lunedì, aprile 19, 2010

Cores do verso contorcido na miragem de um jardim...


As imagens que povoam meu contrasenso brotam...
desconexas sensações das folhas que caem sobre a sala.
O inverso do reverso sentido das cores, formas, tecidos.
O verso desritmado dessa noite que chove lá fora.
As flores tocam o cetinoso vazio dos contornos da pele flácida.
E eu vou viajar contigo mais essa noite....
num passo sideral,
mas no inverso, reverso das cores quentes, negras de lâmpadas floridas.

mercoledì, aprile 07, 2010

ali na cerca...desconexões


a água parada na garganta
um torcicolo sobre os ombros
a tendinite no braço direito
as rugas no colo...

Retorcidas reentrâncias de algo/alguém carnal...
e a alma dilacera-se em profundas inquietações.
nada de novo/tudo de novo...

é questão postural
uma cadeira alta
um computador novo
fugazes lembranças
desejo atroz
e entramos no devir...indevido...

é isso...
Boa noite!!
a cama aqui do lado...possessiva...

venerdì, marzo 26, 2010

Vento...invento


És vento...confuso/ atento.
És vento... penetrante/ intenso.
És vento... fugaz/ efêmero.
És vento e invento...


Varre a lateral da minha espinha
seduz meus poros venéreos
as mãos agarram a madeira
retorce a alma.

Ludibria minha sensatez
molha a boca
escorre sobre pêlos minuciosos
invade a alma.

Seduz os olhos úmidos
toca as linhas dilatadas
arrasta os sentidos
penetra a alma.

És vento e invento!
E ainda um restinho de "vento" a latejar.

Poesia inspiarada na música Invento de Vitor Ramil .

lunedì, marzo 22, 2010

As viagens...e os paradoxos


"Se nossa vida fosse dominada por uma busca de felicidade, talvez poucas atividades fossem tão reveladoras da dinâmica dessa demanda - em todo seu ardor e seus paradoxos - como nossas viagens. Elas expressam - por mais que não falem - uma compreensão de como poderia ser a vida, fora das restrições do trabalho e da luta pela sobrevivência".

Alain de Botton in A arte de viajar

mas nas viagens continuam nossos paradoxos intrínsecos a condição de humanos, na saudade de casa, dos que ficaram e nossas apropriações. Então, voltamos, e o cotidiano paradoxo da existência persiste.

sabato, febbraio 27, 2010

Boa noite, Verônica


é silêncio...é noite
Tambores ressoam do íntimo
Tudo é silêncio
Nada é silêncio

Ambiguidades. Fluidez
Tudo é construção

Ah, os humanos, vagos humanos
No estático perdurar da vida
E as águas marinhas...
com vida eterna

Mas nada é eterno
Tudo é eterno
Terno e interno
silêncios que gritam
E as pesadas mãos sobre o piano:

Boa noite, Verônica!!!

martedì, febbraio 02, 2010

escrevo poesias...também...nos finais de tarde

Me trouxeste flores...
amores
o perfume denso de rosas...
pequenas
o toque aveludado de mãos...
calejadas

Me trouxeste melancia...
coco verde
tranças de uma china
e versos rimados andando...
de tarde

Fizeste renascer...
a velha bruxaria
desceste do cavalo...
e
entre arames enfeitados...
mais aquela noite


Mas, insiste em ir embora

desce rente ao castelo
para lá do outro lado...
do brejo
lá princípe não tem beijo ...
de princesa
aqui...
eu sapo vivo de desgosto....

martedì, gennaio 19, 2010

A tarde mais longa...

A porta não abre.
Já é final de tarde.
Não ouço passos no corredor.
Só o silêncio.
Perturba.
Machuca.
Invade.
O cheiro não desliza pelas horas vagas.
Nem o toque calmo é na pele dado.
Só o vazio consternado.
É silêncio.
E eu divago.


Durmi hoje até tarde.
Confidenciei para as paredes claras a ausência.
Os braços retorcidos.
O relógio despertava.
Permanecia ali deitada no soar da chuva.
E chovia. Chovia.
E eu vazia, queria nada.

É final de tarde.
Desligo o computador.
Viro as costas.
Fecho a porta.
Vou embora.
E hoje foi o dia mais longo daquele lugar.
E eu a divagar.

domenica, dicembre 13, 2009

A vidraça e o aço!!!


Mergulho nas horas longas
o silenciar dos passos
burbulham inconstantes nuâncias do íntimo

prescrevo as palavras guardadas
são enunciados
significantes murmúrios do vagar

carrego atônitos secretos toques
estendes tuas mãos
toca meus pés
fazemos amor,
e divagamos na essência de um querer estonteante!!!

mercoledì, novembre 25, 2009

As nuances de um cheiro impregnante.


Confesso que minha memória visual é bem mais eficiente que a olfativa e a tátil. Tanto que lembro-me perfeitamente sempre dos traços, das rugas, dos calos, e muito pouco do cheiro. Mas, isso é uma questão de maturidade, de consciência corporal e existencial, não tenho dúvida. Tanto que ultimamente ando me dando conta do quanto consegui desenvolver minha memória olfativa. E é impressionante como o cheiro impregna na gente, na nossa vida, nos meandros mais insólitos de nossa existência. Até meu próprio cheiro é mais consciente agora. E eu gosto de cheirar, por exemplo, meu próprio nariz...hehehe...Cheirar o próprio nariz é coisa de louco eu sei, mas eu gosto, que posso fazer: "de santo e louco todo mundo tem um pouco, não é mesmo?"

Mas o que mais tem me perturbado é o cheiro do "outro", daquele que é diferente de mim, mas ao mesmo tão desejado próximo, daquele que invade. O cheiro vem de longe, fica na roupa, no travesseiro, do lado de fora da porta ainda fechada. E que cheiro: perturbador, estonteante, o que é pior....excitante, bom....

Enfim, apenas o relato de que um cheiro me perturba profundamente neste momento, que permaneço calada por aqui. São as produções acadêmicas que sugam minha poética, desculpa, mas voltarei....logo!!! Renascendo como sempre, devaneando como sempre!!!

sabato, novembre 07, 2009

No intocado mundo das bruxas...caem!!!


caem pétalas
a pele é branca,
e o frescor da noite invade...

caem gotas de suor
o calcanhar é silencioso
e os passos mansos dançam...

caem paixões
os pés pequenos desenhados
e as mãos do mesmo tamanho, com calos...

caem palavras
a vontade do toque insistente
e as intenções longas, venéreas, quentes...


caem as noites
os sonos leves impregnados
e as rosas rosa, vermelhas
e um bilhete ali guardados....

domenica, novembre 01, 2009

Clâmides frescas, brancuras frias...nebulosa..a lua!!!

Ontem a noite foi assim. Fomos cúmplices singelas de uma longa conversa madrugada a dentro. É, fazia tempo que nossas faces brancas não compartilhavam de um momento nostálgico e quente na janela do quarto verde lá de fora. Deitei-me na cama, com lençóis de cetim, ela estava do meu lado, invadia bem devagar minha retina, cobria por vezes meu corpo.

E assim fomos deslizando as profecias, de bruxas insensatas, de lendas que se perdem em tantos discursos. Mais uma vez discorria a ti aqueles segredos pormenorizados e escondidos nas rugas da minha face sempre sedenta de energia. Lá fora a noite estava calma, quente, um silêncio ensurdecedor invadia os tímpanos sensíveis das donzelas, e em leves sopros eu lhe confessava em forma de poesias.

É, fazia tempo, as estações já passavam despercebidas, e eu vã descrente das crenças mais loginquas, esquecia da lenda perdida. Os lençóis me cobriam, ela também deslizava sobre ele, numa dança norteada de leves toques. Entre o ir e vir das palavras, eis que eu lhe confessava. Estavas comigo, mas me sentia sozinha. Mas, eu gosto da solidão das montanhas e das janelas da casa verde, em alguns momentos.

É, fazia tempo, que meu olhar não mais procurava confidenciar nostálgicas sensações, ou então, vibrantes desejos. Mas, ela sabia, de cada detalhe de todas as histórias, de todos os segredos, de todas as vontades depositadas em "meros" 25 anos. E assim voamos juntas...Adormeci entre os medos. Adormeci como uma criança que volta pra casa. Mas, não era minha casa. Quem sabe a sensação se deva por ela estar ali, a me tocar. Cada centímetro desnudo dos meus poros, da minha alma.

Lhe resguardava sempre nitidamente rimas que se estendem entre uma madrugada e outra. E sempre lhe pergunto se minha insanidade a incomoda? E a mim incomodaria? Sei lá, é como não se sentir humano, ou então, humano demais diante da vida. Carnal demais para quem gosta de sublimar entre devaneios atemporais. E a madrugada se distende infinitamente. Durmo devagar. E ela a me tocar. Mas acordamos separadas...

Olho pela janela da casa verde e vejo que as coisas mudaram por aqui também. E lá fora continua quente, silencioso e singelo!!!! Ela se foi com pés leves sob as nuvens, deu espaço ao sedento desejo de um dia quente, inebriado, violento e que me retiro para não lhe confessar mais!!!...Sou insana e nunca tive dúvidas disso - confessa-me Satania...A não lembram? da velha bruxa de antigas histórias!!!...Ela voa leve por aí, e às vezes volta!!!

giovedì, ottobre 22, 2009

A caça!!!

Deleito-me no jogo sinuoso de palavras
portas
limites
medo
olhar
deleito-me, por fim, no jogo sinuoso de caça
Palavras, portas, limites, medo, olhar...caça
o jogo sinuoso de ter-te em mim!

lunedì, settembre 21, 2009

Passaste em mim



Um toque
longa permanência adentra na escada
tão pouco - tão nítido
me dilacera os poros
demarca minha pele

Breve
um instante de presença
invade a melanina
e transpiro já tua ausência

uns sentimentos vão
outros porém, ficam...

martedì, agosto 25, 2009

No meu caminho...


Curvas sinuosas refazem pensamentos
Solidão de noites longas com estrelas
e a escuridão das madrugadas....
Silenciosas
Vozes dilaceram os poros inquietos
São tantos
tão poucos
Absolutamente despidos ao meu redor
Somos ligeiramente poetas
Somos intensamente o medo de amar...

mercoledì, agosto 05, 2009

do lado de lá...ecoaaaaaaa....

A garganta....
subo alto e grito
ecoa sonoramente
o suave toque da minha saudade..

algumas distâncias mais
e tudo deixa de ser distância
aqui nesta fronteira
os braços e suas nuâncias...

domenica, agosto 02, 2009

ao novo amor dará...o que tiver que dar...


E a dor poderia dar no mesmo lugar..
da alma - ao corpo material...
mas os devaneios se sobrepõe a real tentadora vontade de ficar
partir e então levar os devões

ficar e então ser forma e conteúdo...

Amor dará...e receberá...
o tempo é um espiral
existe mão, boca e o ato nada banal....

vamos assim esmiuçando as tentações
do tempo partido e descarnado do ontem
o hoje, o porém do amanhã sem sentido

mas é na estrada
que as pétalas vulneráveis se desfazem

que a sedenta noite cai e proclama
é a saudade que resiste

enfim somos tolos, humanos, calejados
as fraquezas mais carnais e almáticas
que percorrem veias, sangue, áurea
e a flor se abriu
prefiro as pernas que me movimentam
o amor que me contrai

mas a gente não inventa a dor
e frente um ao outro a gente se sente bem melhor
Bem-vindo ao amor....

lunedì, luglio 27, 2009

momento singelo



Singularmente

nos meus dias

em todos ansiosos...

mercoledì, luglio 22, 2009

Longos respingos de uma solidão passageira



Longa madrugada silenciosa
um vazio
o vento cortante debaixo da porta
nas veias saudade....

giovedì, luglio 16, 2009

Fragmentos: 02:00horas da manhã....


Sutilmente me toca
perversamente me possui
densamente me consome
futilmente me destrói
profundamente me desejas
vulgarmente me esnoba
tensamente me envenena
cordialmente me ignoras
moralmente me ama
formalmente me condena
parcialmente me admira

a outra parte tratarei de ter só pra mim...


OBS.:Fragmentos: 02:oo horas da manhã..tentarei durmir, depois de cortar o dedo, e deixar correr o sangue...Gosto dele...e às vezes acho que sou um pouco louca....

mercoledì, luglio 15, 2009

Os refúgios e seus devaneios intrínsecos.....


Aquele refúgio produtivo no meio da madrugada, entre uma reflexão densa e outra. Ah sim, queria falar de refúgios que são materializados e justificados das mais diversas formas. O refúgio na barra de chocolate quando se está nervoso. O refúgio da cama quente, quando está muito frio aqui fora. O refúgio numa boa conversa do msn quando já não se quer mais discursar sobre ação social e a "porra" do teu objeto de pesquisa. O refúgio dos blogs para preencher o vazio existencial - essas coisas que escrevo aqui por que não quero estar enchendo a cabeça dos amigos. O refúgio a uma foto, ou a uma lembrança quando se está com saudade. O refúgio a novela das 9 quando se acredita que a intelectualidade já está te deixando "careta". O refúgio as bergamotas no canto da mesa, quando no meio da madrugada dá uma vontade de um suco gelado de laranja, mas: Jayme, as crianças estão com sede e não temos mais laranja.

Os refúgios objetivos, subjetivos, que podem ser de uma natureza imediata, quer dizer não pode ser mediada por algo. Ou mediata, quando se tem um ente, uma razão, uma perspectiva entre. Mas eu prefiro o refúgio materializado numa boa conversa numa mesa de café. Numa cafeteria qualquer, que pode ser de um "distinto" grupo de pessoas que acreditam ser "cults" e "pós-modernos", ou a uma cafeteria que tem um público que fica horas debatendo os velhos problemas, e as velhas motivações. Pode ser uma cafeteria nova, que tem um público ainda a se formar. Enfim, mas minha atenção não está no público da cafeteria, nem nas "meninas" que servem o café, mas sim nas pessoas e nas intensidades das pessoas que se sentam na minha mesa.

Hoje, foi um dia assim, uma quase "reunião" comemorativa e pautada por interesses, projetos futuros em comum. 4 pessoas que compartilham de: ideais, ide(´)ias, posturas, e especialmente a fotografia. Um mais introspetivo senta no canto da mesa e parece estar numa "pós-vida". Outro mais entusiasmado quer saber os pormenores de uma viagem recém realizada. O outro que tem definições sobre a estrada no mínimo perspicaz e uma caderneta recheada de informações que norteiam certamente boas discussões. E eu, numa intensa crise de sinusite que se dissipou logo, aos meandros da conversa intensa. As motivações são várias, os planos muitos, as feições se amenizam.

O introspectivo paga a conta. O curioso tentado pelos detalhes sórdidos e o de definições perspicazes entusiasmado com as novas discussões que tem encontrado entre pessoas que pensam e discutem a tal "crise" das artes visuais. E eu, que também, me questiono sempre se de fato a "pós-modernidade" e seus movimentos estéticos justificam todas as produções, todas as discussões estéticas. É foi um bom refúgio de final de tarde de um dia norteado pela expectativa de quem ainda não sabe se vai estar impregnado pelo "estado da arte" constante para escrever mais um artigo em dois dias.

Agora são 02:10 da manhã meu refúgio é este texto, uma foto da estrada aqui do lado. Me refugiando em sentimentalidades para matar a saudade, e acreditar que toda essa história é bem real.... Ah, valeu amigos Fabiano Dalmeyer, Rafael Haapke e Ronai Rocha pelo café, e pelas sempre motivadoras ideias e motivadores refúgios....