martedì, settembre 19, 2006

Um post sobre as impressões do interior do Rio Grande Do Sul...


Acordar de manhã bem cedinho no inverno e correr para cozinha onde o fogão velho já esta aceso e a lenha queima vorazmente para aquecer mais uma manhã de campos brancos lá fora. O café é preparado no bule velho, enquanto o mate é servido na cuia larga, depois da água borbulhar numa chaleira de ferro.


Os galos, não fazem muito tempo, cantavam lá fora, como que num ensaio de coral, se ouve barítonos, sopranos, os do quintal, os do vizinho, os do outro lado do morro. Cada qual com seu canto, cada um com seu tom despertam os colonos que ligeiramente se desvencilham das cobertas pesadas de lã de ovelha. Tiram com muito pesar a cabeça do travesseiro alto de penas de galinha ou de pato e se preparam para mais um dia de inverno.



O café é posto a mesa: queijo, marmelada, pão de forno, mel puro, bolachas de maisena, salame de porco, leite e o café do bule então se derrama na xícara de porcelana. No ambiente o som da Rádio local, dos velhos apresentadores com o mesmo cumprimento de todas as manhãs, da música sertaneja que acompanha o ritmo lento do sol ao nascer por detrás dos montes.

É hora de ordenhar as vacas, tratar os porcos, chamar as galinhas e se preparar para mais um dia de labuta na roça. Às vezes se vai de trator, outras vezes de carroça puxada a boi, em outras apenas eles e sua enxada. Mas enfim um dia de trabalho no campo lhe espera. Capinar, colher milho, apanhar frutas, limpar a horta, colher verduras, alimentar os animais. Plantar, cuidar, colher.



Parece simples, quando acordamos de manhã e avistamos um bloco de construção do lado da nossa janela. Que pena que nem todos puderam um dia acordar numa manhã fria, abrir a janela do quarto e ver o sol que cobre a geada que já se desmancha. Que pode ver o gato sapeca, o cachorro esperto, as galinhas descendo das árvores e não ouviram os galos numa disputa de sinfonia. Que pena que nem todos tiveram a infância que eu tive no interior.



Que não viram a expressão de traços cansados e gastados pelas agruras do sol, que não viram cada estação do ano despontado ao seu ritmo natural. Que não viram as flores desabrochando, que não sentiram o perfume das flores do pessegueiro. Que não se lavaram da água que jorra da torneira faceira no tanque velho da minha avó. Que não tomaram um café doce de bule. Que não colheram a mandioca e depois a comeram com o prazer de ter a certeza de sua qualidade. Que não passaram um dia inteiro de chuva ao redor do fogão à lenha comendo pipoca, pinhão e um mate.



Enfim que pena, sinto de quem não conhece o interior, de quem não conhece o ritmo natural da vida, o sabor natural das frutas, o cheiro natural do ar, o brilho natural do sol sobre a geada. Mas sempre há tempo, por isso não deixem de conhecer um pouco do interior desse mundo e sentir o gosto verdadeiro da terra.

Uma postagem pela qual trago um pouco do interior de Charrua, No Rio Grande do Sul (Brasil, para situar os amigos blogueiros de outros países) descrito nas imagens e também nas palavras, minha avó ia chorar.


lunedì, settembre 18, 2006

Minha Satania! O que farei se ela partir?

Sentiu que sua cabeça doía, tentou se levantar aos poucos da cama desfeita e sentiu que seu corpo também doía. Havia dormido com a roupa que saiu de casa na noite anterior, seu corpo cheirava a cigarro e álcool, na boca seca o mau hálito de muitas bohemias, skol, e a fatídica Antártica, na verdade lembrava de poucas coisas que acontecera durante a noite. A única coisa que sabia naquele momento é que precisava de um banho e de um copo de água muito gelada.

Disse-me depois que só durante o banho começou a lembrar de tudo que tinha acontecido. Primeiro tinha se refugiado numa festa, com pessoas que não eram desconhecidas, mas que, porém, no ar sentia feder a intriga, a desarmonia, a inveja. Percebia que olhares fulminantes a queriam longe dali, por isso o álcool foi o refúgio daquele ambiente. Porém, o ambiente um dia lhe poderia ser possível, e de certa forma já o é, pelas pessoas que nele fazem parte, mas ela queria se desvencilhar da idéia de que sua vida teria que se resumir a companhia de pessoas falsas, hipócritas.

Depois de ver, rever, cheirar, lamentar tal hipocrisia que corria solta no ar da festa infame, sentiu vontade de ir para longe, esquecer as pecuinhas, a falsidade, queria um lugar legal para dançar, para continuar na sua busca incessante pelo álcool que lhe tiraria a razão de pensar o tempo inteiro naquele olhar verde, que perturba sua mente, que invade seu mundo. Quem sabe onde estaria ele, de certo, no lado do inocente oposto. Inocente, porém o queria longe de qualquer coisa, o queria ali do seu lado, achava que aquele olhar era o único a saciar as suas expectativas. Queria sentir a presença de alguém verdadeiro, de alguém que ela pudesse acreditar que ainda existem relações verdadeiras.

Mas, ele mais uma vez ficou só em pensamento, então, desceu as escadas do lugar escuro, era a primeira vez que ali entrava com o brilho de seu olhar. Tanto que é certo que os conquistou, porém não foi conquistada e mais uma vez se restringe a encontrar em uma garrafa, aliás, várias, de cerveja, o refúgio de seus males. Desceu as escadas ligeiramente e se segurava no corrimão, lá em baixo, num pequeno lugar caustrofóbico, se confundia entre a luz vermelha do teto, e o som da guitarra que a embriagava. Ali, experimentou diferentes sensações. Num suave momento tentou esquecer da própria vida, tentou esquecer do olhar verde, mas tudo foi em vão, bastou perceber que estava sendo observada, para entneder que aqui, em Santa Maria, já não é mais seu lugar, que dentro daquelas garrafas de cerveja já não é mais seu refúgio, e de que aqueles olhos verdes são a única coisa que ainda aqui a fazem ficar.

Ela acordou mal no outro dia, mais mal por peceber que é fraca, dependente e que fede a lembranças de mais uma noite mal-sucedida, quem sabe em outros tempos divertida. O fato é que enquanto ela me contava essa história, vi-lhe faiscar dos olhos uma suave tristeza que as poucos está acabando com a minha querida e única Satania. Coloquei-a entre meus braços e somente lamentei, pois minha Satania, está infeliz, então me pergunto: Será que devo deixá-la partir?

Aos poucos se vai, para além da luz dos olhos que a consome

giovedì, settembre 14, 2006

Da janela te espreito, sem te tocar.

Restos, entulhos, traços
Abarcados na retina.

Cacos, vidros, linhas
Difundidos na minha alma.

Verdades, inverdades, cores
Introduzidos nos meus dias.

Desejos, penumbra, álcool
Impregnados no meu all star.

Querer, poder, saliva
Nos destroços da tarde
Que se esvai entre os dedos
Entre as rugas
Entre eu e você
Entre o que ignoro
E me escondes
Nas entrelinhas do teu braço quente
Nos desejos jogados ao vento sem destino
No destino simplesmente ignorado.


Mas, são restos, entulhos, traços,
Cacos, vidros, linhas
Verdades, inverdades, cores
Desejos, penumbra, álcool
Que guardo do teu cheiro...

Apenas te espreito porém

Da janela que na verdade não quero ver...


mercoledì, settembre 13, 2006

Até onde você quer ir a toca do coelho?

No começo só havia um vazio transbordando de possibilidades infinitas, nas quais uma delas é você. Essa frase pode parecer forte, mais forte, porém é o Documentário da qual quero falar e que vem causando grande impacto na vida das pessoas, na minha ao menos foi. Quem somos nós? Sim, esse é o nome do doc. que falo, mas essa também é uma das perguntas que muitos de nós fazemos permanentemente.

O filme trata da Física quântica e como ela entende o mundo, aliás, como ela tenta entender o mundo, se dando a oportunidade de debater em cima de verdades absolutas, premissas pelas quais somos aprisionados, por leis que o mundo externo nos apresenta sem levar em conta nosso mundo interno, a realidade intersubjetiva de cada um. Mas o que é a realidade? Perguntam-se eles, perguntama-nos nós. Por que estamos aqui? De que são feitos os pensamentos? Será que os mudando, mudaremos nosso mundo?

De fato todas as respostas não são sabidas, porém as perguntas trazem novas formas de estar no mundo, pois o grande segredo de estar no mundo é o mistério. E se encontrássemos as respostas facilmente, não teríamos por que nos perguntar, da mesma forma, não teríamos por que viver. Mas, o problema é que temos sido condicionados a acreditar que o mundo externo e as premissas que nos são apresentadas são verdadeiras e assim poucos de nós investimos na toca do coelho. Uns por medo de encontrar respostas que mudariam suas vidas, outros por que acreditam ser bem mais cômodo viver entre a obscuridade, pois isso lhes tira a responsabilidade de saber que podem sim mudar sua realidade. Isso demanda coragem, inquietação, diria que até incomodo.


Sim, eu sou uma dessas que insatisfeitas com as respostas que me são apresentadas, vivo sob vários discursos, pois me permito buscar verdades em todas as coisas novas que na minha vida aparecem. Acredito sim na nossa força interna, que pode agir sobre nosso ambiente, sobre tudo que nos cerca, pois não somos seres isolados, tudo depende dos nossos movimentos de consciência, da manifestação de nossas experiências. È por isso que esse documentário que vos indico vale a pena, pois faz você perceber que não estamos sozinhos em pensamentos e em buscas de explicações que parecem absurdas, que ignoramos maior parte desse mistério que é a vida e por isso temos que nos dar a oportunidade de ir à toca do coelho e tentar desvendar ao menos os mistérios que a nossa realidade pode apresentar.

Parece fácil, mas de fato continuamos viciados a estados emocionais que sempre geriram nossa vida, e assim nossa rede neural está acostumada a esse tipo de sentimentos e dificilmente conseguimos nos desvencilhar deles, das verdades relativas que nos aprisionam. Estamos viciadas em condições de vida impostas a nosso cérebro pelo mundo externo. E os vícios não têm como impedir momentaneamente, pois ele sempre quer mais situações que atendam nossas necessidades químicas. Viciamos-nos em nossos próprios estados emocionais.

Então se permitam não só a assistir ao documentário Quem somos nós, mas também se perguntem qual o propósito da vida? A principio tudo vai parecer um colapso, você vai ficar nervoso, mas aos poucos seus antigos conceitos vão ruir e você vai experimentar sensações novas de descoberta, do poder que temos sobre tudo que nos cerca, do poder que temos sobre nossa realidade. Vamos desvencilhar nosso cérebro das hipocrisias da vida e por que não tentar uma nova vida. Pois você já tentou se observar através dos olhos da pessoa que se tornou? Difícil, não! Sim, nosso pior drama é saber o que mudará em nossa vida se mudarmos nossas escolhas. Precisamos ao menos tentar, pois o mundo é uma gama de possibilidades e o poder de escolher entre elas ninguém lhe tira, nem mesmo você.

Se não sair achando tudo uma loucura, é por que você não entendeu nada. Degustem o doc. e degustem o prazer de estarem na toca do coelho do mistério, num novo mundo.

domenica, settembre 10, 2006

Soar dos meu desejos sobre teus passos.

Repousa em meus ombros
O doce tocar de seus olhos
Os meus, vão em direção aos pés cansados
E vejo que você não está ali

Afasto-me, então da penumbra da tua falta
Retiro-me delicadamente para meu refúgio
Deito sob mim mesma
E ponho-me mais uma vez a te esperar


Vejo-o descer na escada mansa
Que um dia te estendi na minha alma
Teus passos brandos em perfeita sintonia
Mais uma vez me fazem te esperar,
Preciso do teu olhar verde nesses meus dias de pesar.
Será que és capaz de escutar?

O soar do meu desejo incansável.

venerdì, settembre 08, 2006

O encontro, momentos depois abrem-se outras portas. E se vai.

De repente eles se encontraram na rua e se abraçaram longamente, num abraço involuntário. Num abraço que há tempos não era vivido. Deliciam-se no cheiro mútuo de seus pescoços. Do toque leve de seus corpos, de seus braços.

Deliciam-se num momento ininterrupto em que as lembranças repousam sobre seus ombros. Lembranças dos dias quentes e felizes, das lágrimas no fim da tarde. Dos momentos em companhias mansas, em dias nem sempre tão mansos.

Mas devagar o abraço se desfaz, assim como se desfazem aos poucos nossas lembranças fugidias. Afastam-se, então, os olhos brandos, os braços, agora fracos. E também, o sorriso se esvai em meio a perdida lágrima que repousa no rosto ainda jovem.

O que nos resta, então, quando olharmos para traz?
Lembranças doces, nervosas, intensas, concretas, de repente e infelizmente para alguns nada.

Uma breve homenagem a minha turma de Jornalismo, já que estamos em momentos de muita depedida, Rádio, digital...enfim, ano que vem estaremos formados, então, vamos aproveitar e que muitas filosofias de bar rendam pequenos e grandes textos nas nossas vidas.

martedì, settembre 05, 2006

A angústia que soa devagar no meu mundo...

Angústia me sufoca devagar
Nervosa, me detenho em pormenores.
Nessa tarde gélida e cinzenta
O que me resta senão ir embora.

Consciência, porém, pesa no meu divagar.
Entre o erro e o acerto me subestimo
Confesso meu lamento e fraqueza
Esguia, terei de ser nesse momento.


Em que procuro refúgio na poesia
Quando o que me atormenta é a objetividade da vida.

domenica, settembre 03, 2006

Despi-me! Desistir? Nunca...


Despi-me dos medos e dos erros
Desistir não caberia a nossa vã fraqueza
Não agora que já o amo
.
.
.
Beijas-me, então de verdade
Despreza as lágrimas que te molham
E simplesmente me abraça forte.
.
.
.
Serás e és meu melhor presente
E isso me basta
Nessa noite fria
E em todas que espero teu verde olhar me tocar.

sabato, settembre 02, 2006

As rugas me perseguem, mas eu não desisto.

Quando somos crianças, nosso desejo é fazer 10 anos, pois todo número arredondado creio que soa melhor aos nossos ouvidos. Depois dos 10, queremos nossos 15. Acreditamos que a partir daí, vamos ter a liberdade de irmos sozinhos em festas, teremos nossos primeiros namorados, usaremos roupas mais ousadas (se bem que hoje em dia, tudo isso se dá muito mais cedo).

Sim, depois dos 15 anos, queremos desesperadamente chegar aos 18, pois temos a ilusão, de que aí sim seremos independentes. Mera ilusão. Nesse momento começam nossas dependências, principalmente financeiras. Parece que nos tornamos mais uma vez crianças.

Quando estamos na pré-escola queremos estar na primeira série. Quando estamos na sétima série queremos estar na oitava, para podermos “mandar” nos outros e ser superior nos jogos de interséries. Quando estamos na oitava não vemos a hora de chegar ao segundo grau. Segundo grau, turma diferente, colégio diferente, gente mais madura. Que idiotice!

Depois do segundo grau, e dos dezoito, a faculdade: a tão sonhada faculdade, acreditamos que de fato, vamos encontrar nossos amigos para vida, a liberdade de fazermos o que quisermos, o tempo para curtir todas as festas, enfim, fantasiamos, nos iludimos, sonhamos.

E assim, permanecemos a maior parte dos nossos anos planejando... almejando... sonhando... e muitas vezes deixamos de viver o presente dos 15, dos 18, dos 20, dos 22.


Queremos os 30, porque aí estaríamos com estabilidade para construir uma família. Queremos os 40, porque estaríamos com maturidade para relações amorosas. Queremos os 50, porque seremos experientes o suficiente para ensinar os mais jovens. Queremos os 60, porque teremos a segurança de uma aposentadoria. Sim, sempre queremos o que não somos e a idade que não temos, mas será que um dia vamos ter consciência de viver a nossa idade, as experiências de cada fase, de cada processo?

Hoje me perguntaram o que quero fazer daqui a 10 anos. Neguei a responder, porque fodam - se daqui a dez anos! Agora quero viver meus 22. Sim, acredito que devemos nos planejar e trabalhar para conseguir o que queremos, mas não devemos de jeito nenhum nos tornar escravos dos anos que estão por vir.

As rugas sempre nos perseguirão, mas que venham ao seu tempo natural que aí as receberei com muito orgulho. Aos 22, ainda não as vejo no meu rosto, aos 50, quem sabe?


Sou eu, pensando na vida, como sempre

Meu aniversário gente....

mercoledì, agosto 30, 2006

Divagando em sentimentos e palavras dilacerantes.

O murmúrio suave da água que cai, confunde meus sentidos e meus breves pensamentos voltam-se para algo que até então não foi dito.o som melancólico da melodia que toca meu corpo é como navalha ensangüentada que outros corpos já feriu. Corpos, estes, resistentes a mesma dor desse sentimento desconhecido.Esse imenso vazio, agora, torna-se íntimo de minha solidão mais profunda, me deleito nesse meu pesar, para o sempre da inspiração que me toca a cada novo instante de melancolia que toma minha alma.

Fatigo esse desespero que é alvo das mais férteis idéias, justapostas no acomodado cérebro imutável, e desesperada faço de minhas palavras um grande manjar aos deuses invisíveis e abomináveis que tem em si o néctar da paixão, ou como realmente acredito ser o puro fel, que esse sentimento proporciona a cada alma irrequieta e iludida por sensações irresistíveis e momentâneas.

Posso ser extremamente julgada por esse pessimismo sentimental, mas então que venha a fogueira mais cruel dos homens que mesmo assim não irá causar tanta dor, quanto as peripécias desse sentimento indômito, chamado amor, que é capazes de atingir um frágil corpo sem estímulo a verdadeira realidade. Quem dera encontrar nele a pureza tão desejada, se o que é encontrado são as mais insólitas dúvidas.


Como posso querer ser eu a personagem capaz de deslindar esse sentimento, quando me vejo totalmente escravizada por isso que me corrói como ferrugem, que se alastra em minha mente como algo já sem volta? Como posso julgar possuir a chave para esse mistério se o que na verdade me resta é o pesar de tudo o que ele me fez crer, viver, buscar, lutar e ser.

Nada vejo mais no quebra-cabeça desse sentimento, além do horizonte sem limites a minha frente, que tenta mais uma vez, seduzir-me para o abismo do traiçoeiro prazer de se estar amando alguém, alguma coisa, o mundo. É incompreensível essa necessidade de nos sentirmos seduzidos, por algo que desconhecemos totalmente. Mas, no fundo sempre sabemos a que fim nos levará, a que abismo nos lançará, ou então, a que paraíso poderá, por vias muitas remotas, nos abençoar....

Estava eu a cata de uns textos antigos, e dei de cara com este, não me sinto assim, mas acho que ele está muito bonito e condizente com outros momentos da minha vida.

lunedì, agosto 28, 2006

Mergulhada nas palavras de Gabriel García Márquez.

Compulsivamente devoro um livro de Gabriel Garcia Márquez, Notícia de um seqüestro (mas isso merece um texto muito mais elaborado), e então entre tantas informações, eis que sublinho algumas que me chamam a atenção e creio que seja um bom começo de reflexão para essa semana que inicia. Então logo abaixo descrevo as palavras encontradas na página 85 do livro mencionado acima.


  • Diana era um homem de estado – disse uma amiga que a compreendeu e amou. – E a maior preocupação de sua vida era uma obstinada vontade de serviço ao país.” Mas o poder – como o amor - tem dois gumes: exercemos e padecemos. Ao mesmo tempo em que gera um estado de levitação pura, gera também seu avesso: a busca de uma felicidade irresistível e fugidia, só comparável à busca de um amor idealizado, que se anseia, mas se teme se persegue, mas não se alcança. Diana sofria isso com uma voracidade insaciável de saber tudo, de estar a par de tudo, de descobrir o porquê e o como das coisas e a razão de sua vida. Alguns que conviveram com ela e a amaram de perto perceberam isso nas incertezas de seu coração, e pensam que muitas vezes ela foi feliz.

    Não é possível saber – sem ter perguntado a ela – qual dos gumes do poder lhe causou as piores feridas. (...) Seus amigos – incontáveis- disseram que era uma das pessoas mais inteligentes que conheceram que tinha um grau de informação insuspeitável, uma capacidade analítica assombrosa e a faculdade divina de perceber até as terceiras intenções das pessoas. Seus inimigos dizem sem mais palavras que ela foi um germe de perturbação atrás do trono. Outros pensam, por seu lado, que ela descuidou de sua própria sorte no impulso de preservar seu pai acima de tudo e contra todos, e chegou a ser instrumentos de áulicos e aduladores.


Senhoras e senhores, não sei em vós o que tais palavras do autor despertou, sei que em mim, essas palavras se reviram incontroladamente, em busca de uma razão pela qual fazem parte da minha vida. Desfrutem, então, se assim os couber decifrar as entrelinhas dessas palavras, ou então tua própria personalidade. Sei que Diana, já está em mim.

sabato, agosto 26, 2006

Palavras..onde te escondes?

Deslizo entre as sombras absortas, das palavras que carrego comigo, que busco para meus versos. Permaneço presa ao desejo incontrolável de tuas rimas, de teu sangue vertendo entre as linhas mal feitas no papel em branco.

Sinto a repulsa por mistérios que me mostras, por confusões que me crias nos meandros de teu significado. Mas, mesmo assim desejo-te presente entre minhas mãos, minhas pupilas dilatadas, minha mente perturbada pela tua falta.


Te escondes na sombra das linhas inócuas

Sim, por que tu és palavra a minha escravidão singela, a minha tormenta desmedida, minha coragem em noites longas, meu medo em dias de sol, de chuva. És minha constante busca pelo inconstante, és minha esperança de lhe possuir.

Meu Deus, o que és então palavras, senão mais do que palavras, sentimentos, angústias, gozo, felicidade, ele, eu, nós, a minha vida entre os dedos, entre os fios de cabelo, entre a barba mal feita, entre o cheiro de álcool. És o que quero ver, mas é também o que quero esconder.

Busco - te invonluntariamente, mas as tenho sem perceber.

giovedì, agosto 24, 2006

Verde olhar o que tem a dizer a tua Satania?

Ela tinha sentido imensamente o verde do olhar dele invadindo seu corpo nervoso naquele fim de tarde preocupado. Não sabia me explicar direito o que acontecia com seu corpo, com sua mente, com suas pálpebras medíocres, com seus desejos absortos.

Aos poucos se dissolvia em palavras melindrosas, em felicidade estonteante, nervosa, feliz, completa (nem tanto), mas enfim a noite se tornara mais bonita, as escadas se tornaram mais leves, as teclas do computador mais ágeis e seus traços mais bonitos.

Sentia uma imensa vontade de sair à rua, de cantar aos quatro ventos, de ser feliz. Estava sentindo o quarto com ar aprazível, olhou para a cama com desdém, se debruçou em baixo do chuveiro e agradeceu baixinho esse verde inspirador.

Nos caminhos que eu andei

Expliquei a ela que tudo isso podia ser resumido em uma só palavra: paixão. Ela me olhou com um olhar esnobe, mas mesmo assim carregou consigo a sensação que só aquele verde olhar tem. E eu pensei baixinho: Pobre Satania, que não vive mais sem aquele olhar.

E ela leu meu pensamento e antes de sair me pediu: por favor, o traz para mim? Parei imediatamente e fiquei sem dar resposta, mas jurei em silêncio, que ele estaria sempre presente em sua vida. Prometi agora vou ter que cumprir e você olhos verdes, será que podes me ajudar a cumprir essa promessa? Tua Satania está a te esperar.

mercoledì, agosto 23, 2006

Gosto do teu cheiro mas preciso te tirar de mim...


Gosto fétido de você ainda em minha saliva
Cheiro nostálgico de você ainda em minhas mãos enrugadas
Imagem do seu sarcasmo ainda em minha pélvis

Enoja-me lembrar do teu suor ao fim da noite
Repugna-me tuas mãos em minha face.

Sinto espasmos de ódio ao pensar que esteve em mim
Que estive em ti,
Que nossos corpos vulgares se entorpeceram mais uma vez

Sinto meu corpo indolente se precipitar na ânsia te esquecer
De esquecer os momentos vagos de paixão fugidia
Escarros de um gozo absurdo.

Por isso fecha a porta,
Fecha-te ao meu olhar
Esqueça-me e ao nosso gozo inepto também.

martedì, agosto 22, 2006

Aos teus pés, teu gosto...

No crepúsculo da noite quente
Da qual te sinto entre meus braços
Escorre em nós desejos voluptosos
Escorre em mim vontade de tua língua.


Tua mão se precipita nas minhas entranhas úmidas
Tua boca se farta dos meus seios doces
Na outra mão meus cabelos desregrados.
Mas é loucamente que caio aos teus pés e sinto teu gosto infame.

Elas se despreocupam, eu corro atrás. Tempo.

Sentada no canto daquele ônibus frio, aos poucos uma revolta começa a crescer dentro de mim. Lembro-me dos textos que ando escrevendo e dos que gostaria de escrever, e assim, me ponho a buscar o porquê das poucas idéias, das palavras repetidas, as sonoridade já conhecida.

Não demoro muito ao chegar em casa, no meu quarto também frio e encontrar a resposta. Na cama roupas desregradas disputam lugar uma com as outras, o pó que cobre meu computador, a cama que continua desarranjada e sobre minha escrivaninha, livros técnicos, de fotografia, de documentário, jornalismo, semiótica. Senti aos poucos novamente uma ira implacável, uma vontade incontrolável de por tudo ao meu redor a baixo, de por um fim naquela papelada toda mórbida que aos poucos poderiam se desfazer assim como meu incenso de Lótus.

Apenas uma criança, na verdade alguém que não precisa ainda se preocupar com o tempo
Falta literatura entre meus livros, faltam algumas horas pra assistir um filme, faltam minutos para tomar café com meus amigos, faltam segundos para viver a vida do meu jeito e como ela me faz feliz. Sobra pressão dos horários que tem de ser cumpridos, das disciplinas medíocres que tem que ser fechadas, dos entrevistados mal - humorados que têm que ligar, sobra mediocridade desse mundo ingrato e da forma de vida que nos impomos.

Falta, porém inspiração, fatos que engrandeçam minhas vivências com a sociedade, falta repertório, falta uma conversa animada no fim da tarde, falta a caminhada no bosque, falta um banho de 1 hora, falta duas horas para ler meu livro preferido, falta café, por que sobra a preocupação com grana.

Muito mais do que um retrato, alguém que não precisa mais se preocupar tanto com o tempo

Corro contra o tempo, e vivo uma vida medíocre, por isso a impaciência com as palavras, a saudade de outros invernos e a vontade de mandar o mundo a puta que o pariu, me fazem ver que já não tem sentido viver desse jeito. Pois, é isso vivo na mediocridade de passar mais um dia sem senti-lo de verdade. Vivo na mediocridade de palavras repetidas, por não tenho procurado um novo vocabulário. Aliás, não tenho vivido nenhum capítulo mais interessante da minha vida. Nessas horas me lembro sempre desse verso:

Caminho é este
Tem pedra, tem sol
Tem bandido, mocinho
Você amando, você sozinho
É só escolher
Ou vai, ou fica
Querem saber, a vontade é de por a mochila nas costas e dizer FUI.

lunedì, agosto 21, 2006

Desabafo de uma tarde devagar...

Continuidade? apenas marcas da vida.


Penso, penso...

E o ciúmes me consome
Então sai de trás da cortina
Ou saias tu sentimento desumano.
Que triste as marcas do passado
Pior a continuidade de certos sentimentos.

Lágrimas são palavras da alma...

Devora-me a angústia
de me afastar bruscamente do teu olhar faminto
Devora-me a frieza com que te trato e como me tratas.
Choro por devorar-me por dentro
Por devorar-te ao longe.

Choro por ti,
Na verdade, choro muito mais por mim.

Pela fraqueza de não te falar
Pela fraqueza e medo de te olhar
Choro por que simplesmente vais embora
E nem sequer olha pra trás.

Choro naquelas escadas infames
Por estar presa a um outro olhar
Choro por ter preferido o sabor amargo do álcool
Quando era apenas teu gosto que me saciaria aquela noite.


Choro por que queria te tocar, te possuir ou apenas te falar.
Choro por que optei em te ignorar.
Por que optei pelo meu orgulho e pelos meus julgamentos.

Agora as lágrimas falam pela minha alma
Mas você foi embora naquela noite fria
E eu me dei conta do quanto ainda e sempre te queria.


Nunca foi uma noite tão fria
Nunca fui tão fria ao te olhar
Sim, eu admito que fujo, e você será que ainda me quer?
Minhas lágrimas agora fariam voltar atrás,
Mas creio que já seja tarde demais...

Choro por ti
Choro muito mais por mim...
E por me da conta de que também já és importante na minha vida.

sabato, agosto 19, 2006

Dia Mundial da Fotografia...Olha o passarinho!!!

Lembro-me perfeitamente das primeiras vezes que peguei uma fotografia na mão e comecei a entender o que se passava ali naquele papel, que era pequeno, P&B, ou então colorido com a cabeça do meu irmão, que era o maior cortada, mas enfim. E a máquina? Quando vi aquela máquina. Era quadrada, bem pequena, e uma coisa muito estranha se acoplava a ela, esse algo estranho era redondo, e quando posto na máquina girava. Sim, esse era o flash, mas se perguntam que máquina é essa, certamente não sei responder, pois essa uma relíquia é uma velha maquininha do meu pai, e que marcam nossas primeiras fotos em família.

Depois, já adolescente fui para o Beto Carrero e somente quando chaguei lá percebi que estava sem uma máquina fotográfica para registrar os melhores momentos. Não tive dúvidas resolvi comprar uma lá mesmo, por R$ 30,00 reais me lembro muito bem da façanha e da alegria de comprar uma máquina com detalhes verdes e que depois de cada foto tinha que tocar pra frente com o dedo para o filme se ajustar, num barulho muito constrangedor. Mas não é que a bichinha era boa, e muitas fotos interessantes guardo de dos filmes que ali gastei. E até hoje é certo a trago comigo. Minha “verdinha” como chama.

Mudadas as cores, a textura, mas jamais mudamos a essência

Não tardou muito e meu irmão um dia chegou em casa com uma baita máquina. Nossa, me lembro que na ocasião fiquei muito impressionada, a queria pra mim. Era uma zenit, uma simples zenit, mas que convenhamos é um espetáculo para tirar umas fotos, por mais que hoje ela não me surpreenda mais tanto.

Assim, quando entrei na faculdade resgatei a máquina do meu irmão para as aulas de fotojornalismo, e aí minha paixão começou a despontar de vez. Fechada no laboratório escuro, não me esqueço até hoje da sensação estranha de ver daquele papel jogado na bacia de produto químico nascer, e se concretizar por formas, por tons, enfim, um certo encantamento e dúvidas permeavam essa descoberta. Queria saber mais. Depois disso foi muito rápido que percebi as câmeras digitais e as analógicas profissionais.

Meu Deus, diafragma, obturador, lente, fotômetro, teóricos, fotógrafos, imagem, imagem. Isso, sim me pegou de vez, admito que meu círculo de amizade nesse momento já ficou recheado de ótimos e encantadores fotógrafos, que eu comecei a entender a paixão por esse dispositivo, ou arte? Que começou desde cedo naquela velha maquina enigmática do meu pai.

Foco, desfocado, tudo depende de como queremos compreender a vida


Hoje, sou apaixonada por máquinas, por fotógrafos e por fotografia, principalmente, mas muitas coisas me põem em confusão com essa arte. Sim, ainda reluto de certa forma, ao advento do photoshop, mas já o uso vagarosamente. Ainda não desisti da máquina analógica, mas já começo a perceber as qualidades da digital, a sua praticidade, e também a democratização que ela proporciona quanto ao seu acesso. Mas, como diz Fernando Ramos (o cara) me sinto feliz por perceber que mesmo estando no advento da máquina digital, nós passamos pelo advento da analógica e sabemos a magia de ver uma imagem saltando no papel, a espera de revelar um filme, de como funciona um diafragma e outros dispositivos que fazem à foto ficar desse ou daquele jeito.

Enfim, o importante é ser apaixonado, creio eu, ter força de vontade de ir atrás das coisas e óbvio ter feeling. Para aqueles que como eu acreditam ter fotografia na veia, ou desejo na alma, então recebam essa homenagem, como se fosse uma bela fotografia. E como diz meu colega Ricardo, OLHA O PASSARINHO! Ai vai dizer essa frase lembra cenas de filmes daquele barulho que sai de uma das primeiras máquinas e da fumaça que se espalha pelo ar. Quando criança sempre achava que tinha explodido a cabeça do fotógrafo por baixo do pano (hehehehehhe), criações de criança que eu acho que tem permanecer em nós para ver um bom momento de fotografar.

giovedì, agosto 17, 2006

Do outro lado da rua...meu passado...

Do outro lado da rua...
Tenho medo do que vejo
Pela janela do meu quarto escuro
Ou do que permanece desnudo.

Uma tarde perdida entre as janelas da lembrança

Do outro lado da rua...
Esconde-se perverso
Entre a ruína e a imensidão
Ou apenas as lembranças de então.

Do outro lado da rua...
Atravessa com o olhar perdido
Abre tuas portas e janelas
E silenciosamente acende mais uma vela.

Do outro lado da rua...
Espio-te aos pouquinhos
E me escondo entre as cortinas
Das mãos que antes foram mais finas.

No quarto que um dia foi meu

Do outro lado da rua...
Estas a me esperar no quarto vazio
Mas é desse lado da rua
Que eu me aqueço daquele frio.

Do outro lado da rua...
Não quero mais voltar
Ficarei nesse calmo lado
Enquanto espias somente e calado

Nesse quarto que um dia foi meu...

martedì, agosto 15, 2006

Gritaria para todo mundo ouvir o verde do teu olhar...

Hoje senti uma vontade feroz
De gritar mais uma vez
Arrancando você de mim
Desabafando as palavras escuras
Tirando de mim a angústia da espera
Quero sentir-me livre...
Da prisão dos teus olhos verdes ausentes
Da prisão das coisas não ditas
Da garganta seca e da mão trêmula
Dessa noite quente em que minhas entranhas te esperam
E do amanhã que não quero mais querer...
Livre...gostaria, porém, não poderia mais viver
Sem teu verde olhar... sem a tua espera...
Ai Meu Deus, o que me resta perguntar é :
Será que um dia minha alma terá paz?
Espero que ele seja tão verde quando teu olhar.

lunedì, agosto 14, 2006

Sentindo o cheiro do meu passado...

Como essa vida é engraçada mesmo, ou seria dramática, pois quando pensamos que estamos livres das amaras de certas vidas que nos prendiam, eis que vem o passado com uma cara esnobe, nos bate na cara e nos beija devagar no rosto.

Basta breves segundos para que sentimentos retrógrados se apossem de nossa mísera racionalidade e contagiados pelo espírito daquilo que um dia foi importante, saboreamos a sensação de mais uma vez fazer parte dessa vida.

Se isso é bom ou ruim não sei dizer, pois o passado esteve ali, aliás, nós estivemos ali, e deixamos de alguma forma nossas marcas. Nos lugares, nas pessoas, em nós. As marcas são assim simplesmente pálidas quando esquecidas, mas podem despertar ao serem tocadas. Marcas que outrora soarem bem, em outros momentos foram só maldade, e por isso muito mais marcadas.

Mas o fato é que o passado está ali guardado no baú da nossa memória e basta um cheiro daquele tempo, para que tudo, ou quase tudo volte à tona. O que fazer então? Querer voltar à aquilo tudo que deixamos, ou apenas retribuir com um leve sorriso tipo “Não te esqueci, mas és meu passado, porém”?
Pergunta complicada, porém não tão difícil quando percebemos o quanto caminhamos entre o ali e o aqui. Fácil quando nos damos conta que a distância por maior que seja se torna cada vez menor, quando vamos mais longe. Pode parecer confuso, mas meu passado é assim, e o seu vale a pena sorrir pra ele? Que sabe se eu tivesse dado um tapa na cara? Aí não tenho dúvida teria começado tudo de novo, mas creio que não estou preparada para uma nova história de uma passado presente.
Bem-me-quer, mal-me-querer??

venerdì, agosto 11, 2006

O que é ter pai, e muitas vezes não ter??

Estavámos sentados juntos sem fazer muita coisa, então lancei a pergunta: O que é ter pai para você? Pedi que me ajudassem a escrever um texto para esse blog a fim de homenagear os pais. De mim eles ouviram que eu tenho o melhor pai do mundo (logo abaixo descrevo o por que), deles ouvi: que sorte que tu tens, meu pai nunca foi muito presente, a outra nem se atreveu a me responder, mas alguém disse que era ter segurança. Por perceber que realmente eu tenho muita sorte por ter um pai como o meu, aí vai a minha resposta para essa pergunta.

O que é ter pai??


Ter pai é ver o papai-noel gordo num dia e em outro descobrir que ele é teu próprio pai magrinho e nem ficar decepcionada com isso.
Ter pai é na páscoa ver ele te erguendo para beijar os pés de Jesus na Cruz.
Ter pai é tentar dirigir o carro, mas brigar por que suas personalidades são fortes o suficiente para dar o braço a torcer.
Ter pai é tentar tocar violão, mas brigar mais uma vez.
Ter pai é chorar pra ele te levar numa festa e convencê-lo e depois você mesmo se arrepender da atitude por perceber que a festa nem valia tanto a pena.
Ter pai é tirar 10 na escola por que sabe que ele só assina teu boletim com nota azul.
Ter pai é ser virgem a vida inteira, entrar na igreja de véu e grinalda (acho que nem meu pai acredita mais nisso).
Ter pai é passar horas conversando sobre coisas de seu passado.
Ter pai é querer cantar, mas quase desistir de tanto ouvir ele dizendo: guria põe essa voz pra for a.
Ter pai é ver ele orgulhoso, assistindo tua apresentação de dança, você cantando, as melhores notas, enfim…
Ter pai é brigar depois de uma festa, quando ele vê que o carro está com algum problema que antes não existia.
Ter pai é passar a vida toda vendo ele reclamar dos seus decotes, da saia curta e do baton vermelho.
Ter pai é ver ele chorar pela Segunda vez na vida, da janela do ônibus, quando você vai embora em busca de seus sonhos, mas enfim os filhos foram criados para o mundo.
Ter pai é passar horas assistindo futebol, tomando vinho e comendo pinhão.
Ter pai é torcer para o Grêmio, viajar de caminhão com o Flamengo e ver o grande juiz que ele é em campo.
Ter pai é ouvir ele gritando: calem a boca, quero assistir o Jornal Nacional, e na hora da novela durmir na cadeira.
Ter pai é ver ele levantando de manhã e te chamando para ir ä escola.
Ter pai é ver ele fazendo o chimarrão bem cedinho e esperar ansiosa pelo teu primeiro mate.
Ter pai é ver ele abrindo mão de muitas coisas da sua vida, para lhe dá o melhor, projetando em ti muitos sonhos que ele não conseguiu realizar.
Ter pai é ir no banco todo mês e sair indignada por que ele depositou 50 pila a menos, justo o dinheiro das festas (será por que?).
Ter pai é ver ele conversando com seu namorando ou amigos por horas e nem lembrar que você existe.
Ter pai é tomar vinho todo o dia durante o almoço.
Ter pai é ver ele sentado sempre no mesmo lugar na mesa.
Ter pai é passar os dias em que tua mãe viaja comendo ovo frito e arroz empapado.
Ter pai é nunca ver ele secando a louça e quando isso acontecer virar um fenônemo na família.
Ter pai é admirar quando ele toca violão, quando ele faz um discurso politico, ou o quanto ele é inteligente.
Ter pai é apanhar de cinta e dizer que odeia ele.
Ter pai é Ter dificuldade de abraçá-lo e dizer eu te amo, pois teu amor não precisa ser mostrado dessa forma.
Ter pai é receber lições de vida:
Não é necessário estarmos sempre em primeiro lugar, mas se ele existe por que não lutarmos para chegar lá.
Filha acabei de perder meu melhor amigo, então dê sempre valor aos teus, pois eles são únicos.
Respeito e humildade é só isso que espero de vocês.

Ter pai é não ter pai muitas vezes.
Muitas vezes por que ele já está no céu.
Outras por circuntâncias da vida, não moram mais com a gente.
Ou apenas são pais ausentes.
E aí nossos pais são nossas próprias mães...


Enfim ter pai é ter alguém para quem sempre podemos voltar quando estamos com saudade, é ligar quando falta dinheiro, é chorar quando estamos mal, é gritar de alegria quando alcançamos o que almejamos. Ter pai é ter uma razão muito maior para viver. È assumir valores, condutas, é ser uma pessoa melhor.
Independente do que é ter pai para você, de que pai você tenha. Independente de como tenha tem sido a convivência com ele ou sem ele, independendente de qualquer coisa, não deixem de dar um abraço a quem você considera como pai: a teu pai realmente, a tua mãe, a um tio, a um professor ou até mesmo ao teu filho, enfim acho que vale a pena, pensar que existe um pai, para aqueles que acreditam, por que não Deus?

Esse texto eu ofereço a todos os pais desse mundo mas em especial à: Aurélio Rebelatto, o grande motivador desse texto, Márcio José Rebelatto, meu irmão que em breve vai me dar um sobrinho, a meus tios, ao meu padrinho, ao meu professor Adair, que tem sido um grande pai, na faculdade, e à Juliano Mendes, que eu considero um pai exemplar e que deixará o filho muito orgulhoso. À todos Feliz Dia dos Pais e sintam-se homenageados por mim, que não passo de uma filha, por vezes rebelde, mas em todos os momentos feliz por ter o melhor pai do mundo.

mercoledì, agosto 09, 2006

Eu odeio ser possuído, mas estarei escrevendo quando o dia acabar...

A pipoca estava doce no começo do filme, no final já havia acabado. O chimarrão estava quente no começo do filme, no final meu quarto estava verde. Assistir um filme em família seria um programa perfeito para uma terça-feira à noite. Ao menos numa família de cênicos, como chamamos. O Paciente Inglês, indicado a “trocentos mil” Oscar, enfim um filme que há tempos me despertava uma curiosidade incrível era o escolhido da noite pela comissão julgadora. Então todos se mudam para meu quarto.

Breves problemas com o DVD fizeram com que acreditássemos que teríamos que assistir a uma comédia romântica, mas enfim depois de muita discussão, “eu sei, você não sabe, deixa comigo”, nossa seção cinema começou. Confesso que contrariando a outros filmes não consegui me deter nos aspectos técnicos da obra, a não ser a fotografia e trilha sonora, é claro. Porém, bastaram pequenas idéias, para que eu corresse até minha velha agenda, dedicada exclusivamente a anotações de filmes, para começar a anotar, rabiscar e por fim como em todos os filmes (nesse caso nem as comédias se escapam) chorar.

Como diz na capa do DVD O Paciente Inglês é um espetáculo cinematográfico que certamente irá emocionar você. Até por que “Traições durante a Guerra são infantis se comparadas durante a paz. Nossos amantes são nervosos e eternos, mas destroem tudo. Por que o coração é um órgão de fogo.” Certamente não seríamos traídos, até por que a história por si introduzia em nós um sentimento de traição, não por suas expectativas, mas sim pelo seu enredo, como tal, afinal quantas vezes traímos nossas próprias vontades por ambições, por covardia? Sim, amantes destroem tudo, mas mesmo assim são eternos enquanto fugirmos deles.


Este filme me pareceu bem próprio de uma das frases de seus personagens “e passa o dia procurando e a noite quer ser encontrado”, mas as noites são vazias, e “como pode então sorrir se tua vida está de cabeça para baixo?” Vai dizer, mais do que ficção, isso me remete ao cotidiano, as nossas apreensões, a nossa fuga para a escuridão da noite, enquanto ao lado da cama permanece a lembrança. O problema é muito bem escrito pela personagem, pois “por mais que os medos sejam escondidos nessa caverna triste, enquanto durar um dia no escuro, eu te esperarei”. Sim, escondemos nossos medos através das amarras da nossa vida, das nossas ambições, das cavernas que temos como ilusão uma proteção. Por mais que se espere até o fim dos dias, já que um dia no escuro, creio que sempre seja dia, é o nosso medo que nos sufoca, e faz com que a lâmpada se apague...mas o importante, porém é que eu estou escrevendo no escuro.

É certo que nessa parte do filme já me lavei de tanto chorar, nem o mais o chimarrão pode estar mais lavado e verde do que meu rosto vermelho. No entanto, não tem como não remeter a nossa vida, pois o cinema nada mais é do que a representação do real, mesmo sendo fictício. Meu Deus! São duas da manhã e eu odeio ser possuído, por isso quando eu for embora deve me esquecer. Mas, será que isso é fácil, quando se está na guerra e os amantes são eternos? O Paciente Inglês sentiu literalmente na pele que a resposta sempre será NÃO. E a nossa resposta, pois é, eu ainda tento encontrar ou será que estou fugindo para o fundo da minha caverna triste?

martedì, agosto 08, 2006

Vagando pelas ruas, senti tua presença...

Sai a rua com a certeza de ir em busca de algo, ou melhor, de alguém. Não tenha dúvida de que era você. Não sei ao certo por que, mas meus instintos de bruxa não me enganavam e eu sabia que poderia lhe encontrar a qualquer momento. Perdida nas ruas do centro de Santa Maria, andei, olhei, parei, senti, tudo me remetia a tua presença. Talvez pudesse ligar, mas meus passos eram falsos e covardes. Evitei teclar os números já decorados de tantas vezes querer te ligar. Pensei, então em gritar, às 5 no nosso lugar. Confesso tive vontade de ir até nosso lugar, mas mais uma vez fui covarde.


Continuei a andar por mais de hora a tua procura, em nenhum momento desacreditei da tua presença por aquelas ruas, sim imaginei, o que logo saberia que estava fazendo. Mas, as horas passaram e eu me fui. Entre um gole e outro do bom vinho, num merecido coquetel ela me disse: “lembrei de ti, eu o vi”. E eu respondi: “Sim, eu havia sentido”, ela simplesmente me indagou, “tu nunca se engana”.

Ao terminar de dizer aquelas palavras senti uma leve tontura se apossar do meu corpo, de certo não era o vinho. Sai até a sacada e senti o vento quente daquela noite que me sufocava. Estava passando mal, sentia uma vontade desesperada de gritar, meu corpo por dentro tremia, e eu absorta de tudo que acontecia ao meu redor, esmoreci. Não era a primeira, será que não seria a última, afinal essa sensação se repete a cada vez que te sinto assim tão perto, mas ao mesmo tempo tão distante.

Mais uma vez aquela velha raiva explodiu das minhas entranhas, raiva de mim, raiva de ti, raiva da vida, e sai sem me despedi, porta a fora, sai pelas ruas mais uma vez. Sabia que não lhe encontraria, mas queria ao menos trilhar pelo mesmo caminho, afinal me dizia meu velho mestre que isso é um bom começo. Andei, senti de leve o vento quente bater na cara, e mais uma vez bem de mansinho e devagarzinho, eu chorei. Será o mesmo caminho? Espero que o encontro, então, seja apenas uma conseqüência, e que esperar tenha valido a pena.

domenica, agosto 06, 2006

Aprisionada sob um novo olhar...

É isso! Sem querer, sem razão e com somente uma explicação nos mantemos presos a idéias, situações absurdas. Permanecemos, por que essa situação despertou o sentimento na qual somos desprovidos de seu controle, a paixão.

Num primeiro momento do tudo absurdo, encontramos amarras, histórias e conveniências que nos fazem continuar. Em outros momentos, nem tanto mais primeiros, não encontramos justificativa para insistir numa história inexplicável.


Inevitável, porém lutar contra o que não queremos abandonar. Inevitável tentar fugir dessa prisão, se aprisionados nos sentimos felizes, seguros, apaixonados. Inevitável não olhar nesses olhos que me mantêm assim, aprisionada simplesmente, porém por um outro ângulo. Inevitável, mais uma vez não sentir saudade, não querer te ver, se continuas preso em mim, e eu preso em ti.

giovedì, agosto 03, 2006

Mais um momento qualquer...

Senti o prazer florescente na pele...
Escorrendo das entranhas da minha alma
A pélvis cada vez mais avermelhada...
E o gosto ardente do prazer
entre as minhas pernas...
Sensação perversa de êxtase no quarto.
A porta se fecha devagar...
minhas entranhas também se fecham.
Lascívia, apenas mais um momento de lascívia...
Real, nem tanto porém.

Obras pintadas na parede do CAL.

lunedì, luglio 31, 2006

Ruínas da minha alma? Ou apenas ruínas...

Frestas frias e vazias
Cores quentes e ensolaradas
Ruínas que te devorarias
Da ação quase impensada.


Espaços entreabertos
Raios de sol devagar
Teus olhos encobertos
Da mais breve vontade de te olhar.


Penetras ali, como penetras em mim
Sinto-te vazio, como te sinto aqui
O vento que toca sem estar afim
E desvia na janela logo ali.



Sombras perduram
Do passado que aqui te vi
Marcas que ainda relutam
Quando penso que um dia estive em ti.


Alma irrequieta, sabes que sou
Do meu calmo devagar aconchego
Sempre a te esperar estou
Quando ainda lembro o toque do teu beijo.



Mas, me restam somente as sombras
De uma vida peregrina
E por mais que tu te escondas
Serás sempre apenas minhas ruínas...



Ruínas de uma casa velha de Ivorá na Quarta-Colônia. A quem insista em dizer que são ruínas da minha alma, será? Ta aí uma boa pedida pra quem gosta de por a mochila nas costas e descobrir coisas diferentes, simples e misteriosas.

Uma homenagem pra quem pediu mais um pouco das minhas fotos...Valeu amigos...

Minha vida é um filme e da dela também...

Subimos as escadas conversando, percebi que aquela história era longa o bastante para três andares somente. Adentramos no apartamento e devagar ela contava cada detalhe da façanha daquela tarde, ou melhor, do final de triste daquela tarde. Já sentada no sofá ela continuava a balbuciar os pedaços que restaram de seus sentimentos. Percebo que o frio aumenta e a bateria atrás de si também estava desmontada, porém isso é apenas uma coincidência.

Novelas, filmes, livros, poesias, músicas. Sim, no cinema, na literatura, no teatro, em todas as artes, sem exceção, as histórias de amor sempre são uma “carta na manga” para atingir os espectadores, os apreciadores dessas artes. Mas, por que será que histórias de amor nos fazem parar em frente a uma tela, seja ela de cinema ou de pintura e faz cair lágrimas de nossos olhos?

A resposta não seria tão difícil, não fosse o fato de todas essas artes se basearem na vida real para a inspiração, de assim a transformá-la. Sim, por que nem mesmo a arte contemporânea está livre do repertório da vida real, que dá base para as suas criações. E aí, me ponho a pensar e refletir sobre histórias reais de amor.Podem não ser tão grandiosas e emocionantes como as de uma novela, mas basta ter por personagens seres humanos reais, para nos tocar e nos fazer refletir sobre certas maneiras de encarar situações de amor.

Ali no sofá permanecemos um bom tempo entre lamúrias do acontecido, confesso que no começo até parecia cômico. Impressionava-me como ela falava sem uma lágrima despontar do seu olho. Sim, estava em frente a uma história de amor frustrada. Onde sentimentos bons deram espaço ao egoísmo, a uma relação doentia. Assim, passamos um bom tempo de confidências, nem mais sentia o frio daquela noite gelada, estava apenas compenetrada naquela história que de uma vez linda, agora se tornara absurda.

Uma relação de três anos que por vezes ela acreditava ter sido perfeita, fora destruída em tão pouco tempo com mentiras, brincadeiras de sentimentos alheios, enfim de amor exclusivo a si mesmo, sem cuidar dos interesses do outro. Não demorou muito para que lágrimas despontassem daqueles olhos tristes. Devagar só segurei sua mão, afinal ainda não tenho o poder de interferir em roteiros de histórias reais. Era o máximo que podia fazer a não ser ouvir, segurar sua mão e apenas refletir. Afinal, como o ser humano pode ser tão egoísta a ponto de brincar com os sentimentos do outro sem perceber o mal que pode estar fazendo para a vida alheia, ou então fazendo propositalmente para alimentar seu próprio ego?

Assim, como eu, vocês já viram histórias como essas em novelas, não é mesmo, e na vida real também, mas você já se pôs a pensar quantas vezes fizeste isso, ou quantas vezes não foi cúmplice de histórias como essas na sua vida real? Eu fui e sou por isso parei para pensar. E agora o que dizer?

Nos roteiros de novela, de filmes os finais podem ser bem mais facilmente revertidos e normalmente estes são felizes. Não tenho dúvidas que na nossa vã realidade, também, teremos um final feliz, mas para quê ter que viver com tanta dor, se às vezes tudo depende de uma escolha apenas? Sei também, que assim como o roteirista tem dificuldades pra escolher as melhores cenas, o ser humano sofre a complexidade de uma escolha.

Por que escolhas são complexas, não há dúvidas. As escolhas demandam perdas, demandam espírito de mudança, demanda a coragem de correr riscos. Escolher é um jogo, onde se pode ganhar ou perder. Porém, não se deve parar de jogar (mas que clichê) assim como não se deve parar de criar e muito menos parar de viver e acreditar em histórias de amor.

Não tenham dúvida, que esse texto é um apelo a todos vocês seres humanos, que vivem em frente às telas, que se relacionam, amam e acreditam no outro. Sim, a todos vocês eu peço para que reflitam sobre o que estão fazendo com os sentimentos dos outros, com seus filhos, com seus esposos, com seus amigos, com seus namorados, enfim pensem até que ponto nosso amor próprio não desconsidera o que os outros sentem. Tentaremos ser um pouco melhores. Assim, o olho brilhará mais por lágrimas de felicidade e nossas histórias reais também terão um final feliz.


Eu quero segurar a mão mais vezes, mas não pelo mesmo motivo. Eu quero ter o direito de ver todas às relações com raízes fortes, que não vai ser uma breve tempestade capaz de destruir tudo que já foi plantado. Sim, as coisas podem acabar, mas não preciso acabar da forma mais fatal e cruel, podem simplesmente acabar pelo ritmo natural das necessidades humanas. Não acham? Então, façam a sua parte.

venerdì, luglio 28, 2006

Meu Deus!!! 100 e agora...Parabéns, será??

100, um número que poderia dizer nada a princípio. Agora, quando se trata de 100 postagens já não sei o que dizer mesmo, quanto menos o que pensar ou seria o que escrever? Sim, por que conforme a idade avança mais relapsa fica nossa memória, como diz a Carlinha é o velho, no caso o Alzeimer. Realmente o que escrever quando na verdade se está extasiada de alegria por finalmente perceber que valeu a pena mesmo se arriscar.

Aparentemente, parece fácil ter um blog, no começo a empolgação é total. Muitos textos, poesias, enfim idéias. Mas, com o tempo a rotina do nosso dia-a-dia já não permite mais escrever tanto, a inspiração já não é a mesma. O layout verde se torna enjoativo e a vontade de assim desfazê-lo percorre os dias.

O bom é que essa crise é repentina como todas as outras de nossa vida, aí aos poucos a inspiração volta a fervilhar na mente, o verde ganha um novo sabor e dinamismo com o jogo de novas imagens que se tornam, conforme nosso desejo, em poesia. Assim, mais uma vez a poesia vai rimando, o ritmo das palavras ganha nova vida e então se chega um dia a completar aniversário de 100 postagens.

Umas postagens mais consistentes, outras vagas palavras perdidas num desabafo lamentoso de mais um dia, de mais uma situação. Mas, enfim aos poucos ele vai ganhando vida própria, caracteriza sua própria personalidade e como um ser humano vai amadurecendo temporariamente. Tanto que sobreviveu aos 100.

Aos poucos ele vai se tornando conhecido por umas pessoas que passam continuamente e deixam suas marcas, por outras que esporadicamente o vê, mas que sempre que puder da uma espidinha por trás da cortina. Se sobreviver aos cem não é fácil, mas difícil com essa idade é ter coragem de continuar. Mas, aí me perguntam se vale a pena.


Bom, uma pergunta que não é muito difícil de responder depois que se chega aos 100 e se percebe que ele é bem freqüentado e que as pessoas se identificam com este blog, ou melhor, com suas palavras, ou será que seriam minhas. Por que como disse anteriormente no texto abaixo comunicação é uma busca constante do outro para suprirmos nossas necessidades, através do que ele tem como necessidade. Não sei ao certo se assim o faço, sei que esse blog tem suprido muitas das minhas necessidades. Escrevo, vivo, penso, fotografo, desabafo, critico, enfim vejo nele um belo refúgio para resolver muitas confusões da minha mente e da minha alma. O fato é que se conseguir de alguma forma causar reflexão em vocês que aqui estão lendo já me sinto muito realizada, certamente.

Então, gostaria de convidá-los a participar deste aniversário que por mais que pareça uma idade elevada, essa criança, aliás esse blog está apenas no começo de sua caminhada, diria que ainda está a gatinhar. Independente do tipo de pessoas que seja, quero sentir sua presença por aqui a observar essas:


Palavras vãs
Aprisionam meu corpo sedento
Palavras Perdidas
Acarretam a busca do vento
Palavras sombrias
Cobrem nossa vontade de amar
Palavras rabiscadas
Persistem em testemunhar
Palavras erradas
É o que escrevo quando penso
Somente e sempre no teu olhar
.

Poesia escrita em frente à imensidão do mar de Florianópolis e cabe bem a esta data, creio eu. Beijos amigos e obrigado pela visita.

martedì, luglio 25, 2006

Uma porta, sempre aos meus olhos, nem sempre aos teus...

A dualidade das idéias ou seria o contradizer de opiniões, enfim não se pode responder com exatidão, quando falamos de relações humanas, de diferentes percepções da realidade. Vivemos numa busca constante de persuadir o outro através do que acreditamos, não é mesmo? Mas, como conseguir conquistar o outro, ou então apenas fazer com que esse outro aceite o que dizemos e acreditamos?

Uma resposta muito difícil de se responder, creio eu, se não fosse o fato de que estudo semiótica. Sim, devemos buscar o outro a partir de suas necessidades, até por que se o buscamos é por que já temos alguma necessidade em relação ao outro. Mas, alguém poderia me ensinar a fórmula para saber qual a necessidade do outro, se nem mesmo nossas necessidades temos conhecimento.

Mas, por que me coloco a escrever essas complicações da comunicação, que na verdade são as complicações com que lidamos na nossa vida? Por que, é isso! Lidar com necessidades, com desejo de persuadir e principalmente com pessoas é sempre um desafio, até mesmo para nós que nos dizemos comunicadores.


O fato é amigos, que quando se sentirem com a garganta arranhando, com o coração acelerado e com lágrimas cutucando o fundo do olho, nunca esqueçam que seres humanos têm necessidades diferentes e que isso basta para justificarmos o fato de nem sempre nos entenderem. É pode ser decepcionante, mas, no entanto não vale e pena se contrapor as diferenças, temos que tentar entendê-las por mais que saibamos que um pouco antes atrás da cortina os seres humanos te fizeram acreditar em outra coisa.

Diferentes de muitas das outras vezes me calo. Por que? De repente por que não tenho razão, de repente por que não vale a pena se contrapor a indiferença. De repente por que sou covarde mesmo. Mas, quem não foi um dia?

Uma porta? Aos meus olhos quero que seja e aos teus será que conseguiremos ultrapassar?

mercoledì, luglio 19, 2006

Uma brisa do mar para todos meus amigos...

Assim de leve elas batiam na areia
Iam, voltavam, se sobrepunham.
Claras, negras,
Violentas e bem calmas
Desmancham-se nas pedras
Afundam-se no infinito
Constroem-se com mais força...
E assim mais uma vez voltam...

Essas são as ondas do mar de Floripa
Mas, essas poderiam ser as nossas amizades..


Uma mensagem bem breve para esse dia do amigo, pois como estou em Floripa e estou sem tempo, preciso aproveitar ao máximo, umas das minhas melhores amigas...Feliz dia do amigo e semana que vem tem mais...A foto foi cedida por Anaqueli Rubin que também está curtindo uma praia por aqui...

sabato, luglio 15, 2006

Espiando sobre nós a ambiçào de quem quer muito além...

Como haveria de não falar de seus olhos
Sim! Os meus sãos claros
Mas é aos teus que querem olhar...

Como haveria de não falar de teu cheiro
Sim! O meu cheiro
Mas é o teu que muda minha vida...


Como poderia não falar de tua pele
Sim! A minha é clara
Mas só com a tua pele morena ela se destaca...

Como haveria de Não falar de ti
Sim! Falar de mim
Pois para falar de mim hoje, teria que passar por tua vida, simplesmente...

Como Não temer o vento norte
Sim! Eu temo
Pois sei seu poder...

Eu pedi: e ele me trouxe você
Mas, tão rápido ele te levou
E para mim restaram palavras.
Vento Norte, eu, você e esses mistérios de mais alguns momentos

Mas como todo vento norte, um dia você volta
E como das flores, de leve espero teu cheiro mais uma vez.
Castigo? Sim, mas como não haveria de ser...
Sofro? Mas, como haveria de não sofrer se minha ambição vai além do que a vã racionalidade permite...


Existem um preço pra tudo, não é mesmo? Mas, só não consigo agregar valor a tua presença...Sim, mas que triste ambição, morrerei por esta, eu sei! E vocês flores não me venham questionar, já basta espreitarem de leve sobre mim...

Apenas uma poesia leve, para alguém muito especial, na verdade para todos, e umas fotos bonitas para que todos sintam por uma semana o perfume delas, já que me ausenterei sem postar por essa semana...Mas aguardem amigos, um texto sobre o dia do amigo com certeza vem aí...Me ausentarei, sabem por que??? Heheheh, Floripa que nos aguarde...Abraços...

giovedì, luglio 13, 2006

Ruínas de uma noite de vento Norte...

Meu tênis all star caminhava devagar pelas ruas de Santa Maria, naquela noite quente de vento forte. Minhas calças rasgadas eram resquícios daqueles velhos tempos que a noite de hoje me recordava. Andava sem sentido, só ouvi ele dizer “quero ir pra um lugar que tenha pessoas legais”. Sim, eu também queria, mas não podia, realmente. Prossegui sozinha por essas ruas tortas e meu all estar brigava com os papéis que na rua voavam loucamente.

Os cabelos ficaram desgrenhados e aquele ar quente me dava vontade de carne quente. Sim, acabava de assistir ao filme Garotas do ABC, e aquela mulata tinha me despertado instintos inquietos, estava excitada isso era fato. Mas precisava me conter, mesmo que o que me conteria seria apenas a tua carne, sim a tua forma. Mas enfim, olhei de repente para a lua que permanecia ali exuberante, porém ao seu redor um manto disfarçava um pouco seu brilho inquietante. Não, não era o brilho inquietante, mas sim, sim aquela aura ao seu redor.

Peguei o ônibus pra casa, uma longa viagem de contemplação aquela lua. Subi depressa as escadas intactas do prédio antigo, meu all star mal pisava um degrau, para se contrapor a outro. Meu ritmo havia mudado, queria rapidamente adentrar no meu esconderijo. Mas o corredor continuavam parado fingindo não me ver, as vidraças continuavam quebradas e as portas continuavam lado a lado, díspares. 2146.

Procurei desesperadamente a chave, que entre tantas coisas da minha bolsa se mantinha perdida, quando a encontrei foi o buraco da porta que se tornou difícil, enfim consegui dar duas voltas e entrei. Um ar gelado bateu na minha face oleosa, uma grande diferença entre lá fora e ali dentro me fizeram sentir frio, senti uma grande abandono daquelas paredes úmidas. Percebi que a janela estava fechada há dias. Porém, mais coisas passaram a me inquietar. Sim, de um lado roupas jogadas ao chão, na parede o quadro estava mais torto do que nunca. O roupeiro de portas marrons estava escancarado e os calçados se amontoavam num canto escuro.


Entrei um pouco mais, e livros e revistas permaneciam sobre a escrivaninha indo contra a disciplina das lições, sob as cadeiras casados desarranjados, toalha molhada. As fotos estavam ali jogadas sobre o chão. Não hesitei em pegar a tua foto que desenha perfeitamente as formas de teu rosto, a tua grossa sobrancelha, tua marca sobre a boca, tua pele morena, teu cabelo escuro e teu olhar verde. Parei imediatamente em frente a janela e bem devagar uma lágrima corre do meu rosto e pinga ligeiramente sobre sua foto.


Sim, foi muito breve como tudo aconteceu, mas meu corpo se misturou aquele vento forte, minhas lágrimas jorravam compulsivamente, meus livros foram derrubados com violência no chão, minhas roupas foram chutadas pelo meu all star vermelho e a cama conseguiu ficar pior do que estava. Sentia vontade de carne, sentia vontade daquela carreira branca do passado, sentia vontade daquele cheiro entorpecente que me faria parar, relaxar. Sentia vontade de ti. Sim, é a ruína do meu quarto, ou a ruína daquela noite? Não! Era a ruína da minha alma perdidamente apaixonada. Passou. Sim, mas como doeu. Quem nunca se sentiu assim numa noite de vento norte?

Na foto ruínas de uma casa antiga na Quarta-colônia, dela levo a possibilidade de luz na minha vida, de luz pra mais uma noite...

mercoledì, luglio 05, 2006

Fui conquistada...agora não tem como voltar atrás, só se isso der um filme...

Acabo de “filosofar” com um novo amigo filósofo, chegamos a tristes conclusões de que o excesso de informações nos podam a sensibilidade, de alguns, é claro. Mas eu como uma boa e antiga idealista continuo convencida na potencialidade das idéias e tento a cada nova situação renovar minha esperança naquilo que acredito. E por que haveria de acreditar? Por que sou apaixonada pela vida e por iniciativas que fazem dela mais bela. Mas do que me proponho a falar?

Devagar eles se aproximam, alguns são apaixonados, outros espectadores, apenas. E os outros? Os outros descobrem ali no telão da praça a oportunidade de aguçar a sensibilidade. Parados, temem a descoberta, o olhar permanece fixo na tela. Não sei ao certo se sentem a emoção de ser a primeira vez, ou se já conseguiram deixar-se envolver pela história, de repente até já tenham se identificado com algum personagem. É isso, cinema na praça, cinema no teatro, cinema no cinema. O barulho do projetor é algo inesplicável, não tem como não despertar da alma a emoção por essa arte, diria até mais do que a própria obra.


Dos olhos dela resplandece uma luz, mas ela é apenas uma personagem fictícia, dos olhos da outra resplandece curiosidade e fascinação, mas ela é apenas uma personagem real. Mas essa é a luz: a luz do projetor, a luz dos olhos, a luz do lampião no interior do RS. Essa é a luz do cinema. Essa é a luz do Santa Maria Video e Cinema.

E ele diz “pai vamos lá”. Ele é apenas um menino de 4 anos encantado com a tela e insistindo “pai, isso é cinema”. E eu que não sou mãe, quanto menos pai, sinto que uma lágrima cutuca o fundo do meu olho. Também, vai dizer para quem quer futuramente viver de cinema, é muito bom ouvir que o futuro pensa nele. Pois, “A esperança renova-se, em cada olhar, principalmente no olhar das crianças” Juliano Mendes. www.photografos.com.br/jmendes

Nervosa, Nervosa, diria
Freneticamente pensamentos borbulhantes
Perpassam neles possíveis imagens
E nas imagens já feitas
Sim, uma possível sociedade
Dos ideófagos anônimos ( sei, sei, Rafa)
Quem sabe os novos beat
Mas enfim, a mão corre o papel
A cabeça corre pelo Super 8, pelo 16mm
Atos, estória, intenção
Idéias, imagens, paixão
A máquina de escrever
Mais uma personagem real ou fictícia.
A edição, a conclusão, a percepção
É isso, é isso.
Minhas idéias, teus olhos
Nossos desejos alcançados, cavados, gravados
Em video, 35 mm, digitalizado
Sim, um final perfeito
Para quem? Uma ideófaga, imaginófaga, literófaga, ou idiófaga
Quem sabe, eu, você, e todos nós
Então? In the Oscar goes to… (sera que é assim?)


Homenageados da noite... opa deste post, meus colegas da oficina de Documentário do SMVC, parceiros do mesmo sonho e de muitas idéias. Ao Santa Maria Video e Cinema e seus idealizadores... E enfim a todas as pessoas que me inspiram e outras que me fizeram aporender a gostar de cinema, mesmo que indiretamente, Maurício, Gabriel (www.vinteequatroquadros.blogspot.com ), Pati, Cassol, Jair, Sérgio, Carolina, enfim idealizadores próximos da minha realidade, de uma grandeza sem igual... Película, Super 8, 35 mm...máquina fotográfica... Uma grande idéia, uma máquina na mão e vontade no olhar, Basta??? Tente você mesmo. Na foto Dolores, personagem do Curta Dolores...