martedì, maggio 30, 2006

Racionalidade? Loucura? Humilhação?

Depois de algumas horas dormindo no meu velho colchão, eis que me acordo num momento bem interessante do Fantástico. A repórter, filósofa, enfim falava sobre a razão e a loucura e não é que isso se encaixou com muitas coisas que vivo, vivemos (mas isso não vem ao caso).

Essa reportagem me fez refletir sobre muitas verdades ou apenas concordâncias minhas com a repórter. Passo, também a me perguntar o que seria a razão e a loucura. Questões como as que pontuo abaixo me fazem refletir e espero que a vocês também:

- Quando a razão passa a ser adotada como norma ou ao menos como o coerente, os diferentes ou ousados passam a ser descartados da nossa sociedade. Considerados loucos estes “seres” são podados a pensar e agir de maneira que fuja do senso comum, o fato é que a razão é a certeza que temos, enquanto o louco constitui os devaneios de uma mente longe da realidade.

- Será que um pouco de loucura não é necessário para criar? Não sei ao certo o que os senhores pensam, mas pessoalmente minhas criações (que não são poucas) provêm de momentos desligados da racionalidade, que atravessam as barreiras do julgado normal e se adentram no mundo “louco”, da estranheza. E quanta coisa boa surge daí? Afinal, nossos maiores filósofos, físicos, matemáticos, comunicadores não foram julgados como loucos, bêbados e indecentes? O ruim é que às vezes o reconhecimento vem só depois da morte.

- Será que não podamos a criatividade quando adotamos uma sociedade igualitária, racional? Creio que sim, basta olharmos para nossa “cultura contemporânea” para vermos o que nossa falta de criatividade de uma sociedade simplista e generalizadora tem produzido.

- E finalmente, será que quando excluímos a loucura não ficamos mais tristes? Mais uma vez diria que sim, a razão bloqueia milhares de possibilidades que fogem do senso comum e nos transformam em seguidores de uma coisa que não acreditamos. Ao menos eu não acredito. Porém, eu se não for racional, tenho certeza quem tentarão me descartar, ou então, me chamarão de louca.

Raiva, sinto por que não consigo fugir completamente da racionalidade, mas feliz fico por que mesmo que tentem me sabotar, meus pensamentos jamais possuíram. Nossa! Esse final parece à descrição de um túmulo de algum pensador importante, com certeza “louco”. Um dia, certamente, será, mas espero que me permitam lutar até lá pelas minhas idéias antes de ter meu túmulo. Espero que minhas idéias sirvam ao menos para alguém refletir, se esse alguém for eu, já valeu de alguma forma.

Um fim fatalista? Obscuro? Diferente? Estranho? Sim, pois nesse momento eu, Francieli Rebelatto, me cansei da racionalidade. E eu, Francieli Rebelatto, me considero uma louca. Descartada? Não terá coragem nem o mais racional dos seres, por que sabe ele que assim como eu existe milhares, milhões, quem sabe todos! Porém aos poucos somos podados, descartados ou simplesmente humilhados!

Maldita hora que acordei, não acham?

Esse texto é uma homenagem aos petianos que assim como eu estão sendo prejudicados ou ao menos atingidos de alguma forma com as leis que regem esse país, bom mas mais palavras sobre isso vem depois, agora só coloco minha indignação e frustação por uma coisa que defendi, defendo e sempre defenderei como ideal para "nossa universidade". De luto certamente.

E esse texto também vai para as pessoas que julgam a racionalidade como ideal e deixam de viver coisa que somente a loucura pode nos proporcionar. Odeio a ausência.

giovedì, maggio 25, 2006

Aprisionado pela fraqueza de querer...

Prisão angustiante do pensamento
das palavras, ações impotentes
Vontade de gritar aos sete ventos
A revolta, a indignação deprimente

Ressoam as dúvidas perpicazes
Envolvo-me no manto vulgar
Meus desejos cada vez mais vorazes
Me aproximam da vontade de pecar



Peco no deleito envolvente
Recaio no fogo proibido
Depois só peço a bêncão clemente
Para apaziguar meu castigo

Castigado sofro penando
Na prisão de uma grande angústia
Mas no pensamento acaba ficando
O que sinto muito além da fúria.

martedì, maggio 23, 2006

Isso sim é uma verdadeira palhaçada

Pois veja respeitável público, isso sim considero uma verdadeira palhaçada. Agora, o palhaço já não me peçam quem pode ser?

Quarenta minutos numa parada de ônibus não sugere nenhuma novidade em se tratando de ônibus para a universidade. Mas, ontem cheguei às 6:45 horas na parada das Dores, crente de que 07:30 estaria na UFSM. Mera ilusão! Pois o espetáculo vai começar!

1,2,3, tudo bem, agora 4,5 e quando é o sexto todos da parada começam a esbravejar indignações e verdades. Sim, 5 ônibus superlotados passam pela parada das Dores, sem condições de parar, afinal dezenas de pessoas já se espremem em seu interior. Bom, se nós da Dores não conseguíamos uma pequena vaga num daqueles ônibus, imagina quem inevitavelmente depende de ônibus em Camobi.

Mas continuando, depois de 5 ônibus simplesmente nos ignorarem, eis que o sexto piedosamente pára. E este não estava diferente dos anteriores, estudantes permaneciam amontoados um sobre os outros como porcos em dia de carregamento para o frigorífico. Menos mal, que era manhãzinha e o normal é que nesse horário todos ainda estejam perfumados. Olhei para o lado e nenhuma pessoa resolveu se arriscar àquela indignidade, eu impaciente submeto-me ao espetáculo e embarco no ônibus, ou melhor na palhaçada.

Consegui um espaço, é certo, por que a porta de entrada se fechou e conseguiu me empurrar junto com os demais passageiros. 100 pessoas seria o mínimo que me arriscaria em dizer que ali dentro de um ônibus da Gabardo dividiam o mesmo especo, alguns gordos, outros magros, uns indignados outros ainda dormindo no ombro do parceiro do lado. O fato é que todos dividiam naquele momento do mesmo drama: o total descaso que as empresas de ônibus tëm com seus passageiros. Creio que esse descaso seja uma vingança já que essas empresas não conseguiram o aumento de passagem absurdo que tinham como proposta. Um pouco de sensatez ainda deve existir nessa cidade, ao menos nisso quero acreditar.

Pois muito me indigna que uma cidade considerada e respeitada como cidade universitária, e que é movida em grande parte por estudantes,tenha empresas de ônibus que simplesmente ignorem regras de bom senso ou simplesmente de vergonha na cara. Mas, afinal atravessamos a roleta indignada, ao menos sobrevivemos. A única coisa que consegui esbravejar no momento, sem dúvida foi: Mas isso sim é uma verdadeira palhaçada! E os narizes vermelhos descem sem parar nas várias paradas da UFSM. Agora aplaudam senhores se acaso não conseguirem sem preocupações pois esse espetáculo se repete todos os dias no caminho da universidade, e se não gostarem desses palhaços, daqui uns dias virão outros com narizes muito mais vermelhos pedindo aumento de passagens.

mercoledì, maggio 17, 2006

A HORA DO CONTO DA BRUXA...Versão 1!

Inspirada na idéia da hora do conto da feira do livro, crio nesse momento o espaço chamado A HORA DO CONTO DA BRUXA, que em algumas vezes virá trazer até vocês leitores um pouco do que escrevo como conto. Acompanhem.

Enganos e desenganos...


Batera a porta mais forte do que o normal. Sim, estava com raiva! Descera rapidamente as escadas, depois de três andares nem sentidos. Ela estava na rua, onde não teve coragem de erguer o olhar. A luz daquela manhã fria ofuscava seus olhos e a vergonha de tudo que tinha acontecido, não permitia que visse qualquer pessoa que tivesse presenciado o fato.

Apressadamente se dirige até a parada de ônibus, queria apenas dar uma volta na cidade e tentar se refugiar entre as pessoas estranhas que na rua se precipitavam umas contra as outras. Entrou no ônibus sem dar muita atenção ao cobrador, afinal nada mais insignificante do que o cobrador naquele momento. Sentou dois bancos à frente do ignorado cobrador e no canto da janela se pôs apenas a apreciar a paisagem que passava lá fora. Paisagem essa, que a cada novo dia ganhava aspectos bem diferentes, mas Cristina sabia que diferente estava sua vida.

Estava decidida, que esqueceria todos os homens que passaram por sua vida e nem queria saber de outros que poderiam ousar querer entrar. Sim, agora estava decidida que seria mais racional do que costumava ser.

O ônibus pára e Cristina simplesmente esquece de tudo que estava pensando, pois a paisagem que via lá fora, era muito mais interessante do que tudo que esbravejava em pensamento. Moreno, alto, usava uma blusa com gola polo, e um cachicol no pescoço, que não permitia ver um crachá que de longe descrevia seu nome, porém era algo não acessível. Naquele momento depois de uma breve observada, tinha certeza que o queria. E Cristina, então começou a concentrar suas energias para tentar trazê-lo a sentar a seu lado, afinal o banco estava vago preparado para receber aquele deus que acabava de encontrar.

A roleta gira uma, duas, três, mais algumas vezes e nada do bonitão aparecer, um velho, uma estudante de medicina, outro jovem da engenharia, todos passavam pela roleta, menos ele. Sentira vontade de olhar para traz, mas não queria “dar bandeira”, esperaria pelo momento certo de olhar. De repente ela percebe que alguém se aproxima, vira o rosto para o lado como se não tivesse nem aí, e tenta prestar atenção na rua lá fora, tinha certeza que era ele. E seu banco era o único vazio.

Mas percebe que o quadril do homem que sentara do seu lado era avantajado demais, e seu cheiro não era como imaginava ser o do moreno. Olhou para o lado se assutou com o que viu, e mais uma vez volta a olhar para a janela agora com uma vontade louca de dar uma boa gargalhada de toda aquela situação. O fato é que o bonitão não tinha passado a roleta, mas tinha certeza que o vira entrar, ou ao menos caminhar em direção a porta do ônibus.

Estava decidida, iria olhar para traz, tinha que ver se ele estava ali ou não. Aquilo virou uma questão de honra, averiguar a presença do Jorge, sim por que naquele momento ela já tinha imaginado mil possibilidades de nomes, entre muitos acreditava que o moço tinha cara de Jorge. Mas, sabem como é ônibus de lotação, difícil olhar para traz e não ver uma bunda gorda, um cabelo espantado, enfim. Tentava de todas as formas encontrar uma fresta para procurar Jorge e quando conseguiu uma pequena fresta, essa era entre as pernas do cobrador (por sinal, que pernas! Não tinha como não notar), mas do cobrador bastava olhar as pernas, afinal seu foco agora era outro. Cristina olhou para todos os lados que sua visão alcançava e nada de encontrar o tal Jorge. Por fim desistiu! As pessoas já estranhavam tantos olhares, sem destino certo.

Cristina estava desapontada era certo, mas tudo não passara de um engano, o moço poderia ter sido apenas mais um devaneio depois de uma noite conturbada, ou então não teria entrado naquele ônibus, aí existia uma chance de encontrá-lo outra vez. Levanta de seu banco, pede licença para o senhor do seu lado, puxa a cordinha da campainha e se prepara para descer, mas o desejo de desvendar esse mistério persite.

Entre um braço gordo, um cheiro de sovaco e uma cabeleira loira, Cristina olha mais uma vez para traz antes que as portas se abram para descer. Sim, estava certa do que via, não só as pernas do cobrador eram perfeitas, mas ele o Jorge ali naquela cadeira do cobrador, com o crachá não identificado, era tudo, era na verdade o cobrador que substutui o outro que do seulado ia desembarcar. A porta abriu e agora sim, Cristina não se priva de longas gargalhadas, pois convenhamos tudo que ela não esperava é que Jorge, que na verdade se chama Fernando, fosse cobrador.

A porta fecha e Cristina ainda tenta se recompor, agora tinha certeza que o veria novamente e que as suas idéias anteriores de não ter mais homens era apenas um devaneio descabido. Afinal, ela não resitia a um moreno, alto, ou nem tanto, olhos verdes e com crachá.

sabato, maggio 13, 2006

Borboleta mais real do que podemos imaginar...

Já que estamos em tempos de Feira do Livro, por sinal não tenho saído daqui, trago uma simples foto de uma borboleta repousando numa flor em Ivorá, uma homenagem a campanha da Feira do Livro, feita pela Carlinha. E já que as borboletas têm inspirado muita gente, vale a pena mostrar uma bem real aqui.



"E as borboletas estão voando/ a dança louca das borboletas"como diria Zé Ramalho.

mercoledì, maggio 10, 2006

Sim, mais uma vez a mesma resposta
Por que não me permitem ser um palhaço triste?
Por que meu nariz é vermelho e meu sorriso é grande?

Mas o palhaço só não chora, por que tem medo de borrar a maquiagem!

O palhaço que alegra aos senhores
também sofre e se cansou de tantos sorrisos
como os senhores dizem, isso não é coerente
mas por traz do nariz do palhaço...
Apenas mora um poeta triste...





E esse palhaço está cansado de palmas falsas
Pois a maior virtude um palhaço é sua dignidade
E quando ele percebe que sua alegria já não lhe faz mais sorrir
Ele prefer simplesmente descer do palco.

Pobre palhaço!!
Dirão alguns dos senhores.
Mas respeitável público a maquiagem se desfez, pois as lágrimas cairam
o espetáculo acabou, e o palhaço poeta apenas chorou.

Agora sim, respeitável público, batam palmas!!
Pois a tristeza de um palhaço também é digna de reconhecimento.

Fechamos as cortinas, palhaço triste!!
E nos fechamos ao mundo de um poeta.

martedì, maggio 09, 2006

Puta Merda! Com perdão da palavra, Santa Maria merece esse texto...


Movimento agitado de pessoas pela praça. Entre livros, bancas, intervenções artísticas os santamarienses apreciam na praça, não um farfalhar das asas de borboletas, mas sim um espaço, para viver cultura, respirar poesia, ou apenas jogar fora uma conversa com amigos na praça de alimentação. Claro que posso deixar de dizer, que a feira deixa a desejar em muita coisa, que o público é menor que deveria ali estar, mas enfim, hoje não quero ser tão pessimista com a cidade, pois ontem ela me proporcionou momentos muito agradáveis.

Um domingo à tarde perfeito para um passeio com os filhos, com a família, com os amigos, e na praça o espaço ideal para essa atividade, para um mate em frente ao chafariz em funcionamento (apesar de não ser o ideal em tempos de racionamento), um cappucino na banca do Krep’s suíço, ou um ótimo quentão na banca ao lado. Tudo isso ao embalo de uma música leve da Rádio Livre, como diz o Tiagão, a Rádio Oficial da Feira do Livro.


Ontem no Projeto Livro Livre, que é um bate-papo informal com escritores, ou com jornalistas, a praça foi prestigiada com as palavras de nosso jornalista ilustre da Rede Globo, Marcelo Canellas, e entre algumas de suas palavras, ressaltou o seu descontentamento em perceber que pouco se faz para recuperar ou manter a Gare, nossa Estação Férrea. O lugar que outrora representou uma das maiores Estações da América Latina, hoje convive com um prédio praticamente desativado, com vidraças quebradas e com um imenso espaço sem utilidade. E eu de longe via o rosto do Prefeito Valdeci que apenas mexia na sua barba, enquanto ouvia essa indignação.

Mas depois de presenciar Marcelo Canelas e uma bonita atividade cultural em Santa Maria que é Feira do Livro, fui prestigiar ao Show da Família Lima, na Gare. Num primeiro momento não sabia o que pensar a respeito do show, pois acredito que sua divulgação tenha sido precária, e tudo era incerto em relação a ele. Bom, mas quando chegamos na Vila Belga, vimos que o movimento era grande e a dimensão do evento era bem maior do que esperávamos. Um grande trabalho da Loja Quero-quero. Menos mal que podemos contar com empresas privadas para bons momentos culturais, claro que isso tudo permeado por uma grande jogada de marketing, mas enfim todos tem que sobreviver. Bom que fosse através da cultura.

Voltando ao show! Bastou chegarmos na curva que dá acesso a Gare, para nosso vislumbramento vir a tona, e comentários alegres sairem de nossas bocas. Com uma estrutura admirável, de longe avistávamos a Família Lima, já no palco, alegrando aquela povo todo, e que não era pouco. Com segurança, entramos no ambiente do show e nos aproximamos do palco e simplesmente gozamos daquele momento encantador. Sim, me fascinei como a tempos, não ficava com Santa Maria.

Um show bonito, alegre e popular. Dos violinos ouvimos ritmos clássicos e que qualquer público reconhece. Um espetáculo a altura de Santa Maria e do seu sonho de ser cidade cultura. Bom só tenho que agradecer a esses momentos breves que me emocionam e que me fazem deixar de olhar para as vidraças de um prédio abandonado, mas sim me fazem olhar a dimensão que essa cidade tem. Que possamos ver mais vezes o chafariz ligado, que poemas enfeitem ainda mais as ruas de Santa Maria e que borboletas possam voar ainda mais livres pelos ares da cidade do Boca do Monte.


É só da uma cutucada aí em baixo e conferir a programação, depois é só aparecer na praça e vir curtir com a gente esse evento.
http://www.feiradolivrosantamaria.com.br/home.jsp

sabato, maggio 06, 2006

Ouça! Leia! Esqueça!

O gozo rabiscado
a lágrima descrita
minha vida é um acorde.

Ouça!!

Eu sou uma nota perdida.
Uma palavra mal dita
e uma poesia mal escrita

Leia!!

Sou o acorde destoante
a sinfonia não tocada
o livro não escrito

Esqueça!!

giovedì, maggio 04, 2006

Jornalistas despreparados, imprensa deturpadora da realidade...

Tal é minha indignação!Ontem se iniciou a Feira do Livro de Santa Maria e eu teria muitas coisas para falar se minha indignação não fosse tamanha. Poderia falar dos muitos livros, do espírito da poesia no ar, do encontro das pessoas para essa confraternização na praça. Poderia ressaltar o Troca Livros, a cesta de poemas, por uma moeda. Enfim toda magia que enfeita a Praça Saldanha Marinho e que traz um pouco do que poderia identificar Santa Maria como cidade cultura.

Mas ao invés de falar sobre tudo isso, vou ter que me deter em refletir sobre dois fatos que ontem me indignaram e me fizeram perceber o quanto a imprensa é pífia e despreocupada com a seriedade das informações, quando menos preocupada com seus leitores ou com o comprometimento com o verdadeiro jornalismo. Sinto-me com a liberdade de aqui expor minhas idéias, pois como já disse anteriormente, sou estudante idealista, que ainda acredita que um novo jornalismo pode ser feito, ou ao menos que o antigo tenha comprometimento com a sociedade.

Mas vamos aos fatos! Todo ano o estúdio 21 participa da feira do livro fazendo uma cobertura do dia-a-dia da feira e através de um telão na praça apresentamos um pouco do que acontece. Nesse ano vai ter um pequeno quadro no programa que se chama “Causos da Feira”, que vai retratar através das pessoas que a muitos anos participam dessa feira um pouco das história que aconteceram nos bastidores do evento. Então fiquei responsável, ontem por buscar um desses causos. Mas minha surpresa foi grande quando ao falar com meu entrevistado ele pede licença para contar uma história engraçada sobre a imprensa, diria na verdade que a história é triste até mesmo lamentável. E eu, é óbvio que permito ao meu entrevistado que conte essa história.

Nos primórdios da Feira do Livro de Santa Maria, as condições não eram tão sofisticadas como hoje. Diz Josmar que quando chovia muito, o negócio era fechar as baracas e ir para casa esperar o tempo abrir. E foi isso que ele fez numa tarde de domingo, chegou em casa e dormiu. Depois de horas de sono, ele acorda e percebe que o sol brilha forte lá fora e então eufórico retorna a feira. Ao chegar à praça os comentários são acirrados em relação a uma reportagem que saiu no jornal A Razão. Sei que um autor estava autografando um livro na praça, mas ao invés de ser colocado uma foto do escritor, ou até mesmo do livro, o que apareceu na reportagem foi à foto de um boi. Sinceramente, não encontrei explicação para o fato. Bom, apesar do constrangimento e da gafe, o ocorrido se tornou motivo de piadas. Triste fim para um Jornal ser motivo de piadas de escritores ao invés de ser motivo de poesias.

Continuando! A minha indignação aumentou consideravelmente à noite, quando fui assistir ao Cine Clube Lanterninha que está apresentando o ciclo de filmes italianos. Depois de assistir ao filme magnífico Ladrão de Bicicletas, aconteceu a discussão do mesmo. Entre algumas falas eis que uma moça decepcionada, fala do que o Jornal Diário de Santa Maria tinha divulgado. Não é que o jornal contou o final do filme descaradamente o que acabou com a expectativa de qualquer um que viesse a assisti-lo e, além disso, o jornal coloca inverdades sobre o filme de coisas que não fazem parte do mesmo. Então, imaginem minha cara de perplexidade, aliás, a cara de todo mundo.

Não sei se foi coincidência ou não, afinal duas situações ridículas da imprensa de Santa Maria no mesmo dia é muita coisa, para quem pretende ser jornalista. Ao menos foram duas situações de diferentes jornais, o que prova que a imprensa como um todo está descomprometida com os interesses dos leitores, com a verdade das informações, e principalmente está cercada de jornalistas despreparados, mirins, poderia se dizer, e que apenas entram na lógica do mercado, sem se darem conta das aberrações que cometem com a profissão. Não é por nada, Clarissa, que os brasileiros são os mais desconfiados com a mídia, ainda bem que não nos iludimos mais a partir do discurso que o Bial propôs domingo no Fantástico de que somos comprometidos com o bom jornalismo. Mentira! Essa imprensa é uma grande mentira, não que o Garotinho esteja certo em fazer greve de fome, mas sejamos mais críticos com essa mídia hipócrita, que quer nos impor inverdades sobre a realidade. Pobres escritores caracterizados como bois e pobres filmes italianos deturpados pela imprensa de Santa Maria.

martedì, maggio 02, 2006

Sobre a pele vermelha!!!

Sinto tocar meus lábios de leve,
eles ficam vermelhos, inchados e sedutores

Contorna as beiradas da minha boca
aos poucos a toma para si.

Invade cada centímetro que está seco ou sem vida
devagar penetra e alcança a saliva.

Sinto seu gosto já antes percebido porém dessa vez ainda mais marcante.
Apesar do gosto característico, cada vez que a sinto traz consigo uma nova carga de emoção.

Antes da boca, percorre meu rosto cansado,
desnuda cada milímetro da pele abatida.

Penetra nos poros como se procurasse se incorporar a minha face.
Sua textura nuda a cada novo espaço que conquista.

Nos olhos percorre a pupila, se desmancha nos cílios e tomando novamente forma avança pela pele macia.
Traz consigo um brilho incensante e nem parece que representa, também, coisas ruins.

Pois a luminosidade e destreza das lágrimas não são apenas carregadas de felicidade
mas principalmente a falta de uma paixão.

As vejo cair pelo meu rosto e seu brilho resplandece através da janela do ônibus
que permanece bem menos embaçado do que minha visão...

giovedì, aprile 27, 2006

O fato é que ela, ele estavam lá...

Dentro de mim, dentro dela...

De longe o sol apreciava a imobilidade fria daquela construção. Perdida no meio do nada, ela permanecia intacta e soberana. Os raios do sol ultrapassavam suas vidraças antigas e grandes e cobriam seu interior com riscos de luz que se confundiam com a poeira envolta no ar.

Ao seu lado, permanecia parado o sino que antes tantas vezes fora tocado. Dono de seu próprio ritmo, no alto da armadura, ele busca resguardar sua eterna companheira imórbida sensação de vazio.


Da casinha ressaltava suas grandes portas e janelas e a curiosidade de desvelar aquele mistério instigava meu espírito inconformado com a ausência de definição.

Abri a porta lentamente, deixei que uma fresta de luz entrasse pela sua beirada entreaberta. Aos poucos aquela escuridão sóbria foi se desfazendo e a luz que antes era uma mera invasora, agora vai dando forma ao que lá dentro permanecia intacto e desconhecido.

Devagar a cadeira balançava num ritmo constante e por vezes parecendo sem vida. O barulho do balançar da cadeira não me incomoda tanto quanto a presença dele sentado ali naquele lugar.

Permanecia ali, sem notar minha presença, concentrado nas páginas de um livro, percebi que em sua mente perpassava idéias e dúvidas. Em alguns momentos descruzava as pernas num movimento bruto, mas de nenhuma forma desviava o olhar daquelas páginas que já faziam parte até mesmo do movimento ininterrupto e perturbador.

Pele morena, óculos postados sobre os olhos, cabelos desarranjados, uma roupa condizente com o ambiente sombrio, porém não menos digna.

Não tive coragem de me aproximar e nem quis reconhecer seu rosto. Estava consciente de que aquele era seu mundo e não devia perturbá-lo. Lentamente dei dois passos para trás em direção a porta, toquei na fechadura gelada e sem qualquer sinal de transtorno sai devagar, dei uma última olhada e fechei a porta.


A luz da porta se apagou, mas das janelas o sol ainda brilhava constantemente. Nas escadas mais uma vez aprecio aquela atmosfera de sobriedade da velha casa. Estive com o poeta que insiste em persistir dentro de mim, mas dele não quis nada, nem mesmo perceber seus traços, quero apenas a dignidade de suas poesias construídas no balançar da cadeira. E o sino a de tocar quando a próxima poesia nascer daquelas páginas e daquele ritmo constante de vida.


Poesia, luz, sombra, sem forma e cor, apenas vida... Fotos de uma simples igrejinha perdida no Campus da Universidade Estadual de Londrina.

lunedì, aprile 24, 2006

Meu Deus! Esqueci do Jornalismo! Mas lá vai minha homenagem...

Às vezes me perguntam seu eu sei tal coisa, ou sei falar tal língua, ou li tal livro? Se disser que não a indignação é imediata, afinal como podes não saber qualquer coisa se fazes jornalismo?. Mais uma vez a sociedade acredita que cabe ao jornalista saber um pouco de tudo, ou muito de tudo, mal sabem eles, que maioria das vezes nossos jornalistas não passam de seres limitados à técnica da comunicação.


Alguns entram na universidade de comunicação conhecendo somente o jornalismo das telinhas, a voz do Brasil e programas musicais. Então seu sonho não ultrapassa o desejo de substituir a Fátima Bernardes, e é claro, casar com o Willian Bonner. Outros querem apenas apresentar a Voz do Brasil, ou então apresentarem um programa da Rádio Atlântida, e outros apenas querem ser contratados pelo Diário de Santa Maria.

E essa limitação de fronteiras do jornalismo que muitos vêem, faz com que esses jovens se vislumbrem pela técnica dos laboratórios e esqueçam que seu principal diferencial de um verdadeiro jornalista é sua bagagem cultural e teórica.

Eu sei que nada mais sou do que uma acadêmica de jornalismo idealista e por vezes precipitada em conclusões. Entrei na faculdade buscando encontrar futuros jornalistas muitos idealizados. Os jornalistas que imaginava encontrar era aqueles que lêem mais, que criticam mais, que vivem mais, que se engajam mais e que se permitem sentar num bar no fim da noite para uma socialização informal, necessária e saudável.

Mas encontrei na faculdade um “mundinho” permeado pelo imediatismo da técnica, pela imaturidade de seus indivíduos, pelo vislumbramento na telinha da TV e pela necessidade de competição até mesmo com os morcegos da Facos. Pensava eu na minha vã inocência, que na universidade encontraria um último porto seguro antes do mercado de trabalho. Mas percebo então que esses jovens e futuros jornalistas, sem se dá conta da ignorância que os cerca transferem para dentro da universidade esse mercado viciado, hipócrita e que serve de mero instrumento de interesse de empresas pouco preocupadas com a representação justa e séria da sociedade.



Mas o fato é que hoje lemos pouco, escrevemos menos, criticamos quase nada e a socialização é uma mera ilusão que esconde o desejo de se mostrar melhor do que o outro. Sim! Senhores! Sinto-me frustrada. Principalmente por que perdemos o verdadeiro sentido do jornalismo como representante da realidade e permitimos que jornais impressos sirvam apenas para enrolar peixe, que a maior audiência seja do Big Brother Brasil e que os programas sejam cada vez mais musicais.

Não sei qual o erro, mas sei que fui iludida, porém, ainda acredito na escrivaninha com livros, na luz baixa no fim da madrugada, na caneta e no papel. Acredito que vale a pena uma conversa informal e verdadeira entre colegas, acredito também na técnica, mas principalmente na idéia e na construção do New Jornalismo. E aí, sim, vejo uma nova possibilidade de escrever com paixão sobre a profissão que amo, choro, luto e quero como ideal.

O7 de abril! Dia do jornalista! Já que não somos decentes o suficiente para conquistar todos os dias como nossos.

Perdida Perfeição Encontrada...

A perfeição eu descobri
Porém logo ela passou
A perfeição eu perdi
Por que tão breve ela soprou

5 coisas das 4 que esperara
Sorriso calmo penetrante
No olhar percebera
Mas a verdade é distante




Breves momentos que a viste
A perfeição foi percebida
E a voz ainda insiste
Da minha vida não ser banida.

Mas a perfeição é assim
Tão breve quanto o vento
Passa ligeiramente por mim
E agora só resta pensamento..



Um leve poesia escrita durante o Sulpet em Londrina, entre longas discussões nada como escrever, sobre a "perfeição" que encontramos nesse caminho. E para ilustrar ou sbentender essa perfeição trago essas fotos do Céu a caminho de Londrina, ao amanhecer já no Paraná registrei esse belo momento da janela do ônibus. Uma variedade de tons que também representa uma variedade do que percebemos como perfeição.

lunedì, aprile 17, 2006

Alma, nada e o tudo...e o reflexo??

Reflexo da alma

Reflexo de tudo

Reflexo do nada

Da alma o tudo ou o nada



Do reflexo, minha alma vazia do tudo que não me deste...

E por que deveras me daria?

Se do meu reflexo nada tens

e da minha alma tudo te pertence!!

De uma folha seca, os motivos de muita inspiração...

As coisas passam tão rápido que não nos damos conta da simplicidade de certas ações e nem de certas idéias. Ontem me perguntaram de onde eu tirava tanta inspiração, e a pessoa que me perguntou isso, disse que ele pensa em coisa tão vãs, que parecem não ter importância. E aí eu disse que é nessas coisas, que aparentemente nos parecem simples que encontro a total diferença na hora da criação.

E hoje aconteceu uma situação muito curiosa, que de certa forma explicou o fato das coisas simples serem motivos de inspiração, até mesmo sendo algo extremamente trivial. Mas aí fui até o dicionário para saber qual o significado agregado a trivial. Entre várias explicações, uma dizia que trivial era aquilo que todos sabiam. Então percebi que esse é o segredo pela qual as coisas simples são motivo de poesia, de criação. Pois, quando são conhecidas por todos, elas já não tem o valor que merecem, por serem totalmente conhecidas. Daí, cabe a nós arrancarmos dessa trivialidade o que ali está escondido, desconhecido por todos. Nesse momento chegamos a criação, a poesia, e a sensibilidade.

Mas como disse anteriormente, hoje, uma coisa que a princípio parecia trivial me despertou um mundo de criatividade, um momento feliz de encontro comigo, com minha paz interior e com meu momento de reflexão. Estávamos gravando perto do bosque da universidade e um amigo brincando, de repente, até mesmo inconsciente juntou uma folha seca de plátano e me deu de presente. No mesmo instante fizemos uma brincadeira, ele me disse para guardar na agenda, e eu ainda acrescentei que não só guardaria, como também colocaria uma referência a ele. E de fato carreguei comigo a folha! Num lapso, me veio a mente dúvidas a cerca do significado daquela folha.

Como uma boa virginiana, nada passa por mim sem ser analisado, sem ser julgado e sem ter uma serventia. Então inquieta fui para casa, insatisfeita com a falta de resposta, pois percebia que aquela folha tinha um motivo para estar ali naquele momento. Troquei de roupa, e fui até o bosque caminhar, coisa que a muito tempo não fazia, desde os tempos que quebrei meu pé. Caminhei, caminhei e pensei! Almejava entender como poderia usar aquela ou aquelas folhas na minha vida. E de repente de novo como num lapso criativo, vou para debaixo daquelas árvores e começo a juntar muitas daquelas folhas, grandes, pequenas, tortas, e aquela atitude além de despertar a atenção de quem passava, me trouxe um prazer e uma paz tão grande, que a muito tempo não sentirá. Passei, então, a entender o por que dela estar ali. Primeiro por que parei para dar valor a uma coisa tão prazerosa, quanto tirar um tempo para a gente mesmo e depois por que tinha encontrado a explicação para a pergunta do dia anterior, de como eu conseguia me inspirar.

Depois da coleta das folhas, aliás muitas, comecei a juntar as pinhas pequeninas, dos pinheiros e cheia de pedaços da natureza que caracterizavam o outono e o inverno fui para casa, realizada, feliz, calma. Ao entrar no meu quarto, usei aquelas folhas para coisas bem interessantes. Arrumei meu mural, fiz um arranjo e meus milhares de bibêlos dividiram espaços com coisas da natureza, que combinavam com esse clima de friozinho que desponta aqui no sul.

É isso, as coisas pequenas e triviais, por mais que sejam conhecidas por todos escondem minúcias, que temos que ter a sensibilidade de perceber. Pois veja Rafael! De uma folha simples que ganhei do Betinho, fiz esse texto, que pode não ser o melhor do meu blog, mas com certeza da chance para muita reflexão. Isso é inspiração, isso é não deixar de ver nas coisas banais uma beleza inexplicável.

domenica, aprile 16, 2006

Aquelas primaveras e o outono de hoje...

O sol desponta lá fora
Cobre a primavera de luz...
Esquenta o outono de agora.

E eu aqui dentro lamento...
Saudades das primaveras .
E daqueles outonos.

De sentar ao sol na pedra no inverno.
De plantar as flores na primavera

Mas restam saudades daquela infância.
Resta saudade do tempo que não volta mais

Pois voltar somente às estações e os astros.
Pois sua dimensão é suprema.
Quem sabe um dia me torne brilhante que nem ele.

E possa voltar! Ao menos as lembranças persistem.
E as primaveras e outonos continuam no mesmo lugar...

Hoje sinto saudades da minha terra e da minha gente...Mas é páscoa e nada que um chocolate não apazigue...

sabato, aprile 15, 2006

Páscoa e agora o que dizer...

Bom como não achei nenhuma foto de coelhinho, coloquei essa para ilustrar esse post sobre a Páscoa. Uma foto do artesanato do Peru, que me lembra um pouco a infância. E para falar da Páscoa não tenho como não falar da minha infância. Hoje mesmo o caderno Cultura do ZH me despertou lembranças da minha velha infância e das minhas velhas páscoas. Pois como na campanha gaúcha, também na minha cidade a Via-Sacra representa o cultivo da tradição católica de recomendação das almas.
Lembro-me perfeitamente de como era importante para nós criança participar da Via-Sacra na sexta-feira santa e no sábado de aleluia. Primeiro por que na páscoa a comunidade se enchia de parentes de longe e então éramos observados por pessoas de fora, depois por que tínhamos um papel muito importante na via-sacra, segurávamos as velas de cada estação, que representavam a passagem de Jesus. Segurar a vela representava segurar um posto importante da caminhada de Jesus. Por vezes queimávamos os dedos, as velas se apagavam, já que a via-sacra era feita na estrada de chão batido, cada estação era longe uma da outra e em casinhas com cadeiras esperávamos ansiosos para ver a procissão passar.

Quando a procissão passava era o auge da nossa emoção, pois todos viravam para nós e juntos nos observavam rezando...Louvado seja nosso senhor Jesus Cristo/para sempre seja louvado. E assim a procissão seguia, depois que todos passavam, eu avistava meu pai que sempre nos ajudava a carregar as cadeiras, pois depois da caminhada voltávamos para a igreja, onde Jesus permanecia deitado no calvário anteriormente construído, certamente com nossa participação. No sábado era o dia da ressurreição de Jesus, depois de mais um culto, todos beijam os pés de Cristo ressuscitado e eu me lembro a emoção de sentir meu pai me erguendo para alcançar os pezinhos dele.

A procissão anda, assim como nossa vida também tem sua caminhada, hoje a páscoa para mim já não tem mais aquele encanto, primeiro por que já não acredito mais cegamente na igreja e já não me faz sentido a procissão e o beijo nos pés, vai ver por que agora meu pai já não precisa mais me erguer. Segundo por que nem sempre conseguimos mais passar a páscoa naquele velho lugar, hoje estou aqui em Santa Maria escrevendo num blog, em Charrua com certeza, minha mãe e meu pai organizaram mais uma procissão e beijaram os pés de Cristo e com certeza, lembram com saudade dos tempos que éramos pequeninos, nos preparávamos ansiosamente com a velinha acesa, necessitávamos de ajuda para carregar as cadeiras e para beijar os pés de Jesus.

Essa páscoa me lembra saudade e por isso venho até aqui para esvaziar um pouco dessa
angústia através de palavras, e para desejar a todos uma ótima páscoa e quem tem a oportunidade de estar perto da família aproveita, pois eu nesse momento choro de saudade das procissões, das rezas, da crença de que tudo aquilo é verdadeiro e principalmente da minha terrinha e da minha família.

Muita paz e luz para todos, façam de minhas lágrimas a força de que todos precisam para manter viva a chama de amor em qualquer família.

Um pouco do mundo das Cênicas, antes não descrito...

Vencidas algumas barreiras do mundo das Artes Cênicas, venho até vocês pra descrever um pouco desse mundo, que para muitos parece banal, até mesmo fácil, creio que um dia também pensei assim, até o dia em que resolvi encará-lo com uma possível futura profissão.



Entrei nas cênicas acreditando que tudo não passava de um conto de fadas, já tinha feito teatro quando mais nova na escola, e sinceramente mesmo depois de grande acreditava que as Artes Cênicas se resumia, a ler um texto e interpretá-lo e tenho certeza que não só eu dessa forma pensava. Santa ignorância!

Bastou uma semana de aula para me dar conta de muitas coisas precipitadas que julgará, pois os textos, amigos, só vêm depois de muito tempo de trabalho com o corpo, com a mente, enfim, percebi que de fácil aquele mundo não tinha nada. E num primeiro momento acreditei que meu forte era jornalismo mesmo, e de certa forma é.

De repente percebo através das aulas de expressão corporal e vocal e técnicas de representação e encenação, sem falar das teóricas que a coisa era bem mais complexa do que imaginava. Fui percebendo que não sabia caminhar direito, respirar, ter postura, ter controle nenhum sobre meu corpo. Diziam-me que tinha que segurar num tal de “cochi”, ou “dantenko”, mas desses não sabia nem como escrever, quanto mais segurar meu corpo através deles. Nas técnicas vocais minha voz, não tinha noção de mudança entre grave e agudo e eu não passava de uma desafinada voz perdida nesse mundo das cênicas.

Diziam-me que tinha que ter foco preciso. Primeiro o foco depois o corpo, sempre fazia ao contrário, me desesperava quando tinha que fazer uma improvisação. Pensava, pensava, agora ergo o braço, depois faço tal coisa e desse jeito travava qualquer improvisação natural e verdadeira. O Professor Cezário (uma perda enorme no nosso curso, pela sua ida) nos fazia cantar musiquinhas das Laranjas na beira da estrada, e eu não conseguia gravá-las.



Passo ternário? O que é isso? Não sei nem dá passos unitários! Dança dos ventos, queria mesmo que o vento me levasse para bem longe dali, tinha vontade de fugir. Exaustão? Meu Deus, mais exausta que ficava com tanta frustração. Verticalidade luminosa? Quem me dera enxergar alguma luz no meio de tantas dúvidas. Bom, depois dessa descrição de fracassos, de choro pelos corredores do Cal, de crise de identidade, muitos pensam que deveria desistir, aliás eu também pensei nisso muitas vezes, afinal minha vida no jornalismo é tão boa, lá tenho segurança, um caminho quase construído, uma noção básica , mas real da técnica e da teoria. Mas aos poucos fui me apaixonando perdidamente pelo teatro, pelo CAL, pelas Cênicas. E depois de me apaixonar por esse mundo, tenho certeza que não quero perdê-lo. E aí a frustração é por não conseguir me dedicar a ele exclusivamente. Mas há tempo para tudo nessa vida.

Aos poucos percebo a grandiosidade do jogo com o colega, a troca de olhar, a fuga, a expressão, a velocidade, a mudança do foco preciso, a variação de tonos. Em fim começo a descobrir meu “cochi” ou “dantenko”, quatro dedos abaixo do umbigo, nosso tesouro nosso centro de energia, de equilíbrio, de vida. Passo a soltar meus ombros e perceber meu corpo, minha voz, minhas fraquezas.

Percebo a importância de se passar meses para ensaiar uma cena de 10 minutos, percebo a importância do jogo, da construção de um personagem, da junção de partituras, da adequação do texto, da análise do mesmo e principalmente da avaliação de quem assiste. Percebo o quanto é apaixonante passar um dia todo em função do teatro, horas de ensaio e sair 3 horas da manhã do CAl.



Ainda penso muito quando vou agir, mas recém estou começando, mas a paixão por esse mundo me fez perceber muito mais do que o fracasso, mas também me mostraram a possibilidade de conhecer a mim mesmo e a possibilidade sim de ser também atriz.

Explicação da peça das fotos...

Nada pode ser comparável à sensação se passar uma semana inteira ensaiando, construindo uma partitura do nada, ensaio de mesa, ensaio com jogos, com estímulos, tesão pelo jogo, pelo texto, pelo personagem. No dia da apresentação parece que nada funciona, o figurino não fecha, o vestido cai, a voz não sai adequadamente. Meu vestido vai cair e tenho que estar preparada para isso, então ensaio de peito de fora, e sem qualquer vergonha tenho que controlar meu medo, meu constrangimento. O figurino do outro personagem não se adequou e temos que rever, ele tira a roupa, temos que improvisar. E o espetáculo está quase começando, estamos atrasados e muito. A tensão aumenta, aquecemos, ajeitamos a luz, a música, à voz, desejamos muita merda um ao outro (merda significa boa sorte). O público entra a música sobe, as luzes se apagam, a música desce, nós entramos.

Eu construo o leito florido, espero meu amado chegar, ouço seus passos, bebo do seu vinho e me entrego a sua vontade, gozo e depois simplesmente me abstraio desse mundo. 5 minutos o espetáculo acabou, meu vestido não caiu, não percebo quem é o público, só percebo meu coração disparado, pois estava simplesmente em estado de êxtase, pouco me lembro, pois estava em outra dimensão. Aos poucos aquela sensação vai se desfazendo deixo de ser a personagem e volto a minha realidade. Sou avaliada, e dizem que posso ser além de jornalista, também uma atriz, segundo eles tenho presença. Mas não era eu, era a amada.


Sensações, percepções, frustrações esse é o mundo das Artes Cênicas. Mas ninguém me disse que seria fácil, foi apenas uma conclusão precipitada. Quando tiverem oportunidade prestigiem, apóiem, mas não batam palma se não gostarem e nem riem se não for engraçado. Pois a dignidade é a maior virtude do artista, e se nada em ti despertou não finja através de palmas uma aceitação forçada, apenas se dirija a saída e não desista de voltar pois as portas da arte sempre estarão abertas a novas descobertas.

*Obs: O rapaz da foto é meu colega Henrique, que foi um guerreiro comigo, pois essa peça construimos em uma semana, depois de muita discussão e força de vontade. Mais uma coisa, ele não está nu, existe uma tanguinha que esconde suas indecências, ehhehe. Um momento muito difícil foi vencer nossos constrangimentos. Valeu Henrique pelo parcerismo e pelo profissionalismo. E ao nosso diretor Deivid pela coragem. Muito orgulho tenho de fazer parte dessa turma e desse mundo. E muita merda pra nós, em todos os palcos dessa vida.

"Temos as horas, eles o tempo"...

Acabei de assistir o Globo Repórter e a vida dos povos nômades da Mongólia me fez lembrar um pouco do que vi na Amazônia e creio que não descrevi, ainda. Durante uma migração do povo nômade, uma frase foi dita por aquele povo, “vocês têm a hora, e nós o tempo”, no caso nós seres ditos como “civilizados” temos a hora, pois dependemos totalmente dos nossos relógios e da lógica do tempo imposta pelo mercado de trabalho, pela sociedade capitalista. E eles têm o tempo, pois dependem do tempo da natureza, das variações do ano, do tempo natural de todas as coisas.

E isso eu percebi que também acontece com o povo indígena tukuna, na Amazônia. Apesar desse povo já estar de certa forma bem civilizado, com televisão, telefone, enfim já conhecer um pouco da lógica dos nossos relógios, eles ainda mantêm um ritmo natural de vida. O que mais me chamava à atenção que para os índios não tinha horário para fazer brincadeiras, para tomar banho de rio, para andar de canoa pelos igarapés. Quando foram desafiados a uma oficina de artes, não tinham horário para terminar, para comer.


Enquanto nós éramos totalmente regrados pelo relógio e tínhamos hora para tudo, eles simplesmente deixavam o tempo passar numa boa, curtiam aquele momento como se fosse único e nem se davam conta de que já passara uma manhã, uma tarde, um dia.

Nós poderíamos julgar essa forma de vida como a errada, de gente “preguiçosa”, e eles poderiam julgar nossa dependência de forma errada, coisa de gente “louca”. Mas o fato que não existe um certo e nem um errado, existe pessoas que foram criadas dentro de sistemas sociais diferentes, se é certo ou errado não cabe a nós julgar.



Eu acredito que nós, sociedade com relógio ultrapassamos o limite do controle das horas e somos totalmente dominados pela engrenagem do relógio. Enquanto os índios, os povos nômades, enfim os que possuem o tempo, dependem somente do pôr-do-sol e do despontar da lua, e não que isso os aprisione, mas ao contrário os guia. E sinceramente, hoje, era essa forma de tempo que gostaria de ter, afinal nunca gostei de relógios mesmo, gosto de vida e de natureza, mas infelizmente isso não basta para o tipo de sociedade na qual estou inserida, na qual estamos inseridos.

Eles quando morrem não deixam nada, nem capital, nem marcas, deixam apenas a natureza, o sol, os rios e sua vontade de viver livremente. Nós deixamos as propriedades, nossos ditos “legados’, mas principalmente deixamos o aprisionamento de um tempo guiado por horas para nossos filhos, infelizmente.

mercoledì, aprile 12, 2006

As meninas tukunas e suas tradições...

Por que trazer até vocês as fotos dessas doces meninas tukunas? Por que são muitas as coisas que fazem com que suas vidas seja interessante para nós, meros espectadores, é claro.


Primeiramente indenpendente de menina ou menino todas as crianças tukunas quando nascem são pintadas com jenipapo, assim como a gente estava pintado, só que eles pintam toda a criança, pois acreditam que esse ritual vai proteger a criança dos perigos do mundo.


Mas o que é o jenipapo? O jenipapo é uma fruta verde, e muito consistente, não sei ao certo se é comestível ou não, sei que não quis me arriscar. Depois de coletada, os índios ralam a fruta e misturam um pouco de água, depois de bem esmagada a fruta vai soltanto uma tinta preta, que foi da qual nós nos pintamos. O jenipapo leva de duas a três semanas para sair e muitos tiveram a oportunidade de nos ver pintados. Uma experiência incrível, pois eles acreditam que esse corante natural protege para muita coisa, além de ser um repelente natural, já que lá mosquito é o que não falta, de certo forma creio que nós incorporamos um pouco daquela força do jenipapo. Não sei mas eu, particularmente, senti uma grande energia quando me pintei, e uma paz muito grande, necessário para aqueles dias.

Depois gostaria de ressaltar a indenpendência das meninas, que desde cedo cuidam dos irmãos mais novos, isso sem falar na sua indiscutível beleza. Nossa, é muito impressionate a beleza das meninas indígenas e de seu sorriso maroto.


Outro motivo pela qual quero falar das meninas tukuna é pelo fato de elas serem o grande incentivador do cultivo de uma das mais fortes tradições deles: A Festa da Moça Nova, essa festa marca a passagem da menina para a vida adulta, para nós a primeira menstruação. Primeiramente a menina é mantida em reclusão e tem contato somente com a mãe, nesse período ela aprende a fazer os artesanatso da aldeia, com as fibras e corantes. Passado esse período de reclusão a comunidade se reune num local um pouco distante do centro da aldeia, chamado Casa de Festa da Moça Nova, os índios levam suas redes e lá permanecem em três dias de festa, bebendo suas bebidas tradicionais e dançando, depois de muitos rituais o cabelo da moça nova é todo arrancado, pela mãe e pela avó. Eles acreditam que esse ritual, se completará quando o novo cabelo nascer e junto com ele uma nova mulher preparada pra vida, para ser mãe, esposa.


Por isso trouxe até vocês um pouco dessas meninas, que são motivos do cultivo de tradições que aos poucos podem ir se perdendo. Mas o importante é que ele ainda se mantém e que se depender da falta de meninas para acabar, creio que não vá ser problema pois elas são muitas, bonitas e carismáticas.