lunedì, aprile 17, 2006

De uma folha seca, os motivos de muita inspiração...

As coisas passam tão rápido que não nos damos conta da simplicidade de certas ações e nem de certas idéias. Ontem me perguntaram de onde eu tirava tanta inspiração, e a pessoa que me perguntou isso, disse que ele pensa em coisa tão vãs, que parecem não ter importância. E aí eu disse que é nessas coisas, que aparentemente nos parecem simples que encontro a total diferença na hora da criação.

E hoje aconteceu uma situação muito curiosa, que de certa forma explicou o fato das coisas simples serem motivos de inspiração, até mesmo sendo algo extremamente trivial. Mas aí fui até o dicionário para saber qual o significado agregado a trivial. Entre várias explicações, uma dizia que trivial era aquilo que todos sabiam. Então percebi que esse é o segredo pela qual as coisas simples são motivo de poesia, de criação. Pois, quando são conhecidas por todos, elas já não tem o valor que merecem, por serem totalmente conhecidas. Daí, cabe a nós arrancarmos dessa trivialidade o que ali está escondido, desconhecido por todos. Nesse momento chegamos a criação, a poesia, e a sensibilidade.

Mas como disse anteriormente, hoje, uma coisa que a princípio parecia trivial me despertou um mundo de criatividade, um momento feliz de encontro comigo, com minha paz interior e com meu momento de reflexão. Estávamos gravando perto do bosque da universidade e um amigo brincando, de repente, até mesmo inconsciente juntou uma folha seca de plátano e me deu de presente. No mesmo instante fizemos uma brincadeira, ele me disse para guardar na agenda, e eu ainda acrescentei que não só guardaria, como também colocaria uma referência a ele. E de fato carreguei comigo a folha! Num lapso, me veio a mente dúvidas a cerca do significado daquela folha.

Como uma boa virginiana, nada passa por mim sem ser analisado, sem ser julgado e sem ter uma serventia. Então inquieta fui para casa, insatisfeita com a falta de resposta, pois percebia que aquela folha tinha um motivo para estar ali naquele momento. Troquei de roupa, e fui até o bosque caminhar, coisa que a muito tempo não fazia, desde os tempos que quebrei meu pé. Caminhei, caminhei e pensei! Almejava entender como poderia usar aquela ou aquelas folhas na minha vida. E de repente de novo como num lapso criativo, vou para debaixo daquelas árvores e começo a juntar muitas daquelas folhas, grandes, pequenas, tortas, e aquela atitude além de despertar a atenção de quem passava, me trouxe um prazer e uma paz tão grande, que a muito tempo não sentirá. Passei, então, a entender o por que dela estar ali. Primeiro por que parei para dar valor a uma coisa tão prazerosa, quanto tirar um tempo para a gente mesmo e depois por que tinha encontrado a explicação para a pergunta do dia anterior, de como eu conseguia me inspirar.

Depois da coleta das folhas, aliás muitas, comecei a juntar as pinhas pequeninas, dos pinheiros e cheia de pedaços da natureza que caracterizavam o outono e o inverno fui para casa, realizada, feliz, calma. Ao entrar no meu quarto, usei aquelas folhas para coisas bem interessantes. Arrumei meu mural, fiz um arranjo e meus milhares de bibêlos dividiram espaços com coisas da natureza, que combinavam com esse clima de friozinho que desponta aqui no sul.

É isso, as coisas pequenas e triviais, por mais que sejam conhecidas por todos escondem minúcias, que temos que ter a sensibilidade de perceber. Pois veja Rafael! De uma folha simples que ganhei do Betinho, fiz esse texto, que pode não ser o melhor do meu blog, mas com certeza da chance para muita reflexão. Isso é inspiração, isso é não deixar de ver nas coisas banais uma beleza inexplicável.

domenica, aprile 16, 2006

Aquelas primaveras e o outono de hoje...

O sol desponta lá fora
Cobre a primavera de luz...
Esquenta o outono de agora.

E eu aqui dentro lamento...
Saudades das primaveras .
E daqueles outonos.

De sentar ao sol na pedra no inverno.
De plantar as flores na primavera

Mas restam saudades daquela infância.
Resta saudade do tempo que não volta mais

Pois voltar somente às estações e os astros.
Pois sua dimensão é suprema.
Quem sabe um dia me torne brilhante que nem ele.

E possa voltar! Ao menos as lembranças persistem.
E as primaveras e outonos continuam no mesmo lugar...

Hoje sinto saudades da minha terra e da minha gente...Mas é páscoa e nada que um chocolate não apazigue...

sabato, aprile 15, 2006

Páscoa e agora o que dizer...

Bom como não achei nenhuma foto de coelhinho, coloquei essa para ilustrar esse post sobre a Páscoa. Uma foto do artesanato do Peru, que me lembra um pouco a infância. E para falar da Páscoa não tenho como não falar da minha infância. Hoje mesmo o caderno Cultura do ZH me despertou lembranças da minha velha infância e das minhas velhas páscoas. Pois como na campanha gaúcha, também na minha cidade a Via-Sacra representa o cultivo da tradição católica de recomendação das almas.
Lembro-me perfeitamente de como era importante para nós criança participar da Via-Sacra na sexta-feira santa e no sábado de aleluia. Primeiro por que na páscoa a comunidade se enchia de parentes de longe e então éramos observados por pessoas de fora, depois por que tínhamos um papel muito importante na via-sacra, segurávamos as velas de cada estação, que representavam a passagem de Jesus. Segurar a vela representava segurar um posto importante da caminhada de Jesus. Por vezes queimávamos os dedos, as velas se apagavam, já que a via-sacra era feita na estrada de chão batido, cada estação era longe uma da outra e em casinhas com cadeiras esperávamos ansiosos para ver a procissão passar.

Quando a procissão passava era o auge da nossa emoção, pois todos viravam para nós e juntos nos observavam rezando...Louvado seja nosso senhor Jesus Cristo/para sempre seja louvado. E assim a procissão seguia, depois que todos passavam, eu avistava meu pai que sempre nos ajudava a carregar as cadeiras, pois depois da caminhada voltávamos para a igreja, onde Jesus permanecia deitado no calvário anteriormente construído, certamente com nossa participação. No sábado era o dia da ressurreição de Jesus, depois de mais um culto, todos beijam os pés de Cristo ressuscitado e eu me lembro a emoção de sentir meu pai me erguendo para alcançar os pezinhos dele.

A procissão anda, assim como nossa vida também tem sua caminhada, hoje a páscoa para mim já não tem mais aquele encanto, primeiro por que já não acredito mais cegamente na igreja e já não me faz sentido a procissão e o beijo nos pés, vai ver por que agora meu pai já não precisa mais me erguer. Segundo por que nem sempre conseguimos mais passar a páscoa naquele velho lugar, hoje estou aqui em Santa Maria escrevendo num blog, em Charrua com certeza, minha mãe e meu pai organizaram mais uma procissão e beijaram os pés de Cristo e com certeza, lembram com saudade dos tempos que éramos pequeninos, nos preparávamos ansiosamente com a velinha acesa, necessitávamos de ajuda para carregar as cadeiras e para beijar os pés de Jesus.

Essa páscoa me lembra saudade e por isso venho até aqui para esvaziar um pouco dessa
angústia através de palavras, e para desejar a todos uma ótima páscoa e quem tem a oportunidade de estar perto da família aproveita, pois eu nesse momento choro de saudade das procissões, das rezas, da crença de que tudo aquilo é verdadeiro e principalmente da minha terrinha e da minha família.

Muita paz e luz para todos, façam de minhas lágrimas a força de que todos precisam para manter viva a chama de amor em qualquer família.

Um pouco do mundo das Cênicas, antes não descrito...

Vencidas algumas barreiras do mundo das Artes Cênicas, venho até vocês pra descrever um pouco desse mundo, que para muitos parece banal, até mesmo fácil, creio que um dia também pensei assim, até o dia em que resolvi encará-lo com uma possível futura profissão.



Entrei nas cênicas acreditando que tudo não passava de um conto de fadas, já tinha feito teatro quando mais nova na escola, e sinceramente mesmo depois de grande acreditava que as Artes Cênicas se resumia, a ler um texto e interpretá-lo e tenho certeza que não só eu dessa forma pensava. Santa ignorância!

Bastou uma semana de aula para me dar conta de muitas coisas precipitadas que julgará, pois os textos, amigos, só vêm depois de muito tempo de trabalho com o corpo, com a mente, enfim, percebi que de fácil aquele mundo não tinha nada. E num primeiro momento acreditei que meu forte era jornalismo mesmo, e de certa forma é.

De repente percebo através das aulas de expressão corporal e vocal e técnicas de representação e encenação, sem falar das teóricas que a coisa era bem mais complexa do que imaginava. Fui percebendo que não sabia caminhar direito, respirar, ter postura, ter controle nenhum sobre meu corpo. Diziam-me que tinha que segurar num tal de “cochi”, ou “dantenko”, mas desses não sabia nem como escrever, quanto mais segurar meu corpo através deles. Nas técnicas vocais minha voz, não tinha noção de mudança entre grave e agudo e eu não passava de uma desafinada voz perdida nesse mundo das cênicas.

Diziam-me que tinha que ter foco preciso. Primeiro o foco depois o corpo, sempre fazia ao contrário, me desesperava quando tinha que fazer uma improvisação. Pensava, pensava, agora ergo o braço, depois faço tal coisa e desse jeito travava qualquer improvisação natural e verdadeira. O Professor Cezário (uma perda enorme no nosso curso, pela sua ida) nos fazia cantar musiquinhas das Laranjas na beira da estrada, e eu não conseguia gravá-las.



Passo ternário? O que é isso? Não sei nem dá passos unitários! Dança dos ventos, queria mesmo que o vento me levasse para bem longe dali, tinha vontade de fugir. Exaustão? Meu Deus, mais exausta que ficava com tanta frustração. Verticalidade luminosa? Quem me dera enxergar alguma luz no meio de tantas dúvidas. Bom, depois dessa descrição de fracassos, de choro pelos corredores do Cal, de crise de identidade, muitos pensam que deveria desistir, aliás eu também pensei nisso muitas vezes, afinal minha vida no jornalismo é tão boa, lá tenho segurança, um caminho quase construído, uma noção básica , mas real da técnica e da teoria. Mas aos poucos fui me apaixonando perdidamente pelo teatro, pelo CAL, pelas Cênicas. E depois de me apaixonar por esse mundo, tenho certeza que não quero perdê-lo. E aí a frustração é por não conseguir me dedicar a ele exclusivamente. Mas há tempo para tudo nessa vida.

Aos poucos percebo a grandiosidade do jogo com o colega, a troca de olhar, a fuga, a expressão, a velocidade, a mudança do foco preciso, a variação de tonos. Em fim começo a descobrir meu “cochi” ou “dantenko”, quatro dedos abaixo do umbigo, nosso tesouro nosso centro de energia, de equilíbrio, de vida. Passo a soltar meus ombros e perceber meu corpo, minha voz, minhas fraquezas.

Percebo a importância de se passar meses para ensaiar uma cena de 10 minutos, percebo a importância do jogo, da construção de um personagem, da junção de partituras, da adequação do texto, da análise do mesmo e principalmente da avaliação de quem assiste. Percebo o quanto é apaixonante passar um dia todo em função do teatro, horas de ensaio e sair 3 horas da manhã do CAl.



Ainda penso muito quando vou agir, mas recém estou começando, mas a paixão por esse mundo me fez perceber muito mais do que o fracasso, mas também me mostraram a possibilidade de conhecer a mim mesmo e a possibilidade sim de ser também atriz.

Explicação da peça das fotos...

Nada pode ser comparável à sensação se passar uma semana inteira ensaiando, construindo uma partitura do nada, ensaio de mesa, ensaio com jogos, com estímulos, tesão pelo jogo, pelo texto, pelo personagem. No dia da apresentação parece que nada funciona, o figurino não fecha, o vestido cai, a voz não sai adequadamente. Meu vestido vai cair e tenho que estar preparada para isso, então ensaio de peito de fora, e sem qualquer vergonha tenho que controlar meu medo, meu constrangimento. O figurino do outro personagem não se adequou e temos que rever, ele tira a roupa, temos que improvisar. E o espetáculo está quase começando, estamos atrasados e muito. A tensão aumenta, aquecemos, ajeitamos a luz, a música, à voz, desejamos muita merda um ao outro (merda significa boa sorte). O público entra a música sobe, as luzes se apagam, a música desce, nós entramos.

Eu construo o leito florido, espero meu amado chegar, ouço seus passos, bebo do seu vinho e me entrego a sua vontade, gozo e depois simplesmente me abstraio desse mundo. 5 minutos o espetáculo acabou, meu vestido não caiu, não percebo quem é o público, só percebo meu coração disparado, pois estava simplesmente em estado de êxtase, pouco me lembro, pois estava em outra dimensão. Aos poucos aquela sensação vai se desfazendo deixo de ser a personagem e volto a minha realidade. Sou avaliada, e dizem que posso ser além de jornalista, também uma atriz, segundo eles tenho presença. Mas não era eu, era a amada.


Sensações, percepções, frustrações esse é o mundo das Artes Cênicas. Mas ninguém me disse que seria fácil, foi apenas uma conclusão precipitada. Quando tiverem oportunidade prestigiem, apóiem, mas não batam palma se não gostarem e nem riem se não for engraçado. Pois a dignidade é a maior virtude do artista, e se nada em ti despertou não finja através de palmas uma aceitação forçada, apenas se dirija a saída e não desista de voltar pois as portas da arte sempre estarão abertas a novas descobertas.

*Obs: O rapaz da foto é meu colega Henrique, que foi um guerreiro comigo, pois essa peça construimos em uma semana, depois de muita discussão e força de vontade. Mais uma coisa, ele não está nu, existe uma tanguinha que esconde suas indecências, ehhehe. Um momento muito difícil foi vencer nossos constrangimentos. Valeu Henrique pelo parcerismo e pelo profissionalismo. E ao nosso diretor Deivid pela coragem. Muito orgulho tenho de fazer parte dessa turma e desse mundo. E muita merda pra nós, em todos os palcos dessa vida.

"Temos as horas, eles o tempo"...

Acabei de assistir o Globo Repórter e a vida dos povos nômades da Mongólia me fez lembrar um pouco do que vi na Amazônia e creio que não descrevi, ainda. Durante uma migração do povo nômade, uma frase foi dita por aquele povo, “vocês têm a hora, e nós o tempo”, no caso nós seres ditos como “civilizados” temos a hora, pois dependemos totalmente dos nossos relógios e da lógica do tempo imposta pelo mercado de trabalho, pela sociedade capitalista. E eles têm o tempo, pois dependem do tempo da natureza, das variações do ano, do tempo natural de todas as coisas.

E isso eu percebi que também acontece com o povo indígena tukuna, na Amazônia. Apesar desse povo já estar de certa forma bem civilizado, com televisão, telefone, enfim já conhecer um pouco da lógica dos nossos relógios, eles ainda mantêm um ritmo natural de vida. O que mais me chamava à atenção que para os índios não tinha horário para fazer brincadeiras, para tomar banho de rio, para andar de canoa pelos igarapés. Quando foram desafiados a uma oficina de artes, não tinham horário para terminar, para comer.


Enquanto nós éramos totalmente regrados pelo relógio e tínhamos hora para tudo, eles simplesmente deixavam o tempo passar numa boa, curtiam aquele momento como se fosse único e nem se davam conta de que já passara uma manhã, uma tarde, um dia.

Nós poderíamos julgar essa forma de vida como a errada, de gente “preguiçosa”, e eles poderiam julgar nossa dependência de forma errada, coisa de gente “louca”. Mas o fato que não existe um certo e nem um errado, existe pessoas que foram criadas dentro de sistemas sociais diferentes, se é certo ou errado não cabe a nós julgar.



Eu acredito que nós, sociedade com relógio ultrapassamos o limite do controle das horas e somos totalmente dominados pela engrenagem do relógio. Enquanto os índios, os povos nômades, enfim os que possuem o tempo, dependem somente do pôr-do-sol e do despontar da lua, e não que isso os aprisione, mas ao contrário os guia. E sinceramente, hoje, era essa forma de tempo que gostaria de ter, afinal nunca gostei de relógios mesmo, gosto de vida e de natureza, mas infelizmente isso não basta para o tipo de sociedade na qual estou inserida, na qual estamos inseridos.

Eles quando morrem não deixam nada, nem capital, nem marcas, deixam apenas a natureza, o sol, os rios e sua vontade de viver livremente. Nós deixamos as propriedades, nossos ditos “legados’, mas principalmente deixamos o aprisionamento de um tempo guiado por horas para nossos filhos, infelizmente.

mercoledì, aprile 12, 2006

As meninas tukunas e suas tradições...

Por que trazer até vocês as fotos dessas doces meninas tukunas? Por que são muitas as coisas que fazem com que suas vidas seja interessante para nós, meros espectadores, é claro.


Primeiramente indenpendente de menina ou menino todas as crianças tukunas quando nascem são pintadas com jenipapo, assim como a gente estava pintado, só que eles pintam toda a criança, pois acreditam que esse ritual vai proteger a criança dos perigos do mundo.


Mas o que é o jenipapo? O jenipapo é uma fruta verde, e muito consistente, não sei ao certo se é comestível ou não, sei que não quis me arriscar. Depois de coletada, os índios ralam a fruta e misturam um pouco de água, depois de bem esmagada a fruta vai soltanto uma tinta preta, que foi da qual nós nos pintamos. O jenipapo leva de duas a três semanas para sair e muitos tiveram a oportunidade de nos ver pintados. Uma experiência incrível, pois eles acreditam que esse corante natural protege para muita coisa, além de ser um repelente natural, já que lá mosquito é o que não falta, de certo forma creio que nós incorporamos um pouco daquela força do jenipapo. Não sei mas eu, particularmente, senti uma grande energia quando me pintei, e uma paz muito grande, necessário para aqueles dias.

Depois gostaria de ressaltar a indenpendência das meninas, que desde cedo cuidam dos irmãos mais novos, isso sem falar na sua indiscutível beleza. Nossa, é muito impressionate a beleza das meninas indígenas e de seu sorriso maroto.


Outro motivo pela qual quero falar das meninas tukuna é pelo fato de elas serem o grande incentivador do cultivo de uma das mais fortes tradições deles: A Festa da Moça Nova, essa festa marca a passagem da menina para a vida adulta, para nós a primeira menstruação. Primeiramente a menina é mantida em reclusão e tem contato somente com a mãe, nesse período ela aprende a fazer os artesanatso da aldeia, com as fibras e corantes. Passado esse período de reclusão a comunidade se reune num local um pouco distante do centro da aldeia, chamado Casa de Festa da Moça Nova, os índios levam suas redes e lá permanecem em três dias de festa, bebendo suas bebidas tradicionais e dançando, depois de muitos rituais o cabelo da moça nova é todo arrancado, pela mãe e pela avó. Eles acreditam que esse ritual, se completará quando o novo cabelo nascer e junto com ele uma nova mulher preparada pra vida, para ser mãe, esposa.


Por isso trouxe até vocês um pouco dessas meninas, que são motivos do cultivo de tradições que aos poucos podem ir se perdendo. Mas o importante é que ele ainda se mantém e que se depender da falta de meninas para acabar, creio que não vá ser problema pois elas são muitas, bonitas e carismáticas.




lunedì, aprile 10, 2006

Espinhos e flores...

Espinhos os quero sentir, pois não doeriam tanto quanto a falta de uma flor.
Flores me arrancariam lágrimas, pois não sei como aceitá-las.
Dos espinhos a pontiaguda forma da vida
Das flores o cheiro estonteante da agonia
Se juntos se completam, separados não seriam...
Mas dos espinhos verei brotar sangue
E das flores verei brotar a seca.



Se me perguntares de qual gostaria mais de Ter para minha vida
Diria, meu bom amigo, que entre flores e espinhos
Fico com o desejo de não possuir a nenhum deles,

Enquanto aos dois espero.

Coincidência?? Mas o céu estava azul...

A certos sentimentos que são inexplicáveis, como por exemplo a emoção que sinto a cada novo jogo que o Grêmio entra em campo. Pois torcer para o Grêmio não é uma das missões mais fáceis, já que convenhamos nosso time é o campeão da instabilidade. E instabilidade é sinônimo de insegurança.

Sim, insegurança era o que sentia quando começou o Grenal desse final de semana. Acreditava sim que iríamos ganhar, mas como já disse em se tratando do Grêmio qualquer coisa pode se esperar. Assisti o primeiro tempo sozinha, não queria dividir meu nervosismo com ninguém. No intervalo sai para dar uma espairecida e para ver a agitação dos torcedores mais fanáticos.

Nesse momento de reflexão lembro de um texto que já escrevi aqui sobre a outra façanha gremista, quando saímos da segundona. E então me vêm a memória aquela velha pergunta já me feita uma vez: De como eu poderia gostar de um esporte de massa? Pois é, não gosto de muitas coisas que são consideradas de massa, mas confesso que futebol mesmo sendo de massa, me desperta sentimentos e paixões impressionantes e de que não pretendo abrir mão nunca.

No segundo tempo arranjo parcerias para ver o jogo, um colorado e um "Não to nem aí". Aí a coisa fica bem melhor, primeiro por que é sempre bom Ter torcedor adversário do lado, mesmo correndo dois riscos: Um de tirar com a cara dele, ou de ouvir o cara te tirando. E segundo por que o jogo começou a esquentar e o primeiro gol apareceu. Então aquela velha história , do filho da puta pra cá, do filho da puta pra lá. E tenho que ouvir o cara me tirando do lado e ainda todos os colorados filhos da puta dos meus vizinhos gritando.

Mas como eu disse em se tratando do Grêmio tudo é possível e tudo é muito mais emocionante, bastou dar uma olhada para o céu lá fora, para que pudesse dar o troco aos colorados que me encheram o saco. E é isso, faltando minutos para acabar o jogo , o colorado que estava sentado do meu lado se levanta e some porta a fora, sem nem mesmo se despedir, o "não to nem aí", ri de toda a situação e eu mais uma vez emocionada, não consegui ainda achar resposta para aquela velha indagação: Se existir emoção maior do que ser gremista me avisem, pois eu desconheço totalmente.

Assim, comemoro, choro e olho para o céu que coincidentemente estava tão azul como as cores do nosso timão. Tricolor, não tem preço essa emoção!!!! essa foto foi tirada momentos depois de acabar o jogo. Natural e lindo como somente o nosso Tricolor é.

martedì, aprile 04, 2006

Um momento de reflexão...

Por vezes paramos no meio da rua, ou simplesmente pensamos em tudo que vivemos, ou então não pensamos em nada. Parece que estamos perdidos a procura de algo, mas na verdade nesse momento encontramos com nós mesmos. E como isso é difícil.

Por vezes andamos descalços nas ruas e nem nos damos conta da brutalidade do chão, por que de repente ele nem existe sob nossos pés. Olhamos para o nada como se buscássenos o inatingível, mas se para nosso olhar o horizonte é limitado para nossa imaginação, não.


Não sei ao certo o que essa criança pensava parada ali no meio da rua do Mercado Público de Tabatinga, só sei que nessa imagem, revivi e pensei sobre muitos momentos da minha vida, que parada, sozinha, e de pé descalço procurava um chão para minha vida, ou apenas um horizonte para olhar.

Com as mãos juntas ou separadas como se batêssemos palma para a vida, nos mantemos sempre a olhar para frente e a buscar encontrar um caminho para guiar nosso pés descalços.

Uma pequena reflexão para a correrria de nossos dias, em que nos privamos de parar para pensar sobre nossa condição.

Um brinde...

Apenas um brinde ao aniversário do meu blog e as postagens que estão sendo feitas e me deixam bem feliz...Tomando caipirinha na Amazônia.

lunedì, aprile 03, 2006

Comemorando entre palavras e imagens...

No aniversário de 60 postagens no meu blog, venho até aqui para retomar e de certa forma responder a uma pergunta já feita anteriormente por Leonardo da Vinci: “ Se possuirmos a imagem de uma pessoa amada e um poema sobre essa pessoa, a qual daremos preferência??”. Bom. Eu sou uma grande amante das imagens e das palavras e com essa mescla de linguagem procuro alimentar este blog e minha própria vida.

Não sei ao certo se existe uma resposta exata a essa reflexão e nem desejo que vocês a tenham, pois se escolhemos por uma estaremos abrindo mão da grandiosidade da outra.

Evgen Bavcar diz que é difícil falar da imagem sem relacioná-la à palavra. Essa dupla, imagem-palavra, ao mesmo tempo reunida, hoje e antes, separada, é, no entanto, difícil de compreender e, sobretudo, de conceber como uma igualdade recíproca ou como uma ligação fatal, em que uma sobrepunha à outra. Evidentemente é uma reflexão ao alcance de todos, e cada um pode Ter sua própria resposta, ou, antes, sua própria pergunta.

Assim como há uma subjetividade por detrás das lentes de uma câmera, que remete a escolha do que deve ser mostrado, da seleção de uma entre milhares de possibilidades de mostrar, também existe um jogo de fantasias, quando se deixa brotar do pensamento incontidas palavras.

Tanto a imagem quanto as palavras para mim representam a arte por excelência. Se anteriormente Aristóteles já citava a imagem como um desvelamento, pois seu sentido fora retirado da imaginação (fantasia) seu nome vem de luz (faos) por que, sem luz não é possível ver. Também Pablo Neruda busca nas palavras a descrição para seu sentido completo: Pois segundo eles as palavras Têm sombra, transparência, peso, pernas: Têm tudo que lhes foi agregando da tanto rolar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto serem raízes...São antiquíssimas e recentíssimas.

Então, não pretendo fazer uma escolha entre imagens e palavras, mas sim usar-se da grandiosidade dessa mistura para lhes servir nesse blog através de imagens e de palavras fragmentos de percepções que tenho desse mundo e de tudo que faço. E se imagens e palavras são arte vale lembrar Maurice Merleau- Ponty: “É a felicidade da arte mostrar como algo se põe a significar, não por alusão a idéias já formadas e adquiridas, mas pelo arranjo temporário ou espacial de elementos.

Mercado Público de Tabatinga

Sábado de manhã, chovia em Tabatinga, o que era muito comum nessa época do ano na Amazônia. E nós tinhamos a manhã livre para conhecer a cidade. Mas eu queria mais, estava ciente que minha grande vontade era conhecer o Mercado Público, que antes tinha visto pela Televisão.

Então, prestigiando minha vontade descemos até a beira do rio Solimões, onde ficava o Mercado Público e encantada passei algumas horas fotografando e filmando aquela realidade, que tanto queria conhecer. Um aglomerado de pessoas de pele morena, brasileiros, colombianos, peruanos, uma mistura de etnias que caracterizavam aquela cor de pele tão bonita.

Entre tantas pessoas, podíamos ver produtos no chão em bancas, na lama, enfim em canoas no rio. Entre a oferta e a procura, nós procurávamos desvendar aqueles mistérios, daquela realidade. Sentados ao chão aquele parecia um ambiente tão comum, para uma conversa informal, para um bate-papo animado. Assim como em muitos rostos via apenas a tristeza de mais um dia de trabalho sofrido.

O que mais me encantou além dos rostos das pessoas, foi a maneira como seus produtos eram ofertados no mercado, alguns colocados muito bem arrumadinhos entre coisas nem um pouco similares, outros jogados ou até mesmo pendurados a céu aberto.

Enfim mais um desejo realizado. Conheci umas das coisas que mais me fascina em diferentes lugares que vou: as feiras a céu aberto e em praça pública.


Mercado Público de Tabatinga, mas algumas imagens da Amazônia...

Nada com um envolvente livro...

O Domingo a noite traz consigo um certo ar de melancolia. Mas naquele Domingo algo a mais batia no arvoredo, denunciando o inverno que se aproximava. Longe ouvia cachorros acoando e na penumbra do meu quarto abria um livro de suspense.

Sempre fui apaixonada por narrativas envolventes, onde personagens tomam vida própria e passam na minha mente a fazer parte desse mundo. Normalmente me envolvo nas histórias de tal forma, que recrio os lugares, seus rostos. E no livro A Sangue frio não estava sendo diferente, mergulhei naquele universo de Holcomb, às 00: 47 de Domingo e passo a recriar no meu imaginário todo aquela ar de suspense que envolve a trama.

Concentrada na leitura, nem percebo mais a penumbra que envolve aquela noite fria, até que de repente em meio aquela leitura meio que real e literária ouço do lado do meu quarto barulhos estranhos. No começo era barulho de um filme de terror assistido pelos vizinhos, mas aos poucos começo a confundir aqueles sons com a atmosfera de suspense que perpassa no livro.

Creio que Capote jamais imaginaria tal efeito na vida de um leitor. Transgrido ao mundo real e penetro naquele mundo de perversidade e crime. Os ruídos do quarto vizinho se atenuam, agora ouço passos e até mesmo gritos. Por momentos cheguei a acreditar que estava em Holcomb, onde se passa a história de A Sangue Frio e imagino que posso ser a testemunha do assassinato que está prestes a acontecer. Mas ali do lado ou na família do Sr. Clutter. Chego ao ápice da imaginação e já sinto o vento bater mais forte como sinal de morte.

Mas, então batem na porta do meu quarto, pensei que fosse Willie-Jay que Dick o assassino sanguinário não encontrou, ou então o Sr. Clutter se arrastando depois de um tiro, ou meus vizinhos assustados com o filme que viam. Pensei muito antes de levantar da minha cama e atender a porta, pois para isso teria de fechar o livro e desviar minha atenção, e por nada nesse mundo queria me livrar daquela sensação de Ter penetrado tão intensamente na história. O fato é que fechei o livro e abri a porta..

Abri a porta da realidade e fechei a fantasia que somente o livro e suas histórias são capazes de trazer. Essa é a magia que me faz todos os dias dedicar alguns minutos para a leitura de uma boa literatura.

Noite de outono, vento frio, Trumam Capote e luz baixa, um ótimo final de Domingo.

lunedì, marzo 27, 2006

O que eu vi nesses olhos , não posso descrever...

Vejam vocês mesmos...um pouco do que eu vi além das lentes...















Pele morena, sorriso maroto ou apenas um rosto tímido. Era assim que elas se aproximavam: num primeiro momento desconfiadas, sem saber como agir. Mas bastava abrirmos um sorriso para que elas ficassem muito íntimas.

As crianças tiKuna são assim, dóceis, independentes. Meninos e meninas conduzem as canoas no igarapé com tal habilidade, que qualquer um de nós não seria capaz. Elas têm uma sensibilidade impressionante quando fazem sua arte, sem antes ter tido qualquer contato com a matéria-prima.

Seus cabelos são negros, lisos, escorridos diria que perfeitos, seus sorrisos são de um encanto inesquecível. A cada novo dia que lá chegávamos corriam para nos acompanhar, ou apenas para mais uma pose, para tantas fotos. Por falar em fotos, sua fascinação ao se ver nas telas das câmeras era inexplicável, sorriam, emocionadas gritavam e até chamavam outras crianças para que todos a vissem, aí sim nunca mais paravam de fazer pose.

Queriam nos tocar o tempo todo, parecia que éramos feito de açúcar, o que de certa forma é real se nos compararmos a elas. Sua independência é tanta, que meninas cuidavam das crianças recém-nascidas e meninos eram vistos a uma grande distância nas suas canoas, sozinhos. Eles e a natureza.

Se me perguntarem o que mais me marcou nessa viagem toda, não tenho dúvida em responder que com certeza será a lembrança dos sorrisos e da sensibilidade daquelas crianças índigenas, que em algumas fotos vos mostro.


Sensíveis, hábeis, independentes, carinhosas e perpicazes, coisa de gente grande, mas não passavam de crianças...a verdadeira infância...












venerdì, marzo 24, 2006

Um pouco do Peru...


Atravessar o rio bastaria para que estivéssemos em outro país. A idéia de estarmos no Peru nos fascinava, mas algumas pessoas diziam que não valia a pena, pois lá do outro lado só uma simples vila existia: A Vila de Santa Rosa.


Sem dar ouvidos a pré- julgamentos atravessamos o rio, num Domingo de manhã ensolarado (coisa rara nessa época), ao se aproximar do outro lado, aos poucos percebi que aquilo não era uma simples vila, mas tinha escondido em sua pequinês a grandeza de seres humanos, de construções, de natureza pura e pobre.



Numa pequena rua asfaltada andamos sem pressa a pé, o tempo suficiente para para registrar rostos cansados, brincadeiras de crianças. Construções velhas, outras recém-construídas e roupas no varal.

Nos mercados esteticamente coloridos, encontramos velhos dicionários de língua espanhola por 2000 pesos, certamente levamos. Uma banca de revistas enfeitava a varanda de uma casa, penduradas com grampo de roupas, relíquias vimos e certamente levamos.

Sorrisos nas caras morenas, moças e rapazes no caminho. Muitas árvores e muitas goiabas saboreamos naquele estreito caminho. Tudo ao som de várias músicas que ecoavam dos tantos bares cobertos de palha. Música colombiana, peruana ou até mesmo Banda Calipso.

Mas foi naquela simples Vila do Peru que meu coração bateu mais forte. Impressionados com os pequenos mercados esteticamente coloridos adentramos sempre a procura de algo interessante. Pois pendurada entre diferentes roupas, lá estava ela, linda, azul, encantadora. Sim, amigos uma simples camisa do Grêmio tão azul, quanto o céu e quanto nossa emoção.


Foram muitas as razões que fizeram de uma manhã de Domingo ficar mais bonita e colorida e foram dessas impressões que fizeram com que percebêssemos(alguns é claro) que a Vila ST. Rosa não era apenas uma simples vila, mas que nela encontramos motivos para torná-la tão imensa, quanto a vontade de estarmos em outro país.



Por vezes deixamos de conhecer ou fazer coisas por dar atenção a pré-julgamentos e privamos nossos olhos de captar verdades e percepções que mudam aquela forma de pensar e fazem as coisas valerem a pena e se tornarem bem maiores.

giovedì, marzo 23, 2006

Só palavras...afinal nada mais concretas do que elas...

Parece apenas mais um fim de dia
Cansada, esgotada, acabada...
nesse momento só queria palavras
Absurdas, soltas, enfim tua voz...
De concreto quem sabe tua breve presença
sempre muito breve, mas de certa forma real
Queria, ouvia, imaginava
Porém é mais um dia
Que penso em você, que pensas em mim
Mas de que vale tudo isso??
Isso às vezes é só o que me resta
E a resposta sei muito bem
apesar de cansada, esgotada, acabada...
Isso é muito pouco, mas de concreto nada posso querer...

Vãs palavras, depois de dias exaustivos, de coisas sem sentido e de uma saudade absurda. Se um dia fui, já não sou, se um dia soube, agora me diz o que fez comigo????

martedì, marzo 21, 2006

O que falar de uma noite de outono...


Estava friozinho ontem à noite, era perceptível a entrada do outono no RS. Mas o casal estava ali sentado a beira da calçada escura, sob uma lua crescente que dividia a imensidão do céu com poucas estrelas. As nuvens faziam do céu um tapete com vários tons de cinzas. E o vento insistia em bater. E eles permaneciam sentados conversando e suas reações apontavam algo desagradável entre os dois.

Ele colocara os braços para traz na calçada e com as pernas esticadas balançava sua cabeça constantemente enquanto despejava palavras, que eu ignorava. Ela permanecia por um bom tempo com o corpo para a frente e as mãos escondiam as expressões de seu rosto. Em certos momentos olhava para traz a fim de encontrar o rosto dele, bradava algumas palavras e ligeiramente cobria seu rosto com as mãos novamente.

Em alguns momentos suas atenções eram desviadas pela passagem de estranhos que assim como eu ignoravam o que acontecia. De repente ele muda de posição dobra suas pernas e com as mãos faz movimentos frenéticos de explicação, nesse momento ela apenas olha para o nada e seu movimento mais brusco é jogar seu rosto entre as mãos. O fato é que eu estava muito longe e não podia ver ao certo se lágrimas chegaram a cair de seus olhos.

A noite continuava. O vento levantava os cabelos morenos e longos dela, mas dele nada seria capaz de mover. A lua permanecia crescendo lentamente e agora já afastara de si as nuvens que a cercavam e as estrelas ainda dividiam o brilho do céu com a misteriosa lua, como aquela relação que poderia estar se desfazendo.

Percebo, agora que suas posições mudam, continuamente, apesar de lentas, as mãos explicam e indagam, roçam o rosto, mexem no cabelo. Porém falam muito e se olham pouco, quase nunca. Agora nem mesmo os carros, nem mesmo as pessoas lhe tiravam a atenção, ou seria a tensão. Nem mesmo eu ali na janela observando e escrevendo já lhes incomodo.

Creio que nesse momento nem mesmo a lua era percebida, nem mesmo o piscar das estrelas, quanto menos o vento e seu friozinho eram capaz de desviar o clima de fim que despontava daquela conversa tão demorada e diria delicada. Mas tenho que deixá-los em paz, fechar a janela e deixar que a imensidão do céu seja capaz de apaziguar aqueles movimentos frenéticos e inconstantes, assim como o vento deixarei levar aquelas palavras que bem ou mal ditas ecoam na primeira noite de outono de 2006.

Termino de ler esse texto e as nuvens escuras encobrem a lua, a música para de tocar e eles se levantam cada qual para seu destino de uma triste noite de outono. E é apenas a primeira.

mercoledì, marzo 15, 2006

Os loucos também amam e por isso choram...

o choro mais copioso
das minhas entranhas brotou
no meu rosto senti arder as lágrimas
no meu corpo senti uma desesperada fraqueza
no meu rosto vermelho a agonia
mas ouvia uma música leve
olhava a lua poderosa de mais uma noite
e aos poucos senti a dor que me atormenta
as lágrimas prescrevem sua falta
a fraqueza é de não te senti
a música leve apenas tenta me acalentar
mas nem mesmo a lua consegue detê-las
Afinal fiéis companheiras...
são vocês minhas lágrimas.

Francieli Rebelatto

Nascendo outra vez...mas de uma outra forma...

Hoje enquanto caminhava na rua, ouvia uma amiga a despejar palavras sobre sua nova teoria, falávamos da formatura de comunicação que acontece nesse final de semana, e falávamos o quão pouco tempo falta para nossa acontecer. Então essa minha colega fala que queria se amarrar numa árvore na universidade e não sair mais daqui, por que de certa forma a universidade representa um alicerce seguro, que nos protege do mercado de trabalho.

Dessas palavras inventamos a mais nova teoria de que a universidade é um segundo nascimento, na verdade ela pode ser uma incubadora, só que a grande diferença entre o nascimento da universidade, quando nos formamos, e o nascimento comum de uma criança é que na universidade passamos por um processo de autogestação. Isso quer dizer que somos responsáveis por essa gestão, somos nós que vamos nos alimentar e nos nutrir de forma adequada ou não, o que dará a garantia de que tipo de "crianças", na verdade profissionais seremos depois ali fora, no mercado de trabalho.

Sim! Por que ser um feto na placenta da mãe é muito fácil, apenas recebemos o alimento através do cordão umbilical e apenas temos que usufruir dessa mordomia e nossa formação vai depender de que tipo de vida e principalmente genética a nossa mãe tem. Enquanto universitários e auto-gestantes estamos de certa forma protegidos por tudo que a universidade nos oferece, mas isso não é suficiente, por que o que realmente vai nos nutrir adequadamente vão ser nossas escolhas a partir de tudo que é oferecido e principalmente a forma como aplicamos essas ofertas.

Na verdade exercemos o papel de mãe, só que os filhos somos nós mesmos. Assim como há as mães mais atenciosas e cuidadosas, temos nós a chance de escolher na universidade meios mais adequados para nossa formação e principalmente de sermos universitários atuantes e conscientes. Assim como na vida encontramos as mães que apenas acompanham a gravidez sem dar muita importância ou até mesmo tendo descaso a ela, na universidade temos estudantes que apenas passam e dela nada levam a não ser o descaso que tiveram durante os anos que aqui estiveram.

Mas voltando a formatura, que era do que falávamos, é nela que parimos ou damos à luz ao profissional que seremos amanhã depois que as cortinas da universidade se fechem. E a carreira que vamos construir depende muito da forma como conduzimos nossa vida dentro dessa incubadora, ou melhor, universidade.

Bom, aqueles que estão nascendo nesse final de semana, espero que tenham eles usufruído da melhor forma de tudo que a universidade os ofereceu, se não o fizeram certamente vão encontrar ainda novas formas de nascer e ainda vão passar por novas autogestações, mas o importante é estarem conscientes de que as mães agora somos nós mesmos, e por isso tem que se preocuparem em buscarem seus próprios alimentos e se vão se alimentar pelo cordão umbilical ou não, não importa, o importante é estarem bem nutridos. E para aqueles que ainda aqui na universidade permanecem, meu caso, é importante estarem conscientes de tudo que nos é oferecido e qual a melhor forma de aproveitarmos dessa proteção que é estar aqui.

Sou mãe e sou filha...Serei daqui a pouco uma nova criança largada nesse mundo que nem sempre vai ter árvores para nos agarrarmos e nem sempre vai nos oferecer uma proteção qualquer.

Parabéns!!! Formandos 2006, sejam grandes comunicadores e honrem o que de melhor essa profissão tem a oferecer e mantenham sempre a humildade e a dignidade que qualquer mãe quer ver em seus filhos...

martedì, marzo 14, 2006

Ela voltou, sem relutar...


O movimento das mãos prescreve desenhos no teto sobre a penumbra da noite quieta. Já passam das 2 da manhã e a insônia persiste, por certo, tem precedentes.

Agito meu corpo, me viro incansavelmente pela cama, meus pés incrivelmente alcançam o teto(só me visitando para entender). Sinto apenas o vento que bate do ventilador, e ouço apenas seu barulho na noite que não se finda.

Insisto em ficar deitada no escuro, desenhando possibilidades e planejando atitudes, evito descer as escadas da cama, gostaria de continuar ali e tentar buscar o sono que não vem. Mas não tem jeito, o esforço é em vão.

Apressadamente levanto da cama, prendo meus cabelos, ligo a luz, sento na cadeira em frente a escrivaninha e aí sim o sonho se completa. Rompo a barreira entre a caneta e o papel que a muito não se encontravam e permito que devagar a inspiração se aposse de meus pensamentos e de minha vida. O ator tinha razão, ela sabe quando voltar(ver texto Sem relutar).

Escrevo freneticamente, nesse momento já estou na segunda folha, mas minhas idéias se multiplicam a cada segundo e minha mão desacostumada não consegue, acompanhar esse turbilhão de idéias que perpassam em minha mente.

nada percebo ao meu redor, nem mesmo a luz fraca, de que sempre reclamei , me incomoda. Quero apenas escrever e buscar através dessas palavras um sono tranqüilo.

Vejo que minhas letras não passam de rabiscos, mas não há como descrever tantas vontades, poesias e rimas que se acumulam na mente, já enlouquecida.

Paro um pouco e agora percebo a sombra da minha mão no papel andando compulsivamente do começo de uma linha até o seu final. A caneta é conduzida vorazmente e dela brota a tinta azul que registra materialmente a alegria de me sentir novamente inspirada.

E querem saber, por que? Pois nem mesmo eu, minha cama, minha caneta, o papel são capazes de dizer. O que sei é que profissionalmente falando isso é um grande sentimento de felicidade.
02: 12 Horário de Brasília, mais um grande horário da minha vida. Escrevendo e vivendo novamente sobre a inspiração que retorna aos meus dias e minha noite...

lunedì, marzo 13, 2006

Divagando ao som abafado que gostas...

delírios constantes
passos em direção ao nada
luz que ofusca meus olhos
pior senão existisse
o som abafado do líquido dos teus pés procuro
por isso deliro, caminho sem sentido e não vejo nada
Além do vôo das borboletas
e do ritmo que me enlouquece
pois, nada mais passa de delírios pscicóticos...
ego x Id,
eu x tua falta...
me deteriorando aos poucos e consumindo meus dias
sem luz, sem som, sem você...

venerdì, marzo 10, 2006

Nada mais é como antigamente...Apelação até na educação...

Nesses tempos de recomeço de aulas, muitas são as expectativas que cercam crianças e jovens. Encontraremos com novos e velhos colegas, com novos e velhos professores, de repente até mudaremos de colégio ou de curso na universidade. Materiais novos são comprados, cadernos, caneta, mochila, livros e assim todo um ar de perspectivas se constróe. Confesso que sinto saudade das antigas escolas e das poucas responsabilidades.

E é nesse contexto que o comércio idealiza suas propagandas e formas de atrair esses estudantes que de uma forma ou de outra tendem ao mercado para começar esse novo ano. Mas entre tantas propagandas me deparei com uma que me chamou a atenção e indignou não só a mim, mas a todas as pessoas que consultei. Não consegui suportar tal afrontamento ao bom senso e sai espalhando e mostrando a propaganda para professores no intuito de que fosse trabalhado esse absurdo nas salas de aulas de jovens que são o público alvo da loja.

Falo da Campanha Gang de "volta à realidade", não de volta as aulas. Segue abaixo algumas das frases que compõe o adesivo: MENOS MATEMÁTICA E MAIS EDUCAÇÃO FÍSICA. MENOS BOA PROFESSORA E MAIS PROFESSORA BOA. MENOS ESTUDO PRA PROVA E MAIS CONCENTRAÇÃO PRA FESTA. MENOS BOLA FORA E MAIS PEITO DE FORA. MENOS CARA SARADO E MAIS GOSTOSA SENTADA AO LADO, essa é a versão masculina, agora segue abaixo a versão feminina da "digna" campanha: MENOS QUÍMICA NA AULA E MAIS QUÍMICA ENTRE A GALERA. MENOS MERENDA E MAIS CHOCOLATE PRA LARICA.MENOS PLAYBOY E MAIS COLEGA SARADO. MENOS COLEGA MALA E MAIS COLEGA FAZENDO A MÃO. MENOS AULA DEMORADA E MAIS RAPIDINHA NO BANHEIRO. Essa é uma parte do que podemos ver nos adesivos da Campanha e segundo algumas pessoas são as frases mais amenas. Bom que eu não tenha contato com as outras.

Sempre acreditei que é na escola nosso segundo porto seguro, em que podemos completar a educação que começamos em casa. Para isso sempre acreditei em valores que a escola deve repassar aos seus alunos, como bom senso, dignidade, humildade e vontade de encontrar no estudo o caminho para buscar seu futuro, construir sua personalidade e definir muita coisa para o resto de sua vida. Mas, porém vejo através dessa campanha que essa não é mais a idéia da maioria das pessoas, ou ao menos não é o que quer empresários sem nenhuma dignidade para aceitarem que uma campanha como essas seja lançada com o nome de sua empresa.

Sei que os jovens, seu público alvo, gostam de chocolate, de sexo, de professoras boas, de sacanagem e de estudar pouco, porém creio que não é esse o papel da educação nas vida desses adolescentes, que cada vez mais se entregam a lógica do mercado. Me pergunto se os filhos do dono da Gang acatam a essas idéias e como é sua reação ao ver que seus próprios filhos seguem a essa lógica, absurda e longe da moralidade. Depois nos perguntamos por que cada vez mais cedo vemos a antecipação, não da vida adulta, mas de coisas que cabem a vida adulta, como o sexo com responsabilidade e até mesmo a noção de sensualidade. Percebo que aos poucos o mercado vai imbuindo na cabeça desses jovens sensações e idéias que não lhe cabem aprender na escola, mas com sua própria vida e com o tempo real de amadurecimento. Antecipam condutas que não condizem com o que esperamos para nossos filhos e que não acreditamos como melhores para nós, ou ao menos eu acredito.

Minha indignação é tanta, que não entendo onde estão, nesse momento as entidades que sempre prezaram pelos "verdadeiros valores", que na verdade já não sei quais são. Me indgno, por que ninguém se atreve a combater esse tipo de campanha, ou ao menos criticar essa blasfêmia. Pode parecer, que sou uma puritana, mas isso não é verdade, pois também, adoro chocolate e adorava mais química entre colegas do que em aula, mas acredito que tudo tenha um limite, por que isso são percepções naturais de qualquer ser humano e não é cabível a uma campanha trazer em praça pública esse tipo de apelo ilimitado.

Em outra crônica falei que já não se fazem mais crianças como antigamente, pois também agora não se fazem mais alunos como antigamente, assim como nem as campanhas são mais como antigamente. Seria capaz de lembrar cada campanha ou propaganda que usam apenas da criatividade, sem Ter que usar da apelação para darem certo e seria capaz de descrever a atitude indignada de cada um que pegou esse adesivo da Gang em mão e simplesmente achou ridículo e baixo-nível tal campanha.

Nada mais é como antigamente. Nem mesmo eu...nem mesmo a volta as aulas, pois agora é de "volta a realidade". Se é que a realidade existe, às vezes creio que tudo é uma mera ilusão.

giovedì, marzo 09, 2006

Sem relutar...


Estava decidida: iria forçar ela a aparecer na minha vida de qualquer forma. Meus dias sem ela não tem sentido e me causam uma forte agonia, parece que não consigo cumprir meu papel e todos ao meu redor me cobram pela sua falta.

Não saberia explicar ao certo por que ela se afastou. De repente fui rebelde e não quis atendê-la, de repente não produzi a altura do que ela esperava, ou então não a amei como devia. Por isso me encontro assim, perambulando pelas ruas, pelos pensamentos afim de encontrar o melhor meio de trazê-la de volta a minha vida.

Não sei se deveria gritar, pular, chorar, enfim não sei que sentimento deveria expressar para que ela sensibilizada com meu martírio voltasse aos poucos e invadisse mais uma vez meu mundo de alegria, de perspectivas, de sonhos.

Mas acredito que nada é por acaso, pois, ontem à noite fui assitir a mais um espetáculo de Cênicas e depois de duas horas apreciando um teatro muito subjetivo encontrei respostas para minhas dúvidas em relação a falta que ela faz no meu mundo. Sim, o ator repetiu várias vezes que não podemos forçá-la a voltar e nem buscá-la compulsivamente, pois aos poucos e no seu devido tempo ela naturalmente fará parte mais uma vez da nossa vida.

Mais uma vez estava fazendo tudo errado, de nada adiantaria querer atropelar o curso natural das coisas para tê-la de volta, se ela sabe muito bem o tempo certo de voltar para meus pensamentos, minhas ações e minha razão pela qual conduzo muita coisa.

Acredito que ela esteja muito arredia a meu mundo de perversidade e a falta daquele que representa sua razão de existir. Pois é, temos que aprender a sobreviver sem a inspiração, mas acima de tudo temos que aprender a esperá-la decidir qual o melhor momento de mais uma vez retornar a vida de humildes poetas, que sem ela não são nada, e aos apaixonados que sem ela não se amam...

martedì, marzo 07, 2006

Rabiscando lamentações de uma paixão absurda.

Lágrimas e pensamentos em ti e por ti

Ousaste invadir minha vida outrora perdida
Ousaste invadir meu mundo com teu sorriso
E com tua personalidade
Permitiu que eu acreditasse nas tuas palavras,
Em tudo que vinha de ti e para mim era perfeito.


Permiti me envolver sem sentido nessa história
Permiti encontrar em ti verdades absurdas
Acreditei em fatos e olhares
Acreditei no que não passava de inverdades


Choro por Ter atendido meus desejos
Choro por fingir que me desconhece
Choro por pensar que tudo não passou de um engano
Lamento por deixar correr esse desejo insano
Lamento por você Ter entrado na minha vida


Mas de ti guardo o sorriso mais bonito
A competência mais admirável
Guardo as poesias e inspirações que me trouxeste
Guardo teu cheiro, teu gosto, teu jeito de fazer amor.
Guardo a lembrança do que foi e perspectivas de ainda te ter


Sinto a falta absurda de tua presença
Sinto a vontade louca de teu corpo e teus pensamentos
Vejo em tudo um pouco de ti
E vejo em mim a tenra loucura de uma paixão absurda


Desejaria te Ter todos os dias, todas as noites
Desejaria tua voz, as palavras bonitas ou sem graça
Mas possuo saudade e poucos momentos
Possuo o gosta da aventura que um dia perderei ao vento
Possuo o nada, o absurdo, e somente a mim mesmo
E ainda as lágrimas que por vezes viu cair de meus olhos...

"A idéia do lugar é boa, pena que as cabeças que o preenchem são vazias".

Numa segunda-feira à noite quando não se tem nada para fazer, aparentemente, ou então se quer esquecer muitas coisas ,oportunidades nos aparecem para vivermos mais uma segunda maluca. E como diz uma sábia amiga não podemos fugir do destino.

A muito tempo não ia no Absinto Hall, por vários motivos. Primeiro por que meus estilos de festa mudaram muito e lá não é um lugar que mais curto, segundo por falta de grana mesmo e terceiro por que nunca curti o público daquele local.

Mas levando em consideração o convite de um velho amigo, responsável pelas mudanças no ambiente do local, fui até lá apreciar seu trabalho. Como sempre um trabalho perfeito, realmente o ambiente estava muito adequado para uma grande noite. Mas bastou por os pés no Absinto para sentir que aquela seria mais uma noite de filosofias e análises: de personagens, de ritmos , de comportamentos e principalmente de como poderia ficar uma noite toda ali sem me sentir "um peixe fora da água".

Elas dançavam em roda, com expressões sérias não se olhavam, apenas passavam de mão em mão a cerveja que bebiam, mas de seus rostos nenhum sorriso aparecia e de suas bocas nenhuma palavra se ouvia. Quando caminhavam sempre estavam de mãos dadas, não sei se era para não se perder ou se a prova da grande amizade, até que um moço as abordasse. Vestiam minissaias, mas quando falo em mini, realmente estava certa minha avó, para baixo do umbigo e acima da virilha, umas mais ousadas usavam shorts minúsculos e sem falar nos decotes. Seus rostos possuíam uma maquiagem um tanto artificial, aliás, de natural muito pouco se via, com certeza um frasco de leite de colônia seria insuficiente. Os cabelos escorridos, não disfarçavam a chapinha muito quente que os deixara daquele jeito e seu loiros resplandeciam a tinta que um dia acobertou os castanhos, acizentados, ou até mesmo preto.

Enquanto isso, no meio da pista ele dançava sozinho, enlouquecidamente, como em tantas outras festas. Parecia ser a pessoa mais feliz e autêntica do lugar, pois não escondia nenhum pouco sua loucura e nem mesmo sua vontade de ser feliz. Enquanto a maioria de longe ria de sua audácia, eu e a Michele analisávamos tudo aquilo que nos rodeava. E aos poucos nos convencíamos de que aquela não foi a melhor escolha para uma segunda à noite. Realmente maluca.

Para amenizar essa situação marcávamos em nossa comanda todos os tipos de bebida, uma cerveja, duas, um wisky, dois, caipirinha (aliás muito doce, enchem de açúcar e o que menos colocam é vodka, porém reivindicamos nosso direito e calibramos a Segunda dose com muito mais vodka). E assim a noite foi passando a banda sobe ao palco e mais absurdos me inspiram para escrever esse texto, já que a muito não tenho escrito nada. Uma fase realmente sem inspiração. Mas a banda sobe ao palco e com ela as mão sobem, os peitos sobem, as saias sobem e elas que antes dançavam em roda agora, também sobem ao palco para demonstrar seus "dotes artísticos". Coxas grossas, expressões de "vem que te quero", peitos a mostra e muito rebolado. Esfrega de cá, esfrega de lá e as coisas começam a esquentar.

Antes disso, esqueci de falar sobre eles. Cabelo alinhado e com muito gel, rostos bem lisinhos, barba bem feita, roupa impecavelmente arrumada, parecem uns bonecos arrumados pelas mães. E de suas bocas saem sorrisos maliciosos, que olham para as coxas, para o rebolado, para os peitos, porém quem poderá apreciar um bonito olhar naquele escuro, naquele jogo enlouquecido de luzes.

Dessa noite muitas coisas boas e ruins carrego comigo. De boas o encontro com amigos especiais, com máquinas fotográficas, com um ritmo de música que a muito tempo curti. De ruim percebo a superficialidade das pessoas, de como em outros tempos pude me fascinar com coisas que hoje me deixam perplexas. Mas o que mais me lembro dessa noite são as cantadas totalmente sem sentido de alguns moços engomados que não se dão conta de nossa "passada inocência". Um deles se aproximou e pediu desculpa se estava incomodando (menos 2 pontos), depois me disse ao pé do ouvido (menos 2 pontos, odeio muita intimidade) que eu era tão bonita quando meu olhar. Não duvido da minha beleza, ao contrário me acho sim tão bonita quanto meu olhar, aliás acredito muito no poder do meu olhar, senão não seria bruxa, mas o que me deixou indignada é que minutos depois de ouvir toda a descrição da vida dele (aquele velho papo, o que tu faz, de onde és??) o moço se atreve a perguntar qual a cor dos meus olhos. Pois é, e ele me achou tão bonita quanto os olhos que nem tinha identificado a cor. Descartado imediatamente. Essa é uma das formas muito criativas que os moços engomados nos abordaram, alguns puxavam pelo cabelo e resmungavam palavras insólitas, outros chegavam delicadamente, mas com uma palavra proclamada bastava para ser descartado.

Depois de muitos dias sem escrever nada por aqui, pois tem muito material sendo preparado, volto a brincar com as palavras e com situações que norteiam meus dias, ou no caso minha noite. Por vezes penso que estou velha, mas depois percebo que na verdade nada passa de um reconhecimento do que para mim é bom e ruim.

Como diria a co-autora desse texto, que dividiu comigo muitas teorias no Absinto, "A idéia do lugar é boa, pena que as cabeças que o preenchem são vazias".. Afinal não é o lugar, nem a decoração, nem mesmo a caipinha doce que me inspiram palavras, mas sim é os personagens desse espetáculos, são as barbáries e superficialidade humana que me apavora e faz perceber o quanto banalizamos nossa vida.

OBS: Também uso minissaia, decotes, um pouco de maquiagem, ando de mão dada, e rio de coisas que possam parecer ridículas. Até mesmo em palcos já subi, só não pintei meu cabelo e minhas cantadas são mais originais, creio. Porém percebo e analiso. Bom ou ruim, vejo que não preciso mais fazer certas coisas.

lunedì, febbraio 06, 2006

Uma realidade distante, mas nem tanto diferente...

Olá amigos e leitores que por este blog passam, participo do Projeto Rondon e neste momento estou em tabatinga no Amazonas acompanhando e fazendo a cobertura para um documentário sobre a equipe da UFSM, que está desenvolvendo o trabalho junto a aldeia dos indios tikuna. Bom como não tenho muito tempo só estou fazendo este post para descrever rapidamente algumas impressões daqui, mas tenham certeza que muitos outros post sobre essa viagem virão.
Tabatinga é uma pequena cidade na divisa entre o Brasil, Colombia e Peru, é uma cidade consideravelmente bonita e os únicos acessos são por ar ou rios. Viemos de Hércules ( mas isso é conteúdo para outro post), a cidade é infernalmente dominada por motos, são milhares e tudo que você puder imaginar acontece nelas. Os índios são muito receptivos, mas não são diferentes dos de Charrua, o artesanato é muito bonito e vou me matar comprando bolsas. Andamos de Nué, canoa, num igarapé durante o dia, noite, enfim uma experiência inexplicável. O clima é horrível, quente, úmido passamos o dias tontos e perdemos muito líquido e matando mosquitos, mas tudo ta valendo a pena. Durante à noite vamos para a Colômbia, onde a cerveja é a pior do mundo, mas o cassino é muito interessante.
Por enquanto é isso, estou tentando sobreviver a tantas máquinas ao meu redor e ao peso delas. Vou continuar aqui filmando, observando, fotografando tudo, e depois escrevrerei muita coisa...
Abraços

mercoledì, febbraio 01, 2006

Jeito simples de contar uma necessidade das relações naturais de todo ser humano...

A penumbra cobre certas verdades ainda não ditas e certos desejos ainda não concretizados. Tudo parecia penumbra e cobria aqueles corpos sedentos de sedução e de paixão incontrolável. Ao certo não lembravam em que lugar estavam, nem mesmo o que sentiam, mas essas dúvidas não sabiam eles, se queriam ou não sentir. Pois, entre as dúvidas, existem os anseios e as tão temidas verdades.

Retidos nessa atmosfera de devaneios do desejo do próprio corpo, os dois se entregavam vorazmente num incontido momento de gozo palpável. Primeiro o olhar! Sim a descrição pode ser lenta, mesmo que contrarie suas necessidades. Os dois eram portadores de um olhar calmo, claro, intenso, descrito por cada um em cada novo elogio. Nele carregavam o aprisionamento que os detinha a aquela situação e aquela vontade de estarem um com o outro.

Depois dos olhos a boca. Nela podia ser encontrado a vontade mais louca de beijos frenéticos, e o sorriso mais lindo que cobriria aquela noite escura de vida, ou aquele dia. Ali encontrariam seus beijos o abrigo para o começo de uma longo tempo juntos nesse gozo incansável...Seus corpos nesse momento já buscam freneticamente um ao outro. Nesse momento ela ainda lembra da primeira vez, quando ele adentrou seu apartamento e trêmulo não sabia como agir, sim ela adora seu jeito medroso. Mas seu corpo de jeito nenhum tem medo de procurar o dela.

Ele possui um jeito simples, impulsivo, mas tem também a sutil delicadeza de quem tem noção de que possui por completo o corpo dela. Vagarosamente ou nem tanto leva suas mãos ao longo cabelo dela e os puxou com a força suficiente para trazer seu corpo junto ao seu. Beijou-a verazmente e profundamente e logo perpassa sua boca e língua por todo aquele corpo de pele clara que tinha em seu total domínio.

Não diferente de outras vezes , agora eles se queriam muito mais e o tempo que ficaram sem se ver, só despertou ainda mais esse desejo incansável de possuírem um ao outro. Então sem mais temer e sem muitos movimentos, ele arrancou a roupa dela violentamente e não teve dúvidas em jogá-la na cama, que de mansinho os apreciava, sem contestar qualquer movimento.

Na cama os dois corpos já não eram distintos e num só ritmo viviam com toda plenitude aquele momento de lascívia e de proibido desejo que queimava seus corpos, suas almas. Depois disso e de intensos momentos de prazer sentiram explodir de seu corpo o tão esperado e desejado gozo pleno, que concretizaria todo aquele desenrolar de atitudes que marcava suas vidas. Devaneios, sensações, dilaceração ou apenas uma emoção leve de viver aquela história. Eles eram assim simplesmente seduzidos um pelo outro, capazes de fazer coisas que somente a eles era compreensível.

Paixão, veneno, luz, ou apenas desejos emanavam dessa relação, uma relação certa, errada, enfim uma relação que queria satisfazer os dois, mas que nem sempre condizia com a verdade...Mas dormir juntos seria seu prêmio, porém teriam a vida toda para isso, era o que achavam.

Mas a lua vai banhar esse lugar e a rua deixará essa cidade se acender, assim como essa paixão e esse fogo, que eles esperam nunca se acabar. Afinal vamos olhar o rio por onde a vida passa e não vamos nos precipitar, nem perder a hora. Eles vão lembrar um do outro sempre e de mais aquela noite ou aquele dia. Tudo tem sua hora, até mesmo um sexo a mais.
Essa é minha última postagem antes de viajar para o Amazonas, por isso, esse texto ilustrará por um bom tempo o primeiro post do blog, não que ele seja muito pertinente para os leitores mas é importante pra mim, por que estava hoje num daqueles dias que nada seria capaz de inspirar até que um amigo me sugere descrever uma cena de nossas necessidades normais de homens e mulheres apaixonados, queria ter sido mais sutil e subjetiva, mas acredito que sexo mereça ser escrito na carne das palavras, ou eu que estou desprovida mesmo de muita subjetividade hoje...
Abraços e aguardem meus post amazônicos que certamente estarão mais permeados de coisas não tão particularizadas...e obrigado gatíssimo por você existir na minha vida e me trazer tanta inspiração...

lunedì, gennaio 30, 2006

Lamento de uma solidão violenta...

As palavras são minhas
As verdades são tuas
Minha alma não quer entender
Busca nas drogas, entorpecentes
Devaneios, palavras e as verdades
Mas nada, tenho às vezes tudo
Tudo tenho apesar desse nada
O nada das palavras absurdas
O tudo das verdades absolutas
Drogas, entorpecentes, devaneios e prostrações...
Malditas palavras verdadeiras de tua boca
Malditas verdades entediantes de minha alma...

Domingo, 00:00 na verdade já é segunda...

giovedì, gennaio 26, 2006

she has blue eyes
podem ser natos
podem ser lentes
pode ser reflexo da luz
da lua
do sol
da fluorescente
não me interessa
são azuis
e pronto.


mauricio canterle

Fumaça, cigarros e uma madrugada calma...

Sim! fumaça de cigarro
cigarro na fumaça
cheiro de cerveja
cheiro de perversidade
ritmo de mistério
mistério no cheiro da fumaça
calma música,
vozes vorazes e frenéticas
conversas absurdas entre cigarros e cerveja
mas fumaça, mais fumaça
paira no ar e na minha vontade
de cerveja, de cigarro, de perversidade
de calmaria...
Mas apenas a fumaça paira nesse lugar...
e somente isso é capaz de me inspirar...

Palavras perdidas e pensamentos repetidos...

Três horas da manhã não é suficiente para que o sono chegue, para que as conversas descabidas se cessem e para que eu esqueça que espero ansiosamente por esse momento. Amigos me rodeiam, cheiro de cerveja, de uma leve maldade, de desejos reprimidos, e o leve som de Chico Buarque e Belchior permeiam esse ambiente quase que sem sentido se não fosse a lembrança desse momento.

À vontade de descrever essas músicas, essas pessoas e esse vento gélido que bate na sacada e percorre o meu corpo encurvado na frente do computador. Eles adoram Belchior, adoram conversas destemidas e adoram sentir o gosto da cerveja que molha devagar suas entranhas.

Mas e eu me pergunto o que poderia fazer para que essas horas passem mais rápido. Quem sabe ouvir os sussurros de palavras que não me pertencem, quem sabe conversar com as letras de Belchior, admirar o letreiro do hotel ao fundo, cantar com as estrelas que cobrem o céu dessa noite. Quem sabe poderia partilhar da alegria daquele momento, da presença dessas pessoas agradáveis poderia navegar sem compromisso pelas páginas mais insólitas da internet, ou então simplesmente me jogar no sofá da sala e adormecer com a paz que me contagia nesse momento
.

Mas não!! Eu continuo aqui presa a essas palavras mal ditas e escritas e principalmente continuo aqui presa aos pensamentos que me levam até você, até sua presença, até sua lembrança, até tudo que lembra de você...

Então te pergunto usando das palavras de Pablo Neruda: "tudo em ti foi naufrágio", então por que voltas como salva-vidas??? Para salvar minha vida ou para me afundar ainda mais nessa paixão absurda e ao mesmo tempo tão necessária.

Perguntas sem respostas em mais uma noite que permaneço presa a tudo que me leva a ti e a essas palavras perdidas no vazio desses meus pensamentos...

Velha infância, novas possibilidades...


Naquela noite sai já tarde de casa. Percorria a cidade com um amigo, a procura de um bar ou apenas mais uma cerveja gelada. Depois de algumas tentativas encontramos o bar que queríamos, ele não era dos mais confortáveis, mas era o suficiente para aquela noite. Logo que cheguei a avistei, não tive como não reparar, pois ela chamava atenção de todos.

Julia estava animada naquela noite. Rodeada de amigos, cuspia palavras entre uma cerveja e outra. Percebi que mantinha um diálogo constante, mas não bebia apenas observava sua roda de amigos que animados conversavam entre um gole e outro.

Julia estava sentada no muro, devido a sua baixa estatura balançava os pés que não alcançavam no chão. Calçava um chinelo simples e rasteirinho, um short, pois fazia muito calor naquela noite e vestia ainda uma regata cinza, como de costume. Seu cabelo cacheado e loiro já estava mais comprido e atingia metade das costas mesmo estando amarrado.

Julia não fumava se detinha em respirar a fumaça insistente que saia da boca e narizes de seus amigos que a rodeavam, ela apenas falava e questionava. Percebi que a curiosidade era sua grande virtude, ou apenas mais um defeito.

E ali Julia permaneceu horas, às vezes descia do muro e então se encostava na parede, sua roupa colada deixava transparecer um pouco do peso acima do ideal, mas mesmo assim Julia não deixava de chamar a atenção. Habilidosa com as palavras, e com a troca de olhares, Julia conquistava quem a rodeava e quem aos poucos mesmo não conhecendo chegavam até ela para desfrutar de sua presença e do início de uma conversa amigável.

Percebi, também, como suas mãos eram habilidosas ao tocar e usufruir do celular que possuía. Meu amigo curioso e de certa forma encantado não teve dúvidas e foi até Julia para iniciar uma conversa, quem sabe uma futura conquista. Dessa conversa descobriria eu depois, que Julia não era apenas encantadora, mas sim era esperta demais para nós. Meu amigo descobriu que aquele celular não era de Júlia, era fruto de uma oportunidade, isso quer dizer um furto sem intenção de um moço que o esquecera num lugar visível. Sim, Julia era uma ladra, mas nem por isso menos perspicaz.

A noite estava quente, a cerveja estava gelada e as ruas de Santa Maria agitadas e a Julia, a menina de 3 anos de idade continuava ali entre nós conversando, bebendo e fumando indiretamente madrugada à fora.

Meu pai sempre tem razão...não se fazem mais crianças como antigamente...

mercoledì, gennaio 25, 2006

Distante de ti, perto dos seus olhos...

Percorro o olhar sobre palavras
Que embaralhadas destoam significados
Leio páginas e páginas marcadas
Mas os pensamentos estão aprisionados

Reviro folhas, marco passagens
Abro, livros, revistas e cadernos
Mas não esqueço da paisagem
Confisco notas de outros invernos

Rabisco a agenda na primavera
Recordo fotos daquele verão
Ler e escrever quem me dera
Se no pensamento seus olhos apenas virão...

giovedì, gennaio 19, 2006

A arte instiga a vida ou a vida instiga a arte??

ARTE. s.f. 1. Conjunto de regras para bem fazer uma coisa. 2. habilidade; perícia com que se faz algo. 3. Atividade criadora que expressa, de forma estética, sensações ou idéias. 4. (fam) Travessura; traquinice, 5. Red de arte-final.

É assim que descreve o dicionário sobre o conceito de arte. Mas que conceito adotamos para nossa vida sobre a arte? E de que forma a vivemos? Mas quero deixar claro aqui, que a arte não se propõe a explicar e a ser explicada, ela apenas deseja provocar, colocando-nos diante de nossas próprias contradições e limitações.

E com essa intenção de provocar a arte se delinea entre a indecisão de representar Eros, o mais belo entre os deuses imortais e persuasivo, aquele que transtorna o juízo e o prudente pensamento, ou então representa Tanatos, o deus terrível filho da noite obscura. E é nesta pulsão entre o bem e o mal, o amor e a morte que fazem com que um simples uníssono de sons seja suficiente para sensibilizar.

Mas todo esse desenrolar de explicações mitológicas e fundamentadas em considerações já feitas por Aristóteles, Sófocles, Péricles, Lula, você e eu é para aqui descrever um pouco sobre minha experiência e percepção da arte.

Ainda não encontrei particularmente uma definição para a arte na minha vida, mas deixo minhas emoções fluírem a partir das vivências através dela. A um tempo tenho deixado de lado as expressões artísticas carnais, isso quer dizer, visíveis, palpáveis aos meus olhos. Nossa vida efêmera e nossas relações fortuitas, fazem com que vivamos numa pós-modernidade destinada a deixar de lado a ousadia de com os braços abertos nos entregarmos as experiências subjetivas de amor e de observação da arte em si.

Corremos freneticamente pelas ruas e não percebemos a arte fotográfica dessa caminhada perfeitamente encaixada no quadrado áureo. Passamos pelos nossos discos e deixamos de perceber a simultaneidade e harmonia dos sons dos instrumentos que se sobrepõe. Fazemos coisas tão frenéticas e dotadas de responsabilidades que não percebemos a arte nos movimentos de nosso corpo, da freqüência de nossa voz, das poses invisíveis para a fotografia e do enredo de muitos filmes que nossa história pode conceber, que poderia suscitar sonhos e delírios.

Depois desse tempo afastada desse mundo mais subjetivo, agora volto ao auditório para assistir pausadamente os espetáculos da arte do teatro, da música, do cinema e da própria vida. Aos poucos o calculismo e o compromisso culposo dão espaço à criatividade e a inspiração. É isso que sinto da arte, a oportunidade de revermos e percebermos minuciosidades do nosso dia-a-dia que pode transformar a pós-modernidade em algo suscetível a interpretações artísticas convincentes.

Sentar no auditório e sentir os movimentos, os ritmos, os traços e aos poucos sentir aquele friozinho inconsciente que sobe vagarosamente da "ponta do pé ao último fio de cabelo", sentir cada pêlo dos membros se arrepiar e sentir quase que um espasmo de prazer ao perceber que mais uma vez a arte da sentido e encanta a objetividade de nossa vida.

Se vivemos entre Eros e Tanato não sei qual a melhor definição para arte, mas sei a explicação para as sensações dilacerantes de viver, assistir, perceber e fazer parte desse orgasmo artístico.

Esse texto é uma homenagem às apresentações dos formandos das Artes Cênicas, da UFSM, que batalham pra caramba, sofrem, choram, riam, ensaiam e estão dando um show no palco do Teatro Caixa Preta. Também ao Grupo Voz que conheci na semana passada e que me encantei pela sua musicalidade perfeita, e ainda para o Cineclube Lanterninha pelas suas iniciativas...E especialmente esse texto vai para todas as pessoas que apreciam a arte num piscar de olhos e na palma de uma mão...Vivam e incentivem, vocês verão que a vida terá um novo sentido e novas descobertas...

sabato, gennaio 07, 2006

Ardente desgosto palpável pelo gozo perdido numa noite de estrelas...

In Prefácio

Depois de fatos interessantes de uma sexta-feira à noite, muitos chegaram a acreditar que não conseguiria escrever esse texto, por que não lembraria mais de nada, levando em conta o estado alcoólico em que me encontrava. Assisti à uma peça teatral no Caixa Preta, por sinal sintam-se todos convidados para os espetáculos de formatura do curso de Artes Cênicas, espetáculos impecáveis e de alta categoria, o que só mostra a batalha dessa gurizada que passou todo o ano, todas as semanas e quase todos os dias ensaiando para um espetáculo a altura da cidade cultura. Infelizmente, poucos prestigiam e se perde a oportunidade de incentivar nossa arte local. Os espetáculos estarão acontecendo durante todo mês de janeiro em diferentes datas, mas sempre no Caixa Preta, com entrada franca. Mas estava assistindo a essa peça, que foi impressionante, forte e audaciosa...e muitas idéias perpassaram pela minha cabeça...Então comecei a matutar o texto abaixo O fato é que eu sabia que depois tomaria demais e minhas lembranças poderiam ser prejudicadas, então, sentei no ônibus e pensei mil possibilidades de texto, tomando um copo de cerveja buscava resposta para os parágrafos seguintes, no Macondo escrevi resquícios nas paredes. Para alguns amigos, Ciro e Tuty, repeti continuamente esse título, enfim foi a discussão da noite essas idéias. Já de manhã andava na rua para chegar em casa, depois de uma longa noite de pensamentos, discussões, conclusões, enfim continuava eu procurando palavras difíceis para escrever esse texto...
Mas vamos a ele, pois o prefácio está bom, já o texto vai tentar por no papel, apesar da puta dor de cabeça, eu tenho que escrever, pois sinto que aos poucos minha cabeça perde detalhes planejados anteriormente e que podem não ser descritos.

In Realidade Subjetivada

-Maria, Maria, venha até aqui, volte por favor. Eles indagavam e gritavam continuamente.
Mas existem três coisas nessa vida que o gosto não sacia:
O pão
A água
E o nome de Maria.

Por isso eles a procuravam e loucamente chamavam-na para junto de si, pois seu nome não bastava, eles necessitavam sentir seu corpo ardente, sua voz doce e sua beleza inconfundível.

No entanto Maria sabedora do seu poder de sedução deixava escorrer de seus lábios o fel de palavras doces, não para um, nem para outro, mas para todos. Sentia em cada gozo diferente a necessidade de buscar mais, sentir mais cada qual com suas particularidades. E assim Maria passava sua vida, caindo em aventuras fortuitas que alimentavam momentaneamente suas entranhas e seus lábios sedentos de ardentes beijos.

Vorazmente Maria dilacerava os corações apaixonados ou nem tanto de todos eles, deixava respingar de seus olhos um risco de luz envenenado pelo descaso posterior ao prazer atingido. Mas eles não percebiam e continuavam a chamar por Maria.
Mas existem três coisas nessa vida que o gosto não sacia:
O pão
A água
E o nome de Maria.

Já disse o poeta, o pão, com sua superfície dourada, seu miolo quentinho e sua textura apropriada, arranca de nossas bocas o desejo de comer sem pensar e sem limites, mas derretido nela e assentado no estômago, não resta mais nada. A água com sua fluidez, seu frescor e sua magnitude, deixa-nos sedentos por senti-la escorrer pelas veias, pelo corpo, pela alma, mas depois de seca, da água não resta mais nada. E Maria? Seu nome como já sabemos não bastava:
- Ma-ria. Gritavam e mais nada. Pois de sua pele quente, de seus olhos iluminados, de seus lábios carnudos, de seus gemidos volúveis, depois daquele gozo, não restava mais nada.

Envolvia-nos num manto de sedução e plenitude, fazia se sentirem os melhores homens, depois de verem sua pele rosada, ou simplesmente fazia-os se sentirem os piores, por perceberem que perto dela sua racionalidade se perdia em meio a diferentes desejos e periculosidade de seu corpo. O fato é que mesmo depois de se sentirem melhores ou piores, de Maria não recebiam mais nada. Nem um beijo ardente, nem o cheiro de seu corpo, nem suas palavras doces e nem um tapa de desgosto. Pois desse momento de lascívia não restava mais nada. E quando a viam, tremiam e freneticamente buscavam impulsivamente pelos desejos de Maria, mas sem respostas ou até mesmo olhares, eles inconformados indagavam por Maria.
Mas existem três coisas nessa vida que o gosto não sacia:
O pão
A água
E o nome de Maria.

Mas seguindo os passos de Eva no jardim do Paraíso, Maria comeu irracionalmente da fruta proibida e por assim o fazer ela fora castigada. E eis que entra nessa história o gozo perdido, nosso amigo José. Maria sabia, que sempre abusara do fruto proibido, mordera-o, lambia-o e desfrutara-o sem limites, seu limite era à busca de uma nova fruta. Então naqueles dias buscava sim, uma nova fruta, apenas para mais uns momentos de lascívia, pois Maria não se permitia deixar-se envolver por nenhuma fruta, nem mesmo as mais maduras, pois madura queria ela ficar. E cor da fruta madura a enjoa facilmente, não que as outras cores não enjoassem, tanto que isso explica as tamanhas diversidades de frutas que provara.

José, então apareceu no seu pomar, ou melhor, caiu de uma frutífera já amadurecida para sempre na sua vida. Ele era uma fruta com cores fortes, brilhantes e envolventes. Mas Maria sabia que essa fruta estava longe de ser sua e de ser por breves momentos, então temeu buscá-la, comê-la. Maria permanecia somente a apreciá-la, a inspirar-se nela, pois de todas essa frutas o que ainda lhe restava era suas inspirações e criações. Maria ao se deparar com essa já conhecida, mas esquecida fruta, criou além do que já imaginara e viu em José a inspiração para seus beijos ardentes, suas palavras doces e seus gemidos nem tanto mais volúveis. Resistiu, até o dia em que sentiu dos olhos deles nascer um risco de luz envenenado pelo prazer de também possuí-la e então Maria saboreara indiscriminadamente daquela benção e como ela sabia daquela maldição.

Maria esquecera de outras tantas frutas, que indagavam pelo seu nome. Mas do nome de Maria nada mais restava. Passou-se o tempo e a frutífera sempre produzindo aquele brilho nos olhos, aquela frescura nos lábios e aquele perigo no corpo.
Mas a três coisas na vida de Maria, que o gosto não sacia:
As palavras escritas
Os poucos momentos
E somente o nome de José.

As palavras escritas são leves e facilmente levadas pela brisa de mais um dia e depois desse dia mais nada resta das palavras ditas e escritas. Os poucos momentos são breves, como a luz que cobre um dia, e quando ele acaba nada mais resta dos momentos. E o nome de José é lindo, simples e solto, mas não pode ser dito quando desejado, nem gritado no momento da falta, nem citado para a brisa e para o dia, pois depois de mais um gozo de José nada mais restava.

Maria fora enganada como todos que enganou. Enganada pela vontade de ter essa fruta, pela vontade de chamá-la e pela vontade de não precisar buscar em outros, o que encontrara em um só. Mas Maria mais uma vez fora enganada, pela brevidade do tempo, pela longa demora das horas, pela falta de palavras e principalmente pela falta de gozo constante que sempre buscara. Mas Maria como sempre sem racionalidade para lidar com novas frutas verdadeiras, não pensa e não quer desistir, pois se antes nada mais restava, agora:
Existem três coisas que na vida de Maria o gosto sacia:
Os olhos
O beijo
E o gozo de José.

Porém, Maria sabe que aos poucos têm que deixar suas criações terem vida própria, para assim não apenas a condenarem pela suas insuficiências, mas para sentirem o ARDENTE DESGOTO PALPÁVEL DO GOZO PERDIDO NUMA NOITE DE ESTRELAS...Maria perde aos poucos esse gozo, mesmo o céu estando estrelado e as luzes tendo vontade de brilhar:
Mas existem três coisas nesse mundo que o gosto não sacia
O ardente
O desgosto
E a falta desse gozo...

Assim se fez Maria e assim se faz José, duas frutas condenadas por buscarem a si, mas principalmente por desistirem de si. O fato é que mesmo depois de se sentir melhor ou pior, Maria lhe oferece tudo que sempre negara. O beijo ardente, o cheiro de seu corpo, suas palavras doces e um tapa de desgosto. Mas depois de breves gozos, nada masi resta além da saudade daquele outono e daquela fruta...

martedì, gennaio 03, 2006

Toque ou desatino...

Era assim, todas as manhãs Catarina descia aquelas escadas do apartamento no centro de Santa Maria. Sabia que a cidade e seu tempo aqui já haviam saturado seu bom-humor. Estava cansada daquelas escadas, daquelas pessoas, daquele centro e daqueles telefonemas.

Mas hoje ela descia as escadas feliz, falando ao celular com seu novo moço dos olhos. Sim, acreditava ter encontrado uma pessoal ideal para superar a chatice dessa cidade. Alto, pele morena, mulato, sensual, discreto e inteligente, a perfeição e o oposto do que sempre teve. Falava animadamente, marcara um encontro para mais tarde com Carlos.

Como sempre desceu todas as escadas, cumprimentou seu José, que lhe respondeu com um animado:
- Bom dia, menina...Linda como o sol que brilha lá fora.

Sim, ela não tinha dúvida estava radiante como o dia lá fora que acalentava as ruas de Santa Maria. Saiu do prédio e depressa chega na rua Floriano Peixoto, percebe que o movimento era grande, mas nem isso tiraria a paz desse dia. Caminhara apressadamente para atravessar a rua, como era seu costume. Mas diferentemente de todos os dias, não teve dúvida o avistara entre a multidão. Pele clara, alto, sensual, indiscreto e nem sempre inteligente quanto gostaria.

Catarina sentiu seu corpo tremer e sua boca secar, seu coração disparou como a muito não sentia a não ser quando recebia aquelas tão temidas ligações, mas agora ele estava ali, vindo em sua direção. Tentou desviar o olhar, se esconder entre as pessoas, mas tudo isso era em vão, pois ele já a avistara e como sempre abriu aquele sorriso. Em outros tempos julgou o sorriso, mais lindo e sincero, mas agora sabia que por trás daquele encanto existia o sorriso mais sarcástico que já conhecera. Ela viu respingar do olhar dele uma maldade sem limites e ao se aproximar não teve tempo de temer mais por nenhum segundo.

Ele agarrou fortemente seus braços, empurrou contra aquela parede e ali mesmo em meio a tantas inocentes pessoas lhe grudou o beijo mais longo, profundo e sem sentido que Catarina poderia um dia receber. Ela já estava perdida, sem forças para resistir, não viu mais nada.

Catarina só viu o calçadão vazio, todos tinham ido embora, pensou que fosse pela chuva torrencial que caia. Sem sentido, correu por aquele vazio, tirando de suas entranhas o grito mais culpado, angustiado que por tanto tempo guardara dentro de si. Correu por toda aquela rua sozinha e sem forças caiu ao chão, tão profundo que não encontrara abrigo.

De repente ela acorda e percebe que já era noite, Carlos estava ali ao seu lado, corpo nu, pele morena, uma perfeição para seus olhos cheios de lágrimas. Catarina olha para o lado e vê que seu celular repousa ao lado do de Carlos, então fica mais calma e adormece mais uma vez nos braços perfeitos de pele morena. Pensara que tudo não passara de um sonho, ou melhor, pesadelo.

Mal percebe ela que no seu celular permanecem várias chamadas não atendidas. Seria ele? Sim, pele clara, olhos perfeitos! Permanecia ele na janela do prédio em frente esperando ser atendido e apreciando a chuva torrencial que caia lá fora, sobre a triste e fria Santa Maria.

Impressões interioranas...

Uma breve homenagem a minha cidade natal, Charrua, onde passei dias agradáveis na semana passada...

Se caibo, ainda, neste lugar...
De pedras, pessoas e canções
Se, ainda, consigo cantar...
Com o mesmo ritmo do coração
Se, ainda, consigo temer...
Os mesmos medos e aflições
Se, ainda, posso tecer...
Cada pedaço de caminho com as mãos
Se ainda posso escrever...
Sobre a mesma e com a mesma paixão
É por que nunca deixei de estar...
Neste lugar que tantas vezes me fez sonhar.

Cantos e Encontros

Mistura dilacerante de sons
Embriaga minha alma inquieta
Oh! Pássaros e seu sublime canto
Que habitam, tão desabitada floresta.

Na resposta de cada apelo
Meu espírito se comove
Tentando descobrir o segredo
De tais ritmos que me consomem

De mansinho vai se acabando
E ao longe ocorre o encontro
Como queria eu ser um pássaro
Para devagar acabar te encontrando...

Os caminhos do interior

Nesse longo caminho , começo a lembrar
Daquela paisagem por tanto tempo vista
Daquele cheiro que paira no ar
Daquelas melodias por tanto tempo ouvidas

Paisagens de breves mudanças
Que cobre espaços agora vazios
Nem mesmo agora as crianças
Correm e brincam como outrora nos rios

Cheiro de terra vermelha
Do pó que a chuva cobre
Das construções cada vez mais velhas
Cheiro de comida “nobre”

Antes ouviam-se melodias de nina
Agora barulhos de máquinas
Ao longe gritos de animais
E de homens que destoam o final dessa poesia...