lunedì, giugno 12, 2006

Dia dos namorados! E mais uma vez o que dizer!

Tinha elaborado um belo texto para aqui postar sobre esse dia, mas não é que não salvei e perdi ele, que droga. Mas, enfim tive preguiça e por isso vou sintetizar em poucas palavras e com uma foto o que desejo para todas as pessoas que amam. Conheci uma nova amiga hoje pelo msn, e depois de algumas breves filosofias ela me fez acreditar que príncipe existe (tá me devendo essa parte da história, heim, Laura?), por isso mudei meu discurso, antes meu texto iria apontar coisas ruins, agora trago só palavras bonitas, por que espero que todos tenham coragem de desabrochar para o amor e se dêem a liberdade de viver grandes histórias. Nem que não tenha cavalo branco, o importante é ter muita paixão...

O fato é que cálculos dizem que somente 20% das pessoas encontram seu par ideal. Não importa se você esteja entre os 20 ou entre os 80%. Se estiver entre os 20 ame, se estiver entre os 80 continue procurando. Pois, o pior de tudo, é quando tu acreditas que encontrou e não pode viver,mas isso não vem ao caso.
Então desabrochem seus corações e se permitam serem felizes...

sabato, giugno 10, 2006

Realmente! Um post desabafo!!


Uma árvore perdida no meio do caminho e quando a única coisa que ela almeja é um céu bonito e uma luz que a guia para encontrar definitivamente um caminho, certo, errado, quem poderá dizer. O fato é que ela deseja desesperadamente ser feliz. Suas raízes estão fracas e seus galhos aos poucos podados, suas folhas. A! essas somente o chão poderá tê-las... Um post desabafo, de quem está angustiada numa tarde de sábado, mas que ao menos seja bonito...



Fotos de um caminho já percorrido...Outro?? Quem sabe? Mas estou presa a este! E por mais que tente não consigo desviar, então será que devo segui-lo, sem medo? Se alguém tiver resposta me dêem uma luz...

giovedì, giugno 08, 2006

Essas noites de vento, é inevitável não escrever uma poesia...

Eu jurei que ia me aguentar, mas é inevitável, disse que ficaria dias sem postar nada para que todos pudessem ler e responder as indagações dos textos abaixo, mas ontem à noite o vento que embalava a noite, me fizeram escrever essa poesia, inspirada num desconhecido, que apreciei por momentos num lugar que a muito tempo não voltava. Me deu saudade, de que?? Não sei, mas poderia ser de tanta coisa...Lá vai o poema então...

Som leve
O toque de suas mãos
deslizavam sobre as cordas
e o violão devagar chorava
notas atrapalhadas
de uma letra mansa...

Tudo me trazia a memória
saudade de um passado remoto
o vento traz lembranças
e no ar o cheiro daquele tempo...

Escuto sua voz
tom e afinação confundem a noite
E eu lembro, escrevo e sinto...

A lua sobre nós somente observa
vai ver também sentes saudade de outras noites
E o céu continua tão infinito quanto antes
só que o antes passa...

Tu permaneces deitado
sobre ti o violão lamenta
E eu vou embora
e com palavras também lamento...

Ai! vento bate devagar
como bate as cordas e o violão
Acelerado? Só meu coração e minha emoção...
Você sozinho, ou o violão?
Eu, a caneta e a vontade
de tua voz macia...

Quem será? Não sei.
Seu rosto é indecifrável
E espero, sim, com a música o seu coração
Mas, o vento insiste em me levar, e eu?
Então, vou.
Mera covardia? Mero medo de ficar.
Será? E se tivesse ficado?
strong>
Essas respostas nem as notas, nem o vento quente
podem me dizer.
Pois fui embora, sem olhar pra traz
Mesmo que de longe ainda possa ouvir aquelas toadas...

Nessas noites de vento, lembro do meu passado, não com um olhar fatalista de Ana Terra que dizia que noites de vento lembravam sangue derramado, mas lembro de uma realidade e de um lugar que distantes se escondem no meu passado. Esses dias um amigo me perguntou por que deixavamos as casas dos pais e nos submetíamos a viver com saudade, de repente nem tando confortável? Pois é, largamos tudo isso, por que queremos muito mais para nós, eu pessoalmente por que acredito que tenho tantos caminhos a mais para percorrer. Caminhos que meu passado limitado não me mostraria. Mas, isso não quer dizer que saudades não ficam, principalmente em noites de vento quente em Santa Maria.

martedì, giugno 06, 2006

Dirigido a um grande amigo, que aprendi a amar, pois tem um brilho de admirar...

Assim somos nós, meros seres humanos. Se num dia temos o brilho intenso como o do sol em outros somos simplesmente escondidos. Ou então, temos como opção nos esconder. Dos medos? Sim, talvez da nossa covardia. Mas como é difícil ter coragem se o que mais queremos é simplesmente nos refugiar por de trás de algumas coisas. Pois, de repente podemos nessas coisas encontrar um pouco do brilho que escondemos.

Mas será que a fuga é a melhor forma de resolvermos nossos problemas? Será que se esconder em palavras, em passado e possível futuro nos salva de nossas angústias? Pois é, queria eu ter respostas para todas essas perguntas e queria eu ter o poder de trazer teu brilho que mesmo ofuscado, nunca deixou de existir. Como disse já em seu blog( www.cabruuum.blogspot.com) , meu amigo Augusto, de repente nada melhor do que rirmos interiormente ou exteriormente de tudo isso. Pode parecer banal, mas ao menos estaremos dando um primeiro passo.

Parece confuso tudo o que falo, mas é que nossa vida é muito confusa, creio que para os astros seja mais fácil. Num turno tem seu brilho reconhecido e em outro simplesmente adormecem. Nós? Ou brilhamos o tempo todo, ou então choramos por não termos tido força. Mas, eu sugiro velho amigo que encare a vida, como se encara o vento na cara e como se encara os pedais de uma bicicleta, com vontade, com serenidade e com coragem. Podemos não ser astros para ter uma vida fácil, mas temos a dignidade para nos mantermos vivos.

Mas, o mais importante de tudo isso, meu amigo é que não percas nunca o brilho que carregas no olhar e que em poucos seres percebo. O importante é vencer tuas próprias limitações e ter a cabeça erguida, mesmo que o vento bata forte e o importante é ter sempre a consciência que por trás de tudo isso, tem alguém que te admira, que te adora e que acredita ter em encontrado em ti muitas razões para também brilhar. Permito que se esconda, mas não permito que se apague, lutarei todos os dias, por mais que minhas armas sejam pequenas, para te ter em meus dias e quem sabe em minhas noites. Diz-me um professor muito sábio que amamos o outro por nos amarmos, sim eu me amo, e por isso busco em ti meu próprio amor. Sol ou a lua quem poderá desvendar esse mistério??


sabato, giugno 03, 2006

Você acredita que se ama pela falta de esclarecimento? Você acredita que a palavra destrói o amor e o beijo cura?

Uma noite de sábado chuvosa propícia para uma leitura calma, reflexões breves e palavras escritas sem muito sentido. Mas, eis que ouço o Jornal Zero Hora ser jogado na porta de casa (do meu irmão, no caso), curiosa sem muito temer abro a porta e pego o jornal, que está um pouco molhado devido à chuva que devagar cai sobre Santa Maria. Sento no sofá, divido o jornal entre os cadernos e vou ao que mais me interessa, adivinhem? Claro que seria o Cultura, e de cara me interesso por uma crônica com o título Sem nome, de Fabrício Carpinejar.

O interesse rápido com certeza foi pelo próprio título do texto, afinal nada mais curioso do que algo sem nome não acham? Bom, mas não foi difícil perceber que naquelas linhas, idéias bem interessantes dividiam espaço com dúvidas que na minha cabeça começavam a se formar. Betinho diz: Que dúvidas são essas??? Então caro amigo Betinho, o jornalista diz que quando não se entende o que se sente é a melhor parte, pois os namorados se beijam nem sempre para beijar, e sim para não ter que falar. A palavra destrói, o beijo cura”. Essas são afirmações que no texto vem permeadas de breves explicações, mas o fato é que eu não fiquei satisfeita e comecei a buscar respostas entre amigos que estavam no MSN, ao invés de afirmações, lancei a seguinte questão Você acredita que se ama pela falta de esclarecimento? Você acredita que a palavra destrói o amor e o beijo cura? Lau diz:Dá pra acreditar que se ama pela ausência do esclarecimento. Mas não por aquela ausência perdida, consentida... Mas sim pela ausência de esclarecimento incompleta, aquela que a gente sabe que - de algum modo - será preenchida pelos encontros, suspiros compartilhados, noites insones e divagações mútuas. Aquela ausência que existe, mas não tem forma. Que grita, mas não se entende. Uma ausência de esclarecimento que (acho eu) é necessária em um princípio, e vai sendo preenchidos com intimidades, respeito, paixão e carinho...

Não foi pouca minha surpresa, por que percebi que essa é uma dúvida que perdura na mente e na vida de todos nós. Dos vários entrevistados não teve nenhum que me respondesse de imediato, alguns até mesmo fugiram do assunto, embriagados pelo medo de demonstrar o que pensam e sentem, mas não estou aqui para julgar, mas para tentar entender. Vejam o que eles disseram: Queli diz: Por que ausência de esclarecimento?Explica...pera aí...ama por que não discute a relação? mais ou menos isso... O que não tem nada a ver...Acho que discutir a relação ajuda a alimentar o amor...Por que talvez conforte...e a sensação é de que se ama mais. A palavra destrói, o beijo cura sim, mas o beijo nem sempre cura o que a palavra destruiu, depende de quanto destruiu...ajuda isso fran...hehehe...hum...Quando tu passas a conhecer muito do outro talvez o amor diminua...to pensando nisso tb? Mas por outro lado quando se conhece melhor o outro e esse outro é o que realmente e a gente espera que seja ...o amor pode fortalecer...as 3 perguntas estão entrelaçadas não é? Tipo a palavra pode destruir o amor....E o beijo pode reavivar a paixão. Ana, na crônica o escritor traz muitas afirmações a esse respeito e segundo ele o “Absoluto entendimento parte da seguinte confusão; será que estou ou não estou amando? Quanto mais confuso, mais intenso”. Mas, é claro que isso gera muitas controvérsias, pois nossas experiências podem nos levar a acreditar em outras hipóteses: Juliano diz:Amar pela ausência de esclarecimento é difícil. Mas a palavra destrói e geralmente o beijo cura isso sim dependendo da dor..Se os problemas são sentimentais/do coração, às vezes o beijo cura, o problema pode ser carência, e contato físico às vezes resolve.

Fabrício Carpinejar afirma ainda que as dúvidas não se encerram por que foram resolvidas, mas se pode definir aquilo que é maior do que a própria vida. Continuando o escritor diz : “Duas vidas juntas são mais difíceis de serem resumidas. Não é como tese , que vem com uma sinopse na primeira página”. Será que meus amigos têm alguma coisa a dizer sobre isso: Betinho diz: Chegamos à conclusão de que um bom relacionamento não é um compromisso sabe.Não é tipo sei lá uma aliança.. É à vontade dos dois...Se os dois viver uma vida só...É errado tem que viver duas vidas...um relacionamento serve para melhorar as duas...não sucumbir uma...então...entende! Augusto - Marvelkipedia no www.cabruuum.blogspot.com diz: Assim é sobre independência nas relações...Qualquer tipo de relação...Quanto mais independente, desde que haja amor, melhor será um relacionamento...Pois a boa relação está na vontade de se estar junto apesar da independência de cada um, o que é bem diferente de ter o compromisso de estar junto, q é o que alguns namoros se transformam.

Sim, é certo que muitas respostas foram dadas, por homens e mulheres que assim como eu tentam diferenciar qual é a melhor forma de se amar e de se apaixonar, mas qual seria a definição de ambos. Amor ou paixão? Aí entramos em outra questão complexa e mais uma vez evitaram dar respostas, por que creio que seja bem difícil encontrar um limite entre um e outro, quando não sabemos o que sentimos. Mas, voltamos ao texto “O casal pode varar madrugadas debatendo o comportamento, o que é certo e o que é errado, o que é justo e injusto, só que não chegará a nenhuma conclusão. Chegar a nehuma conclusão é o Sem Nome”. Queli diz:Fran... segundo um amigo meu q ta aqui, disse que a relação não se discute por que se é relação não precisa discutir. Tiago Brugnara diz: Hum...Eu só aprendi uma coisa na vida, sobre amor e essas coisas todas, nunca se tem certeza das coisas, "só sei que nada sei”, talvez o motivo que te faça fazer essas perguntas seja a respostas afinal “planeja tua vida com se fosse eterna e viva cada dia como se fosse o último”.

Ta , mas não fujamos mais uma vez do assunto caros amigos, a pergunta é Você acredita que se ama pela falta de esclarecimento? Você acredita que a palavra destrói o amor e o beijo cura? DanuZa diz:Acho que o beijo é um analgésico instantâneo...e, na verdade, não só a palavra destrói, mas a não-palavra o faz - e com mais intensidade, creio eu...Só não entendi ao que te referes com "ausência de esclarecimento"...Qual esclarecimento? Sobre a pessoa amada em si, ou sobre o silêncio da pessoa amada, a indiferença dela com o teu amor?Acho que o amor se desgasta com muitos esclarecimentos, mas um amor não sobrevive somente de beijos. Palavras precisam ser ditas. E sou daquela que: "tudo o que cala, fala mais alto ao coração". Prefiro - e preciso - falar, desengasgar.Rezinha diz:Acho que se consegue amar por muito tempo com 'ausencia de esclarecimentos', mas especifique melhor isso...Acho que o beijo nem sempre cura o mal que uma palavra pode fazer.TATO diz: Se a palavra destrói outra deve tentar consertar e não apenas um beijo. Bê diz: Acho que na maioria das vezes se ama pela ausência de esclarecimento sim.Mas quanto ao beijo, acho que ele não cura nada que a palavra tenha destruído, sabe...Acho que pode ate ser às vezes, mas não sempre... É que pra mim as palavras são importantes e o q se destrói, seja com palavras ou ações, raramente se conserta com beijo.

Sei que essa discussão é tão longa quanto esse texto, e sei também que tenho somente feito perguntas, no entanto não dei nenhuma resposta. Mas por que então fiz e continuo fazendo essa pergunta aqui no meu blog? Fiz e farei, por que assim como vocês, vivo em relações e em situações que me enchem de dúvidas e sei que lidar com sentimentos, principalmente com o dos outros, sempre é muito difícil, senão todos seríamos felizes demais nas nossa relações sentimentais. Mas depois de tudo isso, fico me perguntando se demoramos de responder por que sabemos exatamente a resposta, a partir de nossas histórias nos relacionamentos, ou se realmente o homem tem uma limitação muito grande em se entender? Mas, vamos lá, o que eu acho? Concordo com a Laura quando ela diz que de certa forma a falta de esclarecimento é benéfico, pois sabemos que é a aproximação, a convivência que aos poucos vai nos mostrando quem é o outro, sem que esclarecimentos formais precisem ser dados, mas é óbvio que uma pitada de conversa, às vezes, não vai fazer mal a ninguém. Também, não vamos passar uma madrugada discutindo nossas relações, nessa horas os beijos e tudo mais compensa. Quanto à história das palavras e dos beijos, Meu Deus, fiquei admirada como alguns respondiam fácil, pois eu tenho muitas dificuldades, principalmente para falar, prefiro o beijo e acabo me torturando com as palavras na minha mente. Bom ou ruim, pra mim tem sido ruim, mas cada com suas experiências.

Não vou me alongar demais, afinal já está longo por demais esse papo, mas na verdade o que queria dizer é que sempre vamos ter dúvidas sobre tudo que sentimos e isso é muito normal, e que acredito que relacionamento é para ser bom. A partir do momento que te fazer mal deixa de ser relacionamento e passa a ser torturamento (olha quem falando, o difícil é aceitar). E respostas sempre serão buscadas “Enquanto não tivermos palavras para explicar, continuaremos amando” Augusto diz:“Um bom relacionamento não está no compromisso, mas sim na vontade" diria mais na vontade única e exclusiva de ser feliz, aliás como diz meu querido professor Adair, já buscamos o outro para suprir nossas necessidades e gostamos do outro por que gostamos de nós mesmos. Tenho dito, escrito e pouco feito.

Gostaria de expressar meu agradecimento a todos os amigos do msn e da vida que me responderam e colaboraram com esse texto, para aqueles que não tiveram a oportunidade de responder ou fugiram do assunto leiam e se quiserem deixem seu recado. Desculpa por encher o saco e ter dado um nó na cabeça de muitos, a minha também está ainda perturbada...Beijos... e amam acima de tudo, se permitam viver mesmo que não entendam e lutem por aquilo e aquele por quem queiram, não deixem que palavras e ilusões se sobressaim ao que realmente é vivido quando se está presente, olho a olho, toque a toque, beijo a beijo, lágrima a lágrima, pois nada pode ser mais esclarecedor do que o pulsar de dois corpos que se desejam e duas almas inquietas.

martedì, maggio 30, 2006

Racionalidade? Loucura? Humilhação?

Depois de algumas horas dormindo no meu velho colchão, eis que me acordo num momento bem interessante do Fantástico. A repórter, filósofa, enfim falava sobre a razão e a loucura e não é que isso se encaixou com muitas coisas que vivo, vivemos (mas isso não vem ao caso).

Essa reportagem me fez refletir sobre muitas verdades ou apenas concordâncias minhas com a repórter. Passo, também a me perguntar o que seria a razão e a loucura. Questões como as que pontuo abaixo me fazem refletir e espero que a vocês também:

- Quando a razão passa a ser adotada como norma ou ao menos como o coerente, os diferentes ou ousados passam a ser descartados da nossa sociedade. Considerados loucos estes “seres” são podados a pensar e agir de maneira que fuja do senso comum, o fato é que a razão é a certeza que temos, enquanto o louco constitui os devaneios de uma mente longe da realidade.

- Será que um pouco de loucura não é necessário para criar? Não sei ao certo o que os senhores pensam, mas pessoalmente minhas criações (que não são poucas) provêm de momentos desligados da racionalidade, que atravessam as barreiras do julgado normal e se adentram no mundo “louco”, da estranheza. E quanta coisa boa surge daí? Afinal, nossos maiores filósofos, físicos, matemáticos, comunicadores não foram julgados como loucos, bêbados e indecentes? O ruim é que às vezes o reconhecimento vem só depois da morte.

- Será que não podamos a criatividade quando adotamos uma sociedade igualitária, racional? Creio que sim, basta olharmos para nossa “cultura contemporânea” para vermos o que nossa falta de criatividade de uma sociedade simplista e generalizadora tem produzido.

- E finalmente, será que quando excluímos a loucura não ficamos mais tristes? Mais uma vez diria que sim, a razão bloqueia milhares de possibilidades que fogem do senso comum e nos transformam em seguidores de uma coisa que não acreditamos. Ao menos eu não acredito. Porém, eu se não for racional, tenho certeza quem tentarão me descartar, ou então, me chamarão de louca.

Raiva, sinto por que não consigo fugir completamente da racionalidade, mas feliz fico por que mesmo que tentem me sabotar, meus pensamentos jamais possuíram. Nossa! Esse final parece à descrição de um túmulo de algum pensador importante, com certeza “louco”. Um dia, certamente, será, mas espero que me permitam lutar até lá pelas minhas idéias antes de ter meu túmulo. Espero que minhas idéias sirvam ao menos para alguém refletir, se esse alguém for eu, já valeu de alguma forma.

Um fim fatalista? Obscuro? Diferente? Estranho? Sim, pois nesse momento eu, Francieli Rebelatto, me cansei da racionalidade. E eu, Francieli Rebelatto, me considero uma louca. Descartada? Não terá coragem nem o mais racional dos seres, por que sabe ele que assim como eu existe milhares, milhões, quem sabe todos! Porém aos poucos somos podados, descartados ou simplesmente humilhados!

Maldita hora que acordei, não acham?

Esse texto é uma homenagem aos petianos que assim como eu estão sendo prejudicados ou ao menos atingidos de alguma forma com as leis que regem esse país, bom mas mais palavras sobre isso vem depois, agora só coloco minha indignação e frustação por uma coisa que defendi, defendo e sempre defenderei como ideal para "nossa universidade". De luto certamente.

E esse texto também vai para as pessoas que julgam a racionalidade como ideal e deixam de viver coisa que somente a loucura pode nos proporcionar. Odeio a ausência.

giovedì, maggio 25, 2006

Aprisionado pela fraqueza de querer...

Prisão angustiante do pensamento
das palavras, ações impotentes
Vontade de gritar aos sete ventos
A revolta, a indignação deprimente

Ressoam as dúvidas perpicazes
Envolvo-me no manto vulgar
Meus desejos cada vez mais vorazes
Me aproximam da vontade de pecar



Peco no deleito envolvente
Recaio no fogo proibido
Depois só peço a bêncão clemente
Para apaziguar meu castigo

Castigado sofro penando
Na prisão de uma grande angústia
Mas no pensamento acaba ficando
O que sinto muito além da fúria.

martedì, maggio 23, 2006

Isso sim é uma verdadeira palhaçada

Pois veja respeitável público, isso sim considero uma verdadeira palhaçada. Agora, o palhaço já não me peçam quem pode ser?

Quarenta minutos numa parada de ônibus não sugere nenhuma novidade em se tratando de ônibus para a universidade. Mas, ontem cheguei às 6:45 horas na parada das Dores, crente de que 07:30 estaria na UFSM. Mera ilusão! Pois o espetáculo vai começar!

1,2,3, tudo bem, agora 4,5 e quando é o sexto todos da parada começam a esbravejar indignações e verdades. Sim, 5 ônibus superlotados passam pela parada das Dores, sem condições de parar, afinal dezenas de pessoas já se espremem em seu interior. Bom, se nós da Dores não conseguíamos uma pequena vaga num daqueles ônibus, imagina quem inevitavelmente depende de ônibus em Camobi.

Mas continuando, depois de 5 ônibus simplesmente nos ignorarem, eis que o sexto piedosamente pára. E este não estava diferente dos anteriores, estudantes permaneciam amontoados um sobre os outros como porcos em dia de carregamento para o frigorífico. Menos mal, que era manhãzinha e o normal é que nesse horário todos ainda estejam perfumados. Olhei para o lado e nenhuma pessoa resolveu se arriscar àquela indignidade, eu impaciente submeto-me ao espetáculo e embarco no ônibus, ou melhor na palhaçada.

Consegui um espaço, é certo, por que a porta de entrada se fechou e conseguiu me empurrar junto com os demais passageiros. 100 pessoas seria o mínimo que me arriscaria em dizer que ali dentro de um ônibus da Gabardo dividiam o mesmo especo, alguns gordos, outros magros, uns indignados outros ainda dormindo no ombro do parceiro do lado. O fato é que todos dividiam naquele momento do mesmo drama: o total descaso que as empresas de ônibus tëm com seus passageiros. Creio que esse descaso seja uma vingança já que essas empresas não conseguiram o aumento de passagem absurdo que tinham como proposta. Um pouco de sensatez ainda deve existir nessa cidade, ao menos nisso quero acreditar.

Pois muito me indigna que uma cidade considerada e respeitada como cidade universitária, e que é movida em grande parte por estudantes,tenha empresas de ônibus que simplesmente ignorem regras de bom senso ou simplesmente de vergonha na cara. Mas, afinal atravessamos a roleta indignada, ao menos sobrevivemos. A única coisa que consegui esbravejar no momento, sem dúvida foi: Mas isso sim é uma verdadeira palhaçada! E os narizes vermelhos descem sem parar nas várias paradas da UFSM. Agora aplaudam senhores se acaso não conseguirem sem preocupações pois esse espetáculo se repete todos os dias no caminho da universidade, e se não gostarem desses palhaços, daqui uns dias virão outros com narizes muito mais vermelhos pedindo aumento de passagens.

mercoledì, maggio 17, 2006

A HORA DO CONTO DA BRUXA...Versão 1!

Inspirada na idéia da hora do conto da feira do livro, crio nesse momento o espaço chamado A HORA DO CONTO DA BRUXA, que em algumas vezes virá trazer até vocês leitores um pouco do que escrevo como conto. Acompanhem.

Enganos e desenganos...


Batera a porta mais forte do que o normal. Sim, estava com raiva! Descera rapidamente as escadas, depois de três andares nem sentidos. Ela estava na rua, onde não teve coragem de erguer o olhar. A luz daquela manhã fria ofuscava seus olhos e a vergonha de tudo que tinha acontecido, não permitia que visse qualquer pessoa que tivesse presenciado o fato.

Apressadamente se dirige até a parada de ônibus, queria apenas dar uma volta na cidade e tentar se refugiar entre as pessoas estranhas que na rua se precipitavam umas contra as outras. Entrou no ônibus sem dar muita atenção ao cobrador, afinal nada mais insignificante do que o cobrador naquele momento. Sentou dois bancos à frente do ignorado cobrador e no canto da janela se pôs apenas a apreciar a paisagem que passava lá fora. Paisagem essa, que a cada novo dia ganhava aspectos bem diferentes, mas Cristina sabia que diferente estava sua vida.

Estava decidida, que esqueceria todos os homens que passaram por sua vida e nem queria saber de outros que poderiam ousar querer entrar. Sim, agora estava decidida que seria mais racional do que costumava ser.

O ônibus pára e Cristina simplesmente esquece de tudo que estava pensando, pois a paisagem que via lá fora, era muito mais interessante do que tudo que esbravejava em pensamento. Moreno, alto, usava uma blusa com gola polo, e um cachicol no pescoço, que não permitia ver um crachá que de longe descrevia seu nome, porém era algo não acessível. Naquele momento depois de uma breve observada, tinha certeza que o queria. E Cristina, então começou a concentrar suas energias para tentar trazê-lo a sentar a seu lado, afinal o banco estava vago preparado para receber aquele deus que acabava de encontrar.

A roleta gira uma, duas, três, mais algumas vezes e nada do bonitão aparecer, um velho, uma estudante de medicina, outro jovem da engenharia, todos passavam pela roleta, menos ele. Sentira vontade de olhar para traz, mas não queria “dar bandeira”, esperaria pelo momento certo de olhar. De repente ela percebe que alguém se aproxima, vira o rosto para o lado como se não tivesse nem aí, e tenta prestar atenção na rua lá fora, tinha certeza que era ele. E seu banco era o único vazio.

Mas percebe que o quadril do homem que sentara do seu lado era avantajado demais, e seu cheiro não era como imaginava ser o do moreno. Olhou para o lado se assutou com o que viu, e mais uma vez volta a olhar para a janela agora com uma vontade louca de dar uma boa gargalhada de toda aquela situação. O fato é que o bonitão não tinha passado a roleta, mas tinha certeza que o vira entrar, ou ao menos caminhar em direção a porta do ônibus.

Estava decidida, iria olhar para traz, tinha que ver se ele estava ali ou não. Aquilo virou uma questão de honra, averiguar a presença do Jorge, sim por que naquele momento ela já tinha imaginado mil possibilidades de nomes, entre muitos acreditava que o moço tinha cara de Jorge. Mas, sabem como é ônibus de lotação, difícil olhar para traz e não ver uma bunda gorda, um cabelo espantado, enfim. Tentava de todas as formas encontrar uma fresta para procurar Jorge e quando conseguiu uma pequena fresta, essa era entre as pernas do cobrador (por sinal, que pernas! Não tinha como não notar), mas do cobrador bastava olhar as pernas, afinal seu foco agora era outro. Cristina olhou para todos os lados que sua visão alcançava e nada de encontrar o tal Jorge. Por fim desistiu! As pessoas já estranhavam tantos olhares, sem destino certo.

Cristina estava desapontada era certo, mas tudo não passara de um engano, o moço poderia ter sido apenas mais um devaneio depois de uma noite conturbada, ou então não teria entrado naquele ônibus, aí existia uma chance de encontrá-lo outra vez. Levanta de seu banco, pede licença para o senhor do seu lado, puxa a cordinha da campainha e se prepara para descer, mas o desejo de desvendar esse mistério persite.

Entre um braço gordo, um cheiro de sovaco e uma cabeleira loira, Cristina olha mais uma vez para traz antes que as portas se abram para descer. Sim, estava certa do que via, não só as pernas do cobrador eram perfeitas, mas ele o Jorge ali naquela cadeira do cobrador, com o crachá não identificado, era tudo, era na verdade o cobrador que substutui o outro que do seulado ia desembarcar. A porta abriu e agora sim, Cristina não se priva de longas gargalhadas, pois convenhamos tudo que ela não esperava é que Jorge, que na verdade se chama Fernando, fosse cobrador.

A porta fecha e Cristina ainda tenta se recompor, agora tinha certeza que o veria novamente e que as suas idéias anteriores de não ter mais homens era apenas um devaneio descabido. Afinal, ela não resitia a um moreno, alto, ou nem tanto, olhos verdes e com crachá.

sabato, maggio 13, 2006

Borboleta mais real do que podemos imaginar...

Já que estamos em tempos de Feira do Livro, por sinal não tenho saído daqui, trago uma simples foto de uma borboleta repousando numa flor em Ivorá, uma homenagem a campanha da Feira do Livro, feita pela Carlinha. E já que as borboletas têm inspirado muita gente, vale a pena mostrar uma bem real aqui.



"E as borboletas estão voando/ a dança louca das borboletas"como diria Zé Ramalho.

mercoledì, maggio 10, 2006

Sim, mais uma vez a mesma resposta
Por que não me permitem ser um palhaço triste?
Por que meu nariz é vermelho e meu sorriso é grande?

Mas o palhaço só não chora, por que tem medo de borrar a maquiagem!

O palhaço que alegra aos senhores
também sofre e se cansou de tantos sorrisos
como os senhores dizem, isso não é coerente
mas por traz do nariz do palhaço...
Apenas mora um poeta triste...





E esse palhaço está cansado de palmas falsas
Pois a maior virtude um palhaço é sua dignidade
E quando ele percebe que sua alegria já não lhe faz mais sorrir
Ele prefer simplesmente descer do palco.

Pobre palhaço!!
Dirão alguns dos senhores.
Mas respeitável público a maquiagem se desfez, pois as lágrimas cairam
o espetáculo acabou, e o palhaço poeta apenas chorou.

Agora sim, respeitável público, batam palmas!!
Pois a tristeza de um palhaço também é digna de reconhecimento.

Fechamos as cortinas, palhaço triste!!
E nos fechamos ao mundo de um poeta.

martedì, maggio 09, 2006

Puta Merda! Com perdão da palavra, Santa Maria merece esse texto...


Movimento agitado de pessoas pela praça. Entre livros, bancas, intervenções artísticas os santamarienses apreciam na praça, não um farfalhar das asas de borboletas, mas sim um espaço, para viver cultura, respirar poesia, ou apenas jogar fora uma conversa com amigos na praça de alimentação. Claro que posso deixar de dizer, que a feira deixa a desejar em muita coisa, que o público é menor que deveria ali estar, mas enfim, hoje não quero ser tão pessimista com a cidade, pois ontem ela me proporcionou momentos muito agradáveis.

Um domingo à tarde perfeito para um passeio com os filhos, com a família, com os amigos, e na praça o espaço ideal para essa atividade, para um mate em frente ao chafariz em funcionamento (apesar de não ser o ideal em tempos de racionamento), um cappucino na banca do Krep’s suíço, ou um ótimo quentão na banca ao lado. Tudo isso ao embalo de uma música leve da Rádio Livre, como diz o Tiagão, a Rádio Oficial da Feira do Livro.


Ontem no Projeto Livro Livre, que é um bate-papo informal com escritores, ou com jornalistas, a praça foi prestigiada com as palavras de nosso jornalista ilustre da Rede Globo, Marcelo Canellas, e entre algumas de suas palavras, ressaltou o seu descontentamento em perceber que pouco se faz para recuperar ou manter a Gare, nossa Estação Férrea. O lugar que outrora representou uma das maiores Estações da América Latina, hoje convive com um prédio praticamente desativado, com vidraças quebradas e com um imenso espaço sem utilidade. E eu de longe via o rosto do Prefeito Valdeci que apenas mexia na sua barba, enquanto ouvia essa indignação.

Mas depois de presenciar Marcelo Canelas e uma bonita atividade cultural em Santa Maria que é Feira do Livro, fui prestigiar ao Show da Família Lima, na Gare. Num primeiro momento não sabia o que pensar a respeito do show, pois acredito que sua divulgação tenha sido precária, e tudo era incerto em relação a ele. Bom, mas quando chegamos na Vila Belga, vimos que o movimento era grande e a dimensão do evento era bem maior do que esperávamos. Um grande trabalho da Loja Quero-quero. Menos mal que podemos contar com empresas privadas para bons momentos culturais, claro que isso tudo permeado por uma grande jogada de marketing, mas enfim todos tem que sobreviver. Bom que fosse através da cultura.

Voltando ao show! Bastou chegarmos na curva que dá acesso a Gare, para nosso vislumbramento vir a tona, e comentários alegres sairem de nossas bocas. Com uma estrutura admirável, de longe avistávamos a Família Lima, já no palco, alegrando aquela povo todo, e que não era pouco. Com segurança, entramos no ambiente do show e nos aproximamos do palco e simplesmente gozamos daquele momento encantador. Sim, me fascinei como a tempos, não ficava com Santa Maria.

Um show bonito, alegre e popular. Dos violinos ouvimos ritmos clássicos e que qualquer público reconhece. Um espetáculo a altura de Santa Maria e do seu sonho de ser cidade cultura. Bom só tenho que agradecer a esses momentos breves que me emocionam e que me fazem deixar de olhar para as vidraças de um prédio abandonado, mas sim me fazem olhar a dimensão que essa cidade tem. Que possamos ver mais vezes o chafariz ligado, que poemas enfeitem ainda mais as ruas de Santa Maria e que borboletas possam voar ainda mais livres pelos ares da cidade do Boca do Monte.


É só da uma cutucada aí em baixo e conferir a programação, depois é só aparecer na praça e vir curtir com a gente esse evento.
http://www.feiradolivrosantamaria.com.br/home.jsp

sabato, maggio 06, 2006

Ouça! Leia! Esqueça!

O gozo rabiscado
a lágrima descrita
minha vida é um acorde.

Ouça!!

Eu sou uma nota perdida.
Uma palavra mal dita
e uma poesia mal escrita

Leia!!

Sou o acorde destoante
a sinfonia não tocada
o livro não escrito

Esqueça!!

giovedì, maggio 04, 2006

Jornalistas despreparados, imprensa deturpadora da realidade...

Tal é minha indignação!Ontem se iniciou a Feira do Livro de Santa Maria e eu teria muitas coisas para falar se minha indignação não fosse tamanha. Poderia falar dos muitos livros, do espírito da poesia no ar, do encontro das pessoas para essa confraternização na praça. Poderia ressaltar o Troca Livros, a cesta de poemas, por uma moeda. Enfim toda magia que enfeita a Praça Saldanha Marinho e que traz um pouco do que poderia identificar Santa Maria como cidade cultura.

Mas ao invés de falar sobre tudo isso, vou ter que me deter em refletir sobre dois fatos que ontem me indignaram e me fizeram perceber o quanto a imprensa é pífia e despreocupada com a seriedade das informações, quando menos preocupada com seus leitores ou com o comprometimento com o verdadeiro jornalismo. Sinto-me com a liberdade de aqui expor minhas idéias, pois como já disse anteriormente, sou estudante idealista, que ainda acredita que um novo jornalismo pode ser feito, ou ao menos que o antigo tenha comprometimento com a sociedade.

Mas vamos aos fatos! Todo ano o estúdio 21 participa da feira do livro fazendo uma cobertura do dia-a-dia da feira e através de um telão na praça apresentamos um pouco do que acontece. Nesse ano vai ter um pequeno quadro no programa que se chama “Causos da Feira”, que vai retratar através das pessoas que a muitos anos participam dessa feira um pouco das história que aconteceram nos bastidores do evento. Então fiquei responsável, ontem por buscar um desses causos. Mas minha surpresa foi grande quando ao falar com meu entrevistado ele pede licença para contar uma história engraçada sobre a imprensa, diria na verdade que a história é triste até mesmo lamentável. E eu, é óbvio que permito ao meu entrevistado que conte essa história.

Nos primórdios da Feira do Livro de Santa Maria, as condições não eram tão sofisticadas como hoje. Diz Josmar que quando chovia muito, o negócio era fechar as baracas e ir para casa esperar o tempo abrir. E foi isso que ele fez numa tarde de domingo, chegou em casa e dormiu. Depois de horas de sono, ele acorda e percebe que o sol brilha forte lá fora e então eufórico retorna a feira. Ao chegar à praça os comentários são acirrados em relação a uma reportagem que saiu no jornal A Razão. Sei que um autor estava autografando um livro na praça, mas ao invés de ser colocado uma foto do escritor, ou até mesmo do livro, o que apareceu na reportagem foi à foto de um boi. Sinceramente, não encontrei explicação para o fato. Bom, apesar do constrangimento e da gafe, o ocorrido se tornou motivo de piadas. Triste fim para um Jornal ser motivo de piadas de escritores ao invés de ser motivo de poesias.

Continuando! A minha indignação aumentou consideravelmente à noite, quando fui assistir ao Cine Clube Lanterninha que está apresentando o ciclo de filmes italianos. Depois de assistir ao filme magnífico Ladrão de Bicicletas, aconteceu a discussão do mesmo. Entre algumas falas eis que uma moça decepcionada, fala do que o Jornal Diário de Santa Maria tinha divulgado. Não é que o jornal contou o final do filme descaradamente o que acabou com a expectativa de qualquer um que viesse a assisti-lo e, além disso, o jornal coloca inverdades sobre o filme de coisas que não fazem parte do mesmo. Então, imaginem minha cara de perplexidade, aliás, a cara de todo mundo.

Não sei se foi coincidência ou não, afinal duas situações ridículas da imprensa de Santa Maria no mesmo dia é muita coisa, para quem pretende ser jornalista. Ao menos foram duas situações de diferentes jornais, o que prova que a imprensa como um todo está descomprometida com os interesses dos leitores, com a verdade das informações, e principalmente está cercada de jornalistas despreparados, mirins, poderia se dizer, e que apenas entram na lógica do mercado, sem se darem conta das aberrações que cometem com a profissão. Não é por nada, Clarissa, que os brasileiros são os mais desconfiados com a mídia, ainda bem que não nos iludimos mais a partir do discurso que o Bial propôs domingo no Fantástico de que somos comprometidos com o bom jornalismo. Mentira! Essa imprensa é uma grande mentira, não que o Garotinho esteja certo em fazer greve de fome, mas sejamos mais críticos com essa mídia hipócrita, que quer nos impor inverdades sobre a realidade. Pobres escritores caracterizados como bois e pobres filmes italianos deturpados pela imprensa de Santa Maria.

martedì, maggio 02, 2006

Sobre a pele vermelha!!!

Sinto tocar meus lábios de leve,
eles ficam vermelhos, inchados e sedutores

Contorna as beiradas da minha boca
aos poucos a toma para si.

Invade cada centímetro que está seco ou sem vida
devagar penetra e alcança a saliva.

Sinto seu gosto já antes percebido porém dessa vez ainda mais marcante.
Apesar do gosto característico, cada vez que a sinto traz consigo uma nova carga de emoção.

Antes da boca, percorre meu rosto cansado,
desnuda cada milímetro da pele abatida.

Penetra nos poros como se procurasse se incorporar a minha face.
Sua textura nuda a cada novo espaço que conquista.

Nos olhos percorre a pupila, se desmancha nos cílios e tomando novamente forma avança pela pele macia.
Traz consigo um brilho incensante e nem parece que representa, também, coisas ruins.

Pois a luminosidade e destreza das lágrimas não são apenas carregadas de felicidade
mas principalmente a falta de uma paixão.

As vejo cair pelo meu rosto e seu brilho resplandece através da janela do ônibus
que permanece bem menos embaçado do que minha visão...

giovedì, aprile 27, 2006

O fato é que ela, ele estavam lá...

Dentro de mim, dentro dela...

De longe o sol apreciava a imobilidade fria daquela construção. Perdida no meio do nada, ela permanecia intacta e soberana. Os raios do sol ultrapassavam suas vidraças antigas e grandes e cobriam seu interior com riscos de luz que se confundiam com a poeira envolta no ar.

Ao seu lado, permanecia parado o sino que antes tantas vezes fora tocado. Dono de seu próprio ritmo, no alto da armadura, ele busca resguardar sua eterna companheira imórbida sensação de vazio.


Da casinha ressaltava suas grandes portas e janelas e a curiosidade de desvelar aquele mistério instigava meu espírito inconformado com a ausência de definição.

Abri a porta lentamente, deixei que uma fresta de luz entrasse pela sua beirada entreaberta. Aos poucos aquela escuridão sóbria foi se desfazendo e a luz que antes era uma mera invasora, agora vai dando forma ao que lá dentro permanecia intacto e desconhecido.

Devagar a cadeira balançava num ritmo constante e por vezes parecendo sem vida. O barulho do balançar da cadeira não me incomoda tanto quanto a presença dele sentado ali naquele lugar.

Permanecia ali, sem notar minha presença, concentrado nas páginas de um livro, percebi que em sua mente perpassava idéias e dúvidas. Em alguns momentos descruzava as pernas num movimento bruto, mas de nenhuma forma desviava o olhar daquelas páginas que já faziam parte até mesmo do movimento ininterrupto e perturbador.

Pele morena, óculos postados sobre os olhos, cabelos desarranjados, uma roupa condizente com o ambiente sombrio, porém não menos digna.

Não tive coragem de me aproximar e nem quis reconhecer seu rosto. Estava consciente de que aquele era seu mundo e não devia perturbá-lo. Lentamente dei dois passos para trás em direção a porta, toquei na fechadura gelada e sem qualquer sinal de transtorno sai devagar, dei uma última olhada e fechei a porta.


A luz da porta se apagou, mas das janelas o sol ainda brilhava constantemente. Nas escadas mais uma vez aprecio aquela atmosfera de sobriedade da velha casa. Estive com o poeta que insiste em persistir dentro de mim, mas dele não quis nada, nem mesmo perceber seus traços, quero apenas a dignidade de suas poesias construídas no balançar da cadeira. E o sino a de tocar quando a próxima poesia nascer daquelas páginas e daquele ritmo constante de vida.


Poesia, luz, sombra, sem forma e cor, apenas vida... Fotos de uma simples igrejinha perdida no Campus da Universidade Estadual de Londrina.

lunedì, aprile 24, 2006

Meu Deus! Esqueci do Jornalismo! Mas lá vai minha homenagem...

Às vezes me perguntam seu eu sei tal coisa, ou sei falar tal língua, ou li tal livro? Se disser que não a indignação é imediata, afinal como podes não saber qualquer coisa se fazes jornalismo?. Mais uma vez a sociedade acredita que cabe ao jornalista saber um pouco de tudo, ou muito de tudo, mal sabem eles, que maioria das vezes nossos jornalistas não passam de seres limitados à técnica da comunicação.


Alguns entram na universidade de comunicação conhecendo somente o jornalismo das telinhas, a voz do Brasil e programas musicais. Então seu sonho não ultrapassa o desejo de substituir a Fátima Bernardes, e é claro, casar com o Willian Bonner. Outros querem apenas apresentar a Voz do Brasil, ou então apresentarem um programa da Rádio Atlântida, e outros apenas querem ser contratados pelo Diário de Santa Maria.

E essa limitação de fronteiras do jornalismo que muitos vêem, faz com que esses jovens se vislumbrem pela técnica dos laboratórios e esqueçam que seu principal diferencial de um verdadeiro jornalista é sua bagagem cultural e teórica.

Eu sei que nada mais sou do que uma acadêmica de jornalismo idealista e por vezes precipitada em conclusões. Entrei na faculdade buscando encontrar futuros jornalistas muitos idealizados. Os jornalistas que imaginava encontrar era aqueles que lêem mais, que criticam mais, que vivem mais, que se engajam mais e que se permitem sentar num bar no fim da noite para uma socialização informal, necessária e saudável.

Mas encontrei na faculdade um “mundinho” permeado pelo imediatismo da técnica, pela imaturidade de seus indivíduos, pelo vislumbramento na telinha da TV e pela necessidade de competição até mesmo com os morcegos da Facos. Pensava eu na minha vã inocência, que na universidade encontraria um último porto seguro antes do mercado de trabalho. Mas percebo então que esses jovens e futuros jornalistas, sem se dá conta da ignorância que os cerca transferem para dentro da universidade esse mercado viciado, hipócrita e que serve de mero instrumento de interesse de empresas pouco preocupadas com a representação justa e séria da sociedade.



Mas o fato é que hoje lemos pouco, escrevemos menos, criticamos quase nada e a socialização é uma mera ilusão que esconde o desejo de se mostrar melhor do que o outro. Sim! Senhores! Sinto-me frustrada. Principalmente por que perdemos o verdadeiro sentido do jornalismo como representante da realidade e permitimos que jornais impressos sirvam apenas para enrolar peixe, que a maior audiência seja do Big Brother Brasil e que os programas sejam cada vez mais musicais.

Não sei qual o erro, mas sei que fui iludida, porém, ainda acredito na escrivaninha com livros, na luz baixa no fim da madrugada, na caneta e no papel. Acredito que vale a pena uma conversa informal e verdadeira entre colegas, acredito também na técnica, mas principalmente na idéia e na construção do New Jornalismo. E aí, sim, vejo uma nova possibilidade de escrever com paixão sobre a profissão que amo, choro, luto e quero como ideal.

O7 de abril! Dia do jornalista! Já que não somos decentes o suficiente para conquistar todos os dias como nossos.

Perdida Perfeição Encontrada...

A perfeição eu descobri
Porém logo ela passou
A perfeição eu perdi
Por que tão breve ela soprou

5 coisas das 4 que esperara
Sorriso calmo penetrante
No olhar percebera
Mas a verdade é distante




Breves momentos que a viste
A perfeição foi percebida
E a voz ainda insiste
Da minha vida não ser banida.

Mas a perfeição é assim
Tão breve quanto o vento
Passa ligeiramente por mim
E agora só resta pensamento..



Um leve poesia escrita durante o Sulpet em Londrina, entre longas discussões nada como escrever, sobre a "perfeição" que encontramos nesse caminho. E para ilustrar ou sbentender essa perfeição trago essas fotos do Céu a caminho de Londrina, ao amanhecer já no Paraná registrei esse belo momento da janela do ônibus. Uma variedade de tons que também representa uma variedade do que percebemos como perfeição.

lunedì, aprile 17, 2006

Alma, nada e o tudo...e o reflexo??

Reflexo da alma

Reflexo de tudo

Reflexo do nada

Da alma o tudo ou o nada



Do reflexo, minha alma vazia do tudo que não me deste...

E por que deveras me daria?

Se do meu reflexo nada tens

e da minha alma tudo te pertence!!

De uma folha seca, os motivos de muita inspiração...

As coisas passam tão rápido que não nos damos conta da simplicidade de certas ações e nem de certas idéias. Ontem me perguntaram de onde eu tirava tanta inspiração, e a pessoa que me perguntou isso, disse que ele pensa em coisa tão vãs, que parecem não ter importância. E aí eu disse que é nessas coisas, que aparentemente nos parecem simples que encontro a total diferença na hora da criação.

E hoje aconteceu uma situação muito curiosa, que de certa forma explicou o fato das coisas simples serem motivos de inspiração, até mesmo sendo algo extremamente trivial. Mas aí fui até o dicionário para saber qual o significado agregado a trivial. Entre várias explicações, uma dizia que trivial era aquilo que todos sabiam. Então percebi que esse é o segredo pela qual as coisas simples são motivo de poesia, de criação. Pois, quando são conhecidas por todos, elas já não tem o valor que merecem, por serem totalmente conhecidas. Daí, cabe a nós arrancarmos dessa trivialidade o que ali está escondido, desconhecido por todos. Nesse momento chegamos a criação, a poesia, e a sensibilidade.

Mas como disse anteriormente, hoje, uma coisa que a princípio parecia trivial me despertou um mundo de criatividade, um momento feliz de encontro comigo, com minha paz interior e com meu momento de reflexão. Estávamos gravando perto do bosque da universidade e um amigo brincando, de repente, até mesmo inconsciente juntou uma folha seca de plátano e me deu de presente. No mesmo instante fizemos uma brincadeira, ele me disse para guardar na agenda, e eu ainda acrescentei que não só guardaria, como também colocaria uma referência a ele. E de fato carreguei comigo a folha! Num lapso, me veio a mente dúvidas a cerca do significado daquela folha.

Como uma boa virginiana, nada passa por mim sem ser analisado, sem ser julgado e sem ter uma serventia. Então inquieta fui para casa, insatisfeita com a falta de resposta, pois percebia que aquela folha tinha um motivo para estar ali naquele momento. Troquei de roupa, e fui até o bosque caminhar, coisa que a muito tempo não fazia, desde os tempos que quebrei meu pé. Caminhei, caminhei e pensei! Almejava entender como poderia usar aquela ou aquelas folhas na minha vida. E de repente de novo como num lapso criativo, vou para debaixo daquelas árvores e começo a juntar muitas daquelas folhas, grandes, pequenas, tortas, e aquela atitude além de despertar a atenção de quem passava, me trouxe um prazer e uma paz tão grande, que a muito tempo não sentirá. Passei, então, a entender o por que dela estar ali. Primeiro por que parei para dar valor a uma coisa tão prazerosa, quanto tirar um tempo para a gente mesmo e depois por que tinha encontrado a explicação para a pergunta do dia anterior, de como eu conseguia me inspirar.

Depois da coleta das folhas, aliás muitas, comecei a juntar as pinhas pequeninas, dos pinheiros e cheia de pedaços da natureza que caracterizavam o outono e o inverno fui para casa, realizada, feliz, calma. Ao entrar no meu quarto, usei aquelas folhas para coisas bem interessantes. Arrumei meu mural, fiz um arranjo e meus milhares de bibêlos dividiram espaços com coisas da natureza, que combinavam com esse clima de friozinho que desponta aqui no sul.

É isso, as coisas pequenas e triviais, por mais que sejam conhecidas por todos escondem minúcias, que temos que ter a sensibilidade de perceber. Pois veja Rafael! De uma folha simples que ganhei do Betinho, fiz esse texto, que pode não ser o melhor do meu blog, mas com certeza da chance para muita reflexão. Isso é inspiração, isso é não deixar de ver nas coisas banais uma beleza inexplicável.

domenica, aprile 16, 2006

Aquelas primaveras e o outono de hoje...

O sol desponta lá fora
Cobre a primavera de luz...
Esquenta o outono de agora.

E eu aqui dentro lamento...
Saudades das primaveras .
E daqueles outonos.

De sentar ao sol na pedra no inverno.
De plantar as flores na primavera

Mas restam saudades daquela infância.
Resta saudade do tempo que não volta mais

Pois voltar somente às estações e os astros.
Pois sua dimensão é suprema.
Quem sabe um dia me torne brilhante que nem ele.

E possa voltar! Ao menos as lembranças persistem.
E as primaveras e outonos continuam no mesmo lugar...

Hoje sinto saudades da minha terra e da minha gente...Mas é páscoa e nada que um chocolate não apazigue...

sabato, aprile 15, 2006

Páscoa e agora o que dizer...

Bom como não achei nenhuma foto de coelhinho, coloquei essa para ilustrar esse post sobre a Páscoa. Uma foto do artesanato do Peru, que me lembra um pouco a infância. E para falar da Páscoa não tenho como não falar da minha infância. Hoje mesmo o caderno Cultura do ZH me despertou lembranças da minha velha infância e das minhas velhas páscoas. Pois como na campanha gaúcha, também na minha cidade a Via-Sacra representa o cultivo da tradição católica de recomendação das almas.
Lembro-me perfeitamente de como era importante para nós criança participar da Via-Sacra na sexta-feira santa e no sábado de aleluia. Primeiro por que na páscoa a comunidade se enchia de parentes de longe e então éramos observados por pessoas de fora, depois por que tínhamos um papel muito importante na via-sacra, segurávamos as velas de cada estação, que representavam a passagem de Jesus. Segurar a vela representava segurar um posto importante da caminhada de Jesus. Por vezes queimávamos os dedos, as velas se apagavam, já que a via-sacra era feita na estrada de chão batido, cada estação era longe uma da outra e em casinhas com cadeiras esperávamos ansiosos para ver a procissão passar.

Quando a procissão passava era o auge da nossa emoção, pois todos viravam para nós e juntos nos observavam rezando...Louvado seja nosso senhor Jesus Cristo/para sempre seja louvado. E assim a procissão seguia, depois que todos passavam, eu avistava meu pai que sempre nos ajudava a carregar as cadeiras, pois depois da caminhada voltávamos para a igreja, onde Jesus permanecia deitado no calvário anteriormente construído, certamente com nossa participação. No sábado era o dia da ressurreição de Jesus, depois de mais um culto, todos beijam os pés de Cristo ressuscitado e eu me lembro a emoção de sentir meu pai me erguendo para alcançar os pezinhos dele.

A procissão anda, assim como nossa vida também tem sua caminhada, hoje a páscoa para mim já não tem mais aquele encanto, primeiro por que já não acredito mais cegamente na igreja e já não me faz sentido a procissão e o beijo nos pés, vai ver por que agora meu pai já não precisa mais me erguer. Segundo por que nem sempre conseguimos mais passar a páscoa naquele velho lugar, hoje estou aqui em Santa Maria escrevendo num blog, em Charrua com certeza, minha mãe e meu pai organizaram mais uma procissão e beijaram os pés de Cristo e com certeza, lembram com saudade dos tempos que éramos pequeninos, nos preparávamos ansiosamente com a velinha acesa, necessitávamos de ajuda para carregar as cadeiras e para beijar os pés de Jesus.

Essa páscoa me lembra saudade e por isso venho até aqui para esvaziar um pouco dessa
angústia através de palavras, e para desejar a todos uma ótima páscoa e quem tem a oportunidade de estar perto da família aproveita, pois eu nesse momento choro de saudade das procissões, das rezas, da crença de que tudo aquilo é verdadeiro e principalmente da minha terrinha e da minha família.

Muita paz e luz para todos, façam de minhas lágrimas a força de que todos precisam para manter viva a chama de amor em qualquer família.

Um pouco do mundo das Cênicas, antes não descrito...

Vencidas algumas barreiras do mundo das Artes Cênicas, venho até vocês pra descrever um pouco desse mundo, que para muitos parece banal, até mesmo fácil, creio que um dia também pensei assim, até o dia em que resolvi encará-lo com uma possível futura profissão.



Entrei nas cênicas acreditando que tudo não passava de um conto de fadas, já tinha feito teatro quando mais nova na escola, e sinceramente mesmo depois de grande acreditava que as Artes Cênicas se resumia, a ler um texto e interpretá-lo e tenho certeza que não só eu dessa forma pensava. Santa ignorância!

Bastou uma semana de aula para me dar conta de muitas coisas precipitadas que julgará, pois os textos, amigos, só vêm depois de muito tempo de trabalho com o corpo, com a mente, enfim, percebi que de fácil aquele mundo não tinha nada. E num primeiro momento acreditei que meu forte era jornalismo mesmo, e de certa forma é.

De repente percebo através das aulas de expressão corporal e vocal e técnicas de representação e encenação, sem falar das teóricas que a coisa era bem mais complexa do que imaginava. Fui percebendo que não sabia caminhar direito, respirar, ter postura, ter controle nenhum sobre meu corpo. Diziam-me que tinha que segurar num tal de “cochi”, ou “dantenko”, mas desses não sabia nem como escrever, quanto mais segurar meu corpo através deles. Nas técnicas vocais minha voz, não tinha noção de mudança entre grave e agudo e eu não passava de uma desafinada voz perdida nesse mundo das cênicas.

Diziam-me que tinha que ter foco preciso. Primeiro o foco depois o corpo, sempre fazia ao contrário, me desesperava quando tinha que fazer uma improvisação. Pensava, pensava, agora ergo o braço, depois faço tal coisa e desse jeito travava qualquer improvisação natural e verdadeira. O Professor Cezário (uma perda enorme no nosso curso, pela sua ida) nos fazia cantar musiquinhas das Laranjas na beira da estrada, e eu não conseguia gravá-las.



Passo ternário? O que é isso? Não sei nem dá passos unitários! Dança dos ventos, queria mesmo que o vento me levasse para bem longe dali, tinha vontade de fugir. Exaustão? Meu Deus, mais exausta que ficava com tanta frustração. Verticalidade luminosa? Quem me dera enxergar alguma luz no meio de tantas dúvidas. Bom, depois dessa descrição de fracassos, de choro pelos corredores do Cal, de crise de identidade, muitos pensam que deveria desistir, aliás eu também pensei nisso muitas vezes, afinal minha vida no jornalismo é tão boa, lá tenho segurança, um caminho quase construído, uma noção básica , mas real da técnica e da teoria. Mas aos poucos fui me apaixonando perdidamente pelo teatro, pelo CAL, pelas Cênicas. E depois de me apaixonar por esse mundo, tenho certeza que não quero perdê-lo. E aí a frustração é por não conseguir me dedicar a ele exclusivamente. Mas há tempo para tudo nessa vida.

Aos poucos percebo a grandiosidade do jogo com o colega, a troca de olhar, a fuga, a expressão, a velocidade, a mudança do foco preciso, a variação de tonos. Em fim começo a descobrir meu “cochi” ou “dantenko”, quatro dedos abaixo do umbigo, nosso tesouro nosso centro de energia, de equilíbrio, de vida. Passo a soltar meus ombros e perceber meu corpo, minha voz, minhas fraquezas.

Percebo a importância de se passar meses para ensaiar uma cena de 10 minutos, percebo a importância do jogo, da construção de um personagem, da junção de partituras, da adequação do texto, da análise do mesmo e principalmente da avaliação de quem assiste. Percebo o quanto é apaixonante passar um dia todo em função do teatro, horas de ensaio e sair 3 horas da manhã do CAl.



Ainda penso muito quando vou agir, mas recém estou começando, mas a paixão por esse mundo me fez perceber muito mais do que o fracasso, mas também me mostraram a possibilidade de conhecer a mim mesmo e a possibilidade sim de ser também atriz.

Explicação da peça das fotos...

Nada pode ser comparável à sensação se passar uma semana inteira ensaiando, construindo uma partitura do nada, ensaio de mesa, ensaio com jogos, com estímulos, tesão pelo jogo, pelo texto, pelo personagem. No dia da apresentação parece que nada funciona, o figurino não fecha, o vestido cai, a voz não sai adequadamente. Meu vestido vai cair e tenho que estar preparada para isso, então ensaio de peito de fora, e sem qualquer vergonha tenho que controlar meu medo, meu constrangimento. O figurino do outro personagem não se adequou e temos que rever, ele tira a roupa, temos que improvisar. E o espetáculo está quase começando, estamos atrasados e muito. A tensão aumenta, aquecemos, ajeitamos a luz, a música, à voz, desejamos muita merda um ao outro (merda significa boa sorte). O público entra a música sobe, as luzes se apagam, a música desce, nós entramos.

Eu construo o leito florido, espero meu amado chegar, ouço seus passos, bebo do seu vinho e me entrego a sua vontade, gozo e depois simplesmente me abstraio desse mundo. 5 minutos o espetáculo acabou, meu vestido não caiu, não percebo quem é o público, só percebo meu coração disparado, pois estava simplesmente em estado de êxtase, pouco me lembro, pois estava em outra dimensão. Aos poucos aquela sensação vai se desfazendo deixo de ser a personagem e volto a minha realidade. Sou avaliada, e dizem que posso ser além de jornalista, também uma atriz, segundo eles tenho presença. Mas não era eu, era a amada.


Sensações, percepções, frustrações esse é o mundo das Artes Cênicas. Mas ninguém me disse que seria fácil, foi apenas uma conclusão precipitada. Quando tiverem oportunidade prestigiem, apóiem, mas não batam palma se não gostarem e nem riem se não for engraçado. Pois a dignidade é a maior virtude do artista, e se nada em ti despertou não finja através de palmas uma aceitação forçada, apenas se dirija a saída e não desista de voltar pois as portas da arte sempre estarão abertas a novas descobertas.

*Obs: O rapaz da foto é meu colega Henrique, que foi um guerreiro comigo, pois essa peça construimos em uma semana, depois de muita discussão e força de vontade. Mais uma coisa, ele não está nu, existe uma tanguinha que esconde suas indecências, ehhehe. Um momento muito difícil foi vencer nossos constrangimentos. Valeu Henrique pelo parcerismo e pelo profissionalismo. E ao nosso diretor Deivid pela coragem. Muito orgulho tenho de fazer parte dessa turma e desse mundo. E muita merda pra nós, em todos os palcos dessa vida.

"Temos as horas, eles o tempo"...

Acabei de assistir o Globo Repórter e a vida dos povos nômades da Mongólia me fez lembrar um pouco do que vi na Amazônia e creio que não descrevi, ainda. Durante uma migração do povo nômade, uma frase foi dita por aquele povo, “vocês têm a hora, e nós o tempo”, no caso nós seres ditos como “civilizados” temos a hora, pois dependemos totalmente dos nossos relógios e da lógica do tempo imposta pelo mercado de trabalho, pela sociedade capitalista. E eles têm o tempo, pois dependem do tempo da natureza, das variações do ano, do tempo natural de todas as coisas.

E isso eu percebi que também acontece com o povo indígena tukuna, na Amazônia. Apesar desse povo já estar de certa forma bem civilizado, com televisão, telefone, enfim já conhecer um pouco da lógica dos nossos relógios, eles ainda mantêm um ritmo natural de vida. O que mais me chamava à atenção que para os índios não tinha horário para fazer brincadeiras, para tomar banho de rio, para andar de canoa pelos igarapés. Quando foram desafiados a uma oficina de artes, não tinham horário para terminar, para comer.


Enquanto nós éramos totalmente regrados pelo relógio e tínhamos hora para tudo, eles simplesmente deixavam o tempo passar numa boa, curtiam aquele momento como se fosse único e nem se davam conta de que já passara uma manhã, uma tarde, um dia.

Nós poderíamos julgar essa forma de vida como a errada, de gente “preguiçosa”, e eles poderiam julgar nossa dependência de forma errada, coisa de gente “louca”. Mas o fato que não existe um certo e nem um errado, existe pessoas que foram criadas dentro de sistemas sociais diferentes, se é certo ou errado não cabe a nós julgar.



Eu acredito que nós, sociedade com relógio ultrapassamos o limite do controle das horas e somos totalmente dominados pela engrenagem do relógio. Enquanto os índios, os povos nômades, enfim os que possuem o tempo, dependem somente do pôr-do-sol e do despontar da lua, e não que isso os aprisione, mas ao contrário os guia. E sinceramente, hoje, era essa forma de tempo que gostaria de ter, afinal nunca gostei de relógios mesmo, gosto de vida e de natureza, mas infelizmente isso não basta para o tipo de sociedade na qual estou inserida, na qual estamos inseridos.

Eles quando morrem não deixam nada, nem capital, nem marcas, deixam apenas a natureza, o sol, os rios e sua vontade de viver livremente. Nós deixamos as propriedades, nossos ditos “legados’, mas principalmente deixamos o aprisionamento de um tempo guiado por horas para nossos filhos, infelizmente.

mercoledì, aprile 12, 2006

As meninas tukunas e suas tradições...

Por que trazer até vocês as fotos dessas doces meninas tukunas? Por que são muitas as coisas que fazem com que suas vidas seja interessante para nós, meros espectadores, é claro.


Primeiramente indenpendente de menina ou menino todas as crianças tukunas quando nascem são pintadas com jenipapo, assim como a gente estava pintado, só que eles pintam toda a criança, pois acreditam que esse ritual vai proteger a criança dos perigos do mundo.


Mas o que é o jenipapo? O jenipapo é uma fruta verde, e muito consistente, não sei ao certo se é comestível ou não, sei que não quis me arriscar. Depois de coletada, os índios ralam a fruta e misturam um pouco de água, depois de bem esmagada a fruta vai soltanto uma tinta preta, que foi da qual nós nos pintamos. O jenipapo leva de duas a três semanas para sair e muitos tiveram a oportunidade de nos ver pintados. Uma experiência incrível, pois eles acreditam que esse corante natural protege para muita coisa, além de ser um repelente natural, já que lá mosquito é o que não falta, de certo forma creio que nós incorporamos um pouco daquela força do jenipapo. Não sei mas eu, particularmente, senti uma grande energia quando me pintei, e uma paz muito grande, necessário para aqueles dias.

Depois gostaria de ressaltar a indenpendência das meninas, que desde cedo cuidam dos irmãos mais novos, isso sem falar na sua indiscutível beleza. Nossa, é muito impressionate a beleza das meninas indígenas e de seu sorriso maroto.


Outro motivo pela qual quero falar das meninas tukuna é pelo fato de elas serem o grande incentivador do cultivo de uma das mais fortes tradições deles: A Festa da Moça Nova, essa festa marca a passagem da menina para a vida adulta, para nós a primeira menstruação. Primeiramente a menina é mantida em reclusão e tem contato somente com a mãe, nesse período ela aprende a fazer os artesanatso da aldeia, com as fibras e corantes. Passado esse período de reclusão a comunidade se reune num local um pouco distante do centro da aldeia, chamado Casa de Festa da Moça Nova, os índios levam suas redes e lá permanecem em três dias de festa, bebendo suas bebidas tradicionais e dançando, depois de muitos rituais o cabelo da moça nova é todo arrancado, pela mãe e pela avó. Eles acreditam que esse ritual, se completará quando o novo cabelo nascer e junto com ele uma nova mulher preparada pra vida, para ser mãe, esposa.


Por isso trouxe até vocês um pouco dessas meninas, que são motivos do cultivo de tradições que aos poucos podem ir se perdendo. Mas o importante é que ele ainda se mantém e que se depender da falta de meninas para acabar, creio que não vá ser problema pois elas são muitas, bonitas e carismáticas.




lunedì, aprile 10, 2006

Espinhos e flores...

Espinhos os quero sentir, pois não doeriam tanto quanto a falta de uma flor.
Flores me arrancariam lágrimas, pois não sei como aceitá-las.
Dos espinhos a pontiaguda forma da vida
Das flores o cheiro estonteante da agonia
Se juntos se completam, separados não seriam...
Mas dos espinhos verei brotar sangue
E das flores verei brotar a seca.



Se me perguntares de qual gostaria mais de Ter para minha vida
Diria, meu bom amigo, que entre flores e espinhos
Fico com o desejo de não possuir a nenhum deles,

Enquanto aos dois espero.

Coincidência?? Mas o céu estava azul...

A certos sentimentos que são inexplicáveis, como por exemplo a emoção que sinto a cada novo jogo que o Grêmio entra em campo. Pois torcer para o Grêmio não é uma das missões mais fáceis, já que convenhamos nosso time é o campeão da instabilidade. E instabilidade é sinônimo de insegurança.

Sim, insegurança era o que sentia quando começou o Grenal desse final de semana. Acreditava sim que iríamos ganhar, mas como já disse em se tratando do Grêmio qualquer coisa pode se esperar. Assisti o primeiro tempo sozinha, não queria dividir meu nervosismo com ninguém. No intervalo sai para dar uma espairecida e para ver a agitação dos torcedores mais fanáticos.

Nesse momento de reflexão lembro de um texto que já escrevi aqui sobre a outra façanha gremista, quando saímos da segundona. E então me vêm a memória aquela velha pergunta já me feita uma vez: De como eu poderia gostar de um esporte de massa? Pois é, não gosto de muitas coisas que são consideradas de massa, mas confesso que futebol mesmo sendo de massa, me desperta sentimentos e paixões impressionantes e de que não pretendo abrir mão nunca.

No segundo tempo arranjo parcerias para ver o jogo, um colorado e um "Não to nem aí". Aí a coisa fica bem melhor, primeiro por que é sempre bom Ter torcedor adversário do lado, mesmo correndo dois riscos: Um de tirar com a cara dele, ou de ouvir o cara te tirando. E segundo por que o jogo começou a esquentar e o primeiro gol apareceu. Então aquela velha história , do filho da puta pra cá, do filho da puta pra lá. E tenho que ouvir o cara me tirando do lado e ainda todos os colorados filhos da puta dos meus vizinhos gritando.

Mas como eu disse em se tratando do Grêmio tudo é possível e tudo é muito mais emocionante, bastou dar uma olhada para o céu lá fora, para que pudesse dar o troco aos colorados que me encheram o saco. E é isso, faltando minutos para acabar o jogo , o colorado que estava sentado do meu lado se levanta e some porta a fora, sem nem mesmo se despedir, o "não to nem aí", ri de toda a situação e eu mais uma vez emocionada, não consegui ainda achar resposta para aquela velha indagação: Se existir emoção maior do que ser gremista me avisem, pois eu desconheço totalmente.

Assim, comemoro, choro e olho para o céu que coincidentemente estava tão azul como as cores do nosso timão. Tricolor, não tem preço essa emoção!!!! essa foto foi tirada momentos depois de acabar o jogo. Natural e lindo como somente o nosso Tricolor é.

martedì, aprile 04, 2006

Um momento de reflexão...

Por vezes paramos no meio da rua, ou simplesmente pensamos em tudo que vivemos, ou então não pensamos em nada. Parece que estamos perdidos a procura de algo, mas na verdade nesse momento encontramos com nós mesmos. E como isso é difícil.

Por vezes andamos descalços nas ruas e nem nos damos conta da brutalidade do chão, por que de repente ele nem existe sob nossos pés. Olhamos para o nada como se buscássenos o inatingível, mas se para nosso olhar o horizonte é limitado para nossa imaginação, não.


Não sei ao certo o que essa criança pensava parada ali no meio da rua do Mercado Público de Tabatinga, só sei que nessa imagem, revivi e pensei sobre muitos momentos da minha vida, que parada, sozinha, e de pé descalço procurava um chão para minha vida, ou apenas um horizonte para olhar.

Com as mãos juntas ou separadas como se batêssemos palma para a vida, nos mantemos sempre a olhar para frente e a buscar encontrar um caminho para guiar nosso pés descalços.

Uma pequena reflexão para a correrria de nossos dias, em que nos privamos de parar para pensar sobre nossa condição.

Um brinde...

Apenas um brinde ao aniversário do meu blog e as postagens que estão sendo feitas e me deixam bem feliz...Tomando caipirinha na Amazônia.

lunedì, aprile 03, 2006

Comemorando entre palavras e imagens...

No aniversário de 60 postagens no meu blog, venho até aqui para retomar e de certa forma responder a uma pergunta já feita anteriormente por Leonardo da Vinci: “ Se possuirmos a imagem de uma pessoa amada e um poema sobre essa pessoa, a qual daremos preferência??”. Bom. Eu sou uma grande amante das imagens e das palavras e com essa mescla de linguagem procuro alimentar este blog e minha própria vida.

Não sei ao certo se existe uma resposta exata a essa reflexão e nem desejo que vocês a tenham, pois se escolhemos por uma estaremos abrindo mão da grandiosidade da outra.

Evgen Bavcar diz que é difícil falar da imagem sem relacioná-la à palavra. Essa dupla, imagem-palavra, ao mesmo tempo reunida, hoje e antes, separada, é, no entanto, difícil de compreender e, sobretudo, de conceber como uma igualdade recíproca ou como uma ligação fatal, em que uma sobrepunha à outra. Evidentemente é uma reflexão ao alcance de todos, e cada um pode Ter sua própria resposta, ou, antes, sua própria pergunta.

Assim como há uma subjetividade por detrás das lentes de uma câmera, que remete a escolha do que deve ser mostrado, da seleção de uma entre milhares de possibilidades de mostrar, também existe um jogo de fantasias, quando se deixa brotar do pensamento incontidas palavras.

Tanto a imagem quanto as palavras para mim representam a arte por excelência. Se anteriormente Aristóteles já citava a imagem como um desvelamento, pois seu sentido fora retirado da imaginação (fantasia) seu nome vem de luz (faos) por que, sem luz não é possível ver. Também Pablo Neruda busca nas palavras a descrição para seu sentido completo: Pois segundo eles as palavras Têm sombra, transparência, peso, pernas: Têm tudo que lhes foi agregando da tanto rolar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto serem raízes...São antiquíssimas e recentíssimas.

Então, não pretendo fazer uma escolha entre imagens e palavras, mas sim usar-se da grandiosidade dessa mistura para lhes servir nesse blog através de imagens e de palavras fragmentos de percepções que tenho desse mundo e de tudo que faço. E se imagens e palavras são arte vale lembrar Maurice Merleau- Ponty: “É a felicidade da arte mostrar como algo se põe a significar, não por alusão a idéias já formadas e adquiridas, mas pelo arranjo temporário ou espacial de elementos.

Mercado Público de Tabatinga

Sábado de manhã, chovia em Tabatinga, o que era muito comum nessa época do ano na Amazônia. E nós tinhamos a manhã livre para conhecer a cidade. Mas eu queria mais, estava ciente que minha grande vontade era conhecer o Mercado Público, que antes tinha visto pela Televisão.

Então, prestigiando minha vontade descemos até a beira do rio Solimões, onde ficava o Mercado Público e encantada passei algumas horas fotografando e filmando aquela realidade, que tanto queria conhecer. Um aglomerado de pessoas de pele morena, brasileiros, colombianos, peruanos, uma mistura de etnias que caracterizavam aquela cor de pele tão bonita.

Entre tantas pessoas, podíamos ver produtos no chão em bancas, na lama, enfim em canoas no rio. Entre a oferta e a procura, nós procurávamos desvendar aqueles mistérios, daquela realidade. Sentados ao chão aquele parecia um ambiente tão comum, para uma conversa informal, para um bate-papo animado. Assim como em muitos rostos via apenas a tristeza de mais um dia de trabalho sofrido.

O que mais me encantou além dos rostos das pessoas, foi a maneira como seus produtos eram ofertados no mercado, alguns colocados muito bem arrumadinhos entre coisas nem um pouco similares, outros jogados ou até mesmo pendurados a céu aberto.

Enfim mais um desejo realizado. Conheci umas das coisas que mais me fascina em diferentes lugares que vou: as feiras a céu aberto e em praça pública.


Mercado Público de Tabatinga, mas algumas imagens da Amazônia...

Nada com um envolvente livro...

O Domingo a noite traz consigo um certo ar de melancolia. Mas naquele Domingo algo a mais batia no arvoredo, denunciando o inverno que se aproximava. Longe ouvia cachorros acoando e na penumbra do meu quarto abria um livro de suspense.

Sempre fui apaixonada por narrativas envolventes, onde personagens tomam vida própria e passam na minha mente a fazer parte desse mundo. Normalmente me envolvo nas histórias de tal forma, que recrio os lugares, seus rostos. E no livro A Sangue frio não estava sendo diferente, mergulhei naquele universo de Holcomb, às 00: 47 de Domingo e passo a recriar no meu imaginário todo aquela ar de suspense que envolve a trama.

Concentrada na leitura, nem percebo mais a penumbra que envolve aquela noite fria, até que de repente em meio aquela leitura meio que real e literária ouço do lado do meu quarto barulhos estranhos. No começo era barulho de um filme de terror assistido pelos vizinhos, mas aos poucos começo a confundir aqueles sons com a atmosfera de suspense que perpassa no livro.

Creio que Capote jamais imaginaria tal efeito na vida de um leitor. Transgrido ao mundo real e penetro naquele mundo de perversidade e crime. Os ruídos do quarto vizinho se atenuam, agora ouço passos e até mesmo gritos. Por momentos cheguei a acreditar que estava em Holcomb, onde se passa a história de A Sangue Frio e imagino que posso ser a testemunha do assassinato que está prestes a acontecer. Mas ali do lado ou na família do Sr. Clutter. Chego ao ápice da imaginação e já sinto o vento bater mais forte como sinal de morte.

Mas, então batem na porta do meu quarto, pensei que fosse Willie-Jay que Dick o assassino sanguinário não encontrou, ou então o Sr. Clutter se arrastando depois de um tiro, ou meus vizinhos assustados com o filme que viam. Pensei muito antes de levantar da minha cama e atender a porta, pois para isso teria de fechar o livro e desviar minha atenção, e por nada nesse mundo queria me livrar daquela sensação de Ter penetrado tão intensamente na história. O fato é que fechei o livro e abri a porta..

Abri a porta da realidade e fechei a fantasia que somente o livro e suas histórias são capazes de trazer. Essa é a magia que me faz todos os dias dedicar alguns minutos para a leitura de uma boa literatura.

Noite de outono, vento frio, Trumam Capote e luz baixa, um ótimo final de Domingo.

lunedì, marzo 27, 2006

O que eu vi nesses olhos , não posso descrever...

Vejam vocês mesmos...um pouco do que eu vi além das lentes...















Pele morena, sorriso maroto ou apenas um rosto tímido. Era assim que elas se aproximavam: num primeiro momento desconfiadas, sem saber como agir. Mas bastava abrirmos um sorriso para que elas ficassem muito íntimas.

As crianças tiKuna são assim, dóceis, independentes. Meninos e meninas conduzem as canoas no igarapé com tal habilidade, que qualquer um de nós não seria capaz. Elas têm uma sensibilidade impressionante quando fazem sua arte, sem antes ter tido qualquer contato com a matéria-prima.

Seus cabelos são negros, lisos, escorridos diria que perfeitos, seus sorrisos são de um encanto inesquecível. A cada novo dia que lá chegávamos corriam para nos acompanhar, ou apenas para mais uma pose, para tantas fotos. Por falar em fotos, sua fascinação ao se ver nas telas das câmeras era inexplicável, sorriam, emocionadas gritavam e até chamavam outras crianças para que todos a vissem, aí sim nunca mais paravam de fazer pose.

Queriam nos tocar o tempo todo, parecia que éramos feito de açúcar, o que de certa forma é real se nos compararmos a elas. Sua independência é tanta, que meninas cuidavam das crianças recém-nascidas e meninos eram vistos a uma grande distância nas suas canoas, sozinhos. Eles e a natureza.

Se me perguntarem o que mais me marcou nessa viagem toda, não tenho dúvida em responder que com certeza será a lembrança dos sorrisos e da sensibilidade daquelas crianças índigenas, que em algumas fotos vos mostro.


Sensíveis, hábeis, independentes, carinhosas e perpicazes, coisa de gente grande, mas não passavam de crianças...a verdadeira infância...












venerdì, marzo 24, 2006

Um pouco do Peru...


Atravessar o rio bastaria para que estivéssemos em outro país. A idéia de estarmos no Peru nos fascinava, mas algumas pessoas diziam que não valia a pena, pois lá do outro lado só uma simples vila existia: A Vila de Santa Rosa.


Sem dar ouvidos a pré- julgamentos atravessamos o rio, num Domingo de manhã ensolarado (coisa rara nessa época), ao se aproximar do outro lado, aos poucos percebi que aquilo não era uma simples vila, mas tinha escondido em sua pequinês a grandeza de seres humanos, de construções, de natureza pura e pobre.



Numa pequena rua asfaltada andamos sem pressa a pé, o tempo suficiente para para registrar rostos cansados, brincadeiras de crianças. Construções velhas, outras recém-construídas e roupas no varal.

Nos mercados esteticamente coloridos, encontramos velhos dicionários de língua espanhola por 2000 pesos, certamente levamos. Uma banca de revistas enfeitava a varanda de uma casa, penduradas com grampo de roupas, relíquias vimos e certamente levamos.

Sorrisos nas caras morenas, moças e rapazes no caminho. Muitas árvores e muitas goiabas saboreamos naquele estreito caminho. Tudo ao som de várias músicas que ecoavam dos tantos bares cobertos de palha. Música colombiana, peruana ou até mesmo Banda Calipso.

Mas foi naquela simples Vila do Peru que meu coração bateu mais forte. Impressionados com os pequenos mercados esteticamente coloridos adentramos sempre a procura de algo interessante. Pois pendurada entre diferentes roupas, lá estava ela, linda, azul, encantadora. Sim, amigos uma simples camisa do Grêmio tão azul, quanto o céu e quanto nossa emoção.


Foram muitas as razões que fizeram de uma manhã de Domingo ficar mais bonita e colorida e foram dessas impressões que fizeram com que percebêssemos(alguns é claro) que a Vila ST. Rosa não era apenas uma simples vila, mas que nela encontramos motivos para torná-la tão imensa, quanto a vontade de estarmos em outro país.



Por vezes deixamos de conhecer ou fazer coisas por dar atenção a pré-julgamentos e privamos nossos olhos de captar verdades e percepções que mudam aquela forma de pensar e fazem as coisas valerem a pena e se tornarem bem maiores.

giovedì, marzo 23, 2006

Só palavras...afinal nada mais concretas do que elas...

Parece apenas mais um fim de dia
Cansada, esgotada, acabada...
nesse momento só queria palavras
Absurdas, soltas, enfim tua voz...
De concreto quem sabe tua breve presença
sempre muito breve, mas de certa forma real
Queria, ouvia, imaginava
Porém é mais um dia
Que penso em você, que pensas em mim
Mas de que vale tudo isso??
Isso às vezes é só o que me resta
E a resposta sei muito bem
apesar de cansada, esgotada, acabada...
Isso é muito pouco, mas de concreto nada posso querer...

Vãs palavras, depois de dias exaustivos, de coisas sem sentido e de uma saudade absurda. Se um dia fui, já não sou, se um dia soube, agora me diz o que fez comigo????