martedì, marzo 24, 2009

Sou agora, o que querias...

Ai, o sabor doce da inquietude
Sou, o que sou
e me vês como não eras...


Agora sou o que me via
Não mais o que fui
e me delicio com o amargo da finitude...

domenica, marzo 15, 2009

Uma tarde de domino e um colo...


Uma voz turva no telefone. Nem por isso menos meiga. Era a voz dela. Doce, pequena, a menina dos olhos de mel, dos cabelos cacheados, do meu amor mais incondicional. E com ela vieram os odores do porão velho quase que abandonado. Das paredes de madeira que aos poucos perdem a tintura. Das teias de aranha que eu tirava do teto em todas as manhãs de sábado. Rapidamente a voz se transformou em pranto do outro lado do telefone, deste lado do telefone. Éramos portadoras de uma distância tão grande naquele momento, mas nossas fragilidades nos faziam iguais. Isso pode ser devido ao simples fato de que somos irmãs. No entanto, somos mais, parece tão nítido que somos iguais.

E então Louis Chadourne estava certo quando devaneou: "Minha infância é um feixe de odores...E quem então não se lembra - ó fraternidade- de uma árvore,de uma casa ou de uma infância?". Ao atender o telefone fui tocada rapidamente por todos os odores daqueles outonos. Os aromas, os dissabores, cada sentimento da infância, do lugar, das pessoas, de tudo que me remetia ao lugar que minha menina estava. Mas, ela se desfez em prantos, mal conseguia soletrar sua angústia ao telefone. Eu cá deste lado da linha, 8 anos mais velha que ela não podia dizer mais nada a não ser, fica calma, dá uma volta...quem sabe sinta o vento na cara.

Mas, isso era tão vago para ela, que está impregnada no dia-a-dia daqueles odores e dissabores. Certamente aqui uns 8 anos, quando ela estiver deste lado da linha, como eu, vai entender que "nossa infância eterniza um odor de veludo"...tão bonito, tão puro, tão pequenos pertos aos grandes odores e dissabores da vida...

Queria ser o colo dela nesta tarde...Mas agradeço com toda a sinceridade o colo que tive nesta tarde...

lunedì, marzo 02, 2009

A viagem entre os dentes...


Aveludas estradas tortuosas
Nas "veradas" os poestas autênticos
se debruçam em tempestade de palavras...

Verbos, amores espalhados
nos versos murchos de verdes abóboras
As pedras ressaltam caramujos esbeltos
e teus olhos meu amor são só saudades....


Se vão os caminhos...das curvas deslizantes
Rodas, muros e outrora mais paisagem
Liquidamente perambulam os poetas
Verdes, sarcásticos e amantes...

E eles queriam as estradas mais sem curvas. Que bobagem se nas curvas se encontra o sabor doce da viagem....

giovedì, febbraio 19, 2009

Se quebram os vasos, também os amores!!!



Rosas verdes incolores
Cheiram Chuva turva nesta noite
Coloridas, sépias são minhas flores
Janelas fechadas, gritos e mais açoites.

Barulho estranho, sem calçadas
E as rosas vermelhas do outro lado
Os vitrines e as gotas despedaçadas
E o passo manso desencontrado.

Escrevo rima pelos cabelos soltos
E os espinhos das rosas gritam
Verdes incolores negros diamantes envoltos
das rosas desfeitas que se agitam.

Mais mãos nos cabelos enrosados
De perfumes nobres das minhas flores
secretas chuvas guardadas nos frascos
Um dia se quebram! Ai, os amores!

mercoledì, febbraio 11, 2009

Sete pecados..Quantos mais...


Desafio feito ...desafio aceito...Uma nova amiga de blog me desafiou a escrever sobre os 7 pecados capitais e a relação que temos com eles. Confesso, que nunca pensei sobre os sete pecados e tive que recorrer ao dicionário para entender os conceitos de alguns. Mas vamos ao que eu penso deles, e como vejo eles na minha vida.

Gula_Minhas gulas são insaciáveis, isso não posso negar. Poderia apenas dizer que sou fissurada por chocolate, ou frutas. Mas, minha gula se estende a vontade de conhecer e ter o mundo. Uma gula incontrolável de querer ir além do que sou e do que tenho, não no sentido material da coisa, quem sabe também dessa maneira. Acho, que sou visionária mesmo e minha gula maior é por conhecimento, novos lugares, novas culturas, assim novos molhos picantes em pratos afrodisíacos.

Inveja_Tenho sim inveja de algumas coisas. Não no sentido mal da palavra, quem sabe o que denominamos como "Inveja Boa", se é que essa expressão existe de fato. Sinto inveja de quem consegur ir longe, consegue ser grande. Quem sabe por que assim também quero e vou ser...

Ira_O que mais me deixa com ira, nervosa demais, é o julgamento sem cabimento. O julgamento com muitas acusações e poucas argumentações. Acredito na justiça, mas não na que os homens acreditam ser a mais coerente. Se o homem é o lobo do homem, por que deveria se acreditar na justiça feita pelos homens lobos, então?

Vaidade_Sou vaidosa sim com meu trabalho, minhas fotos, com o que escrevo...Sou vaidosa também com o meu cabelo, e às vezes com minhas unhas quando consigo deixá-las crescer...Gosto de saias compridas, de colares grandes e de brincos maiores ainda...To fazendo academia e tentando retomar uma dieta que abandonei na semana passada depois de passar alguns dias na casa dos meus pais.

Preguiça_Sou preguiçosa de manhã ao acordar, depois do almoço...e no final da tarde. Nada que me impeça de passar meus dias na correria, com muitos planos, projetos e papos, mas sou preguiçosa sim.....E queria uma praia e uma rede mais alguns dias...Não muitos também, por que monotonia me deixa muito nervosa...Não gosto de pensar demais na vida, por que penso demais, vivo de menos. E gosto de viver, e muito. O que me faz acreditar mais uma vez que é hora de acabar...

Avareza_Heheheh, o que é isso mesmo? Pelo que entendi avareza é apresso enorme por dinheiro, ou coisa do gênero. Gosto de dinheiro sim, por que sei o que é não tê-lo, no entando dinheiro não é o carro-chefe da minha vida. Ele pode comprar emoções, mas ele não é responsável em criá-las. Ou será que é? Bom, não sei o que dizer sobre este pecado. Gosto de dinheiro e quero ter bem mais para poder financiar minhas gulas, mas sei que ele não compra virtude.

Luxúria_Só a coisas subjetivas....


Aí estão meus e teus setes pecados capitais. É bem interessante pensar sobre eles...mas acho que ainda não tenho maturidade para identificá-los na minha vida....Mais bobagens e bobagens..

venerdì, gennaio 30, 2009

ela queria que o mundo terminasse ali...


Uma tarde cinzenta e miúda. Dessas tardes que chega doer o olhar de tão calado, tão parado. Ela caminhava. Não buscava nada, só se deliciava em pensamentos julgadores da felicidade abstrata de tantas pessoas a sua volta. Sentia a falta de calos nas mãos e seria capaz de passar a tarde toda a tatear apenas aqueles fragmentos.

Nada procurava, no entanto foi breve quando tudo encontrou. E as horas parecem que também paravam, inertes, um único foco. Tudo soava mais calmo agora, mais verdadeiro. Tudo era de um olhos mergulhados em falta de respostas. Era estranho carregar tantas memórias ainda na pele. Um toque, um olhar, uma palavra. E a tarde ia mais devagar, mais rápida...E como poderia um dia supostamente acabar? Sabia cada detalhe de pele, de cheiro, de olhares. Sabia descrever minuciosamente cada detalhe, cada palavra que seria dita..Poucas, no entanto, seu mundo parava naquelas horas.

Assim, naquela minúscula tarde vazia, tudo tomara um sentido indiscrítivel como se os calos às mãos pertencessem, como se as respostas ao mundo não abalassem. E tudo poderia morrer ali parado naquela paisagem, que sua vida seria mais uma vez feliz, mais uma vez verdadeira....

giovedì, gennaio 22, 2009

Tão pesado .... não falas mais nada

Os ossos exaustos dóem de amor
Nas emaecidas manhãs que se findam
As velhas unhas já sem cor
Querem se despedir das mãos que me duvidam...

Nos olhos pesam incongruências
Tão pesado, tão doído, tão absurdo
E as costas marcada de tantas penitências
Desfilam no chão sombrio, mas sorriem, contudo....

Divagam na dor aguda dos ossos
Versões, nítidas de querer, não querer
Como água destilada que as mãos tocaram no poço
E as costas a desfilar uma breve vontade de viver


É...tão pesado, tão doído, tão absurdo
Ossos, unhas, costas e mãos
O meu rosto repentinamento desnudo
E imaginar que a vida é assim precípua ilusão...


Versos de Fran Rebelatto, escrito nas margens de uma folha de papel hoje à tarde, quando mais uma vez as horas demoram silenciosamente a passar..Um eu poético, um tanto verdadeiro, um eu poético um tanto melancólico. Eu? Não eu? Entre poetas, fantasmas e a carne tudo é tão breve, tudo é tão fugidio....Gosto destes momentos de intensa solidão...

martedì, gennaio 20, 2009

...uma tarde mais...


A tarde rasga gargantas mudas
Espinhos dormentes cortam...
de uma nitidez quase desnuda
a fragilidade das horas que sobram...


Os pés rígidos cercados de desgosto
E os espinhos rasgam também a face
tudo são notas vagas longe de agosto
é a tarde...está vaga e longínqua tarde...



sabato, gennaio 10, 2009

rua…

Os pés ansiosos caminhavam apressadamente. A cidade muda, as pessoas inertes. Tudo era velho e estranho, ao mesmo tão familiar. Um pouco de ar, depois de dias no enclausuramente do meu quarto. Silêncio. Minha irmã balbuciava algumas palavras do meu lado. Eu evasiva sentia vontade de caminhar mais rápido.

A direção insensata das poucas palavras de saiam dos meus poros, era fugaz, desconhecida. Eu queria o cheiro de mar, queria o cheiro do outro lado do oceano. Quem sabe do inesquecível que ainda não conheço. O mundo tão imenso, nós tão humanos…

venerdì, gennaio 09, 2009

Saudades in the arms, legs, eyes...


Nostalgia ... Saudades love of the sea in the arms, legs, no eyes...

Saudades nos braços, nas pernas
no olhar evasivo que se espalha na madrugada doentia
tudo tão longe do mar
tudo tão abandonado em mim...

gosto amargo de saudade nos lábios
duro instante que não me ouve
é silêncio, nem mesmo frio
tudo está tão quente
faz mais uma madrugada de silêncio nos calcanhares...

Um toque, duas palavras
mas me abandonaste em meio ao concreto
os prédios gélidos, os olhares desconhecidos
a solidão, de fininho uma angústia corrói tecidos...

Minha doença é o excesso
minha falta do sal
minhas feridas no mar
meu amor queria encontrar-te ao final...

rimas desrimadas
vida, desvivida
do sofá, para as paredes mórbidas do quarto
quantas poesias piegas mais
só queria sua voz ao telefone
nem que fosse a me gritar...

martedì, gennaio 06, 2009

Ai que saudade do mar..amor


Eu não gosto do mar para tomar banho na sua água salgada, quando menos para deitar na areia e passar a tarde tomando banho de sol. Eu gosto da imensidão do mar, daquela fantástica magnitude que parece nunca ter fim...que parece que circunda o mundo tirando a respiração de quem gosta de metáforas.

Passei um bom tempo sem ver o mar...Meus pais nem o conhecem...Nunca tivemos a tradição de viajar em família nas férias para a praia ou coisa do gênero. Aliás nunca tivemos férias em família, os recursos eram poucos,e a vida que levávamos não permitia que toda a família saísse de casa. Quem mora pra fora sabe o que é isso, os animais dependem do homem e o homem depende do animal. Cumplicidade, ou então prisão, sei que as coisas nunca foram fáceis e por isso o mar era tão distante.

Mas sempre ouvi comentários sobre ele, muitas vezes o vi pelas novelas e filmes. Fiquei em frente a ele, bem depois dos meus 15 anos. E era de tirar o fôlego, aquela vontade de trancar a respiração para não atrapalhar aquela beleza...para não perder cada centímetro de metáforas que iam e voltavam com as ondas, com o vento gelado de uma viagem no inverno à Santa Catarina.

Mais tarde, os tempos mudaram, e a vida me levou muitas vezes mais ao mar...em tantos lugares deste país, que meus pais nunca seriam capaz de imaginar. Na semana passada depois de uns 2 anos sem mar, eu volto a tocar nele. Sentar em frente a sua magnitude e então me ponho a pensar que o poeta estava muito coerente ao explicar metáforas ao carteiro, ali na areia da praia, quando as ondas vão e vem....Quando a água, o vento e a brisa conseguem me fazer sonhar....E um dos meus maiores sonhos é levar meus pais até lá, bem pertinho para sentir a leveza do mar....Logo, logo se Deus Quiser...Pois para 2009, mais mar, mais vento na cara, mais mochila nas costas, mais família comigo....

venerdì, dicembre 26, 2008

Em 2009, novas janelas...


Gosto de pensar o novo ano como janelas, aquelas já citadas em poemas de Mário Quintana. O ideal seria se conseguissemos sair à rua como quem vê das janelas novas possibilidades. Das janelas novas paisagens, por isso um novo jeito de olhar. Da janela novos ares.

Bom, estou partindo para uns dias de férias de uma janela à beira do Mar, do sol, da areia...Depois mais uns dias em Charrua...Para todos, um 2008, com muitas janelas, com muita luz que vem delas, e com um novo olhar sobre o mundo, todos os dias ao abrir uma nova janela

giovedì, dicembre 18, 2008

Múrmurios

Decididamente, hoje estou muito mais indignada do que todos os outros dias. Perdão por ser assim, mas francamente eu não sai de Charrua, para sofrer, para passar minha vida de uma forma medíocre e sem sentido. E olha que nesse caminho entre sair de Charrua, e hoje estar aí disposta a ir muito longe no mundo, já fiz muito burrada, mas muitas coisas bacanas também.

Mas, assim, to de saco cheio dessa história de reclamar da vida. De pessoas, que vêem o seu umbigo como a única coisa sucetível aos problemas do mundo, como se o resto da humanidade não tivesse mazelas, como se as pequenas coisas insignificantes da sua vida fosse motivo para tragédias, para se trancar no quarto, para querer ver os outros sofrendo....

No entanto, temos escolhas, disso não temos como fugir, eu escolho voltar todos os dias...Fazer o que...Estou certa, estou errada? O que posso dizer é que preciso voltar, por que preciso provar para mim, para ti que a vida é mais linda do que se imagina, que o mundo é maior do que se pode crer...e que ser feliz é tão simples, e tão mágico. Pena, que tens medo...pena que tantos de nós temos medo...é muito mais fácil fugir, não é mesmo...É muito mais fácil vestir máscaras...sofrer...
É difícil admitir que se pode ser feliz, que se pode perdoar, que se pode amar...quem sabe tenha muito ainda que aprender...Assim, como eu....que a cada dia aprendo mais e mais...com dor, com alegria....Tudo num singelo acordar e dar sentido para a vida...

lunedì, dicembre 15, 2008

árvores...


Sinto vozes de um vento estranho a crepitar em mim...
Quem sabe são apenas as lamúrias destes longos e tardios dias
que não são nem mais, nem menos tristes
que não são nem mais, nem menos dramáticos

vejo que árvores tem raízes
das mais esbeltas, as rarefeitas
vejo que a beleza da eternidade reside em não divagar mansamente nesta infinitude
paro para escrever estas meia dúzias de vagas idéias

já é madrugada
lá fora mais calor, mais barulho da noite mansa, estranha
do alarme de um carro, algumas vozes, do boteco da esquina
aqui dentro novos porta-retratos, as costas tortas
e as árvores lá de fora que eu abracei naquela tarde?
Ai, as árvores....que não são nós, que não são sós...

as árvores e as madrugadas...queria abraçar eternamente...

giovedì, dicembre 04, 2008

Nas manhãs, nas madrugadas


Respingam gotas de solidão
sobre a noite esfacelada
a pólvora ainda seca nas mãos
e a doce e vil garganta calada...

Goteja o grito abafado
na quase madrugada despedaçada
O perfume dos meus olhos condenado
e um pedido às horas atropeladas

Não sinto mais brilhar
nem as manhãs, nem as passadas
sinto apenas a gotejar
o desejo de tudo ser um dia águas abandonadas.


Eu queria apenas voltar a ser feliz...Queria apenas te fazer feliz...

lunedì, dicembre 01, 2008

Um medíocre ponto-de-vista



Eu queria sentir a cabeça de curiosos homens que os artistas anônimos deixam esculpidas no meio do nada. Quem sabe são peça inacabadas, e por que não homens já feitos de tensões, apreensãos e felicidades?

Eu queria também, entender a cabeça de curiosos pensadores como Lévi-Strauss no seus 100 anos, de Darwin, Sócrates, Aristóteles, e a minha então, por que não. Eu queria entender as obras, também o sabor dos vinhos mais quentes.

E nesta batalha de tentar entender, Einstein um dia diria:

"Uma coisa é importante: abalar o que é chamado de realidade através de alucinações adaptadas, assim como alterar as hierarquias de valor do real".

Eu queria entender por que os fenômenos astronômicos demoram tanto tempo para acontecer, e por que as catástrofes são cada vez mais freqüentes. Eu queria entender, por que é necessário pichar as escadas da Cesma com uma "arte" vulgar e pequena. E por que tem gente que reclama tanto da vida, quando tem tantos e ínúmeros motivos para viver....

Caros, leitores, depois de uma breve hibernação introspetiva, cá estou de volta, ainda tentando entender o mundo, agora no caminho da antropologia... Mas ainda, com a mesma subjetividade tão pertinente e importante ( ao menos, do meu medíocre ponto-de-vista)

domenica, ottobre 26, 2008

Estava em mim...

O ar-condicionado
transpirava a leveza dos meus poros
Mãos nas guitarras
Olhos nos meus braços
Mais um gole
e você estava em mim
Mais um gole
e eu tão feliz assim...

Eu queria compor uma música.
Mas só me detenho em sonhar
Aqui comigo, aqui com você...
De bicicleta...e por que não caminhar?

Um poeminha leve, e muito sincero numa tarde chuvosa de domingo, que to trancada aqui na redação....Com tanta vontade de estar em casa..só mais um pouquinho, quem sabe para sempre entre minhas quatro paredes...

venerdì, ottobre 17, 2008

E as mazelas do mundo? Prefiro os fantasmas...


Há dias que não saio muito de casa, não tenho assistido televisão e apenas junto o jornal da sacada e jogo no sofá da casa. Tem sido confortável as 4 paredes do meu quarto, os estudos da antropologia e longas conversas no msn. Tem sido bem mais confortável minha cama e conversas com meus poetas fantasmas.


As poucas vezes que sai para a rua me detive em conversar com velhos amigos, velhos assuntos, sem novas teorias, quanto menos a reflexão sobre a realidade atual, questões econômicas, policiais e tudo mais. Tem sido confortável ir ao cineclube assistir filmes de memória, comer negrinho na casa de amigas falando besteiras e assistindo Xeque-mate. Tem sido confortável o café no final de tarde e quem sabe um dia o tão sonhado baguete. Uma breve volta até o banco, e comprei algumas roupas novas e voltei ao meu quarto.

Hoje, no entanto, me permiti um pouco mais, deixei de lado meu egocêntrismo destrutivo e descobri que as mazelas do mundo são intermináveis. E neste ato de me permitir saber o que estava acontecendo no mundo descobri que: a crise atingiu a empresa em que trabalho; que um casal de amigos terminou o namoro; que a mãe de uma amiga está com cancêr no rosto, depois da vida inteira se tratando para sinusite; que serão cancelados todos os estágios em jornalismo, e querem também derrubar o diploma; que devido a crise os investidores no filme do Rodon deram uma segurada, está tudo parado no cinema e ainda fiquei sabendo que um ex-namorado seqüestrou a namoradinha de 15 anos e ainda atirou nela e na amiga - o caso já perdura 101 horas e eu não sabia de nada.

Jantei atônita hoje, por que nem ao menos sei quantas maldades mais a Flora fez na novela. Jantei com o estômago embrulhado e continuo aqui perplexa por que mais uma vez a vida mostra que o mundo está cheio de loucos e a gente nunca sabe qual é o limite da loucura dos outros... Rapidamente me tranquei no quarto senhores, por aqui dentro minhas mazelas são bem menos doídas, e quanto as mazelas do mundo lá fora, é isso mesmo: deram sangue aos homens agora quem os pode entendê-los?

Com licença, mas eu preciso continuar entre minhas quatro paredes, com meus livros e apenas dialogando com fantasmas poetas. Por serem fantasmas, eles não tem sangue, por não terem sangue não tem calor, por não ter calor apenas sopram palavras bonitas no meu ouvido enquanto durmo...

giovedì, ottobre 09, 2008

Coloca sal nas feridas...que passa...


Sou adepta ao pensamento do Grassi: Sento para ver o filme pela primeira vez e me deixo envolver pelo espetáculo. Me envolvo Pela emoção e motivação que me faz permanecer em frente à tela. E foi isso que eu vi ontem no Filme "Netto e o domador de cavalos" - de Tabajara Ruas.
Mas, a pré-estréia do filme aconteceu durante um evento das ciências sociais, e ali no público encontravam-se: cientistas sociais, historiadores, "críticos de cinema", cineastas, jornalistas, estudantes ou apenas amantes da sétima arte.

E é óbvio que a interpretação de cada um está restrita ao seu modo de ver as coisas, a sua bagagem cultural e acadêmica que engessa de certa forma maneiras de pensar e até mesmo apenas apreciar um filme ao final da tarde. Para os cientistas sociais a memória que no filme é tão bem explorada poeticamente tem sentido muito mais amplo e antropológico. Para os historiadores a preocupação era com os fundamentos coerentes da pesquisa histórica que foi feita antes do filme, se tal personagem existiu de fato ou não. Para o "crítico" de cinema, sempre há problemas, sem há exageros. A música de Vitor Ramil não era adequada, o pôr-do -sol já virou clichê, a narrativa estava arrastada. Mas como diz Tabajara Ruas citando outro autor: "A crítica é nada". Para os amantes do cinema como Grassi e como eu (claro que em nível bem inferior) o filme estava um espetáculo de arrepiar o pêlo de qualquer um.

Sim, é certo que muitas coisas me incomodaram como a música do Ramil por exemplo, que para mim é linda, porém creio que precipitada em certos momentos de dramaticidade. A fotografia do fime é excepcional, afinal o Rio Grande do Sul por si só é de uma beleza e leveza incrível. O pôr-do-sol era de fazer qualquer cusco arrancar lágrimas dos outros. E não é um filme gauchesco, é um filme que reconta de uma forma encantadora e cheia de dor a lenda do negrinho do pastoreio. E sabe que nem mesmo o Tarcísio Filho de índio me incomodou, antes mesmo quando lia a "crítica" também achava meio estranho o personagem, mas vendo e sentindo o filme acho que não poderia ter sido uma melhor escolha. Ah e a narração? A narração foi o elemento esssencial. Foi o que deu mais vida, mais tom, mais beleza ao filme, para mim a melhor coisa de "Netto e o domador de cavalos".

Sei que estou rasgando só elogios, mas sei lá. Acho que de crítica Tabajara Ruas pelo que notei já está farto, acho que falta pessoas com sentimento livre e sem pré-concepções para apenas sentar num audirótio e apreciar, degustar o filme deixando se envolver por sentimentos. Acho sim, que muita cenas foram arrastadas demais com a das 100 chibatadas, ou então da briga entre o índio e o empregado do estancieiro. Daquelas cenas que de tão longas faz o público se retorcer na cadeira, falar baixinho incomodado. Mas, acho que no "Netto e o domador de cavalos" o arratar dessas cenas foi essecial para dar ainda mais dramaticidade e veracidade ao que foi de fato a história do nosso estado. Uma história abaixo de sangue, escravidão e muita dor...

Para finalizar creio que os cientistas sociais, historiadores e críticos tem que entender que Tabajara Ruas escrever romances, por isso "inventa" narrativas, reconta personagens e não tem obrigação histórica, antropológica ou de seguir esse ou aquele padrão cinematográfico. Tabajara é um literato, e por isso tem a liberdade de escrever apenas....Mas, acho que discussões como as de ontem sempre nos fazem pensar mais sobre o que vimos, o que produzimos e especialmente que cada um tem seu modo de ver, entender e julgar o mundo. E e muito fácil criticar quando se tem o olhar distante da produção, do fazer, da finalização. Quando se tem o olhar distante do ato de viver...
Mas como diziam os antigos põe sal nas feridas que passa..Ou então, deixa vivo que as formigas gostam mais...

venerdì, ottobre 03, 2008

Vale a pena contar histórias...

Concurso de Crônicas relembra histórias dos 48 anos da UFSM
02/10/08 16:10:05

A UFSM, através do Gabinete do Reitor e do Programa Volver, recebe até o dia 13 de outubro as inscrições para o 4º Concurso de Crônicas “A UFSM na Sua História: Coloque no Papel a Bagagem da Sua Memória”. A inscrição é gratuita e aberta a todos os egressos e formandos de 2008, sendo que o concurso visa ao resgate de acontecimentos vivenciados na instituição. A realização do evento é do Volver: Programa UFSM de Ex-Alunos, o qual possui mais de 4 mil egressos cadastrados que permanecem ligados à UFSM mesmo depois de formados.

Uma das vencedoras da 3ª edição do concurso, a jornalista Francielli Rebelatto destaca a importância de perpetuar as lembranças da época de universitária, em situações pessoais, profissionais, de amadurecimento, que apenas a universidade proporciona. Segundo ela, uma universidade pública como a UFSM, que possui tantos cursos e abriga tantas pessoas precisa reunir memórias simples, histórias engraçadas, tristes ou emocionantes que são desconhecidas, observa.

A premiação do concurso, entre os egressos, é de R$ 1500,00, R$ 800,00 e R$ 400,00 para os 1º, 2º e 3º lugares, respectivamente. Os três melhores classificados entre os formandos serão premiados com R$ 1000,00, R$ 600,00 e R$ 300,00. Os vencedores também receberão brindes como livros e cursos de idiomas. O regulamento está no site
www.ufsm.br/volver.

Mais informações pelo telefone (55) 3220-8222 ou pelo e-mail projetovolver@gmail.com.
Ta aí pessoal a notícia divulgada no site da UFSM..Vale a pena contar histórias...E eu sou testemunha disso....