limites, mas derretido nela e assentado no estômago, não resta mais nada. A água com sua fluidez, seu frescor e sua magnitude, deixa-nos sedentos por senti-la escorrer pelas veias, pelo corpo, pela alma, mas depois de seca, da água não resta mais nada. E Maria? Seu nome como já sabemos não bastava:
- Ma-ria. Gritavam e mais nada. Pois de sua pele quente, de seus olhos iluminados, de seus lábios carnudos, de seus gemidos volúveis, depois daquele gozo, não restava mais nada.

Envolvia-nos num manto de sedução e plenitude, fazia se sentirem os melhores homens, depois de verem sua pele rosada, ou simplesmente fazia-os se sentirem os piores, por perceberem que perto dela sua racionalidade se perdia em meio a diferentes desejos e periculosidade de seu corpo. O fato é que mesmo depois de se sentirem melhores ou piores, de Maria não recebiam mais nada. Nem um beijo ardente, nem o cheiro de seu corpo, nem suas palavras doces e nem um tapa de desgosto. Pois desse momento de lascívia não restava mais nada. E quando a viam, tremiam e freneticamente buscavam impulsivamente pelos desejos de Maria, mas sem respostas ou até mesmo olhares, eles inconformados indagavam por Maria.
Mas existem três coisas nessa vida que o gosto não sacia:
O pão
A água
E o nome de Maria.

Mas seguindo os passos de Eva no jardim do Paraíso, Maria comeu irracionalmente da fruta proibida e por assim o fazer ela fora castigada. E eis que entra nessa história o gozo perdido, nosso amigo José. Maria sabia, que sempre abusara do fruto proibido, mordera-o, lambia-o e desfrutara-o sem limites, seu limite era à busca de uma nova fruta. Então naqueles dias buscava sim, uma nova fruta, apenas para mais uns momentos de lascívia, pois Maria não se permitia deixar-se envolver por nenhuma fruta, nem mesmo as mais maduras, pois madura queria ela ficar. E cor da fruta madura a enjoa facilmente, não que as outras cores não enjoassem, tanto que isso explica as tamanhas diversidades de frutas que provara.

José, então apareceu no seu pomar, ou melhor, caiu de uma frutífera já amadurecida para sempre na sua vida. Ele era uma fruta com cores fortes, brilhantes e envolventes. Mas Maria sabia que essa fruta estava longe de ser sua e de ser por breves momentos, então temeu buscá-la, comê-la. Maria permanecia somente a apreciá-la, a inspirar-se nela, pois de todas essa frutas o que ainda lhe restava era suas inspirações e criações. Maria ao se deparar com essa já conhecida, mas esquecida fruta, criou além do que já imaginara e viu em José a inspiração para seus beijos ardentes, suas palavras doces e seus gemidos nem tanto mais volúveis. Resistiu, até o dia em que sentiu dos olhos deles nascer um risco de luz envenenado pelo prazer de também possuí-la e então Maria saboreara indiscriminadamente daquela benção e como ela sabia daquela maldição.

Maria esquecera de outras tantas frutas, que indagavam pelo seu nome. Mas do nome de Maria nada mais restava. Passou-se o tempo e a frutífera sempre produzindo aquele brilho nos olhos, aquela frescura nos lábios e aquele perigo no corpo.
Mas a três coisas na vida de Maria, que o gosto não sacia:
As palavras escritas
Os poucos momentos
E somente o nome de José.

As palavras escritas são leves e facilmente levadas pela brisa de mais um dia e depois desse dia mais nada resta das palavras ditas e escritas. Os poucos momentos são breves, como a luz que cobre um dia, e quando ele acaba nada mais resta dos momentos. E o nome de José é lindo, simples e solto, mas não pode ser dito quando desejado, nem gritado no momento da falta, nem citado para a brisa e para o dia, pois depois de mais um gozo de José nada mais restava.

Maria fora enganada como todos que enganou. Enganada pela vontade de ter essa fruta, pela vontade de chamá-la e pela vontade de não precisar buscar em outros, o que encontrara em um só. Mas Maria mais uma vez fora enganada, pela brevidade do tempo, pela longa demora das horas, pela falta de palavras e principalmente pela falta de gozo constante que sempre buscara. Mas Maria como sempre sem racionalidade para lidar com novas frutas verdadeiras, não pensa e não quer desistir, pois se antes nada mais restava, agora:
Existem três coisas que na vida de Maria o gosto sacia:
Os olhos
O beijo
E o gozo de José.

Porém, Maria sabe que aos poucos têm que deixar suas criações terem vida própria, para assim não apenas a condenarem pela suas insuficiências, mas para sentirem o ARDENTE DESGOTO PALPÁVEL DO GOZO PERDIDO NUMA NOITE DE ESTRELAS...Maria perde aos poucos esse gozo, mesmo o céu estando estrelado e as luzes tendo vontade de brilhar:
Mas existem três coisas nesse mundo que o gosto não sacia
O ardente
O desgosto
E a falta desse gozo...

Assim se fez Maria e assim se faz José, duas frutas condenadas por buscarem a si, mas principalmente por desistirem de si. O fato é que mesmo depois de se sentir melhor ou pior, Maria lhe oferece tudo que sempre negara. O beijo ardente, o cheiro de seu corpo, suas palavras doces e um tapa de desgosto. Mas depois de breves gozos, nada masi resta além da saudade daquele outono e daquela fruta...

martedì, gennaio 03, 2006

Toque ou desatino...

Era assim, todas as manhãs Catarina descia aquelas escadas do apartamento no centro de Santa Maria. Sabia que a cidade e seu tempo aqui já haviam saturado seu bom-humor. Estava cansada daquelas escadas, daquelas pessoas, daquele centro e daqueles telefonemas.

Mas hoje ela descia as escadas feliz, falando ao celular com seu novo moço dos olhos. Sim, acreditava ter encontrado uma pessoal ideal para superar a chatice dessa cidade. Alto, pele morena, mulato, sensual, discreto e inteligente, a perfeição e o oposto do que sempre teve. Falava animadamente, marcara um encontro para mais tarde com Carlos.

Como sempre desceu todas as escadas, cumprimentou seu José, que lhe respondeu com um animado:
- Bom dia, menina...Linda como o sol que brilha lá fora.

Sim, ela não tinha dúvida estava radiante como o dia lá fora que acalentava as ruas de Santa Maria. Saiu do prédio e depressa chega na rua Floriano Peixoto, percebe que o movimento era grande, mas nem isso tiraria a paz desse dia. Caminhara apressadamente para atravessar a rua, como era seu costume. Mas diferentemente de todos os dias, não teve dúvida o avistara entre a multidão. Pele clara, alto, sensual, indiscreto e nem sempre inteligente quanto gostaria.

Catarina sentiu seu corpo tremer e sua boca secar, seu coração disparou como a muito não sentia a não ser quando recebia aquelas tão temidas ligações, mas agora ele estava ali, vindo em sua direção. Tentou desviar o olhar, se esconder entre as pessoas, mas tudo isso era em vão, pois ele já a avistara e como sempre abriu aquele sorriso. Em outros tempos julgou o sorriso, mais lindo e sincero, mas agora sabia que por trás daquele encanto existia o sorriso mais sarcástico que já conhecera. Ela viu respingar do olhar dele uma maldade sem limites e ao se aproximar não teve tempo de temer mais por nenhum segundo.

Ele agarrou fortemente seus braços, empurrou contra aquela parede e ali mesmo em meio a tantas inocentes pessoas lhe grudou o beijo mais longo, profundo e sem sentido que Catarina poderia um dia receber. Ela já estava perdida, sem forças para resistir, não viu mais nada.

Catarina só viu o calçadão vazio, todos tinham ido embora, pensou que fosse pela chuva torrencial que caia. Sem sentido, correu por aquele vazio, tirando de suas entranhas o grito mais culpado, angustiado que por tanto tempo guardara dentro de si. Correu por toda aquela rua sozinha e sem forças caiu ao chão, tão profundo que não encontrara abrigo.

De repente ela acorda e percebe que já era noite, Carlos estava ali ao seu lado, corpo nu, pele morena, uma perfeição para seus olhos cheios de lágrimas. Catarina olha para o lado e vê que seu celular repousa ao lado do de Carlos, então fica mais calma e adormece mais uma vez nos braços perfeitos de pele morena. Pensara que tudo não passara de um sonho, ou melhor, pesadelo.

Mal percebe ela que no seu celular permanecem várias chamadas não atendidas. Seria ele? Sim, pele clara, olhos perfeitos! Permanecia ele na janela do prédio em frente esperando ser atendido e apreciando a chuva torrencial que caia lá fora, sobre a triste e fria Santa Maria.

Impressões interioranas...

Uma breve homenagem a minha cidade natal, Charrua, onde passei dias agradáveis na semana passada...

Se caibo, ainda, neste lugar...
De pedras, pessoas e canções
Se, ainda, consigo cantar...
Com o mesmo ritmo do coração
Se, ainda, consigo temer...
Os mesmos medos e aflições
Se, ainda, posso tecer...
Cada pedaço de caminho com as mãos
Se ainda posso escrever...
Sobre a mesma e com a mesma paixão
É por que nunca deixei de estar...
Neste lugar que tantas vezes me fez sonhar.

Cantos e Encontros

Mistura dilacerante de sons
Embriaga minha alma inquieta
Oh! Pássaros e seu sublime canto
Que habitam, tão desabitada floresta.

Na resposta de cada apelo
Meu espírito se comove
Tentando descobrir o segredo
De tais ritmos que me consomem

De mansinho vai se acabando
E ao longe ocorre o encontro
Como queria eu ser um pássaro
Para devagar acabar te encontrando...

Os caminhos do interior

Nesse longo caminho , começo a lembrar
Daquela paisagem por tanto tempo vista
Daquele cheiro que paira no ar
Daquelas melodias por tanto tempo ouvidas

Paisagens de breves mudanças
Que cobre espaços agora vazios
Nem mesmo agora as crianças
Correm e brincam como outrora nos rios

Cheiro de terra vermelha
Do pó que a chuva cobre
Das construções cada vez mais velhas
Cheiro de comida “nobre”

Antes ouviam-se melodias de nina
Agora barulhos de máquinas
Ao longe gritos de animais
E de homens que destoam o final dessa poesia...

martedì, dicembre 20, 2005

Percebo-te, mesmo sem aqui tê-lo...

Percebo teus passos
Como a penumbra da noite que chega
Percebo teu cheiro
como o desabrochar da primavera
Percebo tua voz
Como os cânticos da natureza
Percebo teu corpo
Como a sensualidade da árvore de ébano
Percebo tudo isso...
Mas acima de tudo percebo a falta que me faz
Não ter teus passos, teu cheiro, tua voz e teu corpo
Aqui nesse momento...
Por isso fico com a presença das noites de primavera
E da árvore de ébano que enfeita a beleza da natureza....

Não a explicação para as palavras tristes, de um coração com saudades...

sabato, dicembre 17, 2005

Um novo natal, mas a velha espera pelo Papai Noel...

As ruas enfeitadas, os bons velhinhos em todos os cantos da rua. As ruas cheias e as sacolas também estão cheias. É natal? Será? Dizem que é natal, dizem que o bom velhinho virá, e dizem que as sacolas têm que estarem cheias e as ruas enfeitadas.

E nós? Nos enfeitamos de alegria, nos vestimos de paixão, estamos cheios de amor...Será que vivemos o natal?

Pois com a missão de escrever algo que sintetizasse esse espírito natalino, cá estou buscando um fato pitoresco, aliás uma conversa sem sentido, para descrever um pouco sobre esse momento que se aproxima.

Entre palavras fortuitas ele me falava do presente que daria ao filho e do acordo que assim foi feito, tudo para que o papai Noel lhe trouxesse o presente desejado. Aí minha memória, sempre muito fértil e possuída por lembranças, me fazem voltar a muito anos atrás. Era natal e enfeitávamos o pinheiro de natal, ensaiávamos teatro e esperávamos ansiosamente pelo Papai Noel. Meus natais nunca foram dos mais luxuosos e meus presentes nunca foram dos mais grandiosos, pois afinal o que meus pais podiam dar era menor do que desejávamos por vezes, mas seu amor era muito maior do que imaginávamos. E assim, estava novamente preparada para aquele natal. Mas burbúrios que ouvi entre meus colegas me perturbavam. É ouvi dizer que papai Noel não existia, será??? Como poderia ele não existir se por vezes via ele batendo na porta e chegando, lembro que na época minha expectativa era tanta, que à noite do dia 24 não pregava o olho, e sempre o ouvia, mas devido ao medo nunca tivera coragem de ir ao encontro do bom velhinho.

Mas naquele natal a dúvida era maior do que a necessidade de um presente, pois todos os presentes do mundo não preencheriam o vazio de pensar que o Papai Noel não existia. Minha imaginação não permitia e não queria acreditar naquele comentário, devia ser intrigas de colegas, pensei. Mas mesmo assim, fui sanar minha dúvida com a mãe. Uma tristeza brusca e frustante encheram meus olhos de lágrimas, é ele não existia. Ainda lembro, que decepcionada com a resposta da mãe, não quis acreditar e para mim ele continua existindo, porém agora já não o ouvia como antes e meu medo já se dissipara, precisava ter a certeza de que isso tudo era um grande engano.

Então naquela noite, mais do que em todas as outras permaneci acordada, ouvia barulhos e corria para a porta do quarto, de onde avistava o pinheirinho e era onde papai Noel colocava os tão simples presentes, mas horas se passaram e nada dele aparecer. Minha imaginação de criança fantasiou um atraso, de repente um erro no caminho, mas ele viria, não tinha dúvidas. Então, vencida pelo cansaço adormeci como um anjo à espera de seu Deus.

É! Com o tempo entendi a triste realidade, mas nunca a aceitei, pois até hoje lembro da frustação dessa verdade. Como dizia conversava com meu amigo e lhe relatei, claro que em palavras breves a grande decepção que tivera quando descobri que papai Noel não existia. Então minha surpresa foi imediata, pois meu amigo, me indaga com uma cara quase convincente, se não soubesse o quanto ele é debochado. Ele me indagava com assim que Papai Noel não existe?? Então sem saber o que dizer tentei amenizar a situação, como eu disse sabia que aquilo não passava de uma brincadeira, mas mesmo assim lhe pedi desculpa pela frustração de através de minha palavras fazer com que ele descobrisse que Papai Noel não existe, mesmo ele já sendo bem grandinho para entender essa realidade.

Enrolei até aqui na verdade para escrever desejos de um ótimo natal a todos que estão lendo desse texto. E por que contar essa história, então?? Isso tudo é para descrever o que eu acredito como verdadeiro para o natal e para um verdadeiro sentido dessa data.

É que desejo que todos os homens tenham sempre consigo a pureza e a inocência das crianças, que ouvem os barulhos do papai Noel sem ele existir, que se surpreendem com as histórias de contos de fadas e deixam o olhar brilhando a cada nova descoberta, e que se envolvem com tal sensibilidade nelas que não percebem que o tempo passa a não ser quando se preparam para mais uma vez esperá-lo.

Sejamos sempre crianças, crentes em contos de fadas e sensíveis ao mundo, encantamo-nos com as ruas enfeitadas, com os bons velhinhos nas ruas, com os presentes, mas acima de tudo admiraremos a beleza da vida, a simplicidade das coisas, e os verdadeiros sentimentos. E que tudo isso, não seja lembrado, apenas no natal, mas durante os 365 dias que separam essa data. E não deixamos nunca, nem depois de muitos anos de acreditar que histórias somos nós que decidimos por acreditar ou não, mas principalmente somo nós que as vivemos ou não.

ESPERO O BOM VELHINHO E JÁ SINTO SEUS PASSOS PELA CASA, E TAMBÉM DESEJO QUE O NATAL DE TODOS VOCÊS SEJA TÃO ABENÇOADO, QUANTO OS 365 DIAS QUE NOS SEPARAM DESSA SEMPRE BONITA E VERDADEIRA HISTÓRIA.

FELIZ NATAL E NUNCA DEIXEM DE ACREDITAR NOS SEUS SONHOS E NEM NO PAPAI NOEL, POIS ELE EXISTE E ISSO NÃO É UMA ILUSÃO...POIS CONFESSO QUE MESMO DEPOIS DE GRANDE AINDA O ESPERO TODAS AS NOITES DE 24...E NÃO TENHAM DÚVIDA OUÇO SEUS PASSOS COMO A LEVE ESPERANÇA DE QUE SONHOS SEMPRE VIVEM EM NÓS...

Tudo é permitido com as palavras, mas como controlar as personagens??

Érico Veríssimo 5x aos meus olhos e ouvidos e a minha inventividade copiosa de obras extremamente completas, mas que abrem caminhos para vieses que minhas mãos e o cansaço do prosaísmo e mesquinharia da minha vida permitem reconstituir.

E tu te contentas em fechar os olhos e fingir que tudo isso é absolutamente perfeito?

Pois ela descia formosa daquelas escadas, tão esplendidas como a noite que se aproxima. E ele? Percebe que não lembra de nada, aquela rua era longínqua e taciturna, mesmo sendo de Porto alegre, e dele já não sabia mais nada. Daquela formosura que descia as escadas só restou a dignidade dos lírios que vestiam sua alma, pois foi daquela tão alto andar do Prédio Império que consideravas tudo perdido. Daquela janela ele podia ver um mundo que inspirava suas obras. Sim sutilmente suas personagens passavam por ali, deixando no ar o sabor amargo e nebuloso de um final incerto. E ele precisava de um prefácio.

Ela não tinha dúvidas de que os lírios eram seu retrato, pois nem mesmo Salomão conseguia vestir-se com tal magnitude, mas o corredor e aquela janela a inspiravam bem mais. Suas tristezas e angústias por estar desacostumada a esse novo mundo a instigavam a buscar aquele caminho. Ele estava certo de que aquela noite estava apenas começando e de que aquele caminho não lhe era conhecido. Já não lembrava o que fazias, mas a sua carteira cheia de dinheiro afugentava a triste angústia que cercava seu passado de pobreza, e assim seu romance com o caminho cruzado estava garantido.

Ela sempre fora bondosa e desde daquele dia descendo as escadas do baile até o encontro à janela nada havia mudado, sempre praticara o bem e desejava ver os lírios cobrindo as ruas de Porto Alegre e também o corpo de seu filho que permanecia intacto já sem vida, assim como o seu também seria. Ele sentava a sua mesa e sem coragem não abria aquela carta, olhava sempre para aquela janela como quem busca o desconhecido num mundo invisível. E ali eles sempre estavam, com suas roupas liriosas, suas festas de gala, com sua miséria incontestada e com o cheiro de esperma e de morte ao vento. Mas o fato é que ele não lembrava e aquela não seria sua última noite.

Ela já não lembrava mais do lírio dos campos, nem conhecia os enganos do marido, ela bebia compulsivamente, e trabalhava na loja de brinquedos. Mas cansada de tanta mesquinharia da vida, toma atitudes quem nem mesmo aquela doença permitiriam, morrer sem que antes ele lembrasse quem seria. Mas ele tinha certeza que não a matara. Dos bares, das prostitutas, de seus muitos livros e dê sua ambição lembrava, mas não lembrava como naquela rua parara e em que noite era aquela não que acabava.

Ela mais uma vez não teve dúvidas, sua formosura era tanta que até mesmo a rua se enfeitaria com seu corpo caído no chão. Seus olhos verdes, azuis, castanhos brilhariam com o raiar de um novo dia, afinal a noite já se findava. Primeiro o sexo, depois a angústia, depois o sapato e lá se fora enfeitar mais que um lírio aquela rua estranha de Porto Alegre. Por mais que ele não lembrasse sabia que a tinha encontrado, tomou, transou, cuspiu, escreveu, criou...Afinal ele precisava de um prefácio e na sua cabeça nada mais lembrava do que a cor de seu gato, o cheiro daquela pele e o teor daquela bebida.

Ela encontrou naquela rua o repouso de seu pesar e entre lírios adormeceu pausadamente sob o olhar daquela criança. E ele não tinha dúvidas encontrara o prefácio de seu livro. Chegara tarde ele sabia, mas o remédio mais sensato era deixar seus personagens soltos, naquela longínqua rua e distantes daquela janela.

Pois eu não me contento e sei que nada disso é perfeito, por isso dou liberdade as minhas personagens e mais uma vez largo essas palavras ao vento. Ele e ela agora são os meus observadores da estrela de sírio e constatam novas histórias aqui na terra. Mas irei sem pesar nesse momento tomar um banho de silêncio, para limpar a alma das palavras. Assim o fez Érico Veríssimo, assim fazemos nós. Ele, ela e eu.
Vou tentar esboçar uma explicação lógica para essas palavras, já que seu sentido é desprovido de logicidade. Nessas palavras sintetizo os diversos personagens de Érico Veríssimo...Olhai os lírios do Campo, O Resto é Silêncio, Noite, Caminhos CRuzados...5x Érico e mais uma vez um delírio...Pois essa vida é monótona e e essas palavras são escravas de um sábado à noite mesquinho. Mas outras noites virão. E nós...Ele, ela e eu somos donos da noite. Isso tudo é um absurdo, mas um personagem nesse momento me indaga, perguntando o que seria de nossas vidas: a minha e a dele sem absurdos?. Dei-lhe liberdade para pensar, agora me resta ser um Girassol dos Oceanos...

Sessão...o dia em que escrevi essas palavras...

Vida mundana...

És tu mundo ingrato
De muitos rostos e lágrimas
Cadê teus sapatos?
Mais uma vez nas calçadas.

Crueldade companheira mórbida
Do presente desumano
Na verdade todos tentam, tentaram glória
Mas tu não passas de mais um mundano.

O teu coração partido
De todo sempre teme o lamento
Já te escondem os abrigos
És mais um ser ao vento.

Sem motivo e razão
Creio que do amanhã um porém
Se antes fora paixão
Talvez depois somente amém.

Mas nessa vida mundana
Não sérás apenas mais um
Nem terá rosto de criança
Apavorada com um corpo caído e nu.

Porém se renasceres das cinzas
Ó fenix retrato da felicidade
Quem és tu bela menina
A eterna guardiã da verdade...

Texto escrito em 2004, sem data e sem sentido, se alguém encontrar algum me apresente, pois não está perceptível aos meus olhos...Apenas mais uma poesia...apenas a fugacidade de mais palavras..

venerdì, dicembre 16, 2005

Como descrever???Pior saber como viver???

Palavras vivas, felinas, vorazes
Dilacerantes, absurdas, eficazes...
Fáceis e bonitas em poesias
Díficeis e cruéis na própria vida...

Palavras absortas, imprevísiveis
Calejadas, inflamadas, inatíngíveis...
Fáceis e bonitas quando pensadas
Difíceis e cruéis quando mal ditas...

Escrevê-las eu sei
Dizê-las gostaria...
Escvrever, dizer,
e vivê-las não deveria...

Palavras escritas, ditas, porém nem sempre vividas...

Uma poesia, para aliviar a tensão de uma sexta-feira de manhã vazia..e com uma grande agonia...Tenho medo de acabar como todos os poetas, escrava da minha melancolia...

A vencedora do Concurso de Crônica...

Diria num primeiro momento que não gostei de relê-la, pois agora precebo que isso não é uma crônica é apenas mais um relato bem escrito de passos da minha história...Mas para todos aqueles que pediram, lá vai a minha crônica vencedora do Concurso de Crônicas da UFSM...bom o fato de não gostar mais muito dela, já me inspirou para o próximo ano, como diz Jair Alan, quem sabe uma breve crônica do pé quebrado, é uma ótima sugestão, mas diria que não tão breve...
DOS SONHOS DESCRITOS, UMA HISTÓRIA INACABADA...
Admiro quem inventou a agenda. Pode parecer estranho, mas sempre fui muito apegada por uma, pois foi nas minhas agendas que descrevi tudo que até hoje vivi. E é numa dessas antigas agendas que hoje volto para recordar quando começou essa história. Eu ainda era menina e flores vestiam minha agenda de alegria, foi naquelas páginas e naqueles dias que descrevi os primeiros passos em busca de um sonho.
Desse sonho de menina, o desejo de ser escritora e depois o sonho de ser jornalista. E lá naquela tão pequena cidade o sonho de estudar na UFSM começou a ser traçado, certamente pela influência do irmão que já estudava nessa instituição. Primeiramente acreditava poder ser uma "Fátima Bernardes", depois indo um pouco mais longe, acreditava também que poderia ser uma "Fernanda Torres". Enfim, aos poucos, essas páginas foram se enchendo de esperança e vontade de buscar esse sonho, que agora já não pareciam mais tão distante.
Nessa minha busca contínua por lembranças do passado, agora vejo páginas das agendas nõa mais tão floridas, até mesmo as considero vazias. Vazias pela falta do abraço da mãe, a falta do "puxão de orelha" do pai, e das brigas com os irmãos. Já estou em Santa Maria e pertinho, ou nem tanto, do sonho de menina. E é nessas páginas de minhas duas agendas que descrevo meus dois anos de cursinho que fizeram parte desse caminho até a UFSM. Durante esses anos entendi aquele ditado: "todo sonho para valer a pena exige um certo grau de dificuldade". Podem não ter sido os melhores anos de minha vida, mas certamente foram nessas linhas de minhas agendas onde mais cresci.
Felizmente páginas podem ser viradas, assim como dificuldades podem e devem ser superadas. Então, novamente, vejo nas páginas de minha agenda flores, adesivos, frases me remetendo aos velhos tempo de menina. O fato é que já era uma mulher. Mas a visão de um sonho realizado faz voltarmos a possuir aquele encanto de criança. É passei no vestibular. Agora sim, a história da UFSM na minha vida!
Da fila da confirmação da vaga no curso de Jornalismo, da sujeira do trote, dos documentos necessários para várias carteirinhas, tudo isso parecia lindo, até diria, num primeiro momento, perfeito. Depois do primeiro encanto, vem à tona a realidade e, com o colchão debaixo do braço, me mudo para a UNÎÃO, tenho necessidade de morar na Casa do Estudante. Naquele quarto passei dois meses, dividindo o mesmo espaço com sessenta e seis meninas, ou melhor mulheres. As camas mal desarrumadas, filas no banheiro, falta de privacidade, todos esses fatores me fizeram aprender a lição mais significativa da minha vida, muitas vezes descritas naquela agenda: conviver é aprender a respeitar o outro. O fim da idealização e o primeiro contato com os colegas, os professores e as aulas, os muitos livros, trabalhos e a vontade de cada vez mais aqui crescer, especialmente como ser humano.
Depois da primeira vez, a segunda. Novamente, vejo em outro dia de mina agenda muitas flores e adesivos. Passei mais uma vez no vestibular e agora sou acadêmica tamboem do curso de Artes Cênicas. Da correrria entre dois cursos, estágio, RU, biblioteca e DCE, ainda encontro tempo para registrar essa história nas páginas de minha agenda que, seja na pasta ou na cabeceira da cama, sempre está comigo.
Agora, depois de dois anos na UFSM, de uma coisa tenho certeza, que alé de ser uma "Fátima Bernardes" ou uma "Fernanda TOrres" posso ser muito mais, pois foi na universidade que descobri que o mundovai muito além do conto de fadas apresentado pela televisão e que enfeitava minhas antigas agendas. Seja pelas angústias de noites maldormidas devido a muitos trabalhos a seram feitos, seja pelo início da greve, na falta do RU, da biblioteca, e da falta de laboratório, da vontade de querer sempre mais, por tudo vou preenchendo os dias de minha agenda, ou melhor, de minha vida, com a UFSM na minha história.
Ao descrever essa breve história da UFSM na minha vida, de uma coisa tenho certeza: essa história está apenas no início, e entre páginas floridas ou dias vazios, muitos dias ainda vividos nessa universidade enfeitarão minhas futuras agendas. Aprendi a admirá-la, muito mais do que a pessoa que inventou a agenda, pois já faço parte dela, assim como, ela já faz parte a muito tempo da minha história.

mercoledì, dicembre 14, 2005

Impressões de mais um dia com o pé-quebrado...

Num primeiro momento e em quase todos acreditei que estar com o pé quebrado era a pior coisa do mundo...Mas hoje percebi que não estar com o pé-quebrado é bem pior.
ATO I...ANTES DA QUEDA...
Sempre fui uma pessoa hiperativa, ligada 24 horas por dia. Tanto que nos últimos dias antes da fatídica queda dormia em torno de 2 horas por dia. Insônia?Estresse? Hiperatividade? Diria que um pouco de tudo, mas pouco para quem sempre acreditava que conseguiria abraçar o mundo, com uma só braço. "Santa ignorância".
ATO II...LOGO APÓS A QUEDA...
Tinha quebrado meu pé e isso era fato. Mudei-me para casa do meu irmão, deixei de frequentar aulas, estágio, grupos de pesquisa, ensaios e festas. No começo aceitei a idéia, tudo na mão, uma mordomia, agora teria tempo de ler muitos livros de literatura, assistir muitos filmes, descansar, comer e engordar...Acreditei que isso era o melhor para mim, afinal precisava dar um tempo na correrria de minha vida. Mas não precisava ser tanta.
ATO III...O FIM DA ILUSÃO...
Poucos dias se passaram , e os livros não me interessavam como antes, filmes e Tv não queria mais ver, sentia muita falta de tudo. Falta das pessoas, das filas, do movimento, da correrria, da insônia, até mesmo da ignorância de muitos que me cercavam. A mordomia citada acima passou a ser sinônimo de dependência. E eu nunca fui tão dependente de alguém, a não ser financeiramente, é claro. É quebrar o pé não fora uma grande idéia. E assim três crises PPQ (pós-pé-quebrado) se passaram.
ATO IV...QUEM NÃO TEM OQUE PENSAR, PENSA O QUE NÃO DEVE...
Sei que deve estar parecendo chato essa descrição, praticamente uma autobiografia de ossos quebrados, mas acho válido dividir certas percepções com vocês leitores. E também, por que assim meu dia passa mais rápido. Mas como sugeri no título desse ato, cabeça vazia sempre da espaço para pensamentos duvidosos. Sim, entrei em paranóia, e comecei a divagar sobre coisas que jamais teria parado para pensar até por que não tinha tempo para isso. Divaguei sobre as paixões, sobre os amores, sobre a brevidade de nossa vida, sobre a natureza, sobre o lixo na rua, sobre a internet, sobre eu e sobre todos vocês. Divaguei muito além do que o senso comum pode permitir e assim me irritei, me fastiguei, xinguei, briguei, fiquei de mal-humor. Realmente não nasci para pensar de pé-quebrado. Os resultados foram irreversíveis e sequelas ficam em meu comportamento.
ATO V...UMA NOVA CHANCE...
Mas estava quase acabado, tirado o gesso, agora bastava a fisioterapia. Ja me imaginei, correndo todas as tardes, nadando em rios e buscando várias cascatas, que quero conhecer. Frequentando as festas normalmente (sem salto claro). Me senti independente, mas realmente só pensei, pois afinal minha imaginação nunca fora tão aguçada. Coloquei meu pé no chão, mas ele não respondeu as minhas expectativas, não o sentia, a não ser a dor. Entaõ começa outra maratona, a crise PGT (pós-gesso-tirado). Aos poucos vou largando as muletas e agora sim aonde gostaria de chegar.
ATO VI...A SOCIEDADE NÃO ESTÁ PREPARADA, nem eu...
é isso mesmo, pensei que todas dificuldades se dissipariam, assim como a lembrança do gesso se dissipou. Desculpa a quem assinou, mas a primeira coisa que fiz foi jogá-lo no lixo. Então devagar comecei a dar os primeiros passos em direção a fisioterapia. Mas aos poucos percebi que a sociedade, é estérica, afobada, louca, rápida...Sim, amigos isso são alguns traumas. Lentamente me desloco pelo calcadão e tenho a sensação de que todos aqueles pés frenéticos vão esmagar o que sobrou do meu. E acanhada num canto prossigo, percebo que muitos me olham tentando identificar meu problema, será que ela é manca, ou quebrou o tornozelo? Cansei de responder perguntas como essas. Pois foi hoje que percebi como a sociedade é rápida, como eu era rápida e então também percebi que quebrar o pé seria uma boa solução para que todos parassem um pouco e percebessem, que nem sempre correr freneticamente é tão válido, quanto menos necessário.
ATO VII...TRAUMAS E PERCEPÇÕES...
Dos traumas citaria, a percepção de que não nasci para passar muito tempo parada, a cabeça enlouquece. Que saltos me causam arrepio e por um bom tempo longe deles ficarei. A também, tem o choque no pé durante à noite, esse é o pior trauma. O de ser dependente. Quanto as percepções. Não é preciso um pé quebrar para pararmos um pouco e analisarmos o que estamos fazendo de nossa vida. Por isso nada é por acaso, para o mim o pé teve que ser quebrado. Pois pensar por mais que enlouqueça é necessário e amadurece nossas visões de mundo e de necessidades. E a última percepção é de que nunca devemos manter uma paixão, enquanto estivermos de pé quebrado, pois os pensamentos vão longe demais, as percepções vão além do permitido e os traumas são irreversíveis.
ATO VIII...CONTINUANDO UM DEVANEIO...
Pois é assim, se nada é por acaso...O acaso me levou a ter traumas e a pensar em novas necessidades, PPQ, PGT, TPM, crise PTI (pós-tudo-isso), todas só me ajudaram a incentivar antigos e futuros devaneios, psico-amorosos-sociais-traumatólógicos de uma vida enlouquecida.

lunedì, dicembre 12, 2005

Os olhares de Satania vencidos por um só olhar...Salve-a José...

A Satania que antes fora descrita pelo poeta voltou a aparecer, e inspirada na história de José me incentivou a descrever essa história e essas sentimentalidades. Fiquei surpresa num primeiro momento. Pois para mim, assim como para todos a Satania sempre fora muito bem resolvida. Descrente do amor, se entregava sem limite as paixões fugidias e dilacerantes. Dona de uma intuição assustadora poderia prever no olhar de cada um daqueles que surgiam em seu caminho, verdades, que até os mesmos deconheciam. E por viver sob esse legado de ver mais do que o aparentemente visível, Satania sofria, mas ao mesmo tempo sempre esteve ciente do que viveria.

Satania sempre fora formosa, decidida, perspicaz, podia enganar a qualquer um deles. Personificava na beleza de seus olhos um anjo, mas sabia que em suas entranhas o pecado era infernal. Não lastimava pelos fracassos e nem pelas histórias mal vividas, ao contrário sempre buscava refúgio em novas aventuras tentadoras. Era capaz de viver tudo com tal intensidade, que estava certa de seus passos mais inseguros. Era a dona das palavras bonitas, das poesias envolventes, era a loira dos sonhos lancinantes dos jovens que a conheciam.

Sofrer sempre sofria não a como negar, afinal sempre fora apaixonada compulsivamente pela vida e pelas pessoas. Se entregava sem receios a suas razões e a seus desejos infindáveis. Sempre fora assim a própria personificação do paradoxo, pois entre a inocência de um anjo, salpicava em seu corpo o calor daquele demônio. Crente de que nunca nenhum deles seria capaz de revidar suas atitudes, Satania perturbava por ser portadora daquele olhar. Como descrito anteriormente pelo poeta: Ela é portadora do olhar mais provocante, provocativo, sarcástico, desafiante, desafiador...que pode existir. Como se isso não bastasse, ela tem o habito de fixar esse olhar nos olhos deles. Ela sabe que eles são dominados pelo Id; assim eles são 90% animal e 10% racional. Ela também é sabedora que, no Reino animal, olho no olho significa desafio, o que se resolve apenas de duas maneiras: luta ou humilhação. Eles sempre se humilharam.

Mas essa vida nos remete muitas surpresas e até mesmo Satania, ou até mesmo José podem ser surpreendidos. Mas a surpresa não fora tanta, pois Satania já sabia quando viu aquele olhar, que uma longa história estaria começando. Nunca se enganara perante nelhum olho, e não seria aquele que mudaria a história. Pois aí ela se enganou, por que esse olhar não só mudou, mas a desafiou, o que eu como vaga escritora poderia dizer é que ela sim é que mudou.

Satania estava ciente do que estava por vir, e pensou em desistir, mas essa não era sua missão e desistir era uma palavra logínqua de seu repertório. Então ela se arriscou, e não teve dúvidas. Dias, horas, minutos, segundos, foram suficientes para perceber o poder daquele olhar. Tentou fugir, diz ela, com todas as forças e tentou buscar todas as interpéries que existiam. Pois acreditem leitores, eu vi a tão temida Satania por tantos olhos, padecer por um só olhar. Ele que portava o olhar mais calmo, mais profundo, mas misterioso, levou a eterna Satania a dilaceração de seus poderes ocultos
.
Aos poucos ela viu-se desprovida daquelas táticas eficientes de sedução e afastamento, pois nada mais passou da sedução tentadora daquela loucura. Como eu disse ela tentou de todas as formas fugir, mas quando sentiu pela primeira vez aquele toque, aquela boca, aquele olhar pros breves momento só seu, caiu por terra toda a lenda e mitologia que protegia a tão temida Satania. Surpreendida com tal paixão dilacerante, sua vida encheu-se de sentido até então desconhecidos, ou deixado de lado em outras paixões fugidias. E mais uma vez ela não teve dúvida, pois por mais que a tirassem tudo, sua intuição não a enganaria, estava certa de que mesmo fugindo tudo aquilo era para acontecer, mesmo uma outra vida sendo a interpérie de tudo isso.

E hoje amigos, eu que não passo de uma crente escritora relato com muito pesar o presente de Satania, inspirada no José. Satania, a bruxa de sorriso bonito e radiante, que seria capaz de iluminar a noite mais escura que já existiu ou possa existir. Ela que parece uma garotinha de sete anos, inocente...Ela que tem seus olhos claros, tranqüilos como o mar de uma praia do Caribe, mas que, ao mesmo tempo, transmitem a sensação de uma destruidora Tsunami. Ela mesmo, essa Satania padece por ter sido surpreendida por um deles que sempre teve como missão surpreender.

Nos olhos da minha Satania, vejo leves respingos de tristeza, e impotência, pois sabe ela que não possui mais o poder mágico de livrar-se desse olhar. Seu sorriso tão radiante, não deixou de existir, mas muitas vezes está sendo substituído por insólitas lágrimas, que se confudem entre a alegria de estar se permitindo viver para ter esse olhar e com a tristeza de não possuí-lo quanto necessita. É, escritores tem que conviver constantemente com as Satanias e os Josés e tem que só transcrever. Se resolverem viver suas histórias, podem fazer parte de uma história que não sabemos qual o final. E não vou ser eu uma simples escritora detentora desse privilégio de escrever esse final, pois antes de escrevê-lo quero vivê-lo mesmo não sendo a tão misteriosa Satania e mesmo não conhecendo seu amigo José.

domenica, dicembre 11, 2005

Marido, mulher, amante...Será que existe perfeição?

Essa vida é muita engraçada mesmo, principalmente para nós escritores ou críticos (ou no meu caso que me considero uma). Há dois dias escrevi um texto criticando a atuação do Jornalista Willian Bonner, e há um dia recebo em minha casa o Zero Hora com uma manchete no caderno Donna, dizendo que ele, o tão criticado jornalista, teria sido escolhido o marido ideal pelas mulheres brasileiras. Que choque! Confesso que tive que rever muito dos meus conceitos em relação ao jornalismo e as táticas surpreendentes de Willian Bonner, mas tive também que rever meus conceitos sobre marido ideal (mas será que ele existe?)

Nunca me imaginei casada a não ser por breves momentos de uma paixão fugidia. Para mim casamento só da certo quando cada um tiver seu canto e sua privacidade. Até por que não sei se conseguiria arranjar um marido ideal que suportasse minhas manias. Creio que Willian Bonner não seria esse marido, pois para mim quem tem uma visão de telespectador Homer Simpson e não faz nada para mudar isso, é apenas mais um ideal homem influenciado pela lógica do consumo. Se fosse escolher meu homem ideal pelo estereótipo, qual seria? Sempre gostei de homens aventureiros, morenos, de pele morena (mentira loiros também tem sua vez), bonito, inteligente, que goste de dançar tango, mambo, bolero, salsa, forró, enfim eclético, também que goste de cozinhar, passar horas jogando conversa fora e que goste de viajar, ler, tirar foto (eu sei que algumas pessoas vão dizer que tenho uma leve tendência a fotógrafos, é realmente já tive alguns, mas diferentes maneiras de fotografar também são válidas). Bom meu marido perfeito, aliás, homem perfeito seria, seria? Se eu soubesse quem, não estaria aqui nesse momento, até por que tem coisas bem melhores para serem feitas a essas horas da noite, com um homem ideal.

Mas e quanto à mulher perfeita? Mais uma vez tenho que achar engraçado, pois há semanas atrás, essa mesma pesquisa foi divulgada e então foi escolhida a esposa ideal, até aqui nada de engraçado a não ser a idealização que cerca a visão romântica de ambos os sexos. O engraçado é que não só a esposa ideal foi escolhida, mas também a amante ideal. Por isso fiquei admirada, pois se existe a amante ideal, por que não o amante ideal. Devemos concordar, que nesse quesito não haveria chance para nosso ilustre jornalista. Eu votaria no Brad Pitt, com aquele olhar tentador, aquela cara de safado, o que tudo indica que tem "aquela pegada". Mas o fato é que vivemos num mundo que ainda acredita, que somente os homens tem direito a ter amante. Então eu me questiono, qual seria a mulher ideal pra segurar um homem ideal como seu marido, e como seu amante?

Diria que essa é uma pergunta muito difícil, em se tratando de convivência, de relacionamentos, de sexo, de filhos, de contas para pagar, enfim depois de tudo isso é cansativo pensar em ser uma mulher ideal em todos os sentidos. Elas dizem que querem um homem compreensivo, bem cuidado, galanteador, fiel, amante, companheiro, ambicioso, carinhoso e prendado. Meu Deus salve os homens das garras das mulheres que querem tudo isso de um só homem! Agora estou começando a entender por que tantos gays, afinal nenhum homem vai querer conviver com tanta exigência. E vocês mulheres o que tem a oferecer?

Eu que não tenho mais do que breves anos (na verdade brevíssimos) de relacionamentos e que às vezes mais idealizo do que vivo, prefiro ficar longe do tipo Willian Bonner, para mim isso não passa de uma imagem criada pela mídia e prefiro me conter em escolher homens normais, comuns e que de preferência, não sigam a rigor todos aqueles quesitos desejados pelas mulheres. Tudo que é muito perfeito, também é suspeito. E quanto ao papel da mulher, sempre acreditei naquele velho ditado da minha avó: “mulher pra merecer qualquer homem, tem que ser uma dama perante a sociedade e uma puta na cama”, assim será não só a esposa ideal, mas também a amante desejada.

No final da história, não sei ao certo o que me levou a escrever esse texto, não sei se foi a indignação por ver que Willian Bonner, o cara que critiquei a dois dias e que agora foi eleito o marido ideal, ou se é por que eu não acredito em pessoas ideais. Acredito sim, na paixão, na convivência, no respeito principalmente pelas diferenças e imperfeições de cada homem e de cada mulher. Pois muito antes de sermos maridos, esposas e amantes ideais, somos homens e mulheres, cada qual com suas necessidades e vontades, que vão muito além de um William Bonner ou uma Jennifer Lopes (esqueci de citá-la, mas é que sua perfeição é tanta que me deixa até sem graça, um breve engano óptico).
Depois de escrever tudo isso, acredito que terminei com as perspectivas de um futuro casamento. Sério um velho amigo, a qual sempre prometi casar foi o primeiro e ler esse texto, e acho que desistiu de mim, pois ele é loiro de olhos azuis, não é fotógrafo e não entende minhas crônicas, mas como ele mesmo acabou de me dizer não existe perfeição, existe algo próximo ao ideal. Nem mesmo na engenharia mecânica as coisas são perfeitas...Numa dessas Junior um dia a gente ainda da certo...

Palavras rabiscadas...

Nos últimos dias não tenho me sentido mais muito inspirada, por isso agora só escrevo a partir de palavras rabiscadas...

Dúvidas???
Insólitas dúvidas
De sonhos sempre presentes
Motivo de tanta agonia
É seu ser tão ausente...

Viver eu queria
sem ser notada
pelas dúvidas e pelos sonhos
e por você principalmente...

AS dúvidas se dissipariam
Sonhos não atormentariam
e sem você eu viveria...
INFELIZMENTE

Apenas rabiscos de mais um dia sem você...

venerdì, dicembre 09, 2005

Do Projac direto para o Inferno...

Coincidentemente recebi hoje pelo e-mail, um texto que falava da situação desconfortável de professores na redação do Jornal Nacional. Foi hoje, também, que acabei de ler uma crônica do Frei Betto com o título de Telespectador, e também não faz muito que já tinha chegado a algumas conclusões sobre a televisão e sobre o seu jornalismo. Depois de tantas coincidências acredito ser válidas algumas considerações televisiva, ou melhor, algumas desconsiderações, pois se trata de uma crítica.

Parece um cenário perfeito para grandes discussões e um agitado dia para se pensar no Jornal Nacional, penso que foi esse o pensamento dos professores da USP, quando entraram na redação do Jornal Nacional. Confesso que também acreditava nisso. Mas como sempre, o jornalismo tem muitas surpresas, é bom estarmos preparado para mais essa. Certamente todos aqueles professores, assim como eu, esperavam de Bonner muitas discussões, decisões e coerência, ao menos é o que seu perfil aparenta sentado atrás do balcão do Jornal (nesse momento inclusive ouço sua voz). Mas não, o pouco que saiu de sua boca segundo descrições de Laurindo Lalo Leal Filho, foi como as pesquisas que indicavam o perfil do telespectador. Sim, amigos, o telespectador do Jornal Nacional é um Homer Simpson, preguiçoso e lento. Essas foram às palavras, usadas pelo nosso ilustre apresentador. E essa é a dura realidade do Jornal Nacional, aliás, esse é o pensamento de nossa âncora, que sem muitos questionamentos e diálogos, escolhe as notícias mais acessíveis e apelativas, sem ao menos discutir com as caras constrangidas de jornalistas e professores ao seu redor.

Enquanto Bonner superficialmente trata do Jornal mais importante do Brasil, Frei Betto sutilmente, ou nem tanto, critica em sua crônica a postura do telespectador...

Viriato depois de ter uma vida de pecado é condenado a passar o resto de sua eternidade no inferno, lá o diabo lhe oferece um quarto, em que ele tem direito a uma cadeira e uma televisão Num primeiro momento Viriato nem acreditou que esse seria seu castigo, a televisão oferecia uma programação muito variada. Mas depois dos primeiros dias de desfrute percebeu que a tv nunca podia ser desligada e que seu volume não poderia ser alterado. Depois de três meses Viriato percebeu que sua pena não era tão leve quanto imaginava, a TV não era uma mera transmissora de atrativos, era um ente real que pensava por ele, sonhava por ele, raciocinava por ele, seqüestrando-lhe a identidade.

Viriato, então, percebeu que um vazio instalara-se no âmago do seu ser. A programação saturava-o. Embora variada, obedecia aos mesmos modelos repetitivos: o sorriso saúde-e-afeição dos apresentadores, a beleza esguia das mulheres, a ridicularização dos homossexuais e gordos, a apologia ao adultério, a comicidade derivada da desgraça alheia, a prosperidade como fruto da sorte, a espetacularização da notícia, a nova embalagem de velhas piadas, velhas histórias e velhas imagens. Viriato entendeu qual é o significado de eternidade: a televisão suprimia o tempo, já não havia passado, presente e futuro e estabelecia a soberania do espaço, invadindo o espaço subjetivo do telespectador, asfixiado por aquela profusão de signos que lhe roubavam a palavra e sonegavam o silêncio, dilacerando-o interiormente.

O demônio modernizara-se conclui Viriato e até no inferno telespectadores são absorvidos por esse veículo. Mas aí me atrevo a perguntar: Será que precisamos esperar até chegar ao inferno para nos darmos conta dessa superficialidade da televisão??. Bom, sei que eu há muito tempo deixei de ser Homer Simpson, e aqui mesmo na terra (que por vezes parece o inferno) me dei conta do que Viriato fala. Não tenho nada contra imagens, aliás, sou fissurada e ainda vou trabalhar com documentário, cinema e fotografia, mas nunca consegui entender o fascínio que a TV desperta nos “Homers da vida”. Então passei a fazer parte dela, e minha revolta cresceu ainda mais, por que agora sim, conhecia um pouco da realidade e percebia o quanto esse trabalho do dia-a-dia da TV é mesquinho, superficial, diria até que às vezes o Jornalismo e a televisão não passam de uma cultura inútil.

Pobre dos Homer Sipsons, dos Viriatos e de mim. Homer Sipsom, por que é subordinado as ordens de Willian Bonner, os Viriatos por que demoram até o inferno para perceber o que a televisão representa de verdade, e eu por que não sei se gostaria de conhecer essa realidade. De repente seja melhor continuar como uma vã telespectadora sentada em meu sofá ocasionalmente, ou então, deixar pra depois me acertar com o demo qual será meu castigo. Mas sinceramente se tiver que passar o resto da eternidade assistindo TV eu me jogo do inferno, mesmo sabendo que posso cair direto no Projac.

domenica, dicembre 04, 2005

Isso merece uma crônica...

Entre tantas coisas ruins e boas que acontecem em nossa vida, sempre acreditei que algumas merecem certo destaque, e como não sei destacar essas coisas tão bem a não ser por palavras e talvez por fotos lá vai mais uma história de um domingo tranqüilo.


Mais uma semana se vai. Uma semana cansativa ou nem tanto, cheia de compromissos, de trabalhos, de expectativas ou como no meu caso de pensamentos. Segundo a Igreja Católica o domingo é o dia reservado para os cristãos descansar e rezar, agradecendo a Deus pela semana que passou e pedindo bênçãos para a semana que virá. Isso, realmente eu pedi. Mas nesse domingo como em tantos outros, não fui à missa, não almocei em família e não optei por descansar, ou será que sim?


Fui com minha turma de fotografia do Senac passear, ou melhor, fotografar na Fepagro, antiga Associação de Experimentação de Silvicultura, infelizmente um projeto quase esquecido pelos nossos antigos governos estaduais petistas. Nossa missão era fotografar a natureza. Que natureza e que domingo! Foi nesse domingo que conheci o distrito da Boca do Monte, um lugar pacato, tão perto de Santa Maria e ao mesmo tão longe se levarmos em conta sua tranqüilidade. Pude observar que lá sim, os cristãos seguiam as ordens da Igreja e reunidos rezavam e agradeciam (ou nem tanto), na igreja da comunidade, pelo que tudo indicava haveria festa no local. Aí já imaginei, famílias comprando o churrasco, a mãe arrumando os talheres na mesa e tirando de suas cestas as saladas e os pães, as crianças pedindo mais um refri ou um doce, o pai preocupado em comprar fichas, para a maionese, para o churrasco, para a cerveja, em fim, comadres jogando conversa fora, maridos apostando na tômbola e jovens aguardando o matine, e as crianças consumindo e rapando os troco dos bolsos do pai. O domingo, também seria perfeito para eles.


Então, depois de muitas explicações sobre o que estaríamos fazendo naquele local, conseguimos acesso à estrutura da Fepagro. E lá vamos nós, assar nosso churrasco! Que piada! Isso merece uma crônica, foram minhas palavras...Devido a vários esquecimentos, muitas coisas foram necessário obter através de empréstimo, espeto, facas, frízer, fogo, em fim, uma situação um tanto constrangedora, mas muito divertida, e isso que estavámos com dois milicos, o que mais uma vez reforça minha aversão pela “espécie”. Depois de muitas risadas e situações engraçadas, é hora de irmos ao trabalho! O Saraiva enlouquecido atrás de um animal, tirou uma baita foto para a Playboi, é a foto de uma vaca mesmo. O Rafael deixou escapar dois veados, literalmente no sentido da palavra, e fotografou o rabo de um lagarto desfocado, o Quadros emocionado com sua super foto macro dos bichinhos na água, o Mendes, bom esse me diz o que não fotografa, de roda de carroça, até a sua carroça, aliás moto ( foi mal, não era essa a intenção) e eu? Eu gastei todo meu gesso, pois resolvi abandonar minhas muletas e me arrastar pelo mato literalmente, perdi a tampa da minha Zenit (por favor se alguém encontrar entre em contato), e tirei algumas fotos, sem muita noção de velocidade e luz, pois tenho problemas com meu fotômentro (desculpa do cego é a muleta).


A parte subjetiva do passeio...Árvores, trilhas, areia, animais e o lago... O lago mais tenebroso que conheci, com um encanto inexplicável, poderia passar horas e dias ali sem conseguir desvendar aquele mistério, aliás, e muitos outros que passavam pela minha cabeça. Ali esqueci de tudo ou refleti muito mais, pois infelizmente penso com as duas cabeças e isso da mais medo que a profundeza daquele lago. Mas as horas não passam quando estamos com alguém que gostamos demais. E que borboletas...Não prestei muita atenção nelas, mas elas estavam no lugar certo, na hora certa e voavam no lugar desconhecido, creio que até com o mesmo medo que nós.


Não sei se Deus irá nos questionar sobre esse domingo, mas se assim o fizer não terei dúvida de dar-lhe a seguinte resposta, com fundo musical de uma orquestra que em meio a tanta vida, traziam de seus instrumentos mais vida àquele domingo: Um lugar perfeito, com pessoas especiais, fazendo coisas que descrevem e registram sensações e refletindo toda essa história que por mais que pareça uma loucura, ainda não tem respostas, e nem mesmo o lago foi capaz de nos responder...Felizes as pessoas de Na Boca do Monte que rezam, festeiam e vivem naquele sossego, mas certamente refletem tanto quanto nós ao olhar para aquela água.