mercoledì, agosto 06, 2008

Uma tragédia...quem nunca teve?

Ontem eu precisava respirar, mais fundo, mais brando, mais intenso. Hoje eu continuo precisando respirar, no entanto, ontem eu encontrei o lugar. O Teatro Caixa Preta da UFSm é um lugarzinho particular no mundo. Até os mais insensíveis seriam capaz de sentir a energia que existe entre aquelas paredes, que são cercadas de mitos, de lendas e muito mais de vontade.

E ficar por ali sentindo a energia da inquietação daqueles atores em dias de estréia, me fez respirar bem devagar, com menos angústia. E eu tinha certeza que ali queria ficar, como se aquele fosse o único e último lugar do mundo. Sentiria pés de ventos, os braços leves, os passos tensos. Quem sabe tudo estaria equilibrado no platô, quem sabe mais um pouco, no que ainda não estaria no palco.

Mas eu estava ali para respirar, aliás para fotografar. Respirei, fotografei, e um pouco de mim ficou ali - sem maldade, sem sacrifícios. Um pouco de mim, o melhor de mim ficou ali, o outro tanto melhor saiu para a rua comigo. O pior? As energias tratariam de dissipar...

Bom, mas voltamos as fotos, aos atores, ao espetáculo: OTELO - O Mouro de Veneza - no Teatro Treze de Maio - 07 e 08 de agosto. O espetáculo promete. Uma tragédia clássica, em ares contemporâneos. E quem não tem tragédia, quem não tem exageros??? Eu tenho e por vezes me arrependo...

lunedì, agosto 04, 2008

O caminho da universidade já foi tão familiar em outros tempos. Agora já me parecia estranho, apesar de estar no mesmo lugar. Peguei o ônibus no centro e durmi, batendo a cabeça no vidro da janela (velho costume). Por vezes acordava e apreciava a paisagem do caminho, sem muitas diferenças.

Na época da UFSM as estações do ano passavam rápidas, algumas frias, outras nem tanto, mas as mudanças no clima e na vegetação estavam já tão adaptadas ao meu dia-a-dia que não veria maiores mudanças. A percepção era leve. Mas hoje depois de tanto tempo ser por meus olhos naqueles ares, percebo que é inverno e no campus as árvores estão secas, sem folhas, poucas sombras, mas muitas sombras.

A paisagem me deixou triste, estava tudo meio vazio, eu queria sair dali. Peguei um ônibus de volta. Mas no caminho percebi que nem a mais brusca primavera hoje me faria ver o dia diferente....Nervoso, sem folhas, sem vida....E eu queria uma última vez te fotografar com as retinas dos meus olhos nus...

martedì, luglio 29, 2008

Seus seios...


Cheiro de vento nos pés
Pés leves como a bruma colorida de outrora
Caminho sobre as vísceras alegremente dispostas
da tarde que devagar se finda
Meus ares de solidão caminham
e quando eu chegar
quero apenas ver seus cabelos longos
sobre os seios...bonitos...

lunedì, luglio 28, 2008

The secret - Olhe para suas mãos

Bom até que um dia eu assisti The Secret. Os comentários tinham sido muitos, dos que gostavam do "documentário" e tinham mudado sua forma de pensar depois dele, e daqueles que tinham achado um lixo.

Bom, o que eu senti? Hummmm. "Olhe para sua mão, depois feche os olhos e as veja agarrando o volante do carro dos seus sonhos"/ "Colei uma nota de dólar no teto do meu quarto e comecei a projetar minha vida para ganhar 100 mil dólares por ano". "Moro numa mansão que vale uns 3,4 milhões de dólares, já passei férias nos lugares mais sensacionais do planeta, esse é o segredo, pensamentos positivos".

A vai te fuder cara, morando numa mansão dessas e passando férias aonde quiser, se não tiver pensamento positivo, tem que se ferrar mesmo. Opa, ok, exagerei. Eu acredito na lei da atração e acredito sim e muito no pensamento positivo e especialmente que o mundo é energia, que a vida é energia. Mas isso, nunca foi segredo, foi? A física quântica já disse isso, os grandes nomes que apareceram no filme também, e nos meros mortais creio que também o sabemos. Mas isso é uma questão de modo de vida de cada um, de força, de disciplina, de coerência, sei lá, enfim.

The secret é um segredo do capitalismo selvagem, apocalíptico, exagerado e por vezes me parece até que irreal. Para mim, um lixo, nos termos práticos que eles tentam mostrar. Mas, teoricamente é formidável e só veio a acalhar na minha maneira de pensar, de ver o mundo. O segredo é saber o que aproveitar e o que deixar de lá de cada narrativa.

O segredo amigo, quando deixar de ser segredo....não tem mais sentido, não é mesmo...O segredo é se jogar....

venerdì, luglio 25, 2008

No meu dedo e que seja no teu também....

Percebi que ela estava nervosa - no mínimo incomodada com a presença dele ali. E ele estava no meu dedo, em alguns momentos negro, noutros azul - em breves momento verde.

Dizem que ele é capaz de mostrar pela cor como está nosso humor - quanto mais escuro pior está os meandros de nosso dia. Bom, se isso é verdade ou não , não tenho ainda firmeza em responder, mas que o anel do humor tem funcionado direitinho, ah se ele tem.

Ela não resistiu tirou o anel do meu dedo e se aventurou em usar. Ele permenecia azul - indicação de que nosso humor está bom. E ela ainda descrente quanto ao ser real essa história de humor ou não. De repente ela ficou nervosa - por motivos que não precisamos mencionar aqui- e adivinhem o anel foi junto com ela. Negro, negro...

Pô, Susana tem coisas que continuam sendo inexplicáveis para nós...E quantas....eu quero sempre verde- é mais limpo, é mais puro, é mais bonito. E este blog desde o comeõ sabe sua cor, mesmo que as entrelinhas, em muitos momentos seja negra...perturbada cor....

Dias verdes para todos...

giovedì, luglio 24, 2008

Incolores ausências...

Vontade de mastigar flores
AMARELAS
VERDES
INCOLORES
Vontade de mastigar insensatez

lunedì, luglio 21, 2008

De volta para casa....


5 horas de viagem. Olhos inchados. Constante confusão.
A paisagem lá fora é apenas mais uma obsessão.
Todos permanecem encima do muro. Assistem.
E a garota que queria mudar o mundo volta para casa.
E lá, eternamente queria ficar.
Escondida do mundo, agora sem mais procurar os heróis.
Tudo é obsessão na janela do quarto daquele mundo....

martedì, luglio 15, 2008

Tudo se mastiga em mim...


Tudo vai sair pela boca:
estômago, coração, alma, vísceras
Passos me assombram
teus passos sobre mim
mastigam minha subjetividade...

lunedì, luglio 14, 2008

Nem só carne, nem só espírito...

Tinha uma mão sobre minhas costas. Em meu corpo muito suor, tudo estava sendo mais nítido agora, depois que bruscamente arrancaste de mim, aquela dor. Era profunda, se espalhava por toda a espinha, por todas as costelas espaçadas.

Eu gritei nos primeiros instantes, mas também o grito breve foi abafado. Tudo se tornaria complacente, lento, venéreo. Tudo se tornaria apenas respingos de suor. Reconheci no entanto seu rosto. Rugas traçadas do canto dos olhos, o rosto fino mais bem desenhado que já conheci. E até mesmo o cheiro que te impregnava não me era estranho.


E arrancaste toda a dor que trazia ali no alto das minhas perturbações. Tudo era perturbação, tudo era a dor alojada no membro não mais estridente. Tudo agora era apenas suor. O corpo calejado, inclinado de costas para tua face. Mais um grito afinal e tinha me arrancado aquela nervosa, angustiante, fatídica ... dor. Estaria livre, então? ....

OBS.: Nem tudo que escrevo aqui deve ser entendido como referência da minha realidade nua, crua, mas pode ser apenas devaneios e resquícios de minhas perturbações, que muitas vezes ultrapassam a barreira do real, do carnal. E eu Não quero ser carne, eu não quero ser só espírito....Tenho este blog como refúgio para loucuras que passam pela minha cabeça, para sonhos que tenho durante a noite, ou apenas para divagações literárias sem desejo nenhum de impressionar, apenas quero escrever, me entendem?? Então para quê, o tempo todo querer julgar??

venerdì, luglio 11, 2008

Horas crepitam em mim...



Horas...profundas...quentes e silenciosas
O vento ainda geme em mim
quer entrar
passos depois do almoço
e uma calçada mal traçada
e o vento continua soprando em mim
um brasido recomeça a crepitar
ânsia de querer encontrar
no vento..a chama
mas a noite vem para atormentar...
na noite saudade...tristeza
falta de um olhar

giovedì, luglio 10, 2008

Tudo é dor em mim


Nos reunimos no sofá da sala, uns goles de vinho e um desafio...Falar da dor, pois eu estava em dor, quem sabe eles também estivessem... Mas não a dor em sim, mas a dor em tudo. Por isso:
anaDOR
incentivaDOR
feDOR
conquistaDOR
estivaDOR
avaliaDOR
passaDOR
motivaDOR
aspiraDOR
amaDOR (opa, essa foi mal)
AvassalaDOR
jogaDOR
lenhaDOR
tatuaDOR
manipulaDOR
velejaDOR
sonhaDOR
galanteaDOR
arrebataDOR
apontaDOR
condicionaDOR
enfim, tudo é dor em mim, tudo é dor no mundo...
e tem também amor, opa, opa, essa é do grupo do locutor
E você também conhece DOR????

martedì, luglio 08, 2008

O vinho, o livro, o verbo intransitivo....

O vinho de leve traz um torpor inquietante aos poros. Livros, poesias, correntes no calcanhar das músicas do Zé. Saudades chegam devagar com o cheiro do vinho que entorpece. Sem confetes, sem carnaval, sem biografias....e ouço o som que me ensinaste um dia a apreciar. Majestosamente o vinho reflete as horas que de badalada em badalafa escoam em mim, nas entranhas machucadas, nas pálpebras dos olhos úmidos, porém tão vazios nesta noite. Noite doentia, de vontade desesperada de escrever, os devaneios banham a incompreesão de um humano atônito..

Contemplo os instantes, de gole em gole, de sangue em sangue....Um vale profundo, uma beira de mar, a água vem - vai. Os meus pensamentos deixam o mundo dos vivos, se alastram por luz frígida na qual vomito saudade. A ferida caleja no minúsculo músculo da face, na carne viva da alma em chamas. Mas, é o vinho este mundado, é o seu reflexo nas rugas de minhas mãos...Tudo assim, tão devagar, tudo assim a latejar....Regojito, vomito, papiros. Torturas e o nervo se contrai, com precisão. E no delírio, meus medos rompem o silêncio, a aflição, as veias, as palavras, a demência. Tudo que é luz, se torna luz, mas é o vinho que me tem em alucinações. Nada mais é pálido e viscoso, tu tens luz, eu tenho reboliço em mim....

E grito para então me calar, diante de ti, da tua imagem, minha imagem. Tua face na saudade ininterrupta de tua ruga, tua marca, teu cheiro. Eram os trovões, todo o céu, todo o vinho e eu queria a fenda, a prece do poeta para um dia nas cordas e lamentos deixar de ser saudade....Cavalgo, deliro...me ensinaste a não te esquecer....Ninguém me compreende quando digo que sou visionário..para o mundo ireis me obrigar a lutar na loucura do mundo...

lunedì, luglio 07, 2008

Turvo e não caminhar mais....


Turvo...Tudo estava turvo. Pernas embaralhadas, mãos suadas, os óculos embassavam pouco a pouco, precisava sentar. Mas o caminho continuava turvo. Adentrei por aquela porta sem ao menos pensar por que meus passos me traziam para aquele lugar, sentei nas fileiras imensas e chorei mais um pouco. A dor era infindável....corria por todas as veias, pelos poros, pelas unhas, pelos objetos ao meu redor...

Olhava cegamente para frente, o som era leve, o escuro era pesado, mas o caminho continuava turvo...Estava cansada de chorar, de caminhar perdida, estava cansada de penar, de amar, e de não pensar mais em mim...
Mas mais uma vez ele me disse: Você tem muita luz para se entregar assim...Coloquei o óculos, ignorei o bipe do celular, continuei no caminho turvo, mas por ora eu precisava continuar...

Certas razões nos levam a insanidade e por isso o caminho é turvo e você não pensa mais em que passo dar, apenas cai no turvo desejo de não caminhar mais....E um homem aprisionado na sua loucura, ninguém pode querer explicar...Sou insana, turva...

giovedì, luglio 03, 2008

Vazios...distantes vazios...

vazio atemporários
inconstantes melancolias vigentes
sede de latejantes gotas cristalizadas
de vinho
Fome compulsiva do anterior...

pensamentos vagarosos
cadeiras indispostas
pés gelados displicentes
batem no chão


No chão, que vai..vai
Bate, bate não
os pés, a falta de atenção....

mercoledì, giugno 25, 2008

Me perguntava uma vez por que seguir os mesmos caminhos
Hoje, já sou capaz de responder:
que no mesmo caminho estou por que ele vale muito a pena....
e por isso vivo poema,
na dor, não cor
no caminho que a cada dia sou capaz
de vê-lo em outras entrelinhas
Palavras calvas, em dias vagos...

martedì, giugno 17, 2008

Vomitando uma manhã....



Vontade visceral de regogitar saliva//doce, amarga, saliva estridente//os olhos amassados //Carnal desejo de vomitar venéreas chamas//quente, secas, sedentas//mãos grossas que me acalma.

Dor exaustiva na garganta estrangulada//deliro minuciosas crateras de confusão//lendo passos afastados, amargos//hora de voltar... vontade visceral de despertar da manhã quieta entre nós// desfazer saudades...

giovedì, giugno 12, 2008

Devorando árvores...pensamento...seguindo a linha...


Há dias tortuosos, assim como há opiniões adversas.

Há caminhos profundos, assim como há idéias escassas

Há pessoas desconfiadas, assim como homens na beira do mar

Há palavras imprevisíveis, assim como decisões mais acertadas

Há noites que me lanço pro mundo

noutros beijo o espaço

Há dias que quero ajudar, assim como há egoísmos latentes ao meu redor.

Há na beira do mar,

em outros tantos dias tortuosos

caminho para se julgar....



Palavras inspiradas em Zé Ramanho que se espalha no meio da noite confusa e também numa decisão que tomei durante o dia, que para mim foi a menos egoísta, a que eu gostaria que fizesse por mim. Mas, o mundo é egoísta e mais dias tortuosos existirão....porém não serei um vão no mundo....

martedì, giugno 10, 2008

Gélido em mim....

Sentia frio na espinha, nos joelhos e também meus pés tirintavam desgostosos com a madrugada. A janela batia, pois o vento irritado insistia em me perseguir.
Longa noite de inverno, as prisões me emudecem e o sorriso ao lado do roupeiro me escraviza. Vigias meu sono que demora a chegar e me depois me leva as profundezas de pesadelos sem nexo. Está frio, meus músculos fracos vegetam na cama desarrumada. É preciso durmir, é preciso sossegar...Fantasmas da madrugada não me deixam a apagar leve, errante, perdido....
É hora de partir, é hora de apagar os resquícios do outro mundo....

sabato, giugno 07, 2008

O que você entende nem sempre é o que eu quis dizer!!!!

Para mim as coisas são assim....natural....Sem encanação, escrevo e posto as coisas aqui sem me importar muito com o que os outros vão pensar, ok. Até por que este blog é um blog pessoal de devaneios e loucuras das minhas madrugadas, manhãs ou tardes sem sentido. Se tenho intenções?
Sim, sempre temos intenções ao fazer qualquer coisa, ao tomar qualquer atitude, ao escrever qualquer palavra. Mas assim, caros leitores nem tudo que eu escrevo por aqui corresponde exatamente com o que vocês vão entender. Somos seres, subjetivos e por isso nem todos vêem este nascer do sol aí da foto do mesmo jeito, com a mesma tonalidade, com a mesma intencidade.

O por que desta postagem? Sei lá, to revoltada...
E assim, às vezes eu só quero escrever, só quero fotografar, só quero devanear, entende, sem estar pensando que isso é para fulano ou ciclano.....Só quero escrever...só isso....

martedì, giugno 03, 2008

4 anos...2 dias...Saudades sem número...Na CEU !!




Está sendo estranho. Confesso. Depois de 4 anos morando na Casa do Estudante - CEU, agora sinto saudades. No começo eram 60 meninas no mesmo quarto, mais de 80 na fila para o mesmo banheiro, Tomar banho, lavar roupas, fazer necessidades. Sem nenhuma privacidade, mas foi breve.

Passei pelo bloco 15. No começo moramos em 3, num quarto para 2, mas o negócio era ser solidário, ninguém ficaria mais na União. Conheci pessoas que hoje fazem mestrado em São Paulo, físicos, engenheiros químicos, agrônomos, engenheiro elétrico, guitarristas, artistas. Almoço no domingo, opa durante a semana janta coletiva, uma briga para lavar a louça, mas todos a disposição para olhar um filme, ou tocar violão. O pai de alguém viria, o churrasco estava marcado. Putz, e como eles eram irmãos. E como eu me sentia protegida, mesmo com pesaço na cabeça quando treinávamos nin-jutsu na calada da noite. O Jairo que o diga, por aquele acontecimento até hoje não sou mais tão normal.

Nos mudamos para o 21. Agora moravámos em duas. O Banheiro continuava coletivo. 3 lugares para o banho, mais 3 para as necessidades. Vizinhos que até hoje ainda merecem filosofias no meio de uma festa. Sim, eles também acreditavam que um homem não pode viver sem "fé e política" - num sentido muito mais amplo que merece estas palavras. Paredes do 21 que muitas coisas viram acontecer, novos vizinhos, novas histórias absurdas, visitas inesperadas, barulhos estranhos e comprometedores na noite escura e perversa. Tristeza no meio da madrugada quebro o quarto e me tranco no banheiro. Nada de anormal no CEU já vi muito mais, inclusive amigos no psiquiátrico, no meio da madrugada alguém mais se entristeceu.


Time de futsal, vôlei e não é que ganhamos até caixa de cerveja por isso. Quantos tragos, algumas boates, algumas domingueiras no Hall, muitos almoços e jantas no RU. Muita cumplicidade. E acesso à internet no laboratório de vários cursos. Mas éramos do bem, caminhávamos calados na noitinha. Camas no alto do teto, medo de cair, mais fazíamos tantas coisas lá em cima, lá embaixo então nem se fala.

Por último o 3119. Mais do que um bloco, mais do que um apartamento. Ali 3 pessoas, depois 4, 5, 6 e até que um dia 07. Volta a 6, depois 5 mas esses podem ser 10. Diversidades de opiniões, apesar de gostos parecidos. Pipocas espalhadas pela casa e brigas com os vizinhos. Ali todo mundo já surtou um dia. Pelo cara que usa teu sabonete no banheiro, pela comida que faltou na geladeira, pela porta que todos sabem abrir. Todos já riram muitos dias, normais ou um pouco alterados. Todos com sonhos, com intensidades, com vontade de viver abruptamente, irresponsavelmente, responsavelmente. Alguns com cara e personalidade de artistas, outros com vontade de o ser, alguns refugiados na comunicação, mas com visão de sociólogos, antropólogos ou afins. Vizinhos estranhos e inertes. Seres estranhos espalhados pelos cantos, Horlas, damas de vermelho, só faltava o vinil.

Muitas vezes sem grana. Domingo no almoço a Tia do 1 real. 5 horas, 6 horas da manhã pegar ônibus voltar para a Universidade. Banho de sol na lage, encima de um dos blocos. Encontro pelos corredores. Convivência, respeito mútuo, diversidade, verdade e sacanagem.


Sinto saudades da Casa do Estudante, mesmo que façam somente dois dias que me mudei. Sinto saudades do vento gelado embaixo da ponte e dos cartazes da vizinhança pelas escadas. Da Diversidade cultural nos churrasco que aconteciam na frente da minha janela: uns ouviam música gaúcha, outros aderiam ao Funk e eu sussura a eterna Elis, enquanto degustava o verde Saramago. Sinto saudade, e me atrevo a dizer que quem não passou, almoçou, conviveu, dançou, morou no CEU não sabe de fato o que é uma universidade.