sabato, aprile 14, 2007

Agora que faz parte do meu livro, um novo olhar!!!


A melhor sensação desta vida, ao menos na minha é perceber que os personagens que tu quer para tua vida aceitam participar dela. Eles vêm da maneira mais humana e mais digna de serem motivos de linhas e de entrelinhas. Sim, chegam mansamente.

Primeiro eu como autora deste livro, coloco o olho, tento tirar da aparência do personagem um pouco de sua essência, mas sei que uma coisa não equivale a outra. Por isso me torno observadora, devagar, com passos breves me aproximo, tento seu olhar, mas me contenho afinal acredito que existem momentos para que se comece a escrever os personagens.

E foi assim com mais esse personagem, eu sabia desde o primeiro momento que ele seria um personagem que renderia muitas páginas, apaixono-me facilmente por personagens que tem essência, que são inconformados com as coisas, que são puros. Não que eu acredite que este pela qual me refiro seja totalmente puro, ao contrário, não o é, pois é inteligente. E os personagens inteligentes sabem muito bem como se mostrar ao autor, como sua história ficaria melhor escrita.

Mas ele chegou, na sua inocência de que tudo foi mero acaso, mas sabe ele que essas páginas já se desvencilhavam da minha pena há tempos. Apenas o momento certo, meia dúzia de palavras, e então somos cúmplices. Conto-o do meu livro e ele têm consciência do seu papel, um longo papel, não tenho duvida que será motivos de histórias e histórias. Mas sabe ele que escrevo seu início, seu meio e seu fim, mas isso se dará com o tempo.

Pois é assim, com o tempo os personagens tomam consciência de si mesmo e então tem o livre arbítrio de seguirem seu caminho, mas eles sempre vão seguir seu caminho sabendo que tiveram um papel na minha história e isso como autora apaziguará a falta que eles fazem nas minhas linhas.

Fecho a porta! E não tenho dúvida, ele voltará e então viramos mais uma página.

giovedì, aprile 12, 2007

Noites de divagações filosóficas me deixam assim...perturbada!!!


Divagar filosoficamente a partir de devaneios sórdidos, e por que não os mais poéticos? Sim é assim que gosto de acabar minhas noites (algumas é claro) balbuciando o teatro, a música, a ontologia fotográfica e para isso um enunciatário, que nada verdade nada mais é do que o enunciador número 2. E aí se vão as subjetividades, as objetividades, a discursivização.

È nessas andanças filosóficas que se engendram as embreagens, as debreagens da linguagem. O enunciado que se difere da enunciação no plano do conteúdo. E nesses devaneios, o personagem é a própria morte com medo de ser descoberta, para isso enlouquece na busca contínua pela impossibilidade da sua impressão digital. As palavras são curtas, mas os pensamentos profundos.

O silêncio então para entre os dois enunciadores. O espaço, o tempo, os actores, tudo se dispersa no ar da reflexão minuciosa de cada palavras. Parecemos loucos, e aos poucos o somos. Nossa loucura doce e intensa perpetua na nossa noite, nos nossos passos, nos nossos textos, questionamos os fenômenos, os olhares, as vãs e não vãs filosofias. nos questionamos. Aos poucos percebemos que somos meros personagens imersos num grande divagar inconstante de teorias e teorias que fogem senão do nosso próprio medo de nos conhecermos a fundo.

Tudo isso então em meio ao discurso, ao concreto, ao abstrato e arte tem uma única explicação: somos humanos, e por assim o sermos nunca estaremos satisfeitos. Boa noite, então meras filosofias, amanhã mais dúvidas nos esperam na nossa modesta, simples e compreensível vida.

martedì, aprile 10, 2007

Vitrais de névoas lúcidas!!!

Foto: Francieli Rebelatto

Sussurado é seu piscar
Que breve se desvencilha na possibilidade
Quem sabe veria então?
Seus pés calmos deslizando um contra o outro
As mão mansas roçando devagar?

Sussurava o seu despertar
Quem sabe veria então?
Seu verde olhar na tocante manhã
Os dizeres quentes nos vitrais de névoas?

Sussurava os desejos incomodados
Quem sabe veria então?
O caminho neutro da escolha
A luz tenra de seu divagar primorozo ao nada?

Sussurava de leve a pergunta
Quem sabe veria então?

domenica, aprile 08, 2007

Foi-se as verdadeiras páscoas e eu cá permaneço vazia!!!

Nada, simplesmente nada insiste em vir nessas mãos vagarosas e nem na memória. Nada, nada de idéias, nada de sentimentos, então será que vou para uma festa afastada desse mundo, ou então vou ali do lado tomar uma cerveja.

Mas é páscoa!! Feriado na cidade, as pessoas passeiam com suas famílias e enfim tomam mate sem ter hora pra entrar em casa, vão ao shopping comer alguma coisa, rezam. Mas, somente é feriado para as pessoas normais, sim por que jornalistas estão aí sussurrando ao meu ouvido. E eu que sou um protótipo frustrada de jornalista, to aí sem família, sem feriado e sem idéias...

Uma postagem de páscoa falaria de partilha, da pessoa que foi Jesus Cristo, de ovos de chocolate, mas o fato é que não estou sentindo essa tal páscoa. Pois, diferente das outras estou longe, não comi peixe na sexta_feira santa, sim, acordei as duas da tarde, às 3 tava trabalhando. Diferente das outras páscoa sou adulta e mesmo que participasse da via_sacra não ia ser uma daquelas crianças que segura a velinha numa das estações.

1,2,3,4,5,6,7,8,9,10,11,12,13,14,15,16...Opa são quinze as estações, são mil as razões para vive-las. O fato é que cada um de nós independente de sua cruz somos um pouco Jesus na nossa vida e temos um papel a ser comprido. Você já sabe qual é o seu?

Ai, ai, cá estou a divagar, sem ter o que falar e nem mesmo tenho neste ano uma opinião formada sobre a páscoa. Opa! O telefone toca mais uma vez. Sim, é noite de festa, num lugar afastado! Vou-me, então!!!
Essa foto é da minha irmã, que hoje sinto muita saudade...Afinal todos lá e eu solamente cá!!!

giovedì, aprile 05, 2007

Atribulações!!!


Dizeres, dizeres, não caberiam ...
Nas minhas palavras mal traçadas,
Quanto mais nas minhas atitudes atribuladas...

Aos passos assim confusos,
Os olhares de que não quero ver
Tudo seria solidão, mas tudo é um grande engano.
A minha mão, a tua mão
A indecisão e a angústia do querer
E a certeza que se apresenta
Assim, abruptamente
A certeza insistente
Do pensamento que me traz uma louca tempestade.

Mas enfim, como Ana Carolina insiste em dizer
Eu só queria saber em qual rua
Minha vida vai encostar na tua.
É minha procura por si só
Das luzes que teus olhos não tem me deixado ver.

Antes de tudo a verdade dos teus olhos
A verdade de nossas atitudes
Do ato constante de fugir
E quem sabe então meu grande engano
Mas prefiro aceitar meu amor apenas
O consolo dos dias mal durmidos
Das noites exaustivas de músicas chorosas ao ouvido

Um vinho, dois vinhos, mais um vinho e
Assim o vício que afugenta nossa racionalidade
Dos dias longos na tua presença angustiante
O agir, o não agir, o querer e o esquecer.
Tudo como um turbilhão de descrenças
E mais uma vez olho a cidade ao redor
E nada me interessa!!

Meu coração sempre nas curvas
Mas será que seria ao certo sair nessas horas de confusão
Chamaria-te, gritaria entre os carros
Você repararia em mim
Você daria mais que míseras migalhas para nós
Daria chance de vivermos, antes que a distância se perpetue
Mas eu nunca volto atrás...
Não escondo a pressa e nem me escondo...

Pixaria sua rua, gritaria, bateria na sua porta
Nua, quem sabe fria, quem sabe assim
Você me daria míseros dias, ou apenas minutos
Para nós, para nossas incertezas
Mas não, você insiste em fingir que não esta nem aí
Que tudo passa despercebido, quando na verdade
Você queria estar no lugar de todos, e todos
Por que assim você estaria comigo...

Não viver como alguém que espera um novo amor
Vou num caminho onde muito além eu quero ter
Olho o rio por onde a vida passa
E nunca perdi a hora
Pra mim agora, vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender e você?
Eu vou lembrar você?
Ou você estaria comigo!!
Há ainda uma chance e eu grito e brigarei por ela.
Pois se eu for, não vou ir sem um pedaço de ti...

Mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessa e palavras que aguardam a hora pra contar
Coisas sobre mim que talvez você não queira ouvir
Vou!!! E você vem comigo!!!
Se for preciso enfim eu sumo...
Se for preciso enfim eu morro!!!

martedì, aprile 03, 2007

Era uma vez, uma segunda-feira feliz!!!

A segunda-feira teria sido assim: Eu descendo da solidão, sob um céu azul, atirando os resquícios num pano de jogar confetes. Sim, eu e Zé ramalho. Espalharia flores laranjas, verdes, espalharia os sorrisos faceros, as recordações bonitas. Eu vou me jogar, a meros devaneios a me seduzir, espalho-te mais uma vez sobre um chão de giz. Nem mesmo uma camisa de força, mas quem sabe a de Vênus. Então teria que partir!!! Sim, uma segunda devaneios.

Mas era segunda e era dia de encontrar a face de tantas razões, a ilusão de tantas possibilidades e a razão de tantos nocautes. Para sempre fui acorrentado no seu calcanhar. Meus 20 anos e mais quantos forem, mas nem Freud explica, nem mesmo os cigarros, quanto menos as nuvens azuis. Nada explicaria o que era para ser apenas mais uma segunda-feira e se tornou: o grito!!!

O grito na garganta, à vontade de ir embora e a vontade de ficar, mas o que você quer então, jogar na minha despedida o teu medo, a tua incerteza? Quando sou e apenas eu que devo sentir-me assim...

Lágrimas contidas no divagar baixinho de nossas palavras agressivas. E eu vou embora acreditando mais uma vez que nunca mais as segundas serão as mesmas. Não enquanto você fizer parte dela, e de todos os outros dias...E eu pediria antes de ir embora, para viver mais e ter motivos banais para te esquecer ao menos um dia na minha vida. Até lá, eu ainda busco uma segunda-feira de céu azul e de razões para apenas sorrisos bonitos.


Maldito beijo na face!!! E uma postagem banal!!!

O nervo se contrai!!! Com precisão!!! Nos aviões!!! Casas velhas, casos morra!!! Temer!!! O casamento, rompimento!!! Quero mais te ver!!! Os meus cometas se agrupam no meu sol!! E as querubinas, meninas, rever!!! Padre para benzer!! Com devoção!!!

Tudo tão confuso quanto eu me sinto...Na lona vou a nocaute outra vez, maldito do teu calcanhar!

domenica, aprile 01, 2007

Tempo, corre nas horas mortas de mim mesma!!

Ai o tempo!!!
Se desmancha abruptamente
na face enrugada...
que se desfaz nas palavras descrentes
nas razões e iludidas de um fim!

Ai o tempo!!!
Impreciso nas suas próprias rugas
nos meandros de sua cor
no seu corpo desmantelado
de porvir!

Ai o tempo!!!
Desafia a alma desafeta
a inconcretude de nossos atos
a banalidade de nossas manhãs curtas
de nossa ternura fria!

Ai o tempo!!!
Desarma a descrença na palavra
a impossibilidade do olhar
a verdade dos traços
Enfim, desarma meus passos
e me faz andar mais depressa...

Ai o tempo!!!
no reflexo dos meus discos
das minhas horas
e por que não do meu quarto
No reflexo de mim,
da minha poesia,
enfim, de mais um fim de dia!

venerdì, marzo 30, 2007

Jogo!!! Xeque-mate, então!!!

Jogo? Quem sabe, mas enfim o momento da conquista é algo que me fascina. Vai dizer desperta uma sorriso inusitado no meio dos dias corridos e muitas vezes sem sentidos. Traz à tona uma breve vontade de ir até o espelho e dar uma olhada na caída da roupa. E o mais importante aquele brilho no olhar que se reflete nas nossas mãos úmidas, nos nossos pés atrapalhados, na nossa voz nervosa e no nosso olhar baixo.



E por falar em olhar, vamos falar do jogo, sim, por que a conquista é um jogo, creio que o xadez, sim, cavalos, bispos, rainha e rei. E então xeque-mate, mas calma lá, antes de falarmos em fim de jogo, vamos as suas etapas.

Conquistar, é estudar a sua jogada! Um olhar baixo, e devagar no olho, mas nada abrupto, tudo com muita cautela assim as coisas ficam mais nervosas, afinal não temos por que mostrarmos de cara nossa jogada deradeira. Mas na conquista há os bispos, os cavalos.



Os bispos não pela religiosidade, pelo que é pecado ou não, mas pelos impecilhos, sim, por que conquistar se pode a qualquer hora e a qualquer pessoa, mas isso nem sempre quer dizer que essa conquista é conveniente. Padrões, valores, certo ou errado. Mas quem disse que a conquista leva em conta isso? Capaz ela faz um caminho próprio no tabuleiro e quase chega até a outra linha.

Digo quase, por que antes de comer o rei, prender a rainha, enfim, tem que ter sedução, palavras ditas e não ditas, frases feitas e mal-feitas, mais um pouco de mistério. Afinal não falamos de um esporte fácil como futebol que se resolve em 45 minutos, falamos de um jogo inteligente (não que o futebol não seja), minucioso, lento e fascinante.

Mas o rei ta ali, a espera da melhor hora, a rainha cautelosa se faz bela, para o momento derradeiro. E entre o começo do jogo e o fim existem milhares de jogadas, de peripécias, de idéias. De olhares, de palavras, de toques, de sorrisos.



No fim o que queria dizer com tudo isso, é que não falo apenas da conquista entre dois meros seres humanos, sejam eles de quaisquer sexo, mas falo da conquista pelas coisas, pelas pessoas, pelo trabalho, pelo dias e por que não pelas noites, pelos amigos. Falo da conquista diária pelas razões de viver, da paixão diária por nós mesmos. E por que não, então, em meio a tudo isso, uns olhos verdes, negros, enfim uma pele morena, inteligente. Huahauahauahuaah...Sinto-me apaixonada pela vida e isso me faz melhor. Xeque-mate! Ou quase lá!

martedì, marzo 27, 2007

Um último tango, talvez???

Corro assim, bruscamente
Na parede torta do meu quarto que se desmancha
Nos ponteiros finos, do relógio imaginário
E por que não no ponteiro grosso, ou melhor no pêndulo sublime
De la Paris.

Corro assim, nitidamente.
Na madrugada ausente de letras cabíveis
Na manhã vertente de idéias afins
E por que não nas idéias idealizadas na terra do Bom Fim.

Corro assim, perdidamente.
Na dança tortuosa dos teus braços
Nos passos descompassados da tua valsa
Danço porém, na música leve da minha saudade
E por que não dançar nosso último tango
De la canción.

Corro assim, timidamente,
Nas notas acabrunhadas de sentidos irreconhecíveis
Nas falsas posições dos acordes soltos
Em meio aos instrumentos abandonados por vozes
E por que não abandonar mais uma vez essas vozes perdidas na razão.

Corro assim, por que já andei demais,
Corro assim, por que já chorei demais.
Corro assim, por que já vivi demais.
Corro assim, por que já amei demais.
Corro, por que quero descansar, repousar a beira do mar
E te esperar...silenciosamente,
Aguardar teus passos leves, na areia, tua presença fresca no meu ombro
Teu destino breve em minha presença...
E então, voltaremos a correr,contiuamente, em direções opostas...


Nossa, não sei ao certo o que queria dizer com essa poesia, aliás eu sei bem lá no fundinho a alusão de tantas vidas e caminhos nessa poesia, tão intensa quanto foi toda a minha vida até hoje. Isso me fascina na arte de escrever o suor que escorre pela minha face, que tão rápida quanto minha mãos vivem intensamente essa poesia. Vivi, suei e agora estou a chorar, por isso fico por aqui. Assumindo, que aqui está Fran Rebelatto, sem eu poético, sem sujeito de enunciação, eu mesmo...meu próprio enunciador, meu próprio discurso...

Sei que tenho sido bem melancólica nessas últimas postagens, mas calma isso não quer dizer que estou a ponto de um suicídio, capaz, que é isso, estou apenas indecisa, e aí nos fins de noite sento na frente do pc que já passei à tarde na frente e escrevo, escrevo, tudo que passa na minha mente...Indecisão, apenas isso, de que??? nada demais plantar uma árvore, fazer um filho, ou escrever um livro??? Huahauahauahau...há de passar...Eles passarão e eu passarinho...Voarei...Cala a boca Fran!!!

lunedì, marzo 26, 2007

Nada de mim!!!

Como descrever a imensidão brusca do querer?
Como entender a profundidade sórdida do incompreensível?
Como perceber a brevidade da loucura iminente?

Perguntas, atormentam, amedrontam
Nos fazem mais,
Mais perenes, condizentes, mais então descrentes.

Devaneios, apenas em dias, de quase nada,
Em dias de saudade,
De vontades descabidas...


Nada para pensar,
Nada para temer
Nada para falar
Nada para amar
Nada para projetar

Nossa, mas quanto muito nesse nada
Tão vazio
Quanto tudo nesse nada subjetivo.

Nada enunciado, nada escrito,
Nada de actores, nada de espaço, nada de tempo
Nada entre subjetividade, objetividade, figurativização

Greimás, Courtés, Vilafãne, Vilches...
A todos peço desculpa...
Pois nada quero ver nesse nada absurdo de teorias, praticas,
Enfim, só posso dizer quem em meio a tudo isso
O nada apenas é de mim...
Nada de mim...
Apenas uma loucura mansa que me deixa a sorrir...


sabato, marzo 24, 2007

Devaneio assim..Entre o nada!!!


Dias de infertilidade, de idéias miúdas, mas de muitas dúvidas. Dias de ficar na cama, mais uma vez voltar para a cama e nunca mais sair da cama. Dias de filosofar inconstantemente, impacientemente consigo mesmo, com as ruas vazias, com as janelas fechadas. Dias de sorrir pra alma, de chorar pela alma, e de não saber o que sentir. Dias de ficar sem comer, de comer qualquer desavença e de apenas não comer mais nada.

Dias de dar passos largos, passos apressados, ou quem sabe deixá-los miúdos a ponto de não dá-los. Dias de pensar mais um pouco, de então deixar de pensar em tudo e apenas divagar imorbidamente. Dias de idéias sem sentido, de poucos atritos e de quantas dúvidas.

Enfim, esses dias de dúvidas me deixam assim, nervosa, quieta, instável, insuficiente, com apenas resquícios de uma vivacidade pequena da alma. Dias de dúvidas, sobre a vida, sobre o brilho no olhar, sobre o ir, ou o ficar, sobre o querer e não querer. Dias de escrever, e então esquecer, mas dias de escrever muito mais e perceber que as palavras jamais me fazem esquecer, quanto mais ser pequena.

Esses dias me perturbam timidamente, mas me levam bruscamente a devanear com a minha cama, com a Elis Regina, com Cazuza, com as palavras, com os dizeres, com a janela aberta, com ela não aberta, com os lençóis desarranjados e com os cabelos desalinhados no espelho. Devaneio com o mundo, devaneio, por fim com as ruínas de minhas dúvidas e nada mais. Sinto que aos poucos decido pelo partir.

martedì, marzo 20, 2007

Reflexo de nós!!!

reflexo
dos traços mal traçados
da face enrugada e demente
reflexo
do seio debruçado
das entranhas vulneráveis
reflexo
dos passos penumbrosos
da penumbra descarnada
Reflexo
dos teus olhos falseantes
e do nossos pares distantes
reflexo
de ti
de mim
do nosso passado...

lunedì, marzo 19, 2007

Superfície Vazia...


A superficialidade das pessoas por vezes me assusta, a ti não? Sim, me assusta tanto que não temeria em as comparar com objetos, com meros desígnios mortos. Não entendo, o por que da apatia perante a vida, não entendo o medo de enfrentar nossas verdades. Quem sabe, isso se deve pelo fato de termos medo da opinião alheia ou então o medo da nossa própria fumaça?

Sim, todas hipóteses possíveis, que cada um de nós responde a sua maneira, conforme sua essência. Satania, mesmo sendo sempre tão intensa, esses dias confessou-me em tão baixo, que sentira medo, que fugiu de problemas incompreensíveis. Eu lhe disse que também já viverá assim nessa dificuldade de se tornar mais uma vez intensa, mais uma vez subjetiva. Então lhe perguntei qual fora seu segredo para dar a volta por cima de tudo isso?

Mas Satania não me respondeu, mais uma vez virou as costas sabiamente e apenas deixou tocando Elis...Sim, eu encontrei a resposta, e então comecei a me indignar com a superficialidade que muitos se detém pelo resto de suas vidas. Percebi, então, que o grande mistério da vida é sua intensidade e nada mais.

Por isso lhe pergunto: Estás esperando o que? Ser dissolvido gradativamente pela sua própria ingenuidade de ver apenas com um olho a vida passar? Quem sabe, então sejas apenas uma coisa, uma natureza morta a me espreitar.
Foto e texto: Fran Rebelatto

domenica, marzo 18, 2007

Sublime presença ausente!!!


Esperar
Adormecer
Perecer
E então não ser...

Deitar
Jogar
Admirar
Apenas a ausência pesar...

È assim, que estive este tempo todo esperando as expectativas indecentes de tua presença. Mas vieste mórbido, fraco, com medo. Deitei-me então novamente e mais uma vez espero. Quem sabe da próxima vez que aparecer, ou quem sabe seja a hora de desistir.

Esperar
Sobre meus ombros
Sobre meu colo
Sobre minhas coxas
Sobre meus desejos indecentes.

Adormecer
Sobre Pensamentos sórdidos
Desejos incalculáveis
Sensualidade desabitada
Vontade desregrada.

Perecer
Pela falta
Pela ausência
Pelo medo
Pela descrença
Pela indignidade dos teus passos.

Enfim, apenas mais um pouco de poesia neste domingo, para quem sabe disfarçar mais uma vez as lágrimas...Nossa mas que drama, a sei lá, to meio sem inspiração hoje, por isso fico por aqui mesmo...

martedì, marzo 13, 2007

Borboletas, deuses e sentidos...Concepções em si...


"Para as borbletas os deuses são óbviamente borboletas". Foi o que li daquele velho texto do professor Adair, a princípio o interpretei errado e dias se passaram até que o entendi a fundo. Sim, esta frase perturbou-me incansavelmente pelas ruas de Santa Maria, atá a noite que decididamente resolvi entendê-la de verdade...

Vocês estão me achando burra, eu sei, minha loirice às vezes se manifesta de fato. Mas sou assim, incomodada com as coisas, com as frases, com as palavras, e principalmente com os sentidos, aliás com os possíveis sentidos. Pois a vida é assim: um emarranhado de possibilidades incontidas no limiar da nossa compreensão, por vezes entendemos, por vezes ignoramos, mas os sentidos estão aí, nos atormentando o tempo todo, nos fugindo o tempo todo. E o rumo deles somos nós que os temos, somos nós que os pomos em prática.

Enfim, "para as borboletas os deuses são obviamente borboletas, para mim os deuses são infinitamente possíveis". Bom acho que entendi o sentido, ou ao menos criei meu próprio sentido para esta frase, para esta lição de vida. Era isso, e você entende o sentido que quero lhe transmitir? Se não o entende, não se perturbe crie seu próprio sentido e desfrute de uma nova concepção de vida...E isso é o grande segredo das coisas: imaginar que deuses são infinitamente possíveis, assim como os sentidos...

venerdì, marzo 09, 2007

Dias de passos, dias de si...

Dias de passos
Dias de si

Passos vulgares
Caminhos discretos
O toque no ombro
E mais uma vez o segredo...


Dias de passos
Dias de si

Toque insalubre
Sentir venerável
Passos desprezados
O mais uma vez o agrado

Dias de passos
Dias de si...

Passos e desassossegos
Das mãos rugosas
Nitidamente vazias
Passos descarnados

Dias de passos
Dias de si...

Passos adiante
Toque adiante
Adiante te encontrar
Adiante caminhar e tocar


Dias de passos
Dias de si...
Dia de nós
E os olhares dos manequins.

martedì, marzo 06, 2007

Ainda quero acreditar nas nossas texturas...

Procuro as texturas quentes de tua pele voluptuosa que se desmancha ao sentir meu caminhar rápido. Texturas destemidas, mas banidas pelo proibido ato de desejar o porvir alheio a nós.


As texturas de nossas carnes são assim, remontadas nos desejos destemidos de nossos corpos já então a divagar entre o que poderia ser de fato atitude. Mas insinuações e idiossincrasias permeiam nossa vivência lado a lado.

À vontade descarnada de tuas texturas, faz as minhas mais vivas, mas texturais e fáceis de tecer, de sentir o fervor de teus passos discretos. Texturas que encontro os teus olhos trêmulos, textura que encontro no teu colo fervilhante.


Mas, o porvir guarda nossas texturas amistosamente no meu seio, nos teus membros. O porvir guarda os nossos desejos indissolúveis. Enquanto isso, as texturas se devaneiam na busca infinita de ter mais. Nossa texturas quentes se dissolvem na incridulidade do ainda pode acontecer. Na vontade de ainda podermos ser. Mas será que vale a pena continuar acreditando nisso.

giovedì, marzo 01, 2007

Em paz!!!


Refletiste na realidade nua
Tua fragilidade atemporal

Entregaste tua carne crua
Na dignidade amoral

Refletiste tua tez escura
Na crença no divinal

Fingiste tua essência
Na impossibilidade desumana
Na promiscuidade dos teus valores
Fingiste tua dignidade soberba
Na sustentação insustentada
Possuíste o valor em chama
E te queimaste no próprio espelho...

Refletiste tua realidade nua
E morreste na incredulidade das tuas mãos.

Sinto-me satisfeita!
Meu puro reflexo me acompanha
Em paz!

mercoledì, febbraio 28, 2007

Éramos, seríamos, fomos...

Éramos, seríamos, fomos
Inconstantes perversidades guardadas
Bradadas entre poesias
Ditas e malditas
Desavenças desacreditadas.


Então, éramos...
Um só, dois quem sabe
Soprando no vento dos desafetos
Encontrados nas entrelinhas
Bem vistas pela alheidade.

Então seríamos...
Eficazes porcelanas envidraçadas
Pedaços largados de esperança
A descrença na crença da possibilidade.


Então fomos...
Intensos, finitos
Das formas imperfeitas
Dos lamentos desprezíveis...


Éramos, seríamos, fomos...

Bom, prometi a uma amiga que colocaria a explicação deste poema, mas confesso que isso não é do meu agrado, gosto das palavras soltas ao vento e que elas sejam catadas por cada um segundo seus valores, suas crenças. Gosto das múltiplas possibilidades de interpretação nas entrelinhas das minhas poesias, por que não passa pela minha cabeça uma única explicação para elas, mas muitas. Muitas em minha vida, muitas quem sabem na vida de quem as lê.

Então será que esse poema seria dedicado ao Big Brother da noite passada? Quem diria, eu me inspirando neste programa que tanto difamei, esbravejei contrária. Porém, sempre amadurecemos: a cada dia, a cada nova experiência, e eu estou aprendendo a aceitar até mesmo o Big Brother, pois segundo meu irmão e a minha amiga ali se forma uma micro-sociedade (hummm, será que Foucalt disse isso? Creio que sim). Bom se ali temos uma micro-sociedade temos relações e se temos relações às temos de várias formas: intrapessoais, neste caso. (diz meu irmão).

E o jogo segue, os ânimos se desanimam, o confinamento pesa, e a falta de liberdade também. As relações se estreitam ou então se desfazem. Ah, as relações! O mau caráter que como pessoa longe das câmeras é mau caráter vem à tona com gargalhadas soluçantes. O bom caráter se mostra bom caráter. No fim todos erram, mas para quem conhece o bom caráter perdoa o erro, e da um abraço de “Vai Carlos, vai ser gauche na vida”. Meu Deus, pareço Pedro Bial, com suas crônicas totalmente opinativas no BBB.

Bom, mas enrolei até aqui para lhes dizer e explicar que a poesia ali de cima, sim está inspirada no BBB e por isso na nossa própria vida, na minha então nem se fala. Mas, “Vai Satania, ser gauche na vida”. Drumond que me perdoe, mas ele sabe os motivos dignos pela qual suas palavras fazem parte destas entrelinhas.


martedì, febbraio 27, 2007

Amarrados pela compatibilidade de nossos colos...

Deitaste no meu colo suavemente naquela tarde fria, esvaziaste seu ser com dizeres ditos e não ditos. Ouvi calmamente sua alma, como ouvia a mim mesmo. Perdido, evasivo, fugidio, inseguro. Estavas assim, impregnado pelo cansaço da derrota que aos poucos ocupara seus poros miúdos.

Conversamos discretamente, lamentamos discretamente e assim também choramos. O tempo teria parado face as nossas aflições, muito mais as tuas. E eu ouvia seu pulsar mais uma vez miúdo no meu colo nervoso.



Éramos compatíveis em segredos absolutos, éramos compatíveis em desejos mudos, éramos compatíveis no seu nosso verde olhar, éramos compatíveis na forma calma de amar.

Choramos pela compatibilidade, choramos pela necessidade, choramos por que teu rosto se afastou do meu colo e meu colo se distanciou dos teus traços. Um beijo lento, quente, nervoso.

Voltaste assim, com o vento na cara para tua realidade, com o calor dos meus olhos. E eu fiquei com o sabor das tuas pálpebras semi-cerradas na minha fragilidade. Por que lembrar, então tal fato?



Sim, agora é meus traços que precisam do teu colo. Estamos assim, presos as nossas compatibilidades e isso não nos liberta jamais. Sendo assim, vem me dar colo!!

domenica, febbraio 25, 2007

Não eram nada...Eram apenas...Gotas

Caminhavam assim perdidas no tempo, a repensar suas próprias criticas. Sentaram naquela tarde quente sobre a pedra na sombra da velha figueira e trocavam olhares que jamais lhes tinham dado. Estavam certas da vitalidade de suas presenças, da construção de suas dúvidas. Estavam dispostas a merecer sua dignidade e querima então olhar-se o suficiente para reconstruir suas próprias vidas.



Estavam assim, lado a lado, descrentes dos dissabores, mas dispostas nos desamores a serem mais uma vez elas. O olhar ainda baixo lastimava a falta de sabores no deleito da outra noite. O olhar por vezes alto debruçava no leito fresco de seus colos.


Tenros colos maldizentes daqueles seres. Colos quentes e convincentes dos rostos penumbrados delas. Mas estavam ali diante de si, diante de suas fraquezas.


Fraquezas finitamente vulneráveis aos descrentes, finitamente aceitável pelos não-hipócritas. Estavam ali com a força da vitalidade das suas faces carnudas, dos seus mamilos vertentes, das suas pálpebras apagadas de luz finita.


Estavam ali. Sentadas sobre a pedra negra. Olhavam para baixo e para cima. Sentiam os sabores e desamores. Desejavam a vontade e descrença. Eram únicas. Eram dúbias. Não eram nada. Eram apenas gotas.

sabato, febbraio 24, 2007

No meu caminho estás...

Aguentaria tudo,
tuas lágrimas, palavras, piadas
deixaria tudo
minhas lágrimas, meus dizeres
minhas vontades.
Mas já não aguento mais
olhar, sentir, querer
já não suporto mais não ter
não ser...

Desistiria do verde do teu olhar
desistiria das minhas verdades
desistiria de não sentir
mas a chuva cai mais uma vez

Te vejo no meu caminho
Te sinto no meu caminho
Te desejo no meu caminho.
Por isso desistir jamais o faria.

giovedì, febbraio 22, 2007

Poesia fria, da cor colorida descolorida de mais um dia!

Foto: Francieli Rebelatto


Das cores, sabores
venenos, inverdades
das cores perversas
o sentir desalinhado
textura fria
não, seria quentes texturas
os sabores amargos
dos doces sabores
cores vivas
das mortes vidas coloridas
Enfim, como ver a vida
como a perversidade que te chama
como a poesia que vagueia
no entardecer desse dia
nas entrelinhas
da flor vazia, poesia no dia demais um dia
da cor, que renova em cor
decolorida...


Isso é a vida
Isso é a hipocrisia
isso tudo é poesia
na veia da cor descolorida
pela chuva calma desse dia..

mercoledì, febbraio 21, 2007

Com os enganos, as verdades...

Não queria hoje ser portadora de palavras tristes, quanto mais depressivas, não quero relembrar breves coisas de um breve passado, porém já passado. Mas, visto que encontrei num livro que estudo para minha mono um texto de Dotoieviski que devo levar em conta na minha vida, então por isso, volto há um pouco de reflexão, em relação aos meus atos, aos nossos atos. Até mesmo aos atos dos hipócritas e por que não do meu eu poético.


Vamos ao texto então: “Eu gosto disso, de que a gente se ‘engane’... É a única coisa em que o homem é superior aos outros organismos. É assim que se chega à verdade. Sou um homem e é porque me engano que sou um homem. Não se chegou nunca a nenhuma verdade sem ter-se enganado ao menos quatorze vezes e isso é talvez um caso singular em seu gênero. Mas sequer sabemos enganar-nos de uma maneira pessoal. Um erro original vale mais que uma verdade banal”.


Diz-me, como não trazer essas palavras à tona, para quem me conhece, aliás para quem conhece Satania, sabe que essas palavras não passam despercebidas, quanto menos sentidas. Delas sugo tudo que renova minha alma, que enxuga minhas lágrimas, enfim, tiro a vitalidade, a serenidade e a verdade e isso me basta, isso me faz mais uma vez perceber que tudo volta ao normal. Mas depois de perceber meus erros, percebo que o que mais tive foi engano. Engano no ombro que se dizia amigo, engano nas palavras doces que salpicavam da saliva falsa, engano no brilho do olhar artificial, engano na amizade exposta que nada mais era do que hipocrisia.

Depois dos enganos, sou melhor, meu eu poético é mais puro e perto de mim, só os resultados desse engano: o olhar verdadeiro, o ombro de fato amigo, as palavras que me fazem mais forte, a amizade mais confiante.


Dizem que todo mal remete a um bem. Comigo foi assim, espero que você que lê as entrelinhas da Satania também, se engane o suficiente para saber com quem pode contar.

Fotos e texto: Francieli Rebelatto

giovedì, febbraio 15, 2007

Lado a lado


Lado a lado
Destino talvez,
Caminhos, mais uma vez
Piadas, rugas, olhares
Palavras, toque, destino
Escadas
Janelas
Portas
Dizeres
Quem diria
Lado a lado
Sentimos,
Corremos
Dilacerantes olhares
Lado a lado
E nada mais
Destino e ponto final.

domenica, febbraio 11, 2007

Nossa mente e nada mais, o resto é hipocrisia...

Foto: Francieli Rebelatto

O será a cerca do ontem desgasta minha alma e minha mente, então por que insistimos em nos ater a esse passado de desilusões e decepções tão irrelevantes? Por que nos fechamos num casulo de angústia, se o que nos resta é ir além daquilo que já fez de nós um dia mórbidas vítimas fracassadas por determinados atos inexplicáveis.

A busca daquilo que consideramos racional, faz com que esqueçamos que racional é o controle dos desgastes das emoções. Mas como controlar algo muito além da nossa capacidade de julgar ser certo ou errado? É realmente essas são apenas algumas das muitas perguntas imutáveis à cerca de todas as coisas imprevisíveis que acontecem em nossa vida.

A superação parece ser algo tão distante que se torna algo muito questionável, quando deveria ser a solução para determinada situação. Como se bastasse superar para poder esquecer o evidente que sempre esteve diante de nossos olhos, mas nunca tivemos a capacidade de reconhecer o óbvio. O problema é que o óbvio se torna algo muito remoto diante de nossa frágil mente.

Quanto ao coração não gosto de citá-lo, pois acredito que nesses momentos, se não em todos, ele é um órgão exclusivamente mecânico, ignorante de tudo que se passa em nossa mísera e inútil consciência, que nos momentos de maior necessidade se torna inconveniente para qualquer atitude racional, e consegue até ativar de nossos olhos as lágrimas que jamais imaginaram cair por motivo tão incoerente.

Lágrimas estas que por mais insólitas que sejam, não são capazes de mostrar o que a cabeça fervilha sem rumo e sem explicação. Lágrimas que a única função é mostrar nossas fraquezas, assim como nesse momento estão a ponto de cair.

Fraquezas inimigas de tantas horas, ou será que posso considerá-las amigas, pois ao mesmo tempo em que desestruturam meu ser, também mostram que sempre existe vez pra recomeçar.

E o recomeço quer algo mais complicado, pois ele requer muitas escolhas e essas que fazem do homem o que ele é e não o que ele deseja representar. Escolhas que levam em conta todos os pesares ou simplesmente são feitas de forma inconsciente. E aí a história começa toda novamente....então resta a mesma dúvida será que um dia vai acabar?

mercoledì, febbraio 07, 2007

Fenix renascem mas a minha não nasce mais...


Medo...medo...
Obscuros dizeres que me rondam
minha consciência
o erro
a falta
o que de pior pode existir
me abandono
e mais uma vez medo
mais uma vez julgamento
o meu...e esse é maior que todos.

domenica, febbraio 04, 2007

Quem é ela?

Os curiosos sempre me perguntam quem é ela. Descritas em minhas poesias, dona das palavras mais fortes, dos sentimentos mais verdadeiros. A única que assume suas fraquezas, suas debilidades, que grita o que ninguém quer ouvir, mas todos sabem que um dia terão que escutar.

Fotos: Francieli Rebelatto

Pois me perguntam caros leitores, quem é Satania? E eu que aqui esparramo esses devaneios desdobro palavras para não desvendar esse mistério. Mas saibam que estou farta e decidi então contar quem é Satania.

Querem mesmo saber? Vocês estão preparados para isso? Isso, você mesmo que está aqui a me ler, que quem sabe tenta ler a tua própria vida. Você que me lê por que gosta de minhas poesias, por que gosta da minha vida, ou apenas você que gostaria do meu caminho, ou que desafiaria meu destino. Você que me espreita sem sentido, ou então que apenas devaneia comigo. Sim, é você quero que saiba quem é a verdadeira Satania.

Recebi um dia, uma longa carta, a mais verdadeira da minha vida, nela estava a descrição da minha Satania. Chorei, li, reli, escrevi, tentei. Estava ali descrita com minuciosidades, era ela, era eu, era você. Como ser Satania, então? Vamos ao teste: Já sentiste uma dor lá no fundinho do peito, aquela que da uma coceira longa? Já deitou no sofá encolhido e ficou com medo da porta ser aberta? Já tremeu a perna ao ver olhos misteriosos na tua frente? Já chorou ao fim da tarde por ver lembranças do que se foi? Já tomou banho cantando a própria tristeza? Já riu das dificuldades ao acreditar que um dia tudo isso será uma grande piada? Já se olhou no espelho e te assustou com o que viu? Já se achou gordo, e no outro dia vazio? Já sentiu vontade de botar uma mochila nas costas e ser você mesmo? Já se indignou com uma criança cantando na galeria, ao mesmo tempo que apreciava a canção?


Enfim, enumeraria inúmeras possibilidades de ser Satania, de reconhecê-la. Daria motivos para adimirá-la. Mas satania é isso, é meu eu poético, é teu eu poético. É minhas lágrimas, minhas tristezas, minhas angústias, é minha energia, meu tesão, meu coração. É o que sente, é que sou, é o que você é.

Satania é poesia, é vida, é lágrima, é intensidade, por fim, é insanidade. Satania é muito mais que tudo isso, é o que me permite escrever, é o que me permite ser eu mesma. Satania é então, a prostituta respeitosa e nada mais.

giovedì, febbraio 01, 2007

Não falo de flores, nem de amores. Falo do improvável...

Foto: Francieli Rebelatto

Hoje não falaria de flores, nem de amores
de poesia, nem de entrelinhas.
Hoje abandonaria meus discursos visionários,
meus indiscursos...as verdades
Hoje me retiraria para dentro de mim,
numa busca contínua por não ser
Hoje, enfim eu não seria e nem teria
flores, amores, sorriso, sacrifícios.
Hoje eu seria mais nada, enquanto nada quero ser.
Hoje me sentiria assim...
Vazia, chorosa, discrente.
Hoje, eu queria no fundo deixar de ser quem sou
quem sabe assim mais uma vez seria eu.
Mas, hoje eu encontrei flores, amores.
E então vi que quem sabe ainda sou.
Mesmo que isso me leve a tanta dor...

mercoledì, gennaio 31, 2007

"Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação"

Foto: Francieli Rebelatto


Foi, assim que o encontrei, andando pelas ruas de Santa Maria. Numa realidade que poucos conhecem. Nas ruas, que poucos ônibus passam, a moradia é de risco, o lixo toma conta das ruas de terra onde os moradores tiveram que deixar suas casas para que ruas alternativas fossem abertas para os carros passar. Nas ruas de Santa Maria, em que, segundo Seu Carlos o policiamento não existe e que Dona Maria sofre com esgoto correndo ao lado da porta de casa onde as crianças brincam sem perceber o perigo. É ali que encontro o descaso da mídia que trata todos como bandidos, é ali que encontro o descaso da prefeitura que trata á todos como eleitores e nada mais.

Em meio a tudo isso eu encontro ele, na verdade eu encontro eles, encontro gente humilde que conversa sentado na frente da venda. Encontro um som alto bombando funk às nove da manhã, encontro o seu Ronaldo que por onde passa cumprimenta à todos. E principalmente é ali que encontro a melhor cuca que já comi na minha vida, e por apenas R$0,40 centavos. Acreditem, tudo isso eu encontro nas ruas de Santa Maria, mas não nas ruas que vocês estão acostumados a ver, nas ruas que poucos sabem que existe.

Mas, enfim em meio a tudo isso, eu encontro ele tão pequeno, assim a me olhar. E quem não entende esse olhar, não entende nenhuma das minhas palavras. Se bem, que em meio a tudo isso, ali na porta de uma casinha, mal ajeitada, dizia: Aqui mora uma família feliz. E eu então, acho que ali pude ser um pouco mais feliz, um pouco mais verdadeira.


Um desabafo, e um pouco da realidade da Zona Norte de Santa Maria. Minha indignação e apenas isso. E mais uma vez enquanto estava lá a fotografar a prefeitura aparecer, deu aquela espiadinha e ligou dizendo que na próxima semana tudo será solucionado. Enquanto isso, eu esbravejo e Dona Maria espera angustiada.

martedì, gennaio 30, 2007

Ao longe eles me interpelam, e eu me calo...

Sentar na janela empoeirada do quarto e fumar um cigarro vagarosamente, como se tentasse queimar todos os pormenores da nossa vida alheia, obscura e incompreensível.

Deitar à tarde, embrulhado num lençol velho trazido lá da casa da avó, abraçar o travesseiro volumoso e com ele dividir os medos da luz que está disposta em baixo da porta.

Andar pela casa estranha e dividir o ar com estes seres que já estranhos também lhe parecem ser. Andar disperso, pouco, inseguro, calado, apenas andar sob passos mal-feitos, intimistas o suficiente que até mesmo sopram filosofia pelo soalho violentamente desacreditado.

Silenciar perante o dia que inicia e a noite leve que repousa sob as opiniões alheias. Silenciar perante os braços fracos, a mente lenta e a incerteza do que não se quer transformar.


E em tudo isso se perguntar: Perguntas mansas, abruptas, descrentes, maldizentes. Perguntas caladas, perspicazes, sem sentido, sem volume, quanto mais resposta. Perguntas que pairam no olhar apagado e vulnerável do rosto encoberto pela barba mal-feita.

Calar, silenciar, pensar, refletir, ser, apenas caminhar, devagar, não ser mais. Quem sabe então respostas, e mais perguntas, e mais dúvidas e mais incertezas.

Tudo isso, amigo me dizes que sentes nesses dias incertos de calor e frio. Digo-te, então, meu caro amigo a vida é isso uma INCONSTANTE PERVERSIDADE DE DÚVIDAS OBSCURAS QUE DESAFIAM NOSSO SER INFINITAMENTE. Para quê? Se dentre tudo isso, a dor é tão grande, tão fria, tão desmerecida. Mas, a dor faz sentir cada parte de teu corpo, da tua alma, e da tua mente. A dor te faz ser de verdade e te faz encontrar quem de fato é. E mais nada, te digo, senão essa poesia. Mais nada te ofereço senão meu silêncio.

sabato, gennaio 27, 2007

It's Up to You!!!

Acredito no sorriso facero, e inocente. No sorriso tranquilo e perpicaz. Acredito na pele clara, negra, morena, vermelha, enfim, acredito na pele. Acredito no brilho do olhar maroto. Acredito no olhar quieto e desconfiado. Acredito na brincadeira mais feliz, dos passos mais marcados, ou apenas nos passos.


Acredito na vaidade bonita. Na beleza morena, na beleza da vida. Acredito na possibilidade, na infância e independente da idade. Acredito na tua fé, na minha fé, e na fé de quem crê em dias melhores.


Acredito no medo, na fraqueza, acredito em que apenas quer viver. Acredito, no ciclo natural da vida e na certeza de que crescemos sem ao menos perceber. Acredito que o dia é possível, a noite é imprescindível e lado a lado podemos estar.



Acredito na esperança, na confiança. Acredito na criança em mim, na criança em ti, e em qualquer criança. Acredito na possibilidade da mudança e você já sabe no que acreditar. Que tal começar por acreditar em ti?

Uma breve homenagem ao pessoal da AIESEC Santa Maria, pela confiança, e ao Projeto Uhuru, que certamente vai ser mais brilho no olhar. Eu já acredito em tudo isso.

Nas fotos crianças Kaigangues de Charrua. Brincamos numa tarde de sol.

giovedì, gennaio 25, 2007

Suor e torpor...

Teria deixado derramar o suor tolo
Do corpo despedaçado que corrói
Preferi o desassossego da incerteza
Ao espelho nu e descrente


Teria descoberto o escorrer das mãos
Das pernas dilatadas e maldizentes
Preferi o refúgio do medo banal
Ao brilho escandaloso do sorriso que se abria

Teria descrito cenas sedentas
do sexo exageradamente falso
Prefiri esquecer os desejos lépidos
Ao tocar tua virilidade senil


Prefiri esconder-me em ti
Ao reconhecer minhas próprias mãos.

Ao perceber meu prórprio suor e meu próprio torpor.

Poesia: Francieli Rebelatto

Foto: Francieli Rebelatto

Ator: Cícero, lindão