martedì, giugno 03, 2008

4 anos...2 dias...Saudades sem número...Na CEU !!




Está sendo estranho. Confesso. Depois de 4 anos morando na Casa do Estudante - CEU, agora sinto saudades. No começo eram 60 meninas no mesmo quarto, mais de 80 na fila para o mesmo banheiro, Tomar banho, lavar roupas, fazer necessidades. Sem nenhuma privacidade, mas foi breve.

Passei pelo bloco 15. No começo moramos em 3, num quarto para 2, mas o negócio era ser solidário, ninguém ficaria mais na União. Conheci pessoas que hoje fazem mestrado em São Paulo, físicos, engenheiros químicos, agrônomos, engenheiro elétrico, guitarristas, artistas. Almoço no domingo, opa durante a semana janta coletiva, uma briga para lavar a louça, mas todos a disposição para olhar um filme, ou tocar violão. O pai de alguém viria, o churrasco estava marcado. Putz, e como eles eram irmãos. E como eu me sentia protegida, mesmo com pesaço na cabeça quando treinávamos nin-jutsu na calada da noite. O Jairo que o diga, por aquele acontecimento até hoje não sou mais tão normal.

Nos mudamos para o 21. Agora moravámos em duas. O Banheiro continuava coletivo. 3 lugares para o banho, mais 3 para as necessidades. Vizinhos que até hoje ainda merecem filosofias no meio de uma festa. Sim, eles também acreditavam que um homem não pode viver sem "fé e política" - num sentido muito mais amplo que merece estas palavras. Paredes do 21 que muitas coisas viram acontecer, novos vizinhos, novas histórias absurdas, visitas inesperadas, barulhos estranhos e comprometedores na noite escura e perversa. Tristeza no meio da madrugada quebro o quarto e me tranco no banheiro. Nada de anormal no CEU já vi muito mais, inclusive amigos no psiquiátrico, no meio da madrugada alguém mais se entristeceu.


Time de futsal, vôlei e não é que ganhamos até caixa de cerveja por isso. Quantos tragos, algumas boates, algumas domingueiras no Hall, muitos almoços e jantas no RU. Muita cumplicidade. E acesso à internet no laboratório de vários cursos. Mas éramos do bem, caminhávamos calados na noitinha. Camas no alto do teto, medo de cair, mais fazíamos tantas coisas lá em cima, lá embaixo então nem se fala.

Por último o 3119. Mais do que um bloco, mais do que um apartamento. Ali 3 pessoas, depois 4, 5, 6 e até que um dia 07. Volta a 6, depois 5 mas esses podem ser 10. Diversidades de opiniões, apesar de gostos parecidos. Pipocas espalhadas pela casa e brigas com os vizinhos. Ali todo mundo já surtou um dia. Pelo cara que usa teu sabonete no banheiro, pela comida que faltou na geladeira, pela porta que todos sabem abrir. Todos já riram muitos dias, normais ou um pouco alterados. Todos com sonhos, com intensidades, com vontade de viver abruptamente, irresponsavelmente, responsavelmente. Alguns com cara e personalidade de artistas, outros com vontade de o ser, alguns refugiados na comunicação, mas com visão de sociólogos, antropólogos ou afins. Vizinhos estranhos e inertes. Seres estranhos espalhados pelos cantos, Horlas, damas de vermelho, só faltava o vinil.

Muitas vezes sem grana. Domingo no almoço a Tia do 1 real. 5 horas, 6 horas da manhã pegar ônibus voltar para a Universidade. Banho de sol na lage, encima de um dos blocos. Encontro pelos corredores. Convivência, respeito mútuo, diversidade, verdade e sacanagem.


Sinto saudades da Casa do Estudante, mesmo que façam somente dois dias que me mudei. Sinto saudades do vento gelado embaixo da ponte e dos cartazes da vizinhança pelas escadas. Da Diversidade cultural nos churrasco que aconteciam na frente da minha janela: uns ouviam música gaúcha, outros aderiam ao Funk e eu sussura a eterna Elis, enquanto degustava o verde Saramago. Sinto saudade, e me atrevo a dizer que quem não passou, almoçou, conviveu, dançou, morou no CEU não sabe de fato o que é uma universidade.

3 commenti:

Banlieue ha detto...

Alemoa,

Ficamos em situação parecida nesse concurso sacana... Segundos suplentes... quem sabe nos chamam em 2025, vamos ser otimistas! mas valeu a pena mesmo assim!!!

Saudades tuas. Nos vemos por aí, bjosss

Susana Leite ha detto...

Ainda lembro do meu primeiro banho no CEU. Foi na época em tu moravas no bloco 13, aquele em que o banheiro ficava no corredor. Posei lá, porque tíhamos de editar um material no Estúdio 21 até tarde da noite. Para mim, foi uma situação estranha. Parecia que eu estava tomando banho em praça pública, e lembro de ti dizendo:"Nem te preocupa,guria, aqui é tudo tranquilo." E foi mesmo. Mas, que eu fiquei desconfiada, ah, eu fiquei!
Foram muitas converas fora, muitos planos... momentos corriqueiros do dia-a-dia da universidade que pasei contigo na Casa. Que saudade dos cochilos depois do almoço! Mas quando eu não conseguia dormir, ficava revirando aquela bagunça desvairada do teu quarto: Livros, roupas, papéis xerocados, revistas velhas, fotos de famílias, lembraças de todos os lugares por onde tu passaste. Isso sem falar nas comidas que tu trazia de Charrua, especiarias da tua mãe. Nunca vou me esquecer da garrafa PET cheia de mel! Fiquei louca quando vi aquilo. Eu queria comer todo aquele mel. Nesse dia, para completar minha gula, tu me ofereceu chá de coca. Pra quê? era a desculpa que precisava para ficar fuçando na garrafa de mel com uma faca, para adoçar o chá. fiz isso por um bom tempo até me tocar que estava demais,então parei. Mas tu nem percebeu!
Outra lembrança que tenho da Casa, já é da época que tu moravas no 3119, acho que foi uma janta, numa sexta-feira, antes de irmos para o DCE; ou foi num almoço, depois de voltar do DCE. Na ocasião, eu comentava que de forma nenhuma comia comida feita com banha - dessas de porco. Quando acabei meu comentário, tu me disse sorrindo debochadamente: "Essa carne que tu acabou de comer foi feita com banha de porco!". Acabou com meu ideal de vida saudável. E o pior é que tava bem bom!!
A casa do Estudante não marcou minha vida, mas a convivência com as pessoas que moram lá foram marcantes para mim. Principalmente, porque foi através de ti que conheci muito da realidade do (a) CEU.

Tati Py ha detto...

Certamente, morar no (na?) CEU deve ser um experiência e tanto... E, gozado, uma que quis experimentar. Tive a sorte de vir, com a família, pra Santa maria, no ano em que começaria o 2º grau. Assim, perdi a chance de viver apertadalegrementeindependente na casa.
Eu invejava quem morava lá. Quando estava na faculdade, comia no RU, muitas vezes, sem real necessidade (nos primeiros semestres, tínhamos aula em um só turno) só para companhar colegas do CEU.
Eles eram livres. Pobres, mas livres, como os Saltimbancos de Chico Buarque. E, talvez, mais conscienciosos e felizes.

Entendo tua saudade.
Mas espero que seja feliz aqui...
Quando tiver vontade de conversar, bata na porta, tá?

Sei que sou melhor escrevendo do que falando (ainda não temos muita intimidade,né?). Mas, se você chegar, páro tudo só pra te conhecer melhor.

Sinta-se em casa!
Beijo