giovedì, febbraio 19, 2009

Se quebram os vasos, também os amores!!!



Rosas verdes incolores
Cheiram Chuva turva nesta noite
Coloridas, sépias são minhas flores
Janelas fechadas, gritos e mais açoites.

Barulho estranho, sem calçadas
E as rosas vermelhas do outro lado
Os vitrines e as gotas despedaçadas
E o passo manso desencontrado.

Escrevo rima pelos cabelos soltos
E os espinhos das rosas gritam
Verdes incolores negros diamantes envoltos
das rosas desfeitas que se agitam.

Mais mãos nos cabelos enrosados
De perfumes nobres das minhas flores
secretas chuvas guardadas nos frascos
Um dia se quebram! Ai, os amores!

mercoledì, febbraio 11, 2009

Sete pecados..Quantos mais...


Desafio feito ...desafio aceito...Uma nova amiga de blog me desafiou a escrever sobre os 7 pecados capitais e a relação que temos com eles. Confesso, que nunca pensei sobre os sete pecados e tive que recorrer ao dicionário para entender os conceitos de alguns. Mas vamos ao que eu penso deles, e como vejo eles na minha vida.

Gula_Minhas gulas são insaciáveis, isso não posso negar. Poderia apenas dizer que sou fissurada por chocolate, ou frutas. Mas, minha gula se estende a vontade de conhecer e ter o mundo. Uma gula incontrolável de querer ir além do que sou e do que tenho, não no sentido material da coisa, quem sabe também dessa maneira. Acho, que sou visionária mesmo e minha gula maior é por conhecimento, novos lugares, novas culturas, assim novos molhos picantes em pratos afrodisíacos.

Inveja_Tenho sim inveja de algumas coisas. Não no sentido mal da palavra, quem sabe o que denominamos como "Inveja Boa", se é que essa expressão existe de fato. Sinto inveja de quem consegur ir longe, consegue ser grande. Quem sabe por que assim também quero e vou ser...

Ira_O que mais me deixa com ira, nervosa demais, é o julgamento sem cabimento. O julgamento com muitas acusações e poucas argumentações. Acredito na justiça, mas não na que os homens acreditam ser a mais coerente. Se o homem é o lobo do homem, por que deveria se acreditar na justiça feita pelos homens lobos, então?

Vaidade_Sou vaidosa sim com meu trabalho, minhas fotos, com o que escrevo...Sou vaidosa também com o meu cabelo, e às vezes com minhas unhas quando consigo deixá-las crescer...Gosto de saias compridas, de colares grandes e de brincos maiores ainda...To fazendo academia e tentando retomar uma dieta que abandonei na semana passada depois de passar alguns dias na casa dos meus pais.

Preguiça_Sou preguiçosa de manhã ao acordar, depois do almoço...e no final da tarde. Nada que me impeça de passar meus dias na correria, com muitos planos, projetos e papos, mas sou preguiçosa sim.....E queria uma praia e uma rede mais alguns dias...Não muitos também, por que monotonia me deixa muito nervosa...Não gosto de pensar demais na vida, por que penso demais, vivo de menos. E gosto de viver, e muito. O que me faz acreditar mais uma vez que é hora de acabar...

Avareza_Heheheh, o que é isso mesmo? Pelo que entendi avareza é apresso enorme por dinheiro, ou coisa do gênero. Gosto de dinheiro sim, por que sei o que é não tê-lo, no entando dinheiro não é o carro-chefe da minha vida. Ele pode comprar emoções, mas ele não é responsável em criá-las. Ou será que é? Bom, não sei o que dizer sobre este pecado. Gosto de dinheiro e quero ter bem mais para poder financiar minhas gulas, mas sei que ele não compra virtude.

Luxúria_Só a coisas subjetivas....


Aí estão meus e teus setes pecados capitais. É bem interessante pensar sobre eles...mas acho que ainda não tenho maturidade para identificá-los na minha vida....Mais bobagens e bobagens..

venerdì, gennaio 30, 2009

ela queria que o mundo terminasse ali...


Uma tarde cinzenta e miúda. Dessas tardes que chega doer o olhar de tão calado, tão parado. Ela caminhava. Não buscava nada, só se deliciava em pensamentos julgadores da felicidade abstrata de tantas pessoas a sua volta. Sentia a falta de calos nas mãos e seria capaz de passar a tarde toda a tatear apenas aqueles fragmentos.

Nada procurava, no entanto foi breve quando tudo encontrou. E as horas parecem que também paravam, inertes, um único foco. Tudo soava mais calmo agora, mais verdadeiro. Tudo era de um olhos mergulhados em falta de respostas. Era estranho carregar tantas memórias ainda na pele. Um toque, um olhar, uma palavra. E a tarde ia mais devagar, mais rápida...E como poderia um dia supostamente acabar? Sabia cada detalhe de pele, de cheiro, de olhares. Sabia descrever minuciosamente cada detalhe, cada palavra que seria dita..Poucas, no entanto, seu mundo parava naquelas horas.

Assim, naquela minúscula tarde vazia, tudo tomara um sentido indiscrítivel como se os calos às mãos pertencessem, como se as respostas ao mundo não abalassem. E tudo poderia morrer ali parado naquela paisagem, que sua vida seria mais uma vez feliz, mais uma vez verdadeira....

giovedì, gennaio 22, 2009

Tão pesado .... não falas mais nada

Os ossos exaustos dóem de amor
Nas emaecidas manhãs que se findam
As velhas unhas já sem cor
Querem se despedir das mãos que me duvidam...

Nos olhos pesam incongruências
Tão pesado, tão doído, tão absurdo
E as costas marcada de tantas penitências
Desfilam no chão sombrio, mas sorriem, contudo....

Divagam na dor aguda dos ossos
Versões, nítidas de querer, não querer
Como água destilada que as mãos tocaram no poço
E as costas a desfilar uma breve vontade de viver


É...tão pesado, tão doído, tão absurdo
Ossos, unhas, costas e mãos
O meu rosto repentinamento desnudo
E imaginar que a vida é assim precípua ilusão...


Versos de Fran Rebelatto, escrito nas margens de uma folha de papel hoje à tarde, quando mais uma vez as horas demoram silenciosamente a passar..Um eu poético, um tanto verdadeiro, um eu poético um tanto melancólico. Eu? Não eu? Entre poetas, fantasmas e a carne tudo é tão breve, tudo é tão fugidio....Gosto destes momentos de intensa solidão...

martedì, gennaio 20, 2009

...uma tarde mais...


A tarde rasga gargantas mudas
Espinhos dormentes cortam...
de uma nitidez quase desnuda
a fragilidade das horas que sobram...


Os pés rígidos cercados de desgosto
E os espinhos rasgam também a face
tudo são notas vagas longe de agosto
é a tarde...está vaga e longínqua tarde...



sabato, gennaio 10, 2009

rua…

Os pés ansiosos caminhavam apressadamente. A cidade muda, as pessoas inertes. Tudo era velho e estranho, ao mesmo tão familiar. Um pouco de ar, depois de dias no enclausuramente do meu quarto. Silêncio. Minha irmã balbuciava algumas palavras do meu lado. Eu evasiva sentia vontade de caminhar mais rápido.

A direção insensata das poucas palavras de saiam dos meus poros, era fugaz, desconhecida. Eu queria o cheiro de mar, queria o cheiro do outro lado do oceano. Quem sabe do inesquecível que ainda não conheço. O mundo tão imenso, nós tão humanos…

venerdì, gennaio 09, 2009

Saudades in the arms, legs, eyes...


Nostalgia ... Saudades love of the sea in the arms, legs, no eyes...

Saudades nos braços, nas pernas
no olhar evasivo que se espalha na madrugada doentia
tudo tão longe do mar
tudo tão abandonado em mim...

gosto amargo de saudade nos lábios
duro instante que não me ouve
é silêncio, nem mesmo frio
tudo está tão quente
faz mais uma madrugada de silêncio nos calcanhares...

Um toque, duas palavras
mas me abandonaste em meio ao concreto
os prédios gélidos, os olhares desconhecidos
a solidão, de fininho uma angústia corrói tecidos...

Minha doença é o excesso
minha falta do sal
minhas feridas no mar
meu amor queria encontrar-te ao final...

rimas desrimadas
vida, desvivida
do sofá, para as paredes mórbidas do quarto
quantas poesias piegas mais
só queria sua voz ao telefone
nem que fosse a me gritar...

martedì, gennaio 06, 2009

Ai que saudade do mar..amor


Eu não gosto do mar para tomar banho na sua água salgada, quando menos para deitar na areia e passar a tarde tomando banho de sol. Eu gosto da imensidão do mar, daquela fantástica magnitude que parece nunca ter fim...que parece que circunda o mundo tirando a respiração de quem gosta de metáforas.

Passei um bom tempo sem ver o mar...Meus pais nem o conhecem...Nunca tivemos a tradição de viajar em família nas férias para a praia ou coisa do gênero. Aliás nunca tivemos férias em família, os recursos eram poucos,e a vida que levávamos não permitia que toda a família saísse de casa. Quem mora pra fora sabe o que é isso, os animais dependem do homem e o homem depende do animal. Cumplicidade, ou então prisão, sei que as coisas nunca foram fáceis e por isso o mar era tão distante.

Mas sempre ouvi comentários sobre ele, muitas vezes o vi pelas novelas e filmes. Fiquei em frente a ele, bem depois dos meus 15 anos. E era de tirar o fôlego, aquela vontade de trancar a respiração para não atrapalhar aquela beleza...para não perder cada centímetro de metáforas que iam e voltavam com as ondas, com o vento gelado de uma viagem no inverno à Santa Catarina.

Mais tarde, os tempos mudaram, e a vida me levou muitas vezes mais ao mar...em tantos lugares deste país, que meus pais nunca seriam capaz de imaginar. Na semana passada depois de uns 2 anos sem mar, eu volto a tocar nele. Sentar em frente a sua magnitude e então me ponho a pensar que o poeta estava muito coerente ao explicar metáforas ao carteiro, ali na areia da praia, quando as ondas vão e vem....Quando a água, o vento e a brisa conseguem me fazer sonhar....E um dos meus maiores sonhos é levar meus pais até lá, bem pertinho para sentir a leveza do mar....Logo, logo se Deus Quiser...Pois para 2009, mais mar, mais vento na cara, mais mochila nas costas, mais família comigo....

venerdì, dicembre 26, 2008

Em 2009, novas janelas...


Gosto de pensar o novo ano como janelas, aquelas já citadas em poemas de Mário Quintana. O ideal seria se conseguissemos sair à rua como quem vê das janelas novas possibilidades. Das janelas novas paisagens, por isso um novo jeito de olhar. Da janela novos ares.

Bom, estou partindo para uns dias de férias de uma janela à beira do Mar, do sol, da areia...Depois mais uns dias em Charrua...Para todos, um 2008, com muitas janelas, com muita luz que vem delas, e com um novo olhar sobre o mundo, todos os dias ao abrir uma nova janela

giovedì, dicembre 18, 2008

Múrmurios

Decididamente, hoje estou muito mais indignada do que todos os outros dias. Perdão por ser assim, mas francamente eu não sai de Charrua, para sofrer, para passar minha vida de uma forma medíocre e sem sentido. E olha que nesse caminho entre sair de Charrua, e hoje estar aí disposta a ir muito longe no mundo, já fiz muito burrada, mas muitas coisas bacanas também.

Mas, assim, to de saco cheio dessa história de reclamar da vida. De pessoas, que vêem o seu umbigo como a única coisa sucetível aos problemas do mundo, como se o resto da humanidade não tivesse mazelas, como se as pequenas coisas insignificantes da sua vida fosse motivo para tragédias, para se trancar no quarto, para querer ver os outros sofrendo....

No entanto, temos escolhas, disso não temos como fugir, eu escolho voltar todos os dias...Fazer o que...Estou certa, estou errada? O que posso dizer é que preciso voltar, por que preciso provar para mim, para ti que a vida é mais linda do que se imagina, que o mundo é maior do que se pode crer...e que ser feliz é tão simples, e tão mágico. Pena, que tens medo...pena que tantos de nós temos medo...é muito mais fácil fugir, não é mesmo...É muito mais fácil vestir máscaras...sofrer...
É difícil admitir que se pode ser feliz, que se pode perdoar, que se pode amar...quem sabe tenha muito ainda que aprender...Assim, como eu....que a cada dia aprendo mais e mais...com dor, com alegria....Tudo num singelo acordar e dar sentido para a vida...

lunedì, dicembre 15, 2008

árvores...


Sinto vozes de um vento estranho a crepitar em mim...
Quem sabe são apenas as lamúrias destes longos e tardios dias
que não são nem mais, nem menos tristes
que não são nem mais, nem menos dramáticos

vejo que árvores tem raízes
das mais esbeltas, as rarefeitas
vejo que a beleza da eternidade reside em não divagar mansamente nesta infinitude
paro para escrever estas meia dúzias de vagas idéias

já é madrugada
lá fora mais calor, mais barulho da noite mansa, estranha
do alarme de um carro, algumas vozes, do boteco da esquina
aqui dentro novos porta-retratos, as costas tortas
e as árvores lá de fora que eu abracei naquela tarde?
Ai, as árvores....que não são nós, que não são sós...

as árvores e as madrugadas...queria abraçar eternamente...

giovedì, dicembre 04, 2008

Nas manhãs, nas madrugadas


Respingam gotas de solidão
sobre a noite esfacelada
a pólvora ainda seca nas mãos
e a doce e vil garganta calada...

Goteja o grito abafado
na quase madrugada despedaçada
O perfume dos meus olhos condenado
e um pedido às horas atropeladas

Não sinto mais brilhar
nem as manhãs, nem as passadas
sinto apenas a gotejar
o desejo de tudo ser um dia águas abandonadas.


Eu queria apenas voltar a ser feliz...Queria apenas te fazer feliz...

lunedì, dicembre 01, 2008

Um medíocre ponto-de-vista



Eu queria sentir a cabeça de curiosos homens que os artistas anônimos deixam esculpidas no meio do nada. Quem sabe são peça inacabadas, e por que não homens já feitos de tensões, apreensãos e felicidades?

Eu queria também, entender a cabeça de curiosos pensadores como Lévi-Strauss no seus 100 anos, de Darwin, Sócrates, Aristóteles, e a minha então, por que não. Eu queria entender as obras, também o sabor dos vinhos mais quentes.

E nesta batalha de tentar entender, Einstein um dia diria:

"Uma coisa é importante: abalar o que é chamado de realidade através de alucinações adaptadas, assim como alterar as hierarquias de valor do real".

Eu queria entender por que os fenômenos astronômicos demoram tanto tempo para acontecer, e por que as catástrofes são cada vez mais freqüentes. Eu queria entender, por que é necessário pichar as escadas da Cesma com uma "arte" vulgar e pequena. E por que tem gente que reclama tanto da vida, quando tem tantos e ínúmeros motivos para viver....

Caros, leitores, depois de uma breve hibernação introspetiva, cá estou de volta, ainda tentando entender o mundo, agora no caminho da antropologia... Mas ainda, com a mesma subjetividade tão pertinente e importante ( ao menos, do meu medíocre ponto-de-vista)

domenica, ottobre 26, 2008

Estava em mim...

O ar-condicionado
transpirava a leveza dos meus poros
Mãos nas guitarras
Olhos nos meus braços
Mais um gole
e você estava em mim
Mais um gole
e eu tão feliz assim...

Eu queria compor uma música.
Mas só me detenho em sonhar
Aqui comigo, aqui com você...
De bicicleta...e por que não caminhar?

Um poeminha leve, e muito sincero numa tarde chuvosa de domingo, que to trancada aqui na redação....Com tanta vontade de estar em casa..só mais um pouquinho, quem sabe para sempre entre minhas quatro paredes...

venerdì, ottobre 17, 2008

E as mazelas do mundo? Prefiro os fantasmas...


Há dias que não saio muito de casa, não tenho assistido televisão e apenas junto o jornal da sacada e jogo no sofá da casa. Tem sido confortável as 4 paredes do meu quarto, os estudos da antropologia e longas conversas no msn. Tem sido bem mais confortável minha cama e conversas com meus poetas fantasmas.


As poucas vezes que sai para a rua me detive em conversar com velhos amigos, velhos assuntos, sem novas teorias, quanto menos a reflexão sobre a realidade atual, questões econômicas, policiais e tudo mais. Tem sido confortável ir ao cineclube assistir filmes de memória, comer negrinho na casa de amigas falando besteiras e assistindo Xeque-mate. Tem sido confortável o café no final de tarde e quem sabe um dia o tão sonhado baguete. Uma breve volta até o banco, e comprei algumas roupas novas e voltei ao meu quarto.

Hoje, no entanto, me permiti um pouco mais, deixei de lado meu egocêntrismo destrutivo e descobri que as mazelas do mundo são intermináveis. E neste ato de me permitir saber o que estava acontecendo no mundo descobri que: a crise atingiu a empresa em que trabalho; que um casal de amigos terminou o namoro; que a mãe de uma amiga está com cancêr no rosto, depois da vida inteira se tratando para sinusite; que serão cancelados todos os estágios em jornalismo, e querem também derrubar o diploma; que devido a crise os investidores no filme do Rodon deram uma segurada, está tudo parado no cinema e ainda fiquei sabendo que um ex-namorado seqüestrou a namoradinha de 15 anos e ainda atirou nela e na amiga - o caso já perdura 101 horas e eu não sabia de nada.

Jantei atônita hoje, por que nem ao menos sei quantas maldades mais a Flora fez na novela. Jantei com o estômago embrulhado e continuo aqui perplexa por que mais uma vez a vida mostra que o mundo está cheio de loucos e a gente nunca sabe qual é o limite da loucura dos outros... Rapidamente me tranquei no quarto senhores, por aqui dentro minhas mazelas são bem menos doídas, e quanto as mazelas do mundo lá fora, é isso mesmo: deram sangue aos homens agora quem os pode entendê-los?

Com licença, mas eu preciso continuar entre minhas quatro paredes, com meus livros e apenas dialogando com fantasmas poetas. Por serem fantasmas, eles não tem sangue, por não terem sangue não tem calor, por não ter calor apenas sopram palavras bonitas no meu ouvido enquanto durmo...

giovedì, ottobre 09, 2008

Coloca sal nas feridas...que passa...


Sou adepta ao pensamento do Grassi: Sento para ver o filme pela primeira vez e me deixo envolver pelo espetáculo. Me envolvo Pela emoção e motivação que me faz permanecer em frente à tela. E foi isso que eu vi ontem no Filme "Netto e o domador de cavalos" - de Tabajara Ruas.
Mas, a pré-estréia do filme aconteceu durante um evento das ciências sociais, e ali no público encontravam-se: cientistas sociais, historiadores, "críticos de cinema", cineastas, jornalistas, estudantes ou apenas amantes da sétima arte.

E é óbvio que a interpretação de cada um está restrita ao seu modo de ver as coisas, a sua bagagem cultural e acadêmica que engessa de certa forma maneiras de pensar e até mesmo apenas apreciar um filme ao final da tarde. Para os cientistas sociais a memória que no filme é tão bem explorada poeticamente tem sentido muito mais amplo e antropológico. Para os historiadores a preocupação era com os fundamentos coerentes da pesquisa histórica que foi feita antes do filme, se tal personagem existiu de fato ou não. Para o "crítico" de cinema, sempre há problemas, sem há exageros. A música de Vitor Ramil não era adequada, o pôr-do -sol já virou clichê, a narrativa estava arrastada. Mas como diz Tabajara Ruas citando outro autor: "A crítica é nada". Para os amantes do cinema como Grassi e como eu (claro que em nível bem inferior) o filme estava um espetáculo de arrepiar o pêlo de qualquer um.

Sim, é certo que muitas coisas me incomodaram como a música do Ramil por exemplo, que para mim é linda, porém creio que precipitada em certos momentos de dramaticidade. A fotografia do fime é excepcional, afinal o Rio Grande do Sul por si só é de uma beleza e leveza incrível. O pôr-do-sol era de fazer qualquer cusco arrancar lágrimas dos outros. E não é um filme gauchesco, é um filme que reconta de uma forma encantadora e cheia de dor a lenda do negrinho do pastoreio. E sabe que nem mesmo o Tarcísio Filho de índio me incomodou, antes mesmo quando lia a "crítica" também achava meio estranho o personagem, mas vendo e sentindo o filme acho que não poderia ter sido uma melhor escolha. Ah e a narração? A narração foi o elemento esssencial. Foi o que deu mais vida, mais tom, mais beleza ao filme, para mim a melhor coisa de "Netto e o domador de cavalos".

Sei que estou rasgando só elogios, mas sei lá. Acho que de crítica Tabajara Ruas pelo que notei já está farto, acho que falta pessoas com sentimento livre e sem pré-concepções para apenas sentar num audirótio e apreciar, degustar o filme deixando se envolver por sentimentos. Acho sim, que muita cenas foram arrastadas demais com a das 100 chibatadas, ou então da briga entre o índio e o empregado do estancieiro. Daquelas cenas que de tão longas faz o público se retorcer na cadeira, falar baixinho incomodado. Mas, acho que no "Netto e o domador de cavalos" o arratar dessas cenas foi essecial para dar ainda mais dramaticidade e veracidade ao que foi de fato a história do nosso estado. Uma história abaixo de sangue, escravidão e muita dor...

Para finalizar creio que os cientistas sociais, historiadores e críticos tem que entender que Tabajara Ruas escrever romances, por isso "inventa" narrativas, reconta personagens e não tem obrigação histórica, antropológica ou de seguir esse ou aquele padrão cinematográfico. Tabajara é um literato, e por isso tem a liberdade de escrever apenas....Mas, acho que discussões como as de ontem sempre nos fazem pensar mais sobre o que vimos, o que produzimos e especialmente que cada um tem seu modo de ver, entender e julgar o mundo. E e muito fácil criticar quando se tem o olhar distante da produção, do fazer, da finalização. Quando se tem o olhar distante do ato de viver...
Mas como diziam os antigos põe sal nas feridas que passa..Ou então, deixa vivo que as formigas gostam mais...

venerdì, ottobre 03, 2008

Vale a pena contar histórias...

Concurso de Crônicas relembra histórias dos 48 anos da UFSM
02/10/08 16:10:05

A UFSM, através do Gabinete do Reitor e do Programa Volver, recebe até o dia 13 de outubro as inscrições para o 4º Concurso de Crônicas “A UFSM na Sua História: Coloque no Papel a Bagagem da Sua Memória”. A inscrição é gratuita e aberta a todos os egressos e formandos de 2008, sendo que o concurso visa ao resgate de acontecimentos vivenciados na instituição. A realização do evento é do Volver: Programa UFSM de Ex-Alunos, o qual possui mais de 4 mil egressos cadastrados que permanecem ligados à UFSM mesmo depois de formados.

Uma das vencedoras da 3ª edição do concurso, a jornalista Francielli Rebelatto destaca a importância de perpetuar as lembranças da época de universitária, em situações pessoais, profissionais, de amadurecimento, que apenas a universidade proporciona. Segundo ela, uma universidade pública como a UFSM, que possui tantos cursos e abriga tantas pessoas precisa reunir memórias simples, histórias engraçadas, tristes ou emocionantes que são desconhecidas, observa.

A premiação do concurso, entre os egressos, é de R$ 1500,00, R$ 800,00 e R$ 400,00 para os 1º, 2º e 3º lugares, respectivamente. Os três melhores classificados entre os formandos serão premiados com R$ 1000,00, R$ 600,00 e R$ 300,00. Os vencedores também receberão brindes como livros e cursos de idiomas. O regulamento está no site
www.ufsm.br/volver.

Mais informações pelo telefone (55) 3220-8222 ou pelo e-mail projetovolver@gmail.com.
Ta aí pessoal a notícia divulgada no site da UFSM..Vale a pena contar histórias...E eu sou testemunha disso....

giovedì, ottobre 02, 2008

Hoje senti seu olho brilhar..É ela..a Própria Fênix...


Confesso que assistir Waking Life de ressaca não foi a melhor opção do dia. O café regado a discussões políticas foi empolgante, mas o filme, ai o filme. Aquele que me embrulha incontidamente o estômago foi um sacrifício. É como aquela história do masoquista dizendo para o sádico: "Bate - bate" e o sado respondendo secamente: "Não". Para um sado nada pode ser mais empolgante que privar um masoquista do seu maior prazer. Para um masoquista nada como assistir Waking Life em momento de crise existencial. Mas, convenhamos que minha crise existencial é meio que ininterrupta. Deve ser coisas de pessoas que tem apenas 24 anos de idade.


Quem sabe, Corra lola corra me entenderia ou então Happy Feet com seus minúsculos pés a sapatear. Onde, eu estava mesmo? A sim, o filme, ou o sonho? Sonho, mas como viver e compreender o mundo ao mesmo tempo. Bom, eu confesso que não quero ser uma formiga e procuro momentos humanos verdadeiros. Sim, queria falar de momentos humanos verdadeiros. Eu gosto de olhar estrelas jogada na grama, mas a opção por mais uma cervejinha ontem à noite foi algo surpreendente e muito divertido. Existem amigos. Existem parceiros. Existem amores. E existem sonhos.


Mas o sonho é destino. E os sonhos somos nós mesmos, nossas projeções, vivências e personagens que se configuram em verdades na narrativa filmica que toda a noite gravamos , ali no nosso inconsciente. Não sou pscicóloga, nem vidente (quem sabe Bruxa, como disse convicta a profeta Eunice). Sei muito pouco dessas áreas, quanto menos das religiões e crenças que tentam explicar e justificar o mundo. Nem sei ao certo no que acredito. No entanto, o sonhos são nossas criações, Baby. O que tememos, o que desejamos, o que alimentamos no nosso amâgo, nas nossas rugas mais atentas aos desejos que alimentamos ou que às vezes optamos por esconder.


É, chego a conclusão mais uma vez nesta madrugada que sou uma tola, com teorias vazias. Mesmo assim, queria ter visto também o homem de olhos brilhantes. Mas, quando voltei sua casa já não estava mais lá. A racionalidade é defesa. Assim, como a subjetividade justifica muitas coisas. Pois é, mais uma vez os perturbadores Paradoxos.


Waking Life na tela e no meu estômago verdes idéias incolores se remexiam. Acho que agora sim, Fênix está renascendo de suas cinzas...

domenica, settembre 28, 2008

Fumaça..tapete..solidões viscerais...


Fumaça corre sobre a pele.
Mais uma tragada..Mais um gole fundo de água.
Voa na fumaça sentimentos fétidos
Desce pela boca aglutinadas confusões...

Fumaça carrega uma solidão
O disco de Legião riscado..
Quem me dera se fosse um disco real
Mas se o táxi pra estação lunar não existe
por que esta noite vazia haveria de existir....

Fumaça alcança tímpanos
e os olhos lacrimejam o que treme as pernas..
Gosto de solidão pelos cantos imundos
Cobertas, roupas, algumas moedas
e as mãos frenéticas na fumaça...

Barulho do mar..mas tudo está do outro lado do mar...
e eu me escondo neste quarto que já não tem mais rumo...
Só confusão..só vontade de dançar com a solidão...sob um tapete..quem sabe vermelho...

lunedì, settembre 22, 2008

É preciso caminhar




Não exitei em acordar às 6 horas da manhã. Sabia que meu amigo estava vivendo um momento muito importante, que eu já tinha experimentado há muitos anos atrás, por isso precisava estar do lado dele. Uma mala de rodinhas lotada, mais uma nas costas, e um travesseiro com a fronha suja. O pai e a mãe nervosos tentam disfarçar a angústia, a dor de ver mais aquele filho partindo. Mas eles sabem que os filhos são feitos para o mundo, e meu amigo sabe que já é hora de se lançar nele.

Na mala além de quinquilharias vão medos, apreensões, esperanças, liberdade, a vontade de um dia voltar. As roupas e livros nem são o motivo do peso, mas o que pesa é o desconhecido, o novo caminho que está sendo traçado, uma nova vida que lá longe já começa a se formar, quando decidimos a dar o primeiro passo.

No caminho para a rodoviária, poucas palavras. Os pais parecem que estão longe. Meu amigo relata procedimentos que fará na nova cidade, e eu contenho minhas lágrimas. Afinal já teria vivido aquele momento e sabia da imensa confusão que estava por traz dos olhos daquele menino, agora homem que decidira partir. Nunca vou me esquecer do dia em que sai de casa e decidi vir morar em Santa Maria. Foi a segunda vez que vi meu pai chorar com intensidade (a primeira vez foi quanto meu irmão viajou). A primeira vez que meus pais ficam no lado do ônibus até eu me sentar, ajustar minhas bagagens e começar a sonhar.

Eu estava com medo, com muito medo, pois não imaginava o que me esperava, mas eu sabia com toda convicção o que queria. E da janela do ônibus as paisagens se desfaziam, as lágrimas corriam, e aos poucos planos começavam a serem traçados. O fato é que ao chegar em Santa Maria tudo estava diferente, e eu estava sozinha. O medo aumentou, eu me perdi pelas ruas, em manhãs de chuva incessante. Mas, aprendi o caminho, fiz novos amigos. Já fui e voltei para casa tantas vezes. Com um travesseiro debaixo do braço, com as malas lotadas de bugigangas e aquele velho isopor.

E Ia esquecendo do velho isopor. Meu amigo, a partir de agora vai entender o valor que tem aquele velho isopor, que trouxemos de casa embaixo do braço. Ele perturba, ele causa incomodo, ele é pesado, ele é um baita pé no saco. Mas aquele isoporzinho de “uma figa” meu amigo quantas vezes vai te salvar. Quanto levantou tarde e não deu tempo de fazer almoço. Quando o mercado já fechou. Quando não se sabe cozinhar, ou quando apenas quer matar a saudade do tempero da mãe, da avó. E assim vai matar a saudade de tudo que ficou e que depois de estar um bom tempo longe de casa se dá o verdadeiro valor.

Partes meu caro amigo, sem remorso...Vais longes e verás que dá vontade de ir mais além. E que estar longe de casa sim, às vezes é a melhor escolha para nos darmos conta do quanto ela foi importante para nós....Do quanto amamos tudo que deixamos para traz. Nunca vou esquecer da paisagem pelo caminho na primeira vez que dedidi partir de lá.
Hygino, vai ser lindo e nós estamos torcendo muito por ti..........

giovedì, settembre 18, 2008

Roleta para as crianças...Balões para as larvas...


Pegar o ônibus linha UNIVERSIDADE sempre é promessa de um bom tema para postagem. Corri para alcançá-lo. Esbaforrida sentei num banco atrás da roleta do cobrador. Sozinha. Na parada seguinte uma mãe com um esperto menino, que tinha no máximo 4 anos subiu. A mulher sentou do meu lado. O piá numa facerice só entrou no ônibus a mil, parecia que ia fazer a coisa mais importante da vida dele (quem sabe o tenha sido). Nervoso pediu logo o dinheiro para a mãe:

_Deixa que eu pago. Deixa que eu pago _fala insistentemente o menino.


A mãe lhe deu R$10,00. O piá sem temer correu para o cobrador e com o braço todo estendido, e nas pontas dos pés alcançou o dinheiro para ele, que só via a mão da pequena criatura abanando. Sem baixar a mão o menino esperou o troco e dava risada ao olhar para a mulher.
Entregou o troco correndo na mão da jovem senhora e se foi para a roleta. Agora sim, ele estava fazendo a coisa mais incrível da vida dele, parecia que se aquela roleta não girasse naquele momento ele não seria mais feliz. Tentou, tentou e a mãe pediu para que esperasse mais um pouco.


Eu e o cobrador nos olhamos de canto de olho e rimos. A mãe devido a insistência do filho girou a roleta. E aquele pequeno piázito foi por um instante a pessoa mais feliz do mundo.


Para nós - "adultos" - roletas não precisariam existir.

lunedì, settembre 15, 2008

Um balde de flores....E sinto cada um dos seus perfumes


Hoje não é dia do amigo, nem estou agora perto do meu melhor amigo. Mas, hoje quero dedicar breves palavras aos meus amigos. Motivos? Teria todos os dias para lhes escrever, mas confesso que por vezes eles passam despercebidos, em outros dias não consigo dizer-lhes tudo que sinto. E na maioria dos dias sufoco tantos com as minhas confusões que esqueço de lhes dizer: Obrigado por vocês estarem na minha vida.

Mas, o fato é que não estou nas melhores fases da minha vida (ok, ok, mais uma crise Jeito Fran Rebelatto de ser). No entanto, está "má" fase desta vez está me judiando. Insônia, má digestão, lágrimas na madrugada, vontade compulsiva de comer as paredes. Exaustivas tentativas de esquecer tudo, válvulas de escape mal-sucedidas.

Mesmo com tudo isso e mais com um ego de uma virgiana dramática, eles estão ali. Eles estão aqui. Estão de manhã quando acordo sem o bafo na nuca...Estou ao meio-dia quando faço a receita mais antiga da minha vó. Estão de tarde no banco da frente, com um cigarrinho na mão. Estão nas melodias do final da tarde, quando sentas a me decifrar. Estão no começo da noite nas linhas mal-acabadas do Msn. Estão no carro, pelas ruas distantes de uma Santa Maria. estão no telefone angustiado que queria ter saldo mais do que ilimitado. Estão nas madrugadas gargalhantes, em que falamos, apedrejamos, corremos, nos escondemos em papos inesgotáveis até às 7 da manhã.

Os amigos estão no meio de uma valsa, de uma cumbia. Nas letras das músicas mais compridas. Nas cifras indecifráveis dos violinos chorosos. Naqueles bancos de madeira velha gelados, gelados. Nos beijos nas bochechas vermelhas. Em mais uma dança que parece que nunca vai acabar...Estão nos versos das metáforas mais elaboradas (se é que alguma metáfora seria capaz de explicar). Eles estão distantes, nas entrelinhas de pixels. Nas lembranças dos cheiros dos caminhos ao final de tarde, numa segunda-feira ao voltar para casa. Os amigos, estão numa cerveja na sacada.

Eu sinto vontade de chorar, por que sem amigos eu não seria nada. Eu sinto vontade de chorar por que tenho colo, tenho ombro, tenho peito, tenho palavras e versos a me esperar no olhar suave e agressivo de cada um dos meus amigos. Eu sinto vontade de chorar por que tenho garganta, tenho sensibilidade, tenho humanidade nas mãos de cada um dos meus amigos. Eu sinto vontade de chorar por que tenho canções, ritmos, mais uma madrugada nos passos de cada um dos meus amigos....

Obrigado por estarem na minha vida. E agora, me escondo mais um pouco para escrever brisas nos versos desta noite. Estou sem nenhum de vocês aqui a me tocar, mas tenho todos aqui me fazendo suspirar....

venerdì, settembre 12, 2008

Outro caminho...Obrigada pelas manifestações...

Relatos sobre a vida de uma jornalista que recém está dando as caras no mercado de trabalho você pode acompanhar aqui: http://www.cameranamao.blogspot.com/ - um blog que não tenho há tanto tempo quanto este, mas que já tem um certo caminho. Ali destino a escrever, relatar, refletir sobre a fotografia, sobre o fotojornalismo, sobre o dia-a-dia nesta profissão que escolhi e continuo acreditar ser extremamente apaixonada.

E aqui neste espaço verdinho, minhas viagens mais pessoais, meus delírios no meio da noite, minhas metáforas durante o resto do dia. Tudo com paixão, tudo para valer a pena (ao menos para mim, claro).


E obrigada mesmo, do fundo do coração pelas manifestações que tantas pessoas tem me dado em relação aos meus blogs..Eu não faço a mínima noção de quem me lê por aqui, mas quando tenho consciência de que é muita gente, e de que as pessoas se emocionam com o que trago nestas linhas, sério, não tem dinheiro, e não tem sentimento capaz de explicar o que sinto...É muito gratificante, e tudo isso deixa a vida ainda mais bonita...

martedì, settembre 09, 2008

Só mais um cigarro..


Ao abrir a porta cheiro de blues. Metáforas espalhadas nos traços. Tudo ali é vagamente poesia. Me refugio no meio de algumas tardes confusas, por ser e estar imersa na minha confusão interminável. Sento, e peço que decifra-me o olhar - sem palavras - só com ritmos estonteantes do semblante a me interrogar. Desce pela minha espinha esguia na cadeira que balança. Cresce pelo meu olhar a segurar uma ponta a mais de lágrimas. Corre pelas minhas veias vulneráveis. Fala em tons compulsivos da minha, tua face.
Sinto-me nos pés que tremem embaixo da cadeira. Das mãos nervosas que procuram papéis desconhecidos na parede. Da saliva crespa na tua boca (quem sabe seria doce). Saio dali satisfeita, leve e desfeita de mim. Sai dali com vontade de voltar e fumar mais um cigarro nas poéticas horas findas. Me entende, me decifra. Possua-me está noite, então por favor?

venerdì, settembre 05, 2008

No espelho..me toquei...

A alma estrangulada se retorce ensurdecedoramente. As entranhas saltam por entre correntes de sangue quente. O sangue geme. Tudo procura carne. Tudo procura novos tratados. Vermes corróem. As veias dilatam-se. Queria partir. A alma porém sem asas. Os olhos porém sem lágrimas não querem cantar. Não caibo mais em poesia. E o grito dilata tímpanos. O espelho vai explodir. Toca minha garganta. Esquece meu coração. O espelho vai explodir na madrugada. Insônia. Loucura. Aflição. A alma estrangulada quer cantar.

giovedì, settembre 04, 2008

Metáforas..pela última vez

Eu juro que essa vai ser a última vez que vou justificar um texto meu. Não que eu tenha que fazer isso, quanto menos devo fazer isso, mas eu só queria mais uma coisinha antes de tudo acabar: Amor, eu escrevo metáforas....E espero que um dia Pablo Neruda de frente para o mar te explique o que é uma metáfora.

martedì, settembre 02, 2008

Eu e meus 24 anos...Sou a perfeita imperfeição...

Comprei um caderno de desenho, lápis 6B, um apontador, também algumas canetas para rabiscar versos. E hoje, ao completar 24 anos, recomecei a desenhar. Queria desenhar a vida sem dor, sem cor, sem tristeza, sem alegria, sem diferença, sem igualdade. Queria a vida neutra, estável...enfim, apenas vida sem ter como definí-la. Entendem?

Mas aí eu pensei que teria que esquecer de todas as referências dos meus 24 anos, por que neles nenhum dos sentimentos, situações acima estiveram ausente:
E eu Francieli Rebelatto, uma eterna virginiana dramática e exagerada digo que nos meus 24 anos:

Adoro espinafre frito a milanesa. Aprendi a tomar milk shake do Mc'Donalds. Adoro comida chinesa, gaúcha, um bom mate, uma cerveja gelada. Tequila em breves momentos, vinho me deixa ruborizada. Gosto de coisas geladas, mas também não descarto coisas quentes e amargas.

Contradigo-me sim, meu caro amigo, por que eu vivo intensamente a vida, para temer ter novos discursos todos os dias. Hoje sei o que é rock'roll, mas ainda não conheço bem o Jazz. Hoje eu começo a aprender a jogar truco, mas ainda não sei jogar perfeitamente petecas, quando menos sei fazer tricô e crochê como queria minha mãe. Hoje eu choro e choraria quantas vezes mais fosse preciso. Choro por que sofro, amo, erro, acerto, me emociono, sinto saudades, reencontro motivos para chorar, pessoas para abraçar e momentos para relembrar.

Hoje eu conheço a cidade grande: Porto Alegre, Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus, Florianópolis, Londrina, Brasília, a Amazônia. Conheço lugares além das Fronteiras – Colômbia, Peru, Argentina, Uruguai e sou apaixonada pelos limites fronteiriços e seus imbricamentos culturais. Mas eu amo cidade pequena. Aquela que fica perto de algum lugar, com cheiro de comida de fogão a lenha, com terra molhada, com gente falando de outras gentes. Gosto de muito movimento e do pouco movimento. Gosto de cidades...Gosto também do sabor doce do campo.

Hoje eu ainda não aprendi a ter um relacionamento amoroso completamente saudável e acredito que levarei mais 24 anos para ainda não ter certeza de como é isso. Por isso começarei a partir de amanhã usar filtro solar todos os dias (ta aí uma sugestão de presente). Mas eu lembro de perfumes (opa, outro presente), eu lembro dos frascos, lembro do teor dos abraços, e tenho certeza que alguns nunca irei esquecer. Já tive paixões calmas, paixões fugidias. Breves beijos na madrugada e uma noite inteira de amor não interrompido. Já encontrei o homem da minha vida, e por mim hoje eu daria meio mundo para estar com ele. Nestes relacionamentos, eu amei, me entreguei, escrevi poesias, contos, versos, palavras bobas. Já imaginei viagens para o outro lado do mundo, fotografias que seriam recortadas em porta-retratos de estante. Pensei nos presentes de aniversário, de final de ano, de páscoa, de dia dos pais, de dia dos namorados. Eu adoro datas comemorativas e adoro dar e ganhar presentes.

Nos meus 24 anos eu errei e como errei. Erros de português nos textos da faculdade, contas de matemática do 2° grau. Mas já errei com pessoas, com atitudes, com julgamentos, já errei com precipitações, por acreditar que poderia ter o mundo como eu quisesse, assim tão simples. Já machuquei outras pessoas por ser egoísta, por ser descrente, quem sabe por não saber como amar, ou como amar o outro da forma como ele precisa. Porém, já acertei muito também, fui motivo de orgulho para meus pais, para meus amigos, para meus chefes. Já dei gargalhadas de manhã, já fui responsável de tarde e já fiz músicas de noites.

Já fotografei coisas sensacionais e já errei a medida da entrada de luz pela lente. Já escrevi poesias coerentes. Em outras situações apenas divaguei pensamentos absurdos. Já quis ser freira. Escrevi cartas para as irmãs fransciscanas. Já fui catequista na minha comunidade e já fui presidente de um Grupo de Jovens. Já fui à festa do fetiche, fiz strip e visitei casas noturnas com luzes vermelhas. E conheço espelho no teto também.

Já andei de bicicleta, de avião, de carro e de nuvens de algodão. Mas quebrei o pé num salto alto. 3 ossos de uma vez, numa sexta-feira à noite. Tentei andar de patins no Parque Itaimbé, mas foi depois de uma festa no velho Aldeia Bar. Ops, levei vários tombos, aquele dia e quantos mais dias que os tombos existiram. Tenho marcas nos joelhos, quando pulava corda no meio da estrada do chão.

Eu escrevi textos objetivos: de TV, de jornal. Escrevi crônicas e textos sem nexo (como este) mas me detenho mais nos discursos ainda em construção. A sei lá, gosto de ler o mundo com meus olhos verdes e úmidos sem me interessar muito com as interpretações. Já fiz uma faculdade. Valeu a pena. Comecei outra e também valeu muito a pena. Hoje quero mestrado, doutorado, mercado de trabalho. No fundo mesmo quero ser Editora de Fotografia da National Geografic Diário de Santa Maria (eheheh). Encarei a vida em alguns momentos com romantismo. Em outros momentos fui total descaso a porra do mundo, da vida, das pessoas.

Sou romântica, vislumbrada, visionária. Sofro por antecipação e sofro sempre sem distinção. Mas sou toda gargalhadas e entusiasmos na madrugada. Adoro frio: pinhão na chapa, vinho, bafo na nuca e mais um pouco de livros em frente a lareira. Adoro calor: verão, praia, passos na areia e passeios na mata atlântica.

Ia esquecendo dos esportes: já joguei vôlei, futebol, futsal, lutei nin-jutsu, capoeira e judô. Mas gosto mesmo é de esportes radicais, saltar do alto de um moro, corrida do saco, nado em riachos com bastante pedra e limo. E viajar para o outro lado do rio com um cipó por estourar...

Bom, nos meus 24 anos eu sou uma pessoa: Inteligente. Versátil. Apaixonada. Carente. Briguenta. Educada. Insegura. Super segura. Instável. Às vezes mulherzinha. Às vezes mãezona - foda-se o mundo pelos filhos. Concreta. De vidro. Fotógrafa. Poeta. Bonita. Com rugas e celulite. Viajante. Dona – de – casa. Colega. Pé-no-saco. Facera. A mais triste. Sou um erro. Quem sabe ainda posso ser um acerto. Já fui o amor da vida de alguém. Quem sabe um dia ainda posso ser. Enfim, vamos acabar com essa palhaçada sou perfeita nos meus 24 anos. Mas quanta imperfeição em todo este discurso...Eu quero rir, só isso, ao menos hoje, eu preciso rir, apenas isso...E depois me mandem um táxi direto para a estação lunar, por que sou uma humana normal, normal que transpira insanidade...

lunedì, settembre 01, 2008

Os lábios mais úmidos da multidão...

Hoje, sinto vontade de beijar os lábios úmidos do mundo
me aninhar nos teus braços quentes de manhã
e o do início ao final da tarde escrever involuntariamente poesias breves

Hoje gostaria de permanecer em estado de insanidade constante
não sentiria os lábios, mas estaria nos teus braços mais uma vez
Hoje, eu não queria mais chorar
Mas queria tuas lágrimas na minha boca
E meus lábios úmidos fugiriam para um não além...

Gritaria, gritaria, gritaria
E minha língua estaria na tua garganta
úmida...

martedì, agosto 26, 2008

Busca insensata pela noite

Quente deslizou sua silhueta sobre a noite. Quase noite. Patas reluzentes. Eu vi andar com poses atraentes. Serpentinas a brilhar. Rosa estúpida. Deitava seu perfume doce nos pescoços, e pelo ar deixava uma vontade de escancarado começo de noite. E os quatros comodos, incomodos. E o vinho quente da alma, reluzia nos seus olhos inflamados.

Quente penetrava unhas. Face desnuda de não saber dizer. Escuto apenas suas nuâncias permeáveis. Era começo de noite. Permaneço mudo. Inquietante deslizar de seus cabelos negros. Era noite. E as patas sobre minha cama a se aconchegar.

domenica, agosto 24, 2008

Guria..Não te detenhas..sigas em frente e não olhes para Traz


Para pai e mãe:
Quando estamos magros - estamos magros demais
quando estamos gordos - estamos gordos demais
mesmo depois dos 24 é um absurdo estarmos fora de casa depois das 22hs
mesmo depois dos 30 ainda é preocupante se bebemos um pouco a mais
mesmo depois dos 40 ainda é triste quando acabamos um relacionamento
mesmo depois dos 50 devemos continuar tomando remédio para vermes
quando voltamos a0s 15 somos os que merecem colo
quando ainda não temos emprego, somos os mais cobrados, os mais recompensados


Com pai e mãe:
O tempo é mais rápido quando próximos
mais devagar quando distantes
mais bonito quando temos colo
mais triste quando restam saudades
as histórias tem mais sentido
e a vontade de crescer é infinita


Pelo pai e a mãe:
Eu ladrilharia ruas
criaria as mais intensas poesias
derramaria as mais verdadeiras lágrimas
daria as mais cobiçadas gargalhadas
mentiria para evitar-lhes sofrimentos
e sofreria por eles, se pudesse em todos os momentos


Um final de semana com pai e mãe:
Vontade abrupta de lançar-me em lágrimas
de roçar-lhe a barba
de pegar na mão
de contar segredos
de esvaziar pensamentos, incertezas e confusões
Vontade de dançar até a última música
de tocar todos os violões
Vontade de caminhar de mão dada pela rua mais frenética da minha realidade
e de braços abertos voltar as ruas que nasci..


Uma vida com pai e mãe
Criaria um caminho de neve branca e leve que os levasse ao outro lado das dunas
lhes mostraria o mar
traria a brisa a seus dias
e lhes daria metáforas ao final da tarde
Chegaria ao topo do mundo para gritar-lhes
Todos os pensamentos bons, as consquistas bonitas
os resguardaria das mãos secas, dos dias longos e frios
os guardaria da realidade tão nua, tão pesada


Mas eu sou uma filha, apenas mais uma, e por isso tão importante. E sendo filha lhes trago problemas, confusões, mais peso, alegrias, poesias, fantasias. Lhes trago o peso de cada fase da vida e a leveza de mais um dia nas suas vidas. Como filha, eu os amo, eu sinto falta deles, e eu tenho necessidade de lutar para lhes dar uma vida melhor.
Bom, este texto é um pequeno desabafo de uma filha que passou o final de semana com os pais, que estão longe sempre a guiar, sempre a lutar. E amigos, se vocês soubessem da história, da humanidade e da força desses meus pais, vocês também chorariam ao vê-los partir...
Não tem preço, não tem documento, não tem sentimento que seja capaz de explicar a vontade que tenho de dar-lhes o mundo, de dar-lhes o tudo...tão breve, tão pequeno...Apenas mais um abraço de pai e mãe...
Guria, não te detenhas, segues em frente e não olhe para traz...Mas como é difícil engolir a lágrima que toca mais uma vez o olhar...

martedì, agosto 19, 2008

E o vento? Mas eu queria um caramelo...


A madrugada corre solta lá fora.
Do lado uma xícara de chá.
Canções de Edith Piaf.
Gotas de silêncio.
Devasto a sede dos meus matagais.
Os pensamentos devorados
E o vento meu amigo
não me procurou
As multidões são arrastadas
e a garganta seca como o lábio
tudo tão furioso.


E o meu amigo vento?
Mais um gole de chá.
Baby, quanto vale um homem?
Estrangularia meu riso.
E mais um gole de chá
Vento amordaça minha retina
Tudo é vontade de olhar e te tocar
uma vez mais...
um caramelo chegou ao fim
deixa então uma vez mais eu te provar...


Um táxi
e eu devoraria também as calçadas
Não admito que me fale assim
todos me chamam
vamos ver o mar
mais um gole de chá
brisa e incansáveis metáforas
Cala- te boca, companheiro
eu quero apenas um caramelo
e o silêncio de mais um cometa
Estrangularia minhas lágrimas...


Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.....cala-te..................chega de gritar....................




lunedì, agosto 18, 2008

Saltaria a janela. Mas o piano toca


As notas são dedilhadas na minha espinha gélida. Caem vozes dos precipícios cerúleos da face quase desnuda. Gargalham os fantasmas atrás da porta. Sobem devagar teus passos pela velha calçada. E as notas frias, violentas se jogam no cobertor quente dos outros olhos.

Um piano. A canção. A sala de jantar. E os pares pelos lados. As janelas são grandes. Me tiraste para dançar. Um passo. Dois passos. Teus olhos. Meus olhos. E tudo é leve. As notas, porém pesam. É a brisa lá de fora. O filme mal traçado. O cavalo levemente amarrado. Uma estrada estreita. A mata ainda molhada. O vestido apertado. Tuas mãos calejadas.

O piano. As mãos soam as badaladas. Me tiras mais uma vez para dançar. Cúmplices. Românticos devaneios. O filme. Os olhos. Estás a ver as escadas. E o vento nas grandes janelas. Lá fora. Tudo repousa infinitamente calmo.

Tudo devora minha alma. Corro mais uma vez. Os passos apressados. A mata é densa. A chuva é forte. E as janelas, tão belas. E teus cabelos longos. Os seios. Os mais doces e quietos seios. É ela na madrugada. E o cavalo também já partiu.

O piano na sala. A grade sala toca, toca. Os passos cessam. As escadas emudecem. Você não volta. Eu não olho. A janela se fecha. A mata seca. As folhas repousam. E tudo é inverno mais uma vez. Mas, o piano ainda toca. O filme devagar roda. Danço suavemente com a minha solidão...

Emudecem-se. Todos caem. Nada sã. Tudo vão. O piano toca. Espinha retorce-se. O piano e a espinha cúmplices natos, agora que a janela permanece fechada.

domenica, agosto 17, 2008

Opa...os tímpanos..


Os típanos já estão ausentes de mim. Os pés tremem embaixo da mesa, no meio da poeira. Mas tudo é pó, tudo é vontade alucinada de trepar ao topo do mundo e gritar exaustivamente até os confins dos becos de Paris me ouvirem. Sou toda pó e solidão, sou toda pele calejada de mastigar as palavras. E a pele treme ao tocar. As mãos balbuciam mais um breve instante de poesia.Tudo é retógrado nas minhas rugas cansadas. Tenho chorado, mas também tenho deitado no meio da rua para olhar as estrelas. Mas e o caos. Caos fumegante nas entranhas, nos meus dedos entrelaçados. Foda-se a poesia, a rima, a fotografia, a insanidade que invade meu corpo, tenta me seduzir, me leva pra cama, me chama de amor. Mas és a insanidade, invade o poros se deita comigo, cospe na minha boca. E eu vegeto, viro uma mera degustadora de insanos pensamentos carrascos. Ai, mas quem me dera mais uma vez os cheiros daqueles becos, desacertados encontros frenéticos de uma possuída madrugada. Eu quero me abandonar, e encontrar os cavalos galopantes que me levam ao outro lado do universo. Transporia os gostos das meretrizes e me diverteria com a própria incerteza de viver. Queria que o mundo sentisse meus órgãos dançando neste momento. Tudo é visceral, tudo é uma sensação de torpor dançante...

Relatos de dias cinzas...


Um gosto amargo na boca
o estômago embrulhado
tudo ainda é fétido em mim
da cor das paredes cinzas
do cheiro azedo de velhos tempos....

Um gosto muito amargo na droga da boca
um telefone com vontade de tocar
os cabelos impregnados de cigarro
da cor cinza de uma noite vazia
do cheiro podre de velhas atitudes...

Um gosto ainda mais amargo na boca
palavras escuras rasgadas
mãos cortadas de tanto escarro
e a felicidade momentânea foi levada
pelo álcool, pela insanidade, pela inverdade...

Sou uma poeta infame
que delira vagacidades
numa tarde faminta,
tenho um gosto amargo na boca
e queria apenas sentir fome...
queria apenas acreditar que acordei...

Palavras que são resquícios de um final de semana degradante, que a Fran muito humana, inspira a Fran poeta e imaginária...para rimas nada coerentes e para realidade nada satisfatória...A querem saber foda-se a racionalidade...eu estou sofrendo. POnto. E tenho certeza que a Fran também está, só pra variar.... Mas aprendi que o maior erro na vida é fugir da dor...nada pode servir como válvula de escapa quando se é um eterno romântico apaixonado pela vida. Por isso, eu vivo minha dor, incolor...e hoje sem sabor...

martedì, agosto 12, 2008

escrevo e brinco com a descrença


Às vezes eu escrevo que as flores falam devagar comigo no meio da madrugada.
às vezes eu escrevo que o mundo grita calejando meu ouvido
às vezes eu escrevo que Deus existe de mansinho na cabeceira da minha cama
às vezes eu escrevo que os caminhos são tortuosos engoliram minha face
às vezes eu escrevo que a insanidade caminha lado a lado cá comigo
às vezes eu escrevo como um poeta, em outra como um passarinho
às vezes eu não escrevo...
às vezes eu apenas vegeto em frente ao espelho pálido...

às vezes eu escrevo, para que me leias...e eu deixe ser apenas um ser incrédulo e patife no meio de tanta vida...

sabato, agosto 09, 2008

desabafo desafinado em meio a racionalidade...

noite
vaga
poeticamente indelicada
noite
clara
poeticamente desnecessária
noite
amarga
poeticamente nada
tudo em mim é caos
saudade
confusa noite
só mais uma...

meias novas
e o cheiro do moleton...

venerdì, agosto 08, 2008

Palavras...relações..toxidades..

Uma linha
racionalidade
insanidade.
Apenas um suspiro
e eu passo poeticamente
de um lado
para outro

com as mãos pesadas
com sangue nas veias
com frieza
De um lado
de outro
uma linha tênue
o homem
o animal
racional
tudo insano

Me sinto assim
ora na linha
ora de um lado
ora ali, do outro
toxidades


E você sabe onde está?
você quer apenas acreditar
somos uma relação tóxica
toxidades nos mantém
de um lado
de outro

mercoledì, agosto 06, 2008

Uma tragédia...quem nunca teve?

Ontem eu precisava respirar, mais fundo, mais brando, mais intenso. Hoje eu continuo precisando respirar, no entanto, ontem eu encontrei o lugar. O Teatro Caixa Preta da UFSm é um lugarzinho particular no mundo. Até os mais insensíveis seriam capaz de sentir a energia que existe entre aquelas paredes, que são cercadas de mitos, de lendas e muito mais de vontade.

E ficar por ali sentindo a energia da inquietação daqueles atores em dias de estréia, me fez respirar bem devagar, com menos angústia. E eu tinha certeza que ali queria ficar, como se aquele fosse o único e último lugar do mundo. Sentiria pés de ventos, os braços leves, os passos tensos. Quem sabe tudo estaria equilibrado no platô, quem sabe mais um pouco, no que ainda não estaria no palco.

Mas eu estava ali para respirar, aliás para fotografar. Respirei, fotografei, e um pouco de mim ficou ali - sem maldade, sem sacrifícios. Um pouco de mim, o melhor de mim ficou ali, o outro tanto melhor saiu para a rua comigo. O pior? As energias tratariam de dissipar...

Bom, mas voltamos as fotos, aos atores, ao espetáculo: OTELO - O Mouro de Veneza - no Teatro Treze de Maio - 07 e 08 de agosto. O espetáculo promete. Uma tragédia clássica, em ares contemporâneos. E quem não tem tragédia, quem não tem exageros??? Eu tenho e por vezes me arrependo...

lunedì, agosto 04, 2008

O caminho da universidade já foi tão familiar em outros tempos. Agora já me parecia estranho, apesar de estar no mesmo lugar. Peguei o ônibus no centro e durmi, batendo a cabeça no vidro da janela (velho costume). Por vezes acordava e apreciava a paisagem do caminho, sem muitas diferenças.

Na época da UFSM as estações do ano passavam rápidas, algumas frias, outras nem tanto, mas as mudanças no clima e na vegetação estavam já tão adaptadas ao meu dia-a-dia que não veria maiores mudanças. A percepção era leve. Mas hoje depois de tanto tempo ser por meus olhos naqueles ares, percebo que é inverno e no campus as árvores estão secas, sem folhas, poucas sombras, mas muitas sombras.

A paisagem me deixou triste, estava tudo meio vazio, eu queria sair dali. Peguei um ônibus de volta. Mas no caminho percebi que nem a mais brusca primavera hoje me faria ver o dia diferente....Nervoso, sem folhas, sem vida....E eu queria uma última vez te fotografar com as retinas dos meus olhos nus...

martedì, luglio 29, 2008

Seus seios...


Cheiro de vento nos pés
Pés leves como a bruma colorida de outrora
Caminho sobre as vísceras alegremente dispostas
da tarde que devagar se finda
Meus ares de solidão caminham
e quando eu chegar
quero apenas ver seus cabelos longos
sobre os seios...bonitos...

lunedì, luglio 28, 2008

The secret - Olhe para suas mãos

Bom até que um dia eu assisti The Secret. Os comentários tinham sido muitos, dos que gostavam do "documentário" e tinham mudado sua forma de pensar depois dele, e daqueles que tinham achado um lixo.

Bom, o que eu senti? Hummmm. "Olhe para sua mão, depois feche os olhos e as veja agarrando o volante do carro dos seus sonhos"/ "Colei uma nota de dólar no teto do meu quarto e comecei a projetar minha vida para ganhar 100 mil dólares por ano". "Moro numa mansão que vale uns 3,4 milhões de dólares, já passei férias nos lugares mais sensacionais do planeta, esse é o segredo, pensamentos positivos".

A vai te fuder cara, morando numa mansão dessas e passando férias aonde quiser, se não tiver pensamento positivo, tem que se ferrar mesmo. Opa, ok, exagerei. Eu acredito na lei da atração e acredito sim e muito no pensamento positivo e especialmente que o mundo é energia, que a vida é energia. Mas isso, nunca foi segredo, foi? A física quântica já disse isso, os grandes nomes que apareceram no filme também, e nos meros mortais creio que também o sabemos. Mas isso é uma questão de modo de vida de cada um, de força, de disciplina, de coerência, sei lá, enfim.

The secret é um segredo do capitalismo selvagem, apocalíptico, exagerado e por vezes me parece até que irreal. Para mim, um lixo, nos termos práticos que eles tentam mostrar. Mas, teoricamente é formidável e só veio a acalhar na minha maneira de pensar, de ver o mundo. O segredo é saber o que aproveitar e o que deixar de lá de cada narrativa.

O segredo amigo, quando deixar de ser segredo....não tem mais sentido, não é mesmo...O segredo é se jogar....

venerdì, luglio 25, 2008

No meu dedo e que seja no teu também....

Percebi que ela estava nervosa - no mínimo incomodada com a presença dele ali. E ele estava no meu dedo, em alguns momentos negro, noutros azul - em breves momento verde.

Dizem que ele é capaz de mostrar pela cor como está nosso humor - quanto mais escuro pior está os meandros de nosso dia. Bom, se isso é verdade ou não , não tenho ainda firmeza em responder, mas que o anel do humor tem funcionado direitinho, ah se ele tem.

Ela não resistiu tirou o anel do meu dedo e se aventurou em usar. Ele permenecia azul - indicação de que nosso humor está bom. E ela ainda descrente quanto ao ser real essa história de humor ou não. De repente ela ficou nervosa - por motivos que não precisamos mencionar aqui- e adivinhem o anel foi junto com ela. Negro, negro...

Pô, Susana tem coisas que continuam sendo inexplicáveis para nós...E quantas....eu quero sempre verde- é mais limpo, é mais puro, é mais bonito. E este blog desde o comeõ sabe sua cor, mesmo que as entrelinhas, em muitos momentos seja negra...perturbada cor....

Dias verdes para todos...

giovedì, luglio 24, 2008

Incolores ausências...

Vontade de mastigar flores
AMARELAS
VERDES
INCOLORES
Vontade de mastigar insensatez

lunedì, luglio 21, 2008

De volta para casa....


5 horas de viagem. Olhos inchados. Constante confusão.
A paisagem lá fora é apenas mais uma obsessão.
Todos permanecem encima do muro. Assistem.
E a garota que queria mudar o mundo volta para casa.
E lá, eternamente queria ficar.
Escondida do mundo, agora sem mais procurar os heróis.
Tudo é obsessão na janela do quarto daquele mundo....

martedì, luglio 15, 2008

Tudo se mastiga em mim...


Tudo vai sair pela boca:
estômago, coração, alma, vísceras
Passos me assombram
teus passos sobre mim
mastigam minha subjetividade...

lunedì, luglio 14, 2008

Nem só carne, nem só espírito...

Tinha uma mão sobre minhas costas. Em meu corpo muito suor, tudo estava sendo mais nítido agora, depois que bruscamente arrancaste de mim, aquela dor. Era profunda, se espalhava por toda a espinha, por todas as costelas espaçadas.

Eu gritei nos primeiros instantes, mas também o grito breve foi abafado. Tudo se tornaria complacente, lento, venéreo. Tudo se tornaria apenas respingos de suor. Reconheci no entanto seu rosto. Rugas traçadas do canto dos olhos, o rosto fino mais bem desenhado que já conheci. E até mesmo o cheiro que te impregnava não me era estranho.


E arrancaste toda a dor que trazia ali no alto das minhas perturbações. Tudo era perturbação, tudo era a dor alojada no membro não mais estridente. Tudo agora era apenas suor. O corpo calejado, inclinado de costas para tua face. Mais um grito afinal e tinha me arrancado aquela nervosa, angustiante, fatídica ... dor. Estaria livre, então? ....

OBS.: Nem tudo que escrevo aqui deve ser entendido como referência da minha realidade nua, crua, mas pode ser apenas devaneios e resquícios de minhas perturbações, que muitas vezes ultrapassam a barreira do real, do carnal. E eu Não quero ser carne, eu não quero ser só espírito....Tenho este blog como refúgio para loucuras que passam pela minha cabeça, para sonhos que tenho durante a noite, ou apenas para divagações literárias sem desejo nenhum de impressionar, apenas quero escrever, me entendem?? Então para quê, o tempo todo querer julgar??

venerdì, luglio 11, 2008

Horas crepitam em mim...



Horas...profundas...quentes e silenciosas
O vento ainda geme em mim
quer entrar
passos depois do almoço
e uma calçada mal traçada
e o vento continua soprando em mim
um brasido recomeça a crepitar
ânsia de querer encontrar
no vento..a chama
mas a noite vem para atormentar...
na noite saudade...tristeza
falta de um olhar

giovedì, luglio 10, 2008

Tudo é dor em mim


Nos reunimos no sofá da sala, uns goles de vinho e um desafio...Falar da dor, pois eu estava em dor, quem sabe eles também estivessem... Mas não a dor em sim, mas a dor em tudo. Por isso:
anaDOR
incentivaDOR
feDOR
conquistaDOR
estivaDOR
avaliaDOR
passaDOR
motivaDOR
aspiraDOR
amaDOR (opa, essa foi mal)
AvassalaDOR
jogaDOR
lenhaDOR
tatuaDOR
manipulaDOR
velejaDOR
sonhaDOR
galanteaDOR
arrebataDOR
apontaDOR
condicionaDOR
enfim, tudo é dor em mim, tudo é dor no mundo...
e tem também amor, opa, opa, essa é do grupo do locutor
E você também conhece DOR????

martedì, luglio 08, 2008

O vinho, o livro, o verbo intransitivo....

O vinho de leve traz um torpor inquietante aos poros. Livros, poesias, correntes no calcanhar das músicas do Zé. Saudades chegam devagar com o cheiro do vinho que entorpece. Sem confetes, sem carnaval, sem biografias....e ouço o som que me ensinaste um dia a apreciar. Majestosamente o vinho reflete as horas que de badalada em badalafa escoam em mim, nas entranhas machucadas, nas pálpebras dos olhos úmidos, porém tão vazios nesta noite. Noite doentia, de vontade desesperada de escrever, os devaneios banham a incompreesão de um humano atônito..

Contemplo os instantes, de gole em gole, de sangue em sangue....Um vale profundo, uma beira de mar, a água vem - vai. Os meus pensamentos deixam o mundo dos vivos, se alastram por luz frígida na qual vomito saudade. A ferida caleja no minúsculo músculo da face, na carne viva da alma em chamas. Mas, é o vinho este mundado, é o seu reflexo nas rugas de minhas mãos...Tudo assim, tão devagar, tudo assim a latejar....Regojito, vomito, papiros. Torturas e o nervo se contrai, com precisão. E no delírio, meus medos rompem o silêncio, a aflição, as veias, as palavras, a demência. Tudo que é luz, se torna luz, mas é o vinho que me tem em alucinações. Nada mais é pálido e viscoso, tu tens luz, eu tenho reboliço em mim....

E grito para então me calar, diante de ti, da tua imagem, minha imagem. Tua face na saudade ininterrupta de tua ruga, tua marca, teu cheiro. Eram os trovões, todo o céu, todo o vinho e eu queria a fenda, a prece do poeta para um dia nas cordas e lamentos deixar de ser saudade....Cavalgo, deliro...me ensinaste a não te esquecer....Ninguém me compreende quando digo que sou visionário..para o mundo ireis me obrigar a lutar na loucura do mundo...

lunedì, luglio 07, 2008

Turvo e não caminhar mais....


Turvo...Tudo estava turvo. Pernas embaralhadas, mãos suadas, os óculos embassavam pouco a pouco, precisava sentar. Mas o caminho continuava turvo. Adentrei por aquela porta sem ao menos pensar por que meus passos me traziam para aquele lugar, sentei nas fileiras imensas e chorei mais um pouco. A dor era infindável....corria por todas as veias, pelos poros, pelas unhas, pelos objetos ao meu redor...

Olhava cegamente para frente, o som era leve, o escuro era pesado, mas o caminho continuava turvo...Estava cansada de chorar, de caminhar perdida, estava cansada de penar, de amar, e de não pensar mais em mim...
Mas mais uma vez ele me disse: Você tem muita luz para se entregar assim...Coloquei o óculos, ignorei o bipe do celular, continuei no caminho turvo, mas por ora eu precisava continuar...

Certas razões nos levam a insanidade e por isso o caminho é turvo e você não pensa mais em que passo dar, apenas cai no turvo desejo de não caminhar mais....E um homem aprisionado na sua loucura, ninguém pode querer explicar...Sou insana, turva...