sabato, gennaio 27, 2007

It's Up to You!!!

Acredito no sorriso facero, e inocente. No sorriso tranquilo e perpicaz. Acredito na pele clara, negra, morena, vermelha, enfim, acredito na pele. Acredito no brilho do olhar maroto. Acredito no olhar quieto e desconfiado. Acredito na brincadeira mais feliz, dos passos mais marcados, ou apenas nos passos.


Acredito na vaidade bonita. Na beleza morena, na beleza da vida. Acredito na possibilidade, na infância e independente da idade. Acredito na tua fé, na minha fé, e na fé de quem crê em dias melhores.


Acredito no medo, na fraqueza, acredito em que apenas quer viver. Acredito, no ciclo natural da vida e na certeza de que crescemos sem ao menos perceber. Acredito que o dia é possível, a noite é imprescindível e lado a lado podemos estar.



Acredito na esperança, na confiança. Acredito na criança em mim, na criança em ti, e em qualquer criança. Acredito na possibilidade da mudança e você já sabe no que acreditar. Que tal começar por acreditar em ti?

Uma breve homenagem ao pessoal da AIESEC Santa Maria, pela confiança, e ao Projeto Uhuru, que certamente vai ser mais brilho no olhar. Eu já acredito em tudo isso.

Nas fotos crianças Kaigangues de Charrua. Brincamos numa tarde de sol.

giovedì, gennaio 25, 2007

Suor e torpor...

Teria deixado derramar o suor tolo
Do corpo despedaçado que corrói
Preferi o desassossego da incerteza
Ao espelho nu e descrente


Teria descoberto o escorrer das mãos
Das pernas dilatadas e maldizentes
Preferi o refúgio do medo banal
Ao brilho escandaloso do sorriso que se abria

Teria descrito cenas sedentas
do sexo exageradamente falso
Prefiri esquecer os desejos lépidos
Ao tocar tua virilidade senil


Prefiri esconder-me em ti
Ao reconhecer minhas próprias mãos.

Ao perceber meu prórprio suor e meu próprio torpor.

Poesia: Francieli Rebelatto

Foto: Francieli Rebelatto

Ator: Cícero, lindão

martedì, gennaio 23, 2007

Furiosamente foste meu! Que ilusão!

Furiosamente me despi

das máscaras ocultas da minha alma

Furiosamente te seduzi

com frenética loucura incontida.


Furiosamente me entreguei

aos desejos desumanos das minhas entranhas

Furiosamente te possui

entre as coxas rijas de teu ser.


Furiosamente me desfiz

dos pudores malfeitos pelo dia

Furiosamente mergulhei

na perversidade maldita de teus olhos.


Furiosamente te amei

na presença ausente de teu ser

Furiosamente gozei

entre minha mão, você.


Furiosamente quero te sentir

na ausência de ilusão

Furiosamente viver

De fato essa perdição.



Nesses longas noites de devaneios sórdidos, sonho pensamentos lascivos sobre mm mesmo, sobre a possibilidade do encontro frenético de nossos corpos imensamente dilatados pelos desejos indecentes movidos pela saudade. Assim, descrevemos vidas, possibilidades, caminhos, descrevemos cenas, sonhos, verdades. Lembramos de pele, de cheiro, de atitude. Dos olhos, da boca, do gemido, da palavra no fundo da garganta, da sensação de tua presença. Lembramos o que fomos, vivemos o que poderíamos e escrevemos o que queremos.

E isso te basta Satania?

Não, isso só basta para que Satania, mais uma vez se desmascare perante a vida.

domenica, gennaio 21, 2007

O que dizer sobre cavalos?

Ai, os cavalos, o que dizer sobre os cavalos? Que são altos, velozes, bonitos. Que são esquivos, faceros e Bonitos ( de novo). Pois é, os cavalos. São como gente!

Sim, sai para aquele meu passei matinal de domingo (já ao meio-dia) para registrar algumas coisas dessa linda natureza (verde por sinal). E eles estavam ali separados por aqueles verdes amarras da vida, mas devagar roçavam seus pescoços, num ritual minucioso de acasalamento, quem sabe apenas de amizade fraterna, mas era visível que se amavam.

E é óbvio que eu viajei na minha sentimentalidade de poeta e trouxe isso para a vida de Satania, que se sentia assim presa as amarras verdes da vida, mas enfim, quantos cavalos, aliás pessoas não estão assim, a roçar mansamente quem amam por não poderem o contato brusco de um encontro possível?

Quem de nós um dia não se sentiu, assim, com vontade de pular aquele obstáculo ali do lado para ficar mais próximo, para amar de verdade. Pular os quilômetros, as horas, os anos, pular a impossibilidade, pular o passado e ter um presente com novos olhares. Pular as diferenças étnicas, financeiras, de personalidade. Quem? me diz, quem não fez isso, que atire a primeira pedra (nossa, mas que Clichê). Quem , será o primeiro a proferir tal injúria.

Satania que está aqui ao meu lado, diz que apesar de todas essas amarras e impossibilidades, sempre há motivos para o olho verde brilhar e para roçar devagar quem a gente ama...Até os cavalos fazem isso... E eu, amo cavalos (animais, claro).



Minha Homenagem para os cavalos e para quem ama de verdade ...

giovedì, gennaio 18, 2007

Ando por aí tentando te encontrar: em cada esquina, em cada olhar!!!

Queria eu também encontrar uma tartaruga gigante com cara de leão e nela mergulhar como se mergulha na própria solidão. Fugiria do dia, da noite, da lamúria. Fugiria do sorriso, da falsidade, da maldade, da própria vida.

Lá dentro me alimentaria do contato com a pele interna da minha tartaruga e ela também de mim tiraria tudo que precisasse. Seríamos cúmplices de segredos perversos, de desejos indecentes. Caminharíamos de mão dadas pelos caminhos tortuosos e bonitos da face escondida de nosso futuro incerto.

Sentiria suas curvas e tessituras, me sentiria mais plena e segura. E então, depois da intimidade bonita de nossos dias resgataria daqui de fora também aquela face da qual desejaria dividir minha alegria. Aquela face que faz meu olho resplandecer, mergulhar sem sentido nas poesias indevidas.

Nós três passaríamos longas noites cantando ao sabor das nossas peles úmidas, delirando sonhos verdes como nossos olhos, seríamos amantes vulgares dentro da nossa tartaruga e seríamos conde e duqueza nas vielas internas de nosso mundo, do nosso refúgio encantado.


Enfim, queria eu viver dentro de uma tartaruga gigante, queria eu te roubar pra dentro dela: fugiria da tarde quente, da chuva fria, dos olhos invejosos e das possibilidades do findar do dia. Fugiria das minhas fraquezas, das minhas vontades fugidias e seria eu, seríamos nós: plenos, dignos, seríamos enfim verdadeiros e isso nos bastaria.

Porém, cá estou! Divagando em palavras descuidadas, entre decepções dilaceradas. Vivendo entre ilusões maltratadas, entre a saudade desolada. Entre tua falta e a procura de uma tartaruga. Por isso, sinto vontade de gritar ao mergulhar nas entranhas da minha tartaruga.

Venho até vocês, me refugiando em Satania, para lhes pedir que ao encontrarem uma tartaruga gigante, com cara de leão e que come pílulas coloridas que gritem bem alto, para que ao soar o final dessas palavras eu possa então me refugiar.

martedì, gennaio 16, 2007

Meus passos me levam a ti!!!!!

Passos consistentes
Numa tarde vazia
Passos certos
Da imagem que viria

O vi, e isso bastou aos meus passos
Constrangidos,
Orgulhosos, mal definidos
Passos em direção a ti



Passos de costas
Ouviam tua voz, tua risada fria
Passos de frente
E mais uma vez tais olhos veria

Raiva sentiam meus passos
De explicações imprecisas
Paixão sentiam meus passos
Pois te tinha um pouco naquele dia.



Passos machucados
Pelo caminho a que me condenas
Passos manchados
Pela incerteza que os veneras...

domenica, gennaio 14, 2007

Ilusões, Frustações e cadê a criança que existia em mim?

Creio que quando se é criança a vida é mais fácil! As ilusões não são percebidas e as frustações são tão pequenas, menores que nosso tamanho. Quando criança nos apaixonamos de verdade pelas coisas e batemos o pé quando as queremos. A nossa curiosidade de criança nos faz mais versáteis, mais poderosos. O limite é o dedo na tomada, é o pote que caí de cima do armário, é a palmada na mão.

Foto: Márcio Santos, na UFSM.

Às vezes tento ser criança, mas aí percebo já saber que dedo na tomada da choque; o pote não vai cair por que sou alta o suficiente para alcançá-lo e as palmadas da mãe vão ser substituídas por conversas demoradas, e muitas vezes incompreensíveis.

Quando deixamos de ser criança perdemos a emoção pela vida, a emoção de ver um verdadeiro olhar e levamos choque mesmo sem o dedo estar na tomada, derrubamos situações por não percebemos sua beleza, e não ouvimos a mãe, pois esta está longe.

Quando deixamos de ser criança percebemos que as ilusões nos machucam, que as frustações nos pertubam e que as paixões... Bom, as paixões nos deixam assim, chorosos, poetas, descrentes...porém vivos e com um restinho de brilho no olhar de quando éramos criança.

Este post é totalmente Francieli Rebelatto sem nenhum devaneio poético, sem nenhuma perspectica de mascarar a própria vida. É a Fran, tentando justificar seus erros por ser apaixonada e ainda muito emocionada com a vida. É a Fran se decepcionando com as ilusões, chorando pelas frustações. É a Fran lutando por vencer uma grande paixão. E acreditem é a Fran admitindo que não consegue ter domínio de seus sentimentos. Pois ela, aliás eu, amo de verdade a vida e tais olhos.

Pronto, agora fecho as cortinas, tiro o figurino e espero o público me aplaudir, nos batidores choro pois mais uma vez perceber que a personagem fui eu mesma.

mercoledì, gennaio 10, 2007

Se atreves a me dizer que tem muito verde!!!

Hoje tiveram a audácia de fazer um comentário sem graça de que meu blog teria muito verde. E eu muito poeta e apaixonada que sou, olhei nos olhos de tal pessoa e pensei comigo: Maldito se tu soubesse de tudo que vejo e penso sobre esse teu olhar verde.

Então, confirmei o que teria dito no dia anterior:
Amo o verde do teu olhar
Quero-o nos meus
Olha-me!
delonge ao menos enquanto ainda não é meu!


Falo de verde, por que não preciso falar do rosa das rosas. Elas falam por si, tem a poesia no mais íntimo das pétalas sobrepostas. Eu não falo do azul do céu, da beira do rio e da imensidão da natureza, por eles também já falam por si nas entrelinhas de sua grandeza.



Eu falo de teus olhos verdes somente, que carregam tudo isso em tão verdadeiro brilho, em tão desejado encontro... Sim, e depois disso chego a conclusão de que sou uma poeta brega, predestinada a morrer pela melancolia do desejo do teu olhar....

domenica, gennaio 07, 2007

Sabe quando falo das incógnitas da vida em meio a meus poemas?


Pois é, falo de pessoas que fazem o teu olho brilhar de verdade, que sua presença te deixam nervosa pela vivacidade de sua alma. As incógnitas são assim poéticas, misteriosas, presentes, ausentes. São bonitas, sinceras, pequenas, grandiosas...Incógnitas porém.

Em alguns trechos de nossos poemas caminhom nos ladrilhos amarelos da vida ao nosso lado, em outros momentos, percorrem as calçadas distantes dos nossos passos mansos, por que os passos se tornam apressados, quem sabe vagos, quem sabe mais pleno...Caminhos porém.

E os olhares de tais incógnitas. Neles encontramos caminhos, suavidade, destreza, vontade, o que de mais bonito existe nele e por isso existe em nós. Reflito-me em tais olhos, pois acredito que tais incógnitas também são parte de mim... Olhares, porém...És uma incógnita na minha vida, por isso é poesia, por isso és mais bonita, por isso te quero sempre nas entrelinhas dos meus dias e entre as escolhas do meu caminho...

Fran, com uma vontade enorme de celebrar a beleza da vida...a fragilidade da vida, a grandeza da vida..os trilhos da vida, os alicerces da vida...Os caminhos desconhecidos e possíveis que a vida me oferece...

venerdì, gennaio 05, 2007

2007...E as coisas importantes da vida...

Sessões nostálgicas de lembranças do passado. Família reunida, primos malandros, primas grávidas, todos quase adultos. A casa enorme fica pequena. Na memória e entre as conversas muitas recordações do que passou:

Sim, eu e minha prima vendemos um anel caríssimo do meu pai para uma colega a fim de comprar figuras de chiclete. Sim, eu brigava com todo mundo por que queria ser igual ao meu pai, para isso queria mijar de pé. Sim, nós brincávamos de carrinho de lomba e nos quebrávamos nas pedras que estavam no caminho. Sim, nós brincávamos de casinha e até hoje não sabemos quem desmanchava todos nossos brinquedos. Sim, nós éramos crianças, nós éramos feliz.

O cabelo era mais curto, alguns mais comprido. O peso era maior, ou então éramos mais magros. Futebol todas as noites, banho de rio, todos os dias no nosso Parque Aquático Paraíso, que segundo meus primos eu tinha o prazer de acabar com tudo que eles arrumavam anteriormente.

Dias de lembranças, de acusações: foi você que fez isso, não eu. Depois de dias tentando reviver um pouco disso tudo, nos despedimos mais uma vez. Choramos? Decerto, muito, choramos a falta, à distância, o tempo. O tempo que apenas passa e deixa rugas em nossa pele frágil que um dia foi de criança, entramos então em mais um ano e eu levo comigo neste ano a imagem da minha família e do amor que sinto por eles.

E é isso que creio ser o grande alicerce da vida, quando os anos passam e tudo passa os laços que temos com nossa família, com amigos de verdade. São esses que fazem ser menos banal a passagem insensata do tempo sem sentido, sem volta, sem destino. Então, 2007!!!

Luz, paz, justiça nas entrelinhas de todas as poesias, nas entrelinhas de toda a vida, nas entrelinhas de todas as rugas que insistem em fazer parte do nosso rosto coberto por lágrimas de saudade.

martedì, dicembre 26, 2006

As borboletas estão voando, a dança louca das borboletas...


Observar borboletas é como observar a própria vida. Conclusão que cheguei numa tarde de natal em que repousava sobre saudades da minha família longe e de desejos que papai noel não me atendeu, mas quem sabe ainda me atenderá.


Divagava sozinha naquela tarde confusa, apagada, nublada muito diferente do que esperaria para o natal e entre as flores do então canteiro reparei sua beleza, sua vivacidade, porém confusa.


Alçava seu vôo sobre muitas flores, muitos caminhos, aos poucos possuía um pouco de seu cheiro, mas o vôo frenético de suas asas me desconsolavam, queria ter ela ali, paradinha na minha lente, na minha alma...


Mas, observar borboletas é como observar a nós mesmos, é como esperar a nós mesmos,a indecisão de tantas flores e de tantas cores, a indecisão de tantos vôos, de tantos amores. Por isso nossos vôos são efêmeros, pequenos e os delas? Também foram efêmeros, pequenos, mas estão aí registrados no tempo, e nós? Perdidos no tempo.

venerdì, dicembre 22, 2006

Nas entrelinhas da poesia, o recomeço!!!




Dizem os poetas que tudo na vida vale a pena se for motivo de poema. Quem sou eu para contradizer poetas, já que de poesias podemos alimentar nossa objetiva vida, com ao menos breves emoções.


Mas me pergunto como ver rimas poéticas no ano de 2006? Quando na política a corrupção toma conta de nossas telinhas, os corruptos retornam as urnas e delas saem eleitos, comprovando que a memória do povo brasileiro tem se esvaído. Como pensar em poesia, quando o Brasil perde a Copa do Mundo e tanta gente perde a vida pelo mundo. Enfim, posso estar sendo drástica demais, quem sabe já esteja fazendo poesia, levando em conta o pessimismo em que estavam inseridos vários poetas.

2006 porém aos poucos se despede junto ao pôr-do-sol de mais um ano e independente da situação política do nosso país, cada um de nós deixa muito mais do que o descrédito no poder público, deixa dramas pessoais, problemas familiares resolvidos, ou quem sabe muito mais problemas. Isso, também parece final de novela das oito, mas o que quero dizer com tudo isso?

Falava de poesia, depois da retrospectiva dramática, ou para muitos, apenas uma retrospectiva feliz de mais um ano, tudo isso para lembrar das palavras do poeta Mário Quintana, que em versos foi capaz de sintetizar a magia de qual dependemos para continuar a acreditar no tempo, e por que não 2007? Vamos ao verso, então: “Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia primeiro do mês e de cada ano novo, é que nos dão à impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça”.
Assim, eu, que também me considero poeta, acabo essas linhas, desejando à todos um ótimo recomeço em 2007, um ótimo recomeço a cada manhã, quando abrimos a janela de casa e nos permitimos um pouco mais de poesia em nossas vidas, um pouco mais de vida no que na verdade pode ser uma imensa poesia.

E quanto ao Natal, bom esse estou sentindo aos poucos, ainda não entrei no clima, sei que acredito também em Papai Noel e por isso espero ouvir seus passos soar na noite escura na sala lá em casa. Presentes? Paciência, sabedoria e seus olhos...Qual é o mais inatingível? Seus olhos, certamente, de repente seja por isso que ainda não percebi que natal está aí...O que diria então a todos vocês? Sim, digo que papai noel existe e sempre existirá enquanto tivermos magia no olhar, vontade de nos apaixonarmos pela vida e humildade suficiente de perdirmos ao bom velhinho o que de fato queremos.


O que eu quero? Além dos olhos verdes? Felicidade...
E quanto ao relógio aí de cima?
O tempo não pará, não...



lunedì, dicembre 18, 2006

Difuso meu viver...

E nesse desespero que me encontro
Muitas vezes já me troquei por ti
Sinto tua falta absurda
A vontade de teus abraços
De teus olhos verdes e confusos

Sem você sou possuída pela outra face do espelho
Me troco por mim mesmo
Numa busca infindável
De outros tantos braços e olhos

Agora que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Reflito o que tento
O desepero que se apossa da minha alma
Antes bonita no reflexo
Agora difusa em mim mesmo...

mercoledì, dicembre 13, 2006

Me levaste contigo, ou será que um dia cheguei a voltar?

Conduzia meus passos, minha mente apenas divagava na tua presença. Senti que perdia o sentido do meu caminho e permaneci apenas nos traços que me propunha. Esqueci das facetas da minha vida e me entreguei ao brilho confuso de teus olhos verdes, que dispersos pouco olharam nos meus.

Prendeste-me dentre as horas, os minutos, os segundos daquela tarde vazia em Santa Maria. Deveria ter ido por tais ruas, mas prefiri acompanhar teus passos. Não conseguia me desvencilhar da tua presença e virar as costas para ti era como te perder aos poucos.

Por isso me desfiz de tudo e permaneci, contigo, com teus conflitos, com teus caminhos, com teus sonhos, com tuas palavras. Ambições, complementos de mim, distantes de tudo. Viajei entre teus passos, entre teu sorriso, entre tuas piadas infames, entre as cores do teu trabalho, entre meus sentimentos.



E depois de tudo, você diz que eu dificulto as coisas. Porém, amigo não sou eu, mas sim, minha alma que se dá conta que nada mudou: minhas mãos suam, minhas pernas se desnorteiam, meu olho brilha, minha garganta seca. Beijo-te, então, com saudade e vontade de tudo mais. Fecho a porta do seu carro e você me leva contigo. Simplesmente.

lunedì, dicembre 11, 2006

Meus passos trôpegos, procuram caminhos...

Caminhos incertos, imprevistos
Duvidosos, bonitos...
Apenas caminhos...


Por vezes largos, compridos,
mas ditos, por vezes sem sentido
Improváveis, perpicazes...


Impecilhos, obscuro
Claro, miúdo, discreto
Diferente. Tênue.


Meus passos, são firmes, precisos
Porém, caminho...
Me segues????


Fotos: Francieli Rebelatto
Modelo: Anaqueli Rubin...lindona...

giovedì, dicembre 07, 2006

95/ 9+5/15-1. Números o que eles falam, dizem sobre você?


9+5 é 15 – 1
15 desmembrando é 1+5
1+5 dá 6
6/2 igual à 3
3 é meu número da sorte
Sorte, me lembra azar
Azar remete a gato preto
Mas na falta de um preto serve um cinza?
Cinzento estava o dia
E o gato traiçoeiro me apreciava
Apreciava minha máquina também
Dois garotos da ponte
A ponte era alta
Altura me dá medo
Medo se esconde por traz do olhar do gato
Mas no olhar do gato me vejo refletida
O reflexo seria meu medo?
Ponto te interrogação remete a uma pergunta
Pergunta são coisas difíceis
Difícil acreditar em numerologia
Números? 95.
E agora como continuar essa história?

mercoledì, dicembre 06, 2006

Pessoas são como música...

Adoro antigas agendas, delas sempre resgato textos, idéias, e poemas que sempre servem para esta nova agenda. Ontem estava a procura de uma frase de Mário Quintana, não tinha certeza se a frase era dele, nem tinha certeza de que frase falava, mas não adianta quando se gosta de poesias, sempre temos uma noção de quem são as palavras, do cheiro que elas têm, e aquelas que procurava tinha cheiro de Quintana. Mas, depois de muito procurar achei tais palavras e mais do que isso achei as palavras que lhes trago abaixo, que junto com as imagens da Orquestra Sinfônica fazem um conjunto ideal para o dia de hoje.

Pessoas são como música elas entram na vida de gente e deixam mais. Como a sonoridade do evento ao final da tarde. Como os ataques de cigarras ao final da tarde. Como os ataques de guitarras e metais em cada clarão de manhã.


Olhe a pessoa que está ao seu lado e você vai descobrir, olhando no fundo, quer há uma melodia brilhando no disco do olhar. Procure escutar.
Pessoas foram compostas para serem ouvidas, sentidas, compreendidas, interpretadas, para tocarem nossas vidas com a mesma força do instante em que foram criadas, para tocarem suas próprias vidas com toda a magia de serem músicas.


E de poderem alcançar todos os vôos, de poderem vibrar com todas as notas, de poderem cumprir, afinal, todo sentido que a elas foi dado, pelo compositor.

Pessoas são músicas como você! Está ouvindo? Como você!

Pessoas têm que fazer sucesso. Mesmo que não estejam nas paradas. Mesmo que não toquem no rádio.

lunedì, dicembre 04, 2006

Vieste! Breve,intenso! Partiu!

Estava certa de que ele viria naquele noite quente. Chegara com passos mansos que deslizavam sobre o telhado delicadamente. Fez-me uma surpresa, era tão discreto que jamais o ouviria entre meu sono profundo.

Chegaste devagar e com a grandeza de seus passos, dedicou minutos de sua vida a minha causa, as minhas necessidades. Ele era assim, um ser inesplicável que vagava constantemente nos meus sonhos, até o dia que materializado em passos firmes chegaste sobre meu modesto cantinho de lamúrias. Trouxe o que jamais havia esperado receber de tais pés miúdos. Calçava bonito.

Encheste com tal delicadeza meus dias de magia, que acreditei tudo não fazer parte deste mundo real. De fato só mais tarde entendi que não fazia. Seu olhar era mais sensível do que todos que me possuíram, suas poesias eram mais fecundas do outro dia. Eras tenro, poético e misterioso. Mas, também era breve.


Retornas-te mansamente sobre o manto de luz que o guiava, se escondeu na retina do meu olhar agora úmidos. E eu permaneci imóvel, a contemplar seus últimos passos. Agora éramos nós, eu, e a magia que trouxeste para minhas poesias. Adormeci mais uma vez, e de manhã tentei acreditar que tudo não passava de um sonho. Mas, infelizmente, enganei-me: a taça estava ali, e o cheiro de seus passos mansos pelo ar tocavam meu corpo novamente.


Será que há de voltar nesta noite, também?


OBS: Fotos do Espetáculo Dom Quixote, que fotografei na semana passada em Santa Cruz do Sul, no Projeto Diálogos Ambientais, promovido pela Empresa Souza CRuz.

sabato, dicembre 02, 2006

Rostos, rugas e risos de tantas Marias...

A tempos queria mostrar este pequeno ensaio que nada mais é do que traços, do que retratos da realidade. Aproveitando que está semana estive bastante inspirada com minha máquina na mão e feliz pelo retorno do meu trabalho, aí vai uma palhinha, do que tenho visto através da lente, claro sempre com um toque de poesia, mesmo que às vezes desnecessária perante tais rostos.


Rostos, rugas e risos

Dilatados nas pálpebras semi-cerradas

Visíveis na pele morena

Escondidos na pele rosada

Rostos que correm as lágrimas sofridas

Rugas que carregam vestígios dos dias

Risos bonitos, escondidos, guardados

Nas marcas escuras que escondem teus olhos.

Rostos, rugas e risos

Perdidos, achados, banidos.

Iguais perante o dia

Distante à luz da lua

Rostos, rugas e risos

Espalhados nas pupilas de tantas Marias...

giovedì, novembre 30, 2006

Estavas ali...

Estavas ali, caída, no chão, desamparada pela beleza de que um dia foi tua. Permanecia quente, de uma vivacidade imprescindível que conduzia meus passos até tua essência mais profunda. Da qual também já não lhe pertencia e da qual pouco tiraria.

Passei ligeiramente sobre a calçada, mas ao avistar-te, me avistei perdida no chão macio daquela rua indigna. O que fizeram de nós? Pergunto-me. O que fizemos de nós? Lamento já me dando conta de que nos jogamos gradativamente aquela alcova.

Foto: Francieli Rebelatto

Éramos passantes das ruas escuras, vibrantes de dizeres concisos, falantes de poesias bonitas, porém, somos agora vítimas do vazio da existência, da frieza com que nos ignoram. Somos aprisionadas ao ritmo frenético do movimento brusco dos pés humanos sobre nossa essência.

Mais do que tudo somos vítimas, ou responsáveis pela banalidade daquele chão que nos abrigou, pelo desprezo daquele que escarra ao passar e da indiferença daquele que simplesmente finge que nada somos em mais uma manhã de sol na rua larga da Zona Norte de Santa Maria.


Eu, porém, a vi, será por que com ela me identifiquei? Sei que olhei, me olhaste, parei, voltei, fotografei. Eras tu, era eu, éramos nós, em tão pouco, porém ai

martedì, novembre 28, 2006

Falei com teus passos, enquanto se distanciavam...

Ouvia o som leve que tocava minha pele fraca
Sentia muito mais teus passos que tocavam minha alma
Sentia o cheiro do teu olhar
E divagava sobre minha ilusão tenra

Sonhava com teus olhos brilhantes
Enquanto divagava sobre mim mesmo
O que fui antes da badalada verde dos teus olhos
E o que sou agora com tal badalada distante


Choro na última canção
Por que não pensar que é por ela se tratar de uma despedida
Por que ouço teus passos indo
E eu permaneço imóvel
No ritmo da ultima canção
Pois sentia que teus eram verdes...


Meu coração porém grita, pulsa
Vibra, dilata, canta, chora, dança, toca
Depois que tua música tocou
Me esvai nas lágrimas frenéticas
Que tentam te buscar,
Mas será que devem ir, te seguir?
Incógnitas, somente o que me resta em mais está noite quente...

sabato, novembre 25, 2006

Para refletirmos sobre nossa própria existência...

Visto a correria do dia-a-dia e também a fuga das idéias desses dias em que apenas fazemos as coisas automaticamente. Passam horas, manhãs de sol, tardes de sol e noites de calor e apenas fazemos as coisas muitas vezes sem se dar conta se de fato elas nos fazem feliz, por tudo isso trago à vocês um pequeno trecho do conto O Horla e carta de um louco de Guy de Maupassant.

Também, aproveito a oportunidade para convidar a todos de Santa Maria e os que aqui passarão para assistirem nos dias 09 e 10 de dezembro, às 20 horas, este texto que estará sendo apresentado no teatro Caixa Preta por Leonel Henckes, meu irmãozinho.

Mas, por que deste texto? Primeiro leiam, depois refletimos.

Eu vivia como todo mundo, contemplando a vida com os olhos abertos e cegos do homem, sem me espantar e sem compreender. Vivia como vivem os animais, como vivemos todos, executando todas as funções da existência e examinando e acreditando ver, acreditando saber, acreditando conhecer o que me cercava, quando, um dia, percebi que tudo é falso”


Será que preciso escrever algo mais? Creio que não já que tudo é falso e apenas contemplamos a vida, ou será que quando vemos que tudo é falso transcendemos nossa própria ignorância? Conto com reflexões de todos, ajudem-me a responder, apesar de que não vejo muitas respostas ao nosso olhar limitado a acreditar que vemos.

martedì, novembre 21, 2006

Ai o verão. O que vai contar para seus netos...


Pode ser uma mera coincidência entre o fato de que faço comunicação e ao mesmo tempo admiro uma boa propaganda. Mas o que seria uma boa propaganda? Desprezando totalmente comunicação persuasiva, já que faço jornalismo, me firmo na idéia de uma boa propaganda é aquela que atende aos nossos anseios, que supre nossas necessidades: afetivas, econômicas, sociais, enfim.

Como diz nosso querido mestre da semiótica Professor Adair Caetano Peruzollo, comunicar-se é uma busca constante do outro, para suprir suas necessidades em prol das nossas necessidades também. Então, as propagandas suprem nossas necessidades e nós as consumimos, indiscriminadamente, e com muita satisfação quando se trata de uma propaganda eficiente.

Mas do que me proponho a falar. Para variar aquele “nariz de cera” (nariz de palhaço para alguns jornalistas) básico. Venho, porém até aqui para parabenizar a propaganda que tem me arrancado risos, me tem feito refletir a própria vida e o que tenho feito deste verão. E aí, já sacou qual é? Seja otimista meu amigo. Vai contar o que para seus netos, que ficou jogando aquele dominó? Humm, bom, eu depois de assistir a propaganda da Skol, decidi que vou aproveitar o verão com uma sirigaita, ou mais sirigaitas, afinal sou otimista, vou pular cachoeiras, tomar banho de sol, jogar aquela conversa fora no fim da tarde, andar de carrinho de lomba.

Vai dizer isso tudo remete a infância, meche com nossas necessidades entravadas pelo ritmo frenético de nossas vidas condicionadas a aula, a trabalho, a computador, a instrumentos portáteis, a responsabilidades sociais sem maiores prazeres, enquanto o verão ta aí meu amigo. E o que vamos contar para nossos netos? Que ficamos jogando o dominó.

De fato ela me conquistou. Ela? A propaganda? A skol? Não, apenas a narrativa escolhida, a mensagem persuasiva que faz minha garganta pedir mais uma. Malditos publicitários, vão entender das “minhas” (e de todos nós) necessidades desse jeito lá na p.....praia, afinal seja otimista meu amigo. E muitas sirigaitas, nos tragam.

Acordei feliz hoje? Não, sei, sei que acordei com vontade de voltar a viver intensamente, pois essa sou eu de fato, não só nas fotos, como também com brilho no olhar.

sabato, novembre 18, 2006

Voltaste Satania?

-Voltaste então Satania a esbanjar sorrisos nas manhãs compridas deste verão? Mas por que voltaste, depois de tanto me fazer penar?

- Cara, poeta, cá retorno para trazer luz aos teus poemas. Sei que tenho me ausentando profundamente, mas fiz de minha vida um manto negro de lamúrias e de descrenças. Momentos difíceis, quem sabe incompreensíveis, por isso, não os trago nas linhas de tuas sublimes poesias, só nas entrelinhas dessa amargura. Mas, cá estou: decidida a dar uma nova chance às poesias, na verdade a minha própria vida. Espero, cara poeta, que desfrute prazerosamente desta luz que emana mais uma vez dos meus dias, já que percebi que se apagasse os faria sofrer mais e eu também estremeceria de dor, de angústia. Por isso subi ao mais alto do monte, onde sempre encontro nossa sábia fênix e ela mansamente, sem julgamentos apenas me oferece a transpiração de suas cinzas cálidas, frescas, puras. Então, volto.

- Agradeço-lhe Satania a volta sincera aos meus versos. Padeço, também com teu sofrimento, como se fosse minha própria alma que sofre. Mas volto, então a escrever palavras bonitas, livres e poéticas com intuito de acalentar tua dor que adormece no teu peito e para enfeitar teus novos dias que despontam no alvorecer deste verão. Para ti, minha nova Satania, um pouco de poesia:


Teu sorriso...
Cálido, quente, poético.
Sopra vagarosamente rápido.
Sobre o monte devaneia:
A sua forma, a sua cor.
Rasga minha face enrugada.
Desregra o cabelo desregrado.
Carrega minha nostalgia padecente.
E me entrega nos braços,
A liberdade de soltar pandorgas.
Pedalada no meio da estrada comprida.
Elasticidade na minha cara.
Seria o vento norte?
Sim, se antes não soubesse que existe teu sorriso.
Se antes não soubesse que retornas aos meus dias.

mercoledì, novembre 15, 2006

Passam corriqueiramente sobre o papel...


Nas entrelinhas da minha alma
Veria tudo apagado
nas entrelinhas das minhas palavras
estaria tudo revelado...

Correriam entre a penunbra
os dizeres de palavras soltas
mas diria mesmo temendo
e se não dissesse haveria de não ser minhas


Esbravejo, escrevo, deleito-me
sobre as entrelinhas, as linhas mesquinhas
do sentimento, de um tormento
de teus olhos que não vejo passar
mas me detenho em esperar...

martedì, novembre 14, 2006

Diferenças ideológicas

Visto os acontecimentos que marcaram as ruas de Santa Maria na tarde de ontem, trago até vocês um daqueles textos escritos à mão há muito tempo atrás. Acredito que este seja o momento de trazê-lo á tona, já que não quero esbravejar palavras para falar mal dos políticos, nem do PT, eles não merecem se quer tais palavras (no fim já deixei minha opinião). Mas o que se passa em Santa Maria? Camelôs (trabalhadores informais) expulsos pelo poder público de sua função fazem passeata pela cidade reivindicando o direito de trabalhar. Baseados em tal grito de protesto: “Nós queremos trabalhar, e políticos só querem roubar”. Enquanto isso, lojistas fecham e abrem suas portas com medo dos Camelôs (trabalhadores informais) de saque em massa? Ou seria de vergonha na cara por estarem por traz de tudo isso? Isento-me da resposta, se que isso é possível e lá vai uma pequena mensagem:

Na busca constante pela perfeição, o ser humano aí está, cada vez mais tentando adequar o mundo conforme suas necessidades. Seja no erguer daquele prédio, ou então, no derrubar daquela árvore. O movimento perpetua a existência do homem, como alicerce na conquista de novos espaços inexplorados.

Nesse inconstante caminho do inatingível surgem as ideologias opostas que se lançam no seio abstrato das diferentes formas de pensamento. O homem ser racional, que dotado da capacidade de ser subjetivo, vê nessas ideologias o preenchimento de uma brecha deixada pela inutilidade da existência. E essa nova perspectiva de olhar o mundo, gera estas ideologias utópicas, transformando os grupos humanos em seres imutáveis em relação aquilo que acreditam.

Dessas incondicionais formas de pensar nasce a necessidade de expansão desses ideais, para que o restante da humanidade compartilhe da mesma essência. Mas, visto que este círculo de seres aparentemente "iguais" se difere nas atitudes em questão a sua comunidade, então é dado o impasse infinito pelas diferenças comportamentais de cada grupo. Como é de caráter humano querer dominar algo, ou até mesmo a si, cria-se enfim, as intermináveis disputas, não agora tão somente pelo território, mas, especialmente pela forma de julgar e até mesmo viver.

E é justamente essa incompreensão entre esses ditos "animais" que floresce a cada dia mais o ódio e a vontade de mostrar quem é o mais forte. Como se não bastasse à seletividade natural, o homem tem a magnífica capacidade de impor aos limites sua própria "seleção artificial”: Sejam bombas, gases, balas ou a "simples" representação dos diferentes tipos de pensamentos para acabar com algo que poderia ser perfeito: a união entre os povos. Não que isso exija a igualdade de estilos e condutas, ao contrário apenas que as inacabáveis diferenças sejam aceitas e que o respeito mútuo perpetue entre as nações nos seus mais diversos "mundos ideológicos".


Com isso me retiro devagar da praça, de onde observava o movimento ao longe, polícia esfrega nas mãos a raiva incontida, trabalhadores informais gritam pelos seus direitos, lojistas riem da desgraça alheia e de suas maiores vendas no natal, e a imprensa como abutres esperam a carnificina. Eu? Sento no banco do ônibus e entre filosofias e divagações tento encontrar respostas para tanta hipocrisia. E como que ninguém enxerga as entrelinhas?

sabato, novembre 11, 2006

No parede do quarto, nos resquícios da alma...

Porto Alegre adormecia lá fora, naquelas noites que ainda eram frias, bem diferentes daquelas de a poucos dias. Segunda-feira e eu cada vez menor. Eu? Na verdade Satania, vazia, permanece imórbida no quarto quase escuro e gélido. Da sua bolsa descolorida retira uma caneta que voraz desliza sobre o papel escurecido. Era só isso que a mantinha presa àquela certeza: tais palavras, tal sentimento do que teria feito.

Caneta e papel cúmplices de um encontro seguro, porém imaturo, cúmplices da covardia dos olhos de Satania, que nervosa esmorece a cada nova palavra que brota de sua alma inquieta naquela noite e em tantas outras pelas quais estava subjugada.

No quarto resquícios de sua alma insegura naquela noite nervosa, porém calma de segunda-feira. Queria ela fugir daquele ambiente sufocante, porém, escolherá permanecer, escolhera pela fraqueza. O quarto, como ia dizendo: escuro, vazio, frio, mofado, com móveis desalinhados e no banheiro o chuveiro chora vagarosamente gotas de saudade do último banho da tarde. O último antes de o ser uma nova Satania.



Perfeita descrição de sua alma traduzido nas paredes manchadas do cômodo incomodo. Enfim, Satania adormece mais uma vez inconformada com o que se tornara, inconformada com a saudade do banho da tarde, das páginas da vida que deixará em Santa Maria.

venerdì, novembre 10, 2006

Desacreditei dos meus próprios olhos verdes...

Meus desassossegos tomam conta da minha vida, da minha roupa, da minha energia. Queria então me despreender de tais dúvidas, lamúrias, incertezas. Devastaria minhas fraquezas nos prados inquietantes na qual transformei minha vida.

Perdida, quieta não mais tão bonita. Seria então, melhor, pior, uma nova pessoa, seria o que deixei de ser, o que passei a enganar, a desfazer. Não sei, se os traços seriam os mesmos, se as desavenças caberiam.Mas o fato é que magoei, tripudiei a vida, as palavras, a mim, a tu. Desfiz o desespero da minha vida, através do que não merecia, do que não deveria, chorei, ri, pensei, me acabei...

Quero então voar, fugir, renascer, desabafar, gritar, ser, desfazer, tecer, compartilhar... Quero esquecer, quero tirar de mim tudo que me fizeste ser, tudo que me fizeste temer...Sou, o que não fui, fujo do que tenho medo, temo o julgamento do tempo, já que teus olhos me julgaram, me romperam...


Perdi o que sempre prezei em minha vida, perdi a dignidade que via em teus olhos, a sinceridade que tive de tuas palavras...Me perdi, me enganei, me deturpei, me fiz pequena, quando tudo sempre foi grande.

Agora? Não lhe peço perdão, por que eu mesmo ainda não fui capaz de me perdoar, por que eu mesmo lamento o que me tornei, o que escolhi para me desvincilhar do que na verdade eu mesmo tracei. Não sou, não quero, não me tente, não convém...

Fui, foste, fomos, agora apenas vago de mansinho tentando traçar novos caminhos...Arrependo-me de ter me enganado tanto, de ter resistido tanto, de ter mentido pro mundo que sempre me teve nos braços, agora me escondo no manto das minhas próprias fraquezas...


Desculpa queridos leitores, minhas palavras tão devastadoras e lamentosas, mas sempre acreditei que é difícil isentar nossas poesias da nossa vida, dos nossos sentimentos, e como diz um amigo é nos momentos de maior depre que as melhores coisas são escritas, não sei se as melhores, porém creio que as mais sinceras...Mas o que me leva a estar assim?? Tantas coisas, tantos enganos e dúvidas, na verdade tudo não passa de uma atitude perversa que acarreta tantas outras coisas ruins, mas aos poucos o coração vai apaziguando tantos erros e devagar a fênix vai encontrar forças para renascer, espero que com o mesmo brilho que sempre teve, mesmo que isso seja difícil de acreditar. Pois eu mesmo deixei de acreditar nela, ao menos por enquanto.

giovedì, novembre 09, 2006

Desculpe-me pela minha fraqueza...

Foto: Francieli Rebelatto
Atriz: Juliana Demori
Poesia: Francieli Rebelatto
Sentimentos: Francieli, porém Satania.
Agradecimentos: Ao lapso desordenado de uma possível vida pela inspiração de tuas palavras.


Voaria apenas em traços
embaraços.
Fugiria apenas das noites frias
maltrapilhas
Rezaria apenas pelas lendas
encomendas
Seria apenas eu
perdida
Um traço embaraçado
de uma possível vida.


Voarei
sob uma rajada de vento,
sob sóbrios pensamentos
Fugirei
da lamúria inquietante dos sentimentos
Rezarei
por mim, e pelas minhas fraquezas
Serei
Uma nuvem mais uma vez crente em recomeçar.